Blind

6 Capítulo 6 - Distração


Notas iniciais
Olá! Como é aquele ditado: quem cai por último cai melhor. Não é isso? HAHAHAHA Have fun! P.S.: Essa fic é postada principalmente no spirit e pouco atualizada aqui por motivos de: não tenho visualizações como tenho lá. Por isso aqui vai o link para que você possa ler na íntegra: https://www.spiritfanfiction.com/historia/blind-11971823

Aquela semana estava realmente silenciosa na cidade, o que era um alívio para o departamento de inteligência, especialmente para seu diretor que teve o luxo de poder focar em seus casos intrigantes ao invés de ler relatórios infinitos de sua equipe.

Era comum que aos finais de semana os oficiais tivessem aulas de defesa pessoal na arena de luta do distrito policial e durante suas folgas ou tempo livre, todos tinham livre acesso ao local. Naquele dia em especial a arena estava cheia, especialmente com os novos recrutas, recém-chegados que ainda participavam de sua semana de integração na companhia.

Na semana anterior, Madara havia se juntado ao restante de seu time para as entrevistas a fim de traçar o perfil psicológico de cada um dos novatos e então discutir com sua equipe qual a melhor forma de conduzir as consultas durante a integração.

Era comum que houvesse uma reunião entre todos os diretores dos departamentos do distrito e consequentemente, Madara estava lá como representante da divisão de psicologia, que embora fosse pequena, tinha um trabalho importante com os recrutas e, neste ano a abordagem para com os novatos era diferente. Madara e seu time teriam uma participação muito maior na vida dos policiais, garantindo que eles suportassem as consequências de seu trabalho, especialmente com a equipe forense.

A reunião ocorreu sem problemas e sem extensão desnecessária com perguntas demais. Shikaku apresentou os novos times formados para cada divisão e seu respectivo diretor, a partir dali caberia a cada um decidir o que fazer com seus novos colaboradores. A nova forma de abordagem dos recrutas era a nova estratégia que Shikaku tinha em mente para impedir que tantos policiais resolvessem se afastar do trabalho e Madara concordava com sua visão, sendo o primeiro a falar a favor daquele plano. Porém nem tudo eram flores e um dos diretores mais velhos discursou algum tempo sobre como aquilo “amoleceria” os recrutas antes mesmo que eles estivessem acostumados com a vida de oficial.

Após a reunião, Hashirama decidiu que seria uma boa ideia que os diretores almoçassem juntos para confraternizar e lá estavam eles todos sentados ao redor da mesa: Akimi, diretora do departamento de remoção hospitalar (responsável pelo resgate de policiais feridos), Baki, comandante do Agrupamento aeromóvel, Yumi, diretora da equipe forense, Ibiki, diretor das equipes táticas e operações especiais, Hashirama, diretor da divisão de inteligência e Madara chefe do consultório de psicologia, além de Shikaku, diretor do distrito policial acompanhado por seu filho Shikamaru.

— Não se faz um policial com sentimentos moles! – Era o principal argumento de Ibiki durante a conversa mais casual no almoço. Ele havia se mostrado contra o plano de Shikaku desde a primeira vez que a ideia lhes fora apresentada.

— Deixe-me adivinhar: “Não se faz mais policiais como antigamente.” É o que você diria a seguir. – Madara deixou o garfo no prato para encarar o homem parrudo sentado à sua frente na mesa.

Shikaku ergueu os olhos para ambos que agora se encaravam. Ibiki e Madara já tinham tido algumas discussões a respeito daquele tema. Suas opiniões eram totalmente contrárias, o que era óbvio uma vez que Madara era o psicólogo e Ibiki era o “homem de ação”.

— Exatamente. – Ele cerrou os olhos e apontou para Madara com a faca em sua mão esquerda. – Tente não deixar meus homens moles demais. – Falou como se o assunto estivesse sendo encerrado ali, voltando a atenção para a comida em seu prato. – Não é fácil treiná-los para o grupo de operações especiais.

— Sua divisão é a que mais apresenta baixa quando se trata de pedidos de demissão. – Madara o cutucou.

— Minha divisão não é para quem tem coração fraco. – Ele rodeou com a faca em mãos novamente. Mas seu corpo enorme, expressão assassina e voz de trovão não eram suficientes para tirar Madara de seu equilíbrio.

O psicólogo sabia que tinha sobre si os olhares de Shikaku e Hashirama, enquanto os demais presentes se ocupavam com suas próprias conversas e em hipótese alguma ele perderia sua calma em uma discussão como aquela, com alguém como Ibiki que presava força física acima de qualquer coisa, especialmente acima da intelectualidade. Ele apenas sorriu ironicamente diante do comentário, desafiando-se mentalmente a transformar os homens de Ibiki em policiais sentimentais.

— Não sou seu dentista para você ficar mostrando os dentes para mim, doutor. – Provocou. – Você não duraria dois dias no meu batalhão.

— Não preciso distribuir violência para ser temido, diretor.

— Não vai ser distribuindo flores também, doutor.

Madara sorriu ironicamente outra vez, apenas para deixar Ibiki ainda mais enraivecido.

— Por que não prova que estou errado? – A provocação ganhou a atenção do psicólogo. – Me vença no ringue e eu não irei mais criticar seus métodos.

O psicólogo negou com a cabeça após tomar um gole de sua bebida enquanto ouvia a proposta.

— Se eu te vencer no ringue, você vai passar um mês indo ao meu departamento para consultas regulares.

— Isso é um sim? – Ele estendeu a mão por cima da mesa, enquanto Madara fez o mesmo. Ibiki segurou sua mão com força, olhando em seus olhos. – Porém se eu te vencer, você trata meus homens como eu disser.

— Desafio aceito então.

x

Lá estavam eles. A arena estava consideravelmente cheia, os recrutas estavam ali para serem introduzidos às aulas de defesa pessoal, nas quais Ibiki era um dos instrutores. Porém naquele dia em especial, ele estava no tatame cerca de uma hora antes do início da aula, assim como Madara.

— Não preciso lhe dizer o quanto isso é ridículo, certo? – Hashirama segurou o braço de Madara falando próximo a seu ouvido.

— Só preciso fazê-lo calar a boca. – Ele ergueu as sobrancelhas para o amigo. – Nenhum de nós vai se machucar.

Hashirama olhou torto para o psicólogo que agora vestia apenas calças de tactel e uma regata preta.

— Ele tem duas vezes o seu tamanho! – O detetive ainda tinha esperanças de fazê-lo desistir.

— Quanto maior a altura, maior a queda. – Madara deu a discussão por finalizada e caminhou para o meio do tatame segurando seu rokushaku-bō*.

Ibiki fez o mesmo. Também vestia calças de tactel e regata, sendo aquele o uniforme padrão da polícia durante as aulas de luta, porém ele não portava o bastão e sim luvas finas nas mãos, deixando os dedos à mostra. Seria uma luta livre afinal, cada um dos dois escolheu o estilo que mais lhe agradava. Porém Ibiki não era instrutor à toa, era faixa preta em diversas artes marciais e seu olhar era confiante e provocante.

— Mais rápido colocar na mesa e medir, não? – O detetive revirou os olhos para Madara depois de ele ter aceitado o desafio de Ibiki.

Hashirama tinha razão ao ficar apreensivo com o resultado daquele “desafio idiota”, como chamava. O diretor das táticas era consideravelmente mais alto que Madara, além de visivelmente mais forte. Se Hashirama não o conhecesse tão intimamente, poderia jurar que Madara era uma garota magrela e descabelada perto de Ibiki.

Ambos no centro do tatame, cercados por vários recrutas que já estavam por ali, se encararam por um momento, até que Madara curvou-se em respeito ao oponente, embora tenha sido respondido apenas com um sorriso pretencioso. Segurou o bastão de madeira com ambas as mãos ao lado do corpo e deu um passo para trás, distanciando-se de Ibiki e suas mãos grandes e perigosas.

— Você veio do Japão, não é “flor”? – O maior o provocou. Avançou dois passos e desferiu o primeiro soco, rápido e pesado.

Madara desviou rapidamente movendo apenas o tronco, os olhos sempre fixos nos pés do oponente. A madeira encontrou o pulso de Ibiki, mas não com força, apenas o suficiente para afastar o punho do rosto, Madara girou a cintura, acertando-o nas costelas. O primeiro movimento foi apenas um aviso.

Ibiki não demorou a responder àquela provocação, moveu os pés e acertou a perna de Madara com força o suficiente para o desequilibrar, fazendo-o cair sobre as costas, o cabelo solto se espalhou pelo chão, mas antes que Ibiki pudesse pisá-los, Madara estava de pé sem utilizar as mãos para se erguer. Jogou o peso do corpo para trás, desviando de outro soco que quebraria seu nariz. A abertura foi perfeita para que com o giro do bastão, Madara mirasse entre suas pernas, sem o atingir, apenas para mostrar novamente seu ponto fraco e deixá-lo mais irritado. Recolheu o bastão e recuou um passo, atento aos pés do outro. Seus passos eram perfeitos, dignos de sua faixa preta, porém Madara era mais leve e consequentemente mais rápido. Ele desviou do que seria um gancho perfeito para sufocá-lo e se aproveitou da posição dos pés para derrubar Ibiki. O peso do diretor causou um estrondo alto com a queda, Madara apontou o bastão para seu rosto, recebendo um olhar enfurecido e derrotado, porém respondeu apenas com a retirada de sua arma.

— Sim, eu fui criado no Japão. – Respondeu à provocação anterior, estendendo a mão para o homem caído. Ibiki segurou a mão, puxando o corpo para cima com força, como se tentasse derrubar Madara, porém sem sucesso. – Suas seções começam na segunda.

Vitorioso e aplaudido pelos recrutas, Madara curvou-se novamente em respeito ao oponente e deixou o tatame para encontrar um Hashirama boquiaberto na entrada para o vestiário. O psicólogo se aproximou do amigo e tocou seu queixo, fazendo-o fechar os lábios ainda entreabertos e então caminhou para dentro do vestiário, sendo seguido por ele.

— Duvidei seriamente de você. – Hashirama encostou-se à fileira de armários.

— Obrigado. – Madara ironizou, fazendo o detetive rir.

— Desculpe... Não achei que um cara com seu porte venceria o Ibiki e suas mãos enormes.

— Eu sabia que ele iria querer me derrubar à força. Só precisei jogar na defensiva e esperar pela posição certa dos pés dele. – Explicou enquanto se despia.

— Achei que estivesse focado nos pés para não se distrair com os olhos dele.

Madara negou com um aceno de cabeça, pegando a toalha e caminhando para os chuveiros.

— Olhos podem ser uma distração realmente, mas o centro do equilíbrio dele são os pés, só precisava esperar o momento certo. – Ele prendeu os cabelos no alto da cabeça, enrolando os fios num coque.

Hashirama estava certo sobre a distração que os olhos podiam causar, mas naquele momento aquilo era a última coisa que o distraía enquanto analisava Madara de cima abaixo enquanto ele brigava com a temperatura da água.

Madara sorriu para si mesmo, ainda de costas para o detetive enquanto a água percorria o corpo pálido e definido. — Se me encarar mais, talvez eu entre em combustão. – Provocou o detetive, sentindo o olhar em suas costas. O comentário fez o rosto de Hashirama esquentar no mesmo instante, fazendo-o desviar o olhar. – Não disse para desviar o olhar. – Ele havia virado para encarar o detetive, encontrando sua atenção em outro lugar que não era seu corpo. – Quero sua atenção aqui.

Hashirama não ousou desviar a atenção novamente, até que Madara terminou seu pequeno show exibicionista, enrolou a toalha na cintura e se aproximou do detetive segurando seu rosto para puxá-lo à altura do seu e sussurrar próximo a seus lábios:

“Não me obrigue a lhe mostrar novamente quem tem o controle da situação.” Roubando um beijo presunçoso em seguida, afastando-se para seu armário.

x

O celular de Madara estava inquieto por toda aquela manhã. O que era extremamente incomum, embora tivesse tido muito contato com muitas pessoas após sua pequena disputa com Ibiki no dia anterior, nenhuma delas tinha acesso ao seu número de telefone e o vibrar quase incessante do aparelho estava tirando seu foco dos relatórios que tinha para ler.

O psicólogo acabou se irritando com aquilo e finalmente resolveu checar o conteúdo das mensagens. Dentre uma mensagem de Hashirama convidando-o para almoçar, havia dezenas de outras de apenas uma pessoa. Enquanto passava os olhos pelo texto repetitivo, sua expressão ia ficando preocupada e isso não passou despercebido por Sakura, com quem dividia a sala naquele momento.

— Tudo bem? – Ela ergueu o rosto por cima da ficha que tinha em mãos.

Madara demorou a processar que ela falava com ele.

— Ah sim... – Murmurou, ainda focado nas mensagens. Ele demorou alguns segundos com o olhar perdido após bloquear o celular. Piscou freneticamente algumas vezes, como se despertasse e então olhou para o relógio na parede, marcando onze e meia. – Vamos almoçar? – Olhou para Sakura.

— Mas já? – Ela pareceu surpresa ao olhar no relógio.

— É agora ou nunca. – Ele se levantou pegando o paletó da cadeira e o vestindo. – Uma emergência me chama e eu não gostaria de atendê-la com o estômago roncando. – Ele tirou o telefone do gancho e discou o ramal da sala de Hashirama.

— Sim? – O detetive atendeu.

— Almoço? Estou faminto e de saída, me encontre na porta. – Ele foi rápido no convite, desligando em seguida.

Sakura correu para alcançá-lo. A colega o olhava de canto, tentando entender o que o havia feito decidir sobre sua saída tão depressa. Mas logo estavam os três sentados e descontraídos na mesa do restaurante, rindo e comentando sobre como todo o distrito policial só falava sobre o psicólogo magrelo que havia derrubado o enorme diretor de operações especiais.

— E esse será o assunto no distrito pelo próximo mês, ou até alguém fazer algo mais impressionante. – Sakura riu.

— Assim que as coisas se “animarem” novamente na cidade, eles se esquecerão do fato. – Madara comentou.

— Realmente, tem sido uma semana muito parada. – Hashirama falou após bebericar do suco. – Não que eu esteja reclamando...

— Algum sucesso em seus casos? – O psicólogo questionou.

— Consegui um mandado para vasculhar as casas dos desaparecidos e ao menos em uma eu tive sorte. Encontrei o celular do amante de Tsume e ele tinha algumas mensagens bastante comprometedoras para um número desconhecido. – Ele respirou fundo em seguida. – Porém sorte de Senju dura pouco e eu não consegui rastrear o número de nenhum jeito.

Madara suspirou e olhou em seu relógio, constatando que estava atrasado para seu compromisso emergencial.

— O que espera encontrar, Hashi?

— Problemas. – Ele respondeu com um sorrisinho irônico no canto dos lábios. Madara já havia expressado sua preocupação mais de uma vez com aqueles casos, sempre dizendo que ele acabaria “encontrando problemas”.

Apenas com um suspiro pesado e desaprovador, Madara se levantou da mesa, sendo seguido pelos colegas que após pagarem a conta, rumaram de volta para o distrito, enquanto ele tratou de ir resolver sua emergência.

x

Com o cair da noite e o fim do expediente, Hashirama se preparava para dirigir até os arredores da cidade, onde um de seus suspeitos possuía uma casa de campo. Estava extremamente determinado a encontrar algo lá e nada poderia parar o detetive.

A estrada era do mais profundo breu e o detetive só não teve mais dificuldade em encontrar a casa, pois havia um único poste com luz na frente da construção. Uma pequena e simples casa feita de madeira ficava ao final de uma rua de terra derivada da estrada. Apesar de apreensivo e de arma em punho, Hashirama não esperava encontrar ninguém na casa que já havia sido revistada pela polícia algumas vezes, mas não por ele.

Adentrou a casa em passos leves. A lanterna na mão esquerda e a arma na direita, apontada para frente enquanto seus olhos atentos vasculhavam todos os cantos. Apenas após checar todos os cômodos da casa e constatar que estava completamente sozinho, foi que ele se deu ao luxo de acender as luzes amareladas. A casa estava revirada, cadeiras no chão, gavetas abertas e com seu conteúdo espalhado, cortinas rasgadas e o sofá despedaçado por algum objeto cortante. Hashirama franziu o cenho, pois não se recordava da cena descrita daquela forma dos relatórios que havia lido. A polícia havia estado ali antes dele diversas vezes buscando por informação sobre o amante desaparecido, mas nunca havia sido reportada tamanha destruição.

Um único objeto em cima da mesa chamou a atenção do detetive, que fez questão de colocar uma luva descartável para tocar no que seria uma possível prova. Um caderno fino de capa preta sem nenhum tipo de inscrição na capa repousava sobre a madeira, enquanto todo o resto estava no chão e espalhado pela casa. Ele abriu o caderno, se deparando com apenas a primeira folha preenchida numa caligrafia que parecia ter sido feita às pressas. Na primeira linha lia-se: Ostermann, seguido de uma seta apontando para o nome seguinte, Bakman, outra seta e finalmente, Tomball. Os três nomes estavam riscados com um xis vermelho. Os banqueiros...

Hashirama correu os olhos pela segunda linha para encontrar os nomes: Kosuke e Hideki, estando ambos também cobertos em vermelho. Marido e amante de Tsume...

Na terceira linha lia-se: Sai, Hiroshi e Itaru, todos riscados. Os arquitetos...

A mente do detetive começava a fazer a ligação entre os pontos, quando passou para a última linha preenchida, cujo único nome não estava riscado pelas linhas vermelhas:

Uchiha Madara.

Notas finais
Eita rapaz... E ele preocupado com o Hashirama hein... Não me responsabilizo pelas expectativas! rokushaku-bō = bastão de madeira utilizado no estilo de luta Bojutsu.