Blind
9 "Descoberta"
Notas iniciais
Annabeth acordou de madrugada. Ela pensou ter ouvido barulhos de tiros, mas era só o horrível pesadelo de alguns minutos atrás. De repente veio uma imagem de Percy deitado no chão com a boca ensanguentada, o sangue escorria de sua boca e ensopava toda sua camisa. Um vento frio cortante varria a alma de Annabeth e as lágrimas em seu rosto parecia chumbo de tão pesadas que eram.
Decidiu esquecer de vez o pesadelo.
Olhou o relógio — despertador na cabeceira da cama de Percy, viu que ainda eram 03:00 da manhã. Viu o rosto dele quando virou o seu para o lado, percebeu que tinha uma gota de saliva escorrendo pelo canto de sua boca, limpou antes que aquilo escorresse pela sua barba, que ela percebeu estar ali no rosto dele a uma semana.
No calor da noite passada ela não havia percebido que no imenso quarto de Percy tinha um banheiro também. Ela pegou a sua calcinha do chão e decidiu usar a blusa dele, que tinha sido jogada de uma forma tão rude no chão na noite passada. Ela imaginou fazendo aquilo todos os dias da sua vida, usando a blusa dele como camisola já que ela batia até a metada de suas coxas. Era um pensamento reconfortante levando em conta que pela manhã ela poderia levar um pé na bunda dele.
Ela foi até o banheiro e lavou o rosto.
Se olhou no espelho e viu o reflexo assustado. Sua mente estava a mil, tantas mudanças haviam ocorrido dentro de um mês. O monstro que havia dentro dela estranhamente havia se convertido em uma mulher apaixonada. Então, ela começou a se lembrar de algo que estava lhe incomodando.
Se lembrou de todas as conversas que havia tido com Billy.
"Só você pode executar o que eu estou planejando." Tinha dito ele na primeira vez que se encontraram. Ele parecia tão determinado a trabalhar ao lado dela. Mas estranhamente havia desistido de todo o plano dela se casar com Percy, o que ela achou particulamente muito estranho. Ficou se encarando no espelho forçando a mente a funcionar e descobrir quais eram as reais atitudes de Billy a fazer tais mudanças.
"Não quero assassinar ninguém, a polícia pode desconfiar de mim." Foi com essa frase que ela havia anunciado que Luke faria parte do plano. Mas seria improvável a polícia desconfiar dele, a única coisa que ele tinha tentado contra a vida de Percy fora o acidente com seus pais e ainda assim fazia tanto tempo que ele havia feito isso e ninguém desconfiara. Nem o FBI conseguiria levantar uma prova concreta para incrimina-lo e Billy nunca fora negligente na hora de arquitetar um crime brilhante. A polícia só desconfiaria do plano dele se Percy não fosse a única vítima.
Ao menos que tentasse algo contra ela ...
Ela afastou aquele pensamento da cabeça. Billy nunca faria nada proposital contra ela, apesar da conversa com Luke ter parecido um aviso oculto. Afinal, o que Billy ganharia a matando? Ele nunca matava se algo não estivesse em jogo e ela não tinha nada que lhe fosse de valor.
Ela saiu do banheiro e apagou as luzes. Voltou para a cama e levantou os lençóis para continuar abraçada com Percy. Ao levantar os lençóis ela percebeu que em algum momento antes dela se levantar, ele tinha colocado uma cueca samba canção com desenhos dos símbolos dos heróis. Teve que se segurar para não acorda-lo ao dar uma gargalhada alta; a graça não era os desenhos na sua cueca, mas sim uma frase que ele tinha dito uma vez: "O que eu guardo nas calças é mais poderoso que todos os vingadores juntos." Usar uma cueca como aquela, com certeza era um sátira bem elaborada da parte dele.
Ela beijou a cicatriz em cima do olho direito dele, ele se mexeu um pouco, mas não acordou. Ela virou de costas para ele e ele, ainda dormindo, passou o braço em volta de seu corpo de modo que eles ficassem abraçados em conchinha.
Ela dormiu inerte em seus pensamentos carregados de medo.
[...]
Quando Percy acordou, sentiu a pouca luz solar que passava pela janela fume de seu quarto. Percebeu que estava abraçando alguém que estava de costas pra ele e de repente se lembrou da noite passada. Teve de se controlar para não ter uma ereção a essa hora da manhã, mas era algo extremamente difícil quando se tinha um traseiro feminino volumoso grudado nas suas partes íntimas.
Ele tentou se levantar, mas como o bom idiota que era não conseguiu fazer isso sem seu braço bater sem querer no rosto de Annabeth.
–Ai ... — Ela gemeu em protesto.
–Desculpe Annie, eu te machuquei? — Na opinião dele, ele deveria ganhar um prêmio de pessoa mais lesada do mundo todos os dias, com direito a cerimônias e tudo mais.
–Você sempre acorda uma garota assim? Com uma porrada?
–Ahh. — Ele não sabia o que dizer.
–Percy, eu estava apenas brincando.- Ela disse arrependida do que tinha dito vendo a expressão no rosto dele e entendendo tudo; como ele não podia ver a expressão no rosto dela, interpretou seu tom de voz como uma bronca.
Ela se inclinou e o beijou, fazendo ele dizer adeus ao seu plano de não ter uma ereção a aquela hora da manhã. Eles tinham acabado de acordar e não tinham escovado os dentes ainda, com certeza ela não tinha se lembrado disso por que se não nunca o beijaria, mas de certa forma aquilo aumentava 3 vezes mais a excitação dele. Ela levou sua mão até a virilha dele e agarrou a sua cueca.
–Bom dia, meu super herói.
–Você gostou? Coloquei especialmente pra você.
Ele queria fazer sexo selvagem naquele exato momento, mas ela queria o romance. Eram os problemas do embate masculino e feminino. Ele como o bom macho que era, fez a vontade dela e esperava que depois fosse recompensado. Ficaram abraçados, conversando e se beijando. Vez ou outra ele contava uma coisa engraçada, ela ria descontrolavelmente e ele queria continuar a fazer aquilo pra sempre, todas as manhãs da sua vida.
Então ele se lembrou de algo que estava guardando. Se levantou e foi até uma gaveta no seu armário — isso é claro, depois de tropeçar e abrir 3 gavetas erradas. As vezes ele não conseguia se lembrar de onde as coisas estavam.
Annabeth ficou na cama rindo dele. Ele se divertia toda vez que a fazia rir. Ela não se levantou para ajuda-lo, mas aquela atitude para um deficiente significava uma coisa bastante valiosa: "Não te ajudo porque acredito em você, tente de novo e faça a coisa certa. Eu sei que você consegue." A mãe dele sempre o dizia isso quando ele caia e não conseguia se levantar ou quando não achava a porta de casa.
Ele percebeu de repente que sua mãe e Annabeth, mesmo que em pequenas escalas, eram muito parecidas.
Ele pegou o embrulho na gaveta e entregou o presente a Annabeth.
–Feliz Aniversário, de novo.
–Percy, obrigada. -Ele pode perceber que ela estava sorrindo.
Ela abriu o embrulho. Era uma miniatura de um Audi A3 e como Percy era obsecado pela cor azul, o carro não era diferente, era azul marinho. Ela se lembrou de que no último mês vivia reclamando com ele para comprar um Audi, e foi isso o que ele fez.
–Percy, eu amei, de coração.
–Que bom que você gostou. — Ele fez uma pausa e depois continuou. — Mas esse carro não é seu, é meu. Como você disse que queria que eu comprasse o carro pra mim, eu achei que o seu segundo presente seria ver eu dando a mim mesmo um Audi.
Ela deu 3 tapas de brincadeira no braço dele, mas não aguentou e caiu na gargalhada uns minutos depois o seguindo, que já estava com o rosto vermelho de tanto rir. Depois que se recuperaram ele disse:
–Esse carro é meu, mas o seu está ali.
Ele segurou a mão dela e a levou até a janela. Se o mané do Chad tivesse comprido com tudo o que ele disse, o carro estaria lá em baixo, estacionado em frente a mansão. Ele ouviu um arquejo de surpresa de Annabeth e percebeu que Chad cumpriu com o plano. Ele a abraçou por trás e sussurrou no seu ouvido:
–Eu também pensei no seu terceiro presente de aniversário, então comprei um Audi igualzinho pra você. A única diferença é que quando você se irritar comigo você pode jogar o meu carro na minha cabeça.
– Percy, eu nem sei o que dizer.
–Geralmente as pessoas dizem obrigado. E depois eu e você poderíamos transar a dia inteiro pra comemorar. Que tal?
Annabeth quase explodiu de remorso. Ele tinha dado a ela um Audi de verdade! Ela não poderia continuar com aquilo.
–Percy, você se lembra que ontem eu tinha uma coisa muito séria pra te contar?
–Sim, lembro. — Ele sabia que o assunto era sério, mas não queria que o clima ficasse pesado demais. Então soltou uma última brincadeira: — Mas por favor, você não tem Aids, tem? Aí já seria sacanagem!
–Não, não é nada disso. Percy, isso é sério. — Ela tomou fôlego antes de continuar. — É que eu ....
Eles ouviram 3 batidas na porta e uma voz:
–Senhor Jackson, seu antigo tutor Walter Müller está aqui.-Era Rosa, a empregada simpática e gordinha de Percy.
–Rosa, minha querida, mande ele pro inferno.
–Mas ele insiste em falar com você, senhor. Disse que é caso de vida ou morte e que descobriu algo importante sobre um tal de Billy Adams.
O coração de Annabeth falhou uma batida. Percy arranjou uma calça e a vestiu, colocou uma blusa também. Fez isso com tanta rapidez que Annabeth nem conseguiu processar tudo o que estava acontecendo.
Ele deu um beijo rápido dela e disse:
–Eu já volto, vou só dar um chute na bunda desse merda e nós poderemos continuar nossa conversa.
Ela ficou ali, não sabe por quanto tempo, parada no quarto com a miniatura do Audi na mão. Depois que se ligou, deixou o Audi em cima da cama e saiu correndo do jeito que estava do quarto.
Ela encontrou Rosa no corredor.
–Rosa, você sabe onde Percy está?
–Está no seu escritório com o seu antigo tutor, senhorita Chase. É no final do corredor. — Rosa lhe dirigiu um sorriso simpático ao terminar as palavras, típico de uma mulher gentil do interior.
–Obrigada Rosa.
Ela abriu a porta do escritório sem nem ao menos bater. Viu um homem com mais ou menos a sua altura, de cabelos castanhos e da mesma cor olhando pra ela. Ele tinha uma expressão séria, mas ela tinha certeza que em outras circunstâncias estaria com uma expressão gentil.
Mas o que a assustou foi o homem na frente dele. Pela primeira vez desde que tinha conhecido Percy, ele estava olhando diretamente pra ela. Seus olhos tinham um misto de dor e ódio, seu rosto estava vermelho e a respiração acelerada.
Ele andou até ela e a empurrou na parede, com não muita força como se estivesse com receio de machuca-la, mesmo com toda a raiva que estava sentindo. Ele segurou os cachos loiros de Annabeth e levantou sua cabeça de modo que seu rosto ficasse colado com o dele. De uma forma assustadora aqueles olhos verdes e sem vida estavam olhando diretamente para os olhos dela novamente.
Então, de uma vez só, ele cuspiu as palavras em cima dela:
–Sua vadia, eu confiei em você ...
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