Blind

5 Capítulo 5 - Orgulho e Preconceito


Notas iniciais
Me perdoem pelo atraso! Sei que estou suuuper fora de hora, mas acontece que eu empaquei feito uma mula nesse capítulo e fiquei uma semana pensando em como resolver as coisas. Bem, finalmente saiu. Menor que os outros, mas saiu. Espero que gostem. Música recomendada para ler esse capítulo: Madara theme (https://www.youtube.com/watch?v=7m0IUJS-LOY). Have fun!

Hashirama havia conseguido transferir seu quadro de pistas para seu escritório com sucesso. Agora ele conseguia passar todo seu tempo livre olhando para cada detalhe e se irritando com o beco sem saída que havia chegado.

De fato era mais fácil manter os casos sobre controle, instruindo Shikamaru e os demais investigadores e naquelas semanas as conclusões haviam sido mais assertivas que nunca. Mas Hashirama não estava em seu melhor humor.

Havia semanas estava tentando conseguir prender o amante de Tsume e enquanto não conseguisse isso, não poderia libertar a mulher. Não sem todas as provas de que precisava. Embora duvidasse muito que seu julgamento e o de Madara estivessem errados, ele não podia arriscar. Porém o homem não podia ser encontrado em lugar algum. Sua casa parecia abandonada e em seu emprego não o viam desde o dia da prisão de Tsume. Kiba, o filho da acusada, estava começando a tirar Hashirama do sério, embora soubesse que o garoto estava tentando ajudar, o fato de não conseguir chegar a lugar algum o deixava louco.

Aquele homem estava desaparecido e na opinião de Madara, ele havia fugido, mas Hashirama confiava em seu instinto que dizia que algo estava errado. Em seus outros dois casos ele também encontrava problemas. O diretor de empréstimos do banco também estava fora de alcance havia dias e sua família o dava como desaparecido, assim como dois dos sócios do arquiteto que havia se matado.

Hashirama sentou-se novamente em sua mesa com os depoimentos em mãos e releu um por um, primeiro os dos sócios de Sai. Todos eram muito coesos, exceto por dois deles, que eram os suspeitos do detetive. Os outros três sócios diziam que Sai estava estranho nos últimos dias, estava calado demais e pensativo. O fato de a empresa estar afundando em dívidas era a pauta da última reunião que tiveram e aquela foi a última vez que o viram. Mas os outros dois sócios haviam descrito o comportamento de Sai como “normal” e isso não fazia sentido para Hashirama, mas agora era impossível tentar ir além na investigação, uma vez que aqueles dois haviam sumido.

Ele esmurrou a mesa em frustação e em seguida ergueu os olhos para ver o homem de jaleco branco o encarando com os braços cruzados sobre o peito.

— O que é? – Hashirama tirou os fios de cabelo da frente do rosto.

— Não disse nada. – Madara se aproximou e entregou um pequeno doce para o detetive.

— O que é isso? – Ele observou o doce redondo coberto de açúcar, mas não recebeu uma resposta de Madara que levava à boca um doce idêntico. – Não sou uma mulher de TPM pra você ficar me trazendo chocolate.

— Parece... – Madara respondeu de boca cheia.

Hashirama lançou um olhar assassino antes de colocar o doce na boca e em seguida ergueu o olhar novamente para o psicólogo.

— O que é isso Madara?

— Você acabou de confirmar que é chocolate.

— Com álcool.

Madara sorriu e se aproximou da mesa, encostando-se ao lado do detetive sentado em sua cadeira.

— Estou trabalhando...

— Eu notei. – Madara olhou em seus olhos e cruzou os braços novamente sobre o peito, voltando a ficar sério. – Sakura me disse que você não apareceu nas duas últimas seções marcadas com ela.

Hashirama não respondeu, apenas revirou os olhos e voltou a atenção para os papéis sobre sua mesa.

— Estava ocupado.

— Cuidar da sua mente também é uma ótima forma de estar ocupado.

— Eu estou bem.

Madara riu com ironia.

— Você quer a minha opinião como amigo ou como profissional? – Ele segurou o braço da cadeira e a girou, obrigando Hashirama a olhá-lo. – Você não pode assumir um cargo desses e esperar que tudo continue como sempre. Você está sob forte stress, não somente causado pelo seu trabalho. Acha que eu não notei que a luz do seu escritório sempre está acesa quando vou embora?

Hashirama desviou o olhar, como se fosse uma criança pega no ato. Madara se afastou revirando os olhos e tirou do bolso do jaleco um bloco de papel e uma caneta e passou a escrever alguma coisa, debruçado sobre a mesa. Os cabelos longos cobriam o papel impedindo que Hashirama visse o que estava sendo escrito. Ele terminou e em seguida pegou seu carimbo do bolso, marcou o papel e deixou sua assinatura por cima.

— O que é isso? Receita de internação? – Hashirama tentou ver o que estava escrito.

— Seu atestado de dispensa para o resto do dia. – Madara lhe entregou o papel, recebendo um olhar descrente.

— Me recuso. Olha o tanto de relatório que eu tenho para revisar! – Ele apontou para a pilha de papéis em cima da mesa.

— Não me obrigue a ligar para o seu irmão!

— Esse atestado é totalmente desnecessário.

— Você gritou com o Shikamaru três vezes essa semana, e hoje ainda é terça-feira!

— Ele estava insistindo em algo sem lógica!

— Você é o diretor do departamento, não pode sair por aí gritando com as pessoas! – Madara respirou fundo e massageou as têmporas. – Quando voltar quero que retome as seções com a Sakura. – Ele foi resoluto. – Ou eu vou acabar prescrevendo seu afastamento.

Hashirama revirou os olhos pegando o papel de cima da mesa com raiva.

— Você é insuportável quando quer. – Ele se levantou, colocando a cadeira no lugar e se dirigindo para a porta.

— E você só diz isso quando eu estou certo.

x

O resto da tarde não foi fácil. Hashirama tentou se distrair indo ao cinema, passeando no shopping e no parque, mas nada tirava sua mente daqueles casos. Pensou até mesmo em ir visitar o irmão na prefeitura, mas achou melhor não atrapalhar sua agenda.

Ao voltar para casa com o cair da noite, ele decidiu colocar um de seus filmes preferidos, mas nem isso o acalmou, o detetive passava mais tempo olhando para o céu escuro pela janela, passeando pela casa ou fazendo qualquer coisa na cozinha, que realmente assistindo ao filme. Enquanto ainda secava a louça, ouviu batidas na porta. Sem dúvidas de que era o irmão, ele não hesitou em ir abrir a porta, sem disfarçar o desapontamento ao dar de cara com Madara.

Madara riu da expressão do detetive, que simplesmente largou a porta aberta e voltou aos afazeres na cozinha. Ele entrou rindo na casa, deixou os sapatos ao lado da porta e pendurou o casaco.

— A portaria não me avisou que você estava aqui. – A voz mal humorada ecoou da cozinha.

— Porque você me deu acesso na semana passada. Esqueceu? – Madara entrou na cozinha, observando Hashirama bufar. Aquela visão fazia o psicólogo segurar o riso. – Eu trouxe um agrado para me desculpar com você, criança.

Hashirama lançou um olhar de canto para o que Madara estava segurando, mas tentou não demonstrar interesse. O cheiro de fast food tomava conta do ambiente e fazia o estômago de ambos roncar de fome, mas o detetive não queria dar o braço a torcer, ainda estava bravo por ter sido afastado pelo colega.

— Não pode ficar me comprando com comida toda vez que vai fazer alguma coisa que eu não gosto. – Falou ainda emburrado.

— Parece que eu posso. – Madara respondeu com humor. – Vá pegar os pratos, a comida vai esfriar.

Não demorou muito para que Hashirama o perdoasse, afinal Madara tinha razão, ele podia comprar o detetive com comida, especialmente se fosse sua preferida. Em poucos minutos estavam ambos sentados no sofá comendo os lanches e com Madara reclamando da escolha do filme. Aparentemente o gosto do detetive por romances não agradava ao psicólogo que parecia achar muito mais interessante olhar pela janela do que ver Elizabeth Bennet e o senhor Darcy* correndo um atrás do outro.

Aquela foi a vez de Hashirama rir do companheiro.

— Qual seu problema com romances? – Perguntou.

— Qual é o seu problema?! – Ele pareceu ofendido. – Não parece seu tipo ver filmes assim.

— Está duvidando da minha capacidade de ser romântico? – Hashirama ergueu uma sobrancelha.

— Definitivamente! – Madara olhou em seus olhos. – Eu costumo duvidar de “máquinas pensantes” como você, especialmente quando se trata de sentimentos, caro “Sherlock”.

Hashirama riu e o olhou incrédulo. – Com um psicólogo feito você, quem precisa de inimigos?

— Não sou seu psicólogo. – Ele sorriu de canto. – Sou seu amigo. Sua psicóloga é a Sakura, que inclusive não recebe uma visita sua tem duas semanas.

— Não vai me deixar em paz enquanto eu não aparecer lá, não é? – Hashirama suspirou, recebendo um aceno negativo de Madara que o olhava por cima de seu copo de refrigerante.

Ambos apenas se encararam por um momento, sem desviar o olhar um do outro. Hashirama ousou erguer a mão para tirar o cabelo da frente dos olhos de Madara, colocando-o atrás da orelha e permanecendo em completo silêncio em seguida, estudando-o como se analisasse um culpado. Passou o olhar pelas mãos descansando em seu colo, os dedos longos e finos. Parte de seus antebraços descobertos pelas mangas da camisa retraídas. A camisa tinha o tamanho perfeito, delineando o torso e os músculos dos braços, Madara tinha os lábios finos, ele notou, mas o conjunto todo de seu rosto era perto de ser perfeito. Hashirama terminou em seus olhos pretos e cílios longos, percebendo o quão invasivo era aquilo quando recebeu um sorriso em retorno. Madara manteve os olhos fixos nele aquele tempo todo, deixando-se ser estudado.

Hashirama sentiu o sangue nas bochechas ao imaginar qual era sua expressão enquanto observava Madara e o que ele havia concluído daquilo tudo. Afinal se havia algo que o detetive aprendeu naquele tempo de amizade, era que nada passava despercebido por ele. Levantou-se do sofá, pigarreando e desviando o olhar daqueles olhos insinuantes, tratou de pegar os pratos de cima da mesa de centro e caminhar rapidamente para a cozinha. Deixou os pratos dentro da pia e riu de si mesmo, sentindo o estômago leve, como se algo flutuasse dentro dele lhe fazendo cócegas. Havia analisado Madara por completo e ele sequer piscou, porém o efeito no detetive parecia completamente o contrário. Ele apoiou as mãos na beirada da pia e abaixou a cabeça, ainda rindo de si, os cabelos escondiam o rosto corado.

— Ridículo...

Ele sentiu as mãos firmes em suas costas, descendo pela cintura e finalmente alcançando seu peito para dançarem por ali, acariciando-o por cima da blusa preta.

— Espero que não esteja se referindo a mim... – Madara cochichou em seu ouvido. Era alguns centímetros mais baixo que Hashirama, mas isso não impedia sua audácia. Ele continuou movendo as mãos agora por debaixo do tecido, sentindo a pele macia e arrepiada do detetive. Mas se afastou em seguida, guardando um sorriso canalha para si mesmo enquanto passava as mãos pelos cabelos, tirando-os do rosto. – Eu trouxe bolo também... – Ele se aproximou da sacola que havia deixado em cima do balcão, apenas para ser puxado por Hashirama que o encostou contra a parede, olhando em seus olhos.

— Não é exatamente o que eu estou interessado em comer no momento.

x

Madara abriu os olhos, desperto pela claridade que adentrava o quarto. Virou-se para o lado oposto para encontrar o rosto ainda adormecido de Hashirama. Encostou os dedos em seu rosto, acariciando a pele e tirando alguns fios de cabelo da frente de seus olhos. Levantou-se ainda nu e rumou para o banheiro. A luz do dia parecia irritar seus olhos ainda adormecidos, porém a água quente do chuveiro era bem-vinda. Lavou os cabelos longos e deixou a água cair no rosto, parecendo finalmente o acordar.

Ao retornar para o quarto, vestido, Hashirama já havia aberto a janela e as cortinas, deixando a luz entrar e estava na cozinha preparando o café. Madara estreitou os olhos ao ver a cama desarrumada e as roupas do detetive ainda no chão. Ele não se conteve em dobrar tudo perfeitamente após ajeitar a cama antes de se dirigir para a cozinha.

— Bom dia. – Ele se apoiou no balcão, observando de cima abaixo o detetive seminu enquanto ele passava o café.

— Bom dia! – Hashirama se virou para olhá-lo. Tinha os cabelos castanhos presos no alto da cabeça, mas não havia se dado o trabalho de colocar roupas além do essencial e aquela visão fazia Madara corar. – Não estava com essa cara ontem à noite. – Provocou ao notar o rosto vermelho.

Madara sorriu e abaixou a cabeça, deixando os cabelos esconderem o rosto.

— Preciso ir. – Ele olhou no relógio pendurado na parede, marcando oito horas. – Estou atrasado.

— Achei que ficaria para o café.

— Hoje não. Tenho hora marcada às oito e meia, já deveria estar no caminho. – Ele segurou o rosto do detetive e o puxou para perto, obrigando-o a se debruçar sobre o balcão e encarar de perto o sorriso provocante de Madara. – Ao contrário de alguns, eu não deixo meu psicólogo me esperando.

x

— Estou preocupado... – Ele falou calmamente, as mãos sob os joelhos da perna cruzada.

— Sobre o detetive? – A mulher ergueu o rosto de suas anotações para sustentar os olhos pretos de Madara.

Ele assentiu apenas com o olhar, desviando-o em seguida para a delicada flor de origami azul em cima da mesa de centro entre eles.

— E o que te preocupa? – Ela perguntou, deixando de lado a caneta e as anotações. Cruzou as pernas chamando a atenção de Madara para si. A conversa parecia ter ficado mais íntima de repente.

— Ele é muito enxerido. – Ele olhou no fundo de seus olhos âmbar para responder.

— Essa é a função de um detetive, não é? – As perguntas dela não tinham outra função senão fazê-lo refletir.

— Tenho medo que ele se intrometa demais.

— Em quê?

— Qualquer coisa.

Ambos emudeceram por alguns momentos. Analisando um ao outro. Não era fácil estar do outro lado da mesa, Madara era um homem sério e austero, especialmente quando se tratava de sua profissão. Mas Konan sabia sustentar seus olhares e sabia melhor ainda como tratá-lo.

— Ele insiste em buscar suspeitos para crimes encerrados pela polícia.

— É isso que o preocupa? – Konan analisou o rosto bonito emoldurado pelos cabelos pretos.

— Quem procura acha... – Ele voltou a observar a flor de origami. – É isso o que me preocupa.

Notas finais
* = São os dois personagens principais de Orgulho e Preconceito O que temos aqui, hm? O que será que Hashirama vai encontrar no caminho? Será que o medo de Madara vai se tornar realidade? Prometo não demorar tanto para postar!