Blind

18 "La amour- Parte II: Bônus Caleo"


Notas iniciais
Então pessoal, vou começar a postar dia sim e dia não agora. É por uma boa causa, eu estou ajudando o serviço social aqui no Rio de Janeiro, estamos arrecadando agasalhos e distribuindo pratos de sopa a noite para os moradores de rua. Depois eu deixo o link para vcs fazerem as contribuições também. Mas vou ficar sem tempo, então me perdoem caso eu fique algum dia sem postar. Aproveitem aí, falou?

Leo não sabia o que fazer. Ele estava lá, sentado no sofá do lado de Calipso e eles não tinham dito nem uma palavra desde que todos tinham saido pra cumprir com aquela brincadeira sem graça. Mas graças a Deus, Calipso decidiu se pronunciar:

–Não dou 30 minutos para Piper entrar aqui dizendo que a garagem é um lugar nojento e asqueroso. -disse ela rindo.

–E eu não dou 10 minutos pra começarmos a ouvir os gemidos da piscina. -Leo a essa altura já estava morrendo de rir com Calipso o acompanhando.

Ela sempre sabia como quebrar o gelo. Ela sempre tinha uma solução. E ele, senhoras e senhores, ele estava perdidamente apaixonado. Ele queria entrar logo naquele maldito assunto que o estava perturbando, então tomou coragem e disse:

–Calipso, você se lembra que a alguns minutos atrás eu tinha dito que sentia algo por você? -perguntou Leo esperando ver alguma reação dela.

–Sim, Leo, eu lembro. -ela disse desviando o olhar do dele e olhando para o chão.

–Bem, e você quer conversar sobre isso?

–Na verdade eu queria saber o quê é que você sente.

Leo ficou um pouco nervoso, nunca imaginou que diria assim a ela que estava apaixonado. Ele não precisava de nenhuma brincadeira pra tomar a iniciativa. Tudo bem, talvez ele precisasse sim, mas não justificava Piper dar uma de louca e trata-los como se fosse um casal, coisa que eles não eram.

Então Leo finalmente teve uma ideia. Se fosse como num daqueles desenhos animados, uma lâmpada se acenderia em cima de sua cabeça. Então ele começou a dizer:

–Que tal a gente fazer de tudo isso algo mais formal?

–Você quer dizer um encontro? -perguntou ela franzindo o cenho.

–Talvez, você pode classificar como quiser. -Ele passou a mão no cabelo tirando os cachos dos olhos. -Espere aqui um instante, ok?

–Ta, tudo bem. -Ela respondeu desconfiada.

Então Leo se levantou, foi até a cozinha, pegou uma toalha de mesa nova, pratos e talheres e por sorte encontrou um par de velas numa das gavetas. Pegou também a única pizza que ainda estava fechada em cima do balcão. Foi até a adega que ficava na despensa e pegou um vinho tinto que tinha aproximadamente 20 anos.

Chegou na sala sendo recebido por uma expressão de surpresa de Calipso. Leo são soube deduzir se ela estava se divertindo com o que ele estava fazendo ou se estava rindo do quanto ele era bom no improviso mesmo.

Ele levou tudo para a mesa de centro da sala. Colocou os pratos cada um nas extremidades da mesa e os talheres do lado, abriu o vinho e colou nas taças. Então, como em um toque final, colocou as velas em cima da mesa, pegou o esqueiro que sempre ficava no seu bolso e as acendeu.

–Pronto. -disse ele — Agora sim podemos ter uma conversa civilizada e um encontro um pouco informal. -Ele passou a mão no cabelo o jogando pra trás, esperando assim que parece encantador aos olhos dela.

Calipso deu gargalhada, que na opinião não era de zombaria, mas de satisfação. Era algo bom de se ouvir.

–Você é um charme, Valdez. -disse ela.

–Mas é claro que sou. Vamos fazer assim: você bebe bastante vinho e fica completamente bêbada e eu ganho um beijo no final da noite. -ele disse aquilo sorrindo para mostrar que estava apenas brincando.

–É isso que você faz com as outras garotas? As embebeda pra se dar bem no final da noite? -perguntou ela entrando na brincadeira.

–Não, mas é claro que não. -Leo fez uma cara séria como se tivesse ficado ofendido com o que ela disse. — Não faço isso com todas. Apenas com 90% delas.

Calipso deu um sorriso deslumbrante e balançou a cabeça. Leo ouviu um "você não presta Valdez" sendo sussurrado por ela. Ele não sabia quando tinha ganhado tanta confiança para direcionar aquela conversa com tranquilidade daquele jeito. Ele sempre teve facilidade em conversar com as mulheres, mesmo na maioria das vezes sempre levando alguns foras. Porém com a mulher na sua frente era diferente, ele estava apaixonado de verdade, não era mais uma daquelas quedinhas sentimentais, era verdadeiro e intenso.

Eles comeram em silencio, até que Calipso perguntou:

–Então, Leo, você já teve muitas namoradas?

–Ah não -respondeu ele um pouco surpreso pela pergunta. -Eu sou mais o saco de pancadas ou o catador de restos.

–Como assim? -ela franziu a sombracelha de uma forma que Leo achou muito sexy.

–Bem, eu e os rapazes sempre saiamos em grupo. Eu, Percy e Jason, quando ainda eram solteiros e Nico o primo de Percy que agora é casado com Thalia também prima dele. Na maioria das vezes eu leva fora das garotas. Sabe como é, eu sou baixinho e magricela, enquanto Jason e Percy são altos, forte e bonitos. Até o emo do Nico se dava melhor que eu. Então eu tinha que esperar as garotas serem dispensadas por eles e ficar com "resto".

–Nossa, que coisa. Quer dizer, você é realmente baixinho e magricela, mas não acho que as meninas deveriam te ignorar só por causa disso.

–É como dizem: Azar no amor e sorte no jogo. -ele se inclinou na mesa para ficar cara a cara com Calipso. -Só que no meu caso, querida. -ele fez uma expressão sensual e mordeu o lábio inferior para parecer mais sexy. — Eu tenho azar nos dois. Tenho azar na porcaria do jogo que é classificado como vida e tenho um tremendo azar na porcaria do amor.

Calipso teve um ataque de risos, com direito a colocar a mão na barriga e dobrar o corpo enquanto gargalhava. Leo também estava rindo, mas mesmo assim completou:

–É sério! Eu não tenho sorte em nada nessa vida. -Ele esperou ela terminar de rir e continuou. -Mas ultimamente eu tive muita sorte. E um exemplo bem claro disso é que conheci você.

Calipso corou um pouco, mas logo olhou nos olhos de Leo. Ela não era uma garota de se deixar levar nem por uma cantada muito boa como aquela.

–Você está mesmo afim de mim, Leo? -ela perguntou.

–Apaixonado, essa é a palavra certa. -ele precisou de toda a sua coragem pra dizer aquilo, mas disse.

–Bem, você vai precisar de muito mais do um "estou apaixonado" pra me conquistar.

–Então quer dizer que você não sente nada por mim?

–Não sei, Leo. -ela arqueou uma sombracelha ao dizer aquilo. -Mas você pode descobrir.

Ela sorriu pra ele e ele sorriu pra ela. Leo não resistiu, se inclinou sobre a mesa de centro e deu um selinho em Calipso. Para a surpresa dele, ela correspondeu enfiando a língua dela na boca dele, ele sentiu se perdendo em todos os sentidos naquele beijo.

–Leo, ficou quente aqui, não foi? -Perguntou Calipso sem desgrudar os olhos dele.

–Tão quente que estou sentindo como se estivesse pegando fogo. -disse ele sorrindo.

Mas logo aquele todo clima acabou quando Leo percebeu que estava realmente pegando fogo! A vela tinha caído em cima da tolha de mesa e que agora estava pegando fogo junto com a calça de Leo.

Ele tirou a calça de forma desesperada, ficando apenas de cueca samba canção. Ele bateu a calça contro chão várias vezes para que o fogo apagasse. O fogo da calça extinguiu, mas o da toalha de mesa não e as chamas já estavam altas demais.

–Calipso, querida, se nós morremos num possível incêndio aqui dentro, quero que você saiba que um prazer te conhecer e um prazer maior ainda te beijar. -disse Leo passando a mão na coxa, que estava com uma leve queimadura.

–Deixa de ser bobo. Vamos tentar apagar o fogo.

Leo foi burro o suficiente para jogar vinho no fogo, mas ao contrário do que ele pensou as chamas só aumentaram ainda mais.

–Leo, o que você está fazendo? -perguntou Calipso furiosa.

–Ué to apagando o fogo, jogando vinho, que no caso é liquido, em cima dele!

–Não, Leo. Vinho tem álcool, só vai aumentar as chamas.

–Ah droga ...

O fogo da toalha de mesa se alastrou e chegou até o sofá, fazendo as chamas chegarem ao teto. Leo estava preste a dar um último beijo em Calipso, pensando que possivelmente eles iriam morrer, mas de repente um barulho como de um alarme soou.

–Ah graças a Deus. -Calipso fechou os olhos como se estivesse fazendo uma prece de agradecimento. Então tornou a abri-los. -Essa casa, tem extintores de incêndio no teto.

Algo como uma chuva muito forte começou a cair do teto. Leo olhou pra cima é viu os extintores lá, jogando água para baixo de uma forma constante. Depois de poucos segundos as chamas foram apagadas e seus amigos entraram na sala.

–Caramba que confusão ...-murmurou Leo.

–Leo, Calipso vocês estão bem? -Piper entrou na sala gritando.

–Sim estamos, Piper. -disse Calipso sorrindo para tranquiliza-la. -Foi só um deslize da nossa parte.

Leo gostou dela ter falado ter falado que foi um desliza da parte deles, ela não colocou a culpa em um erro que só ele cometeu. Ele direcionou um sorriso de lado agradecido para ela.

–Leo, porquê você esta sem as suas calças? -Perguntou Jason se segurando para não cair na gargalhada.

–Por causa do fogo, acabou queimando a minha calça. -ele sentiu a sua coxa direita ardendo. -E acho que a minha coxa também.

–O fogo, sei, seu cachorrão -Percy disse pra ele. Leo achou aquela expressão no rosto dele bem engraçada, ele tinha um sorriso malicioso no rosto e estava olhando pra Calipso ao invés de olhar para ele.

–Eu sou o cachorrão? -Leo olhou o estado de Percy e Annabeth e comentou sem dó. -Você entra aqui só de cueca e Annabeth com a sua blusa. E você ainda diz que eu sou o cachorrão?

Aquele cometário fez Percy dar uma risada abafada e Annabeth corar até a raiz dos cabelos. Então Leo, finalmente, decidiu dar uma olhada nos seus amigos. Piper estava descabelada e com as roupas amarrotadas e ao seu lado Jason estava bem vestido, porém o seu cinto e o botão da calça estavam abertos. Annabeth e Percy estavam molhados, provavelmente tinham se divertido muito na piscina.

–Bem, acho que todos fizemos coisas inusitadas essa noite. -disse Jason interrompendo aquele silencio desconfortável. -Agora vamos arrumar essa bagunça e depois vamos dormir. Acho que essa noite já deu.

E foi isso o que eles fizeram arrumaram toda a bagunça na sala e tiraram toda a água que ficou no chão, causada pelos extintores. Depois que acabaram, todos foram para seus devidos quartos.

Quando Leo chegou no seu quarto, tomou um banho e colocou suas roupas de dormir. Tentou também, sem sucesso fazer um curativo na sua queimadura na coxa, como não teve exito, desistiu.

Ele se deitou na sua cama e ficou olhando para o teto. Mas estava inquieto, então se levantou e foi até o quarto de Calipso. Bateu a porta e ficou esperando ela abrir.

A porta se abriu, ela saiu de lá de dentro e perguntou um pouco surpresa:

–Ah, Leo, o que você está fazendo aqui?

–Vim ganhar meu beijo de boa noite, só isso. -ele lhe direcionou um olhar que mostrava que era somente isso que ele queria, sem segundas intenções.

Então ela o beijou, um beijo calmo e envolvente. Leo a tomou nos braços e aprofundou o beijo. Porém o beijo durou pouco e depois de alguns segundos se separam ofegantes.

Leo finalizou aquela demostração de carinho dando um beijo nas duas bochechas de Calipso. Ela lhe deu um último sorriso e deu um tchauzinho antes de fechar a porta.

E, naquele momento, Leo finalmente se sentiu um homem de sorte.

Notas finais
Só passando aqui pra dizer que ontem eu ri muito com o jogo do Brasil hehe =D