Blind

26 "Livre"


Notas iniciais
Hey, Hey. E aí, pessoal, como vocês estão? Peço perdão pela minha demora do cacete, mas eu tô relendo todos os livros de PJO e HDO, simplesmente pra ter mais emoção quando for ler o sangue do olimpo. Eu tô pirando, a espera ta acabando, galeraaa!!! Enfim, curtam o capítulo aí. O desfecho final da história ta chegando, man. Dá até dor no coração. PS: eu poderia ter quebrado o capítulo no meio e ter feito maior suspense. Mas pensei: "cara, que fdp eu seria, já demoro pra postar e ainda quero ficar de graça dramatizando?" Então tá aí ....

Assim que chegaram naquele galpão abandonado, Billy não aguentou e caiu no chão gemendo de dor. Levar um tiro no joelho é algo especialmente doloroso.

–Hall, vai arranjar morfina pra mim. Anda! -gritou Billy para um dos caras que estava com ele.

Annabeth estava impaciente, a perna não parava quieta, as mãos também não, tremiam como se ela fosse uma vítima de Parkison. A pistola NAA Guardian 32 -pequena e bastante potente- que Luke lhe dera estava na barra da calça, na parte de trás do seu corpo, bem escondida. Ela só não sabia o momento certo de usa-la, mas se sentiu um pouco menos sem rumo por porta-la. Ela estava tão concentrada em achar um plano que não se deu conta de que Billy tinha ordenado que a colocassem sentada e amarrada em uma cadeira.

Luke pediu que ela se sentasse na cadeira no centro do galpão abandonado e começou a amarra-la. Ela percebeu que as cordas não estavam amarradas com força. Luke estava lhe dando uma chance de escapar.

–Seja esperta. Aproveite o momento certo. -Luke sussurrou fazendo o máximo de esforço possível para não movimentar os lábios. -Provavelmente os caras do FBI vão chegar aqui daqui a pouco, então Billy vai fazer de tudo para matá-la.

Annabeth assentiu.

–Obrigada, Luke. -disse ela enquanto lhe lançava um olhar agradecido. -Eu sempre soube que você não era de todo ruim.

Luke sorriu de lado e ao invés de lhe lançar o mesmo olhar alegre e fraternal que Annabeth estava lhe dando, ele fez ao contrário. Tinha tristeza nos seus olhos e algo mais profundo: dor.

–Eu sempre amei você, Annabeth, sempre. Eu era o cara mais feliz do mundo quando tinha você nos meus braços. Sinto muito ter te magoado naquela época, eu era um idiota. -Ele finalizou o último nó que estava dando nas cordas. — E me desculpe pelo tiro que lhe a alguns meses atrás, eu estava com raiva por você ter se apaixonado por outra pessoa que não fosse eu. O cara cego tem sorte. Bem, eu vou fugir agora, não quero ser preso. Até nunca, Annabeth. Espero que a criança viva bem.

Antes que ela pudesse responder algo, Luke se virou e foi procurar Billy -que tinha saído a alguns minuto atrás de dentro do galpão. Ela escutou gritos do lado de fora.

Algo como: "Você disse que ia me dar mais, Billy, seu idiota!" aquela provavelmente era a voz de Luke. Billy respondeu algo como: "Eu pensei que iria ganhar mais, mas aquela vadia nos traiu. aceite o que te dei e suma daqui!"

Annabeth percebeu que estava sozinha dentro do Galpão, os capangas de Billy provavelmente estavam vigiando as entradas para que, se fosse preciso, trocar tiros com os caras do FBI.

Billy entrou dentro do galpão novamente, com a perna enfaixada e uma expressão de dor no rosto. Estava mancando também. Ele procurou uma cadeira para se sentar, achou uma e colocou na frente de Annabeth.

Enquanto estava sentado, ele a analisava como se estivesse decidindo se atiraria na testa dela ou descarregaria logo o cartucho inteiro da arma em seu corpo. Ele tinha raiva no olhar, mas tinha outra coisa também. Annabeth não sabia o que era, mas teria que descobrir. Tudo lhe era útil naquela hora, tudo que impedisse que ela morresse e que fizesse ela voltar para Percy.

–Se eu soubesse que você frustaria todos os meus planos, nunca teria te tirado da California. -falou Billy, que estava ofegante por ter feito tanto esforço com a perna. -Me diga, Annabeth. Você mudou mesmo? Se tornou mesmo uma pessoa boa?

–Sinceramente, eu não sei. -Annabeth suspirou. -Eu acho que não existe pessoas ou más, Billy. Até por que, as pessoas que julgamos como más, de vez em quando fazem coisas boas e as pessoas que julgamos ser boas, de vez em quando fazem coisas más. Não sei em qual das situações me encacho, sei apenas que preciso fazer o certo diante de uma situação, mesmo que o certo seja algo ruim.

Annabeth falou cada frase muito devagar, na verdade ela não sabia se estava dizendo aquelas palavras para Billy ou para si mesma. Ele continuava a analisando, agora sua expressão era algo perto do nojo.

–Você sempre muito inteligente e ideológica. -Ele disse. -Sempre muito centrada, séria. -ele deu uma risada sem humor e negou com a cabeça. -Você costumava a me dar orgulho. Eu gostava da garota má. Não acredito que pude confiar tanto em você para resolver a questão mais importante da minha vida.

Annabeth começou a tentar se soltar, muito devagar é claro. Como as cordas estavam frouxas e como ela já teve que fazer aquilo uma ou duas três vezes na vida; não era algo muito difícil se soltar. Ela só teria que ganhar mais tempo e continuar a envolver Billy na sua conversa.

–Vamos lá, velho, você estava deixando um ressentimento do passado controlar a sua vida a anos. Querer virar traficante tudo bem, afinal é grana fácil e ganhada apenas com a venda e o consumo de drogas pra gente rica da elite americana, como você costumava fazer. Mas se deixar controlar por um desejo de vingança já é loucura. -Annabeth tinha um olhar desesperado. Queria fazer ele entender que estava enlouquecendo com suas motivações. Mas ela continuava a desatar os nós das cordas que prendiam suas mãos. -Você sabe, mesmo que bem lá no fundo, que os Jackson e Walter nunca fizeram nada a você. Você fez escolhas erradas que fizeram o seu antigo restaurante falir, não eles.

–Aquele restaurante tinha um grande valor sentimental pra mim, pela primeira vez na vida eu tinha a chance de sair da pobreza, Annabeth. Sair da miséria. Poseidon e Walter sempre tiveram dinheiro, sempre tiveram tudo. -Billy pressionava o joelho enquanto falava. Ele tinha lágrimas nos olhos, mas Annabeth não sabia se era por conta da raiva ou da dor do ferimento. — E por causa de um descuido eu perdi tudo. E quanto eu fui até os meus amigos eles viraram as costas pra mim, disseram que lhes dariam muito trabalho e dívidas tentar reerguer meu restaurante. Eu fui abandonado por quem pensei que nunca me abandonaria.

–E você se prendeu a isso? Isso justifica você ter se tornado uma assasino? Você ter matado os Jackson? -Annabeth gritava, mas quando percebeu abaixou seu tom de voz. Suspirou e continuou: -É errado e você sabe. Perseguir Percy, fazer com que ele ficasse órfão e ainda ter que lhe dar com o fato de que era cego. E depois de ter lhe feito tanto mal você ainda queria que eu me casasse com ele pra depois você assassina-lo. Billy, o rancor acabou te transformando em um louco.

Ele a analisou, parecia estar pensando nas palavras dela. E ela, enfim, tinha conseguido se soltar. Conseguiu pegar a arma e destrava-la. Não sabia o que faria a seguir, tudo dependia do que Billy faria a seguir.

–Você tem razão, Annabeth. Eu virei um louco. -disse Billy. -Mas não tem mais volta para mim. Daqui a pouco o FBI chega aqui e eu vou ser preso. A única pessoa no momento de quem eu quero vingança é você. Você me traiu, querida. E ainda ficou grávida do desgraçado.

Agora a expressão de Billy era algo próximo da dor e beirava a decepção. A careca brilhava com a luz fraca e amarelada do local. Ela estava com a arma pronta para disparar, mas não queria.

De repente eles ouviram vozes. Deveriam estar chegando ao local, mas como estava tudo silencioso lá dentro, mesmo que estivessem a 500 metros de distância seria auditivél a chegada deles.

–O FBI ... -falou Billy desesperado.

Ele pegou a sua pistola e apontou para Annabeth, quase no mesmo timing, conseguiu se levantar driblando as cordas que amarravam levemente seus pés.

–Podemos jogar o mesmo jogo, Billy. -ela disse.

–Mas onde você arranjou ...? Ahh, Castellan aquele desgraçado! -ele estava vermelho de raiva.

–Billy, se entregue. Se você confessar o crime eles vão diminuir a sua pena. -Antes de Annabeth perceber ela já estava chorando ao dizer aquelas palavras. Ela não queria mata-lo e muito menos queria morrer. Não queria, principalmente, que as coisas tivessem que ser assim.

–Ah é? E os outros crimes que cometi? Eles estão atrás de mim a anos, com toda certeza eu vou pegar perpetua! -ele gritou, também com lágrimas nos olhos. O cerco estava fechado para ele. Os olhos desesperados olhavam tudo de um lado para o outro.

As vozes estavam ficando mais auditiveis, eles estavam chegando mais perto. Billy destravou a sua arma e continuou apontando para Annabeth.

–Não, eu tenho que conseguir a minha vingança. Eu tenho ... que matar você. -O homem baixinho, careca e barrigudo, estava com os olhos arregalados, como se só agora tivesse percebido que teria que matar a garota que por muito tempo considerou como filha.

–Então atire, Billy. Anda, acaba logo com isso! -Ela gritou em resposta.

Ele continuou lá com a arma apontada para ela. De repente os dois se deram conta de que ele não tinha coragem de atirar nela. Estava se lembrando da garotinha indefesa de quem teve que tomar conta a maior parte da vida.

"Eles estam aqui!" alguém lá fora gritou.

Na hora que Billy atirou, algo inusitado aconteceu.

Silêncio total, os caras lá fora também tinham ouvido o tiro.

Ela sentiu uma gota solitária de sangue pigar no seu rosto.

Annabeth, por sorte ou não, tinha atirado primeiro.

–Meu Deus ... -Ela deixou a arma cair no chão. E correu até ele.

O tiro tinha pegado no pescoço dele e ela se deu conta de que tinha acertado justamente a artéria. Ela se ajoelhou ao lado dele, enquanto o FBI invadia o local e revistavam tudo.

–Billy? -ela chamou.

–Me perdoa, Annie, me perdoa ... por favor. -ele sussurrou enquanto o sangue praticamente jorrava do seu ferimento.

–Perdoo, nenhum de nós fomos bons nessa vida. Eu seria a maior das hipocritás se não te perdoasse. -Annabeth falou com as lágrimas escorrendo compulsivamente pelo seu rosto.

Billy não falou mais nada, os olhos castanhos ficaram vidrados.Ela se inclinou e fechou os olhos dele. Ele tinha morrido sem nem ter dado a chance de Annabeth pedir desculpas por te -lo matado. Ela se sentia péssima por isso.

–Annabeth ? -Alguém a chamou.

Ela se virou e viu Walter indo na sua direção. Quando chegou até ela, ele perguntou:

–Você está bem?

–Estou viva, não posso dizer a mesma coisa sobre eu estar bem. -Ela se levantou e disse: -Vocês chegaram atrasados como sempre.

–Me perdoe. Tivemos que atirar com armas silenciosas nos capangas de Billy lá fora, por isso vocês não devem ter ouvido os tiros.

–Vocês fizeram bastante barulho mesmo assim. -retrucou ela com os olhos sem vida, olhando pro chão que com algumas lágrimas ainda escorrendo.

Walter sorriu.

–Você está livre de problemas agora, senhorita Chase. Pare de me dar bronca.

Annabeth queria retribuir o sorriso, mas estava arrasada demais pra isso. Walter pareceu entender o que tinha acontecido, olhava vidrado para o corpo de Billy no chão.

–Aiii -Annabeth gemeu.

Ela estava com uma mão na barriga e uma dor insuportável na região do útero. Walter a segurou antes que ela caísse no chão.

E com a visão turva, a última imagem que ela viu antes de desmaiar foi o corpo morto do homem que ela por muito tempo amou como pai, mas que ela tinha matado a poucos segundos atrás.

Notas finais
Não se esqueçam de comentar aqui em baixo. Reta final da história, eu mereço vossas opiniões. Qualquer dúvida,ameaças de morte ou elogios, mandem mensagens que eu respondo. E juro que não mordo, afinal gosto de verdade de pessoas, no plural, coletivo e geral! Beijos, demigods!