Blind
7 "Apaixonada"
Notas iniciais
Eles estavam andando pelo Central Park no final de tarde. Dava pra ouvir as crianças brincando nos gramados.
Annabeth gostava dali, principalmente porque antes do seu pai morrer ele teve uma melhora significativa que possibilitou leva-la à aquele mesmo lugar onde eles estavam. Eram memórias boas, mas ela não trouxe Percy ali por causa disso, era apenas o primeiro lugar que lhe veio a cabeça.
Percy estava um pouco calado, talvez seja porque ele queria ouvir aquelas crianças com a alma inocente brincando. Parecia completamente inerte dentro dos seus pensamentos.
–Você já amou alguém, Annabeth? — Ele perguntou dando um susto nela.
–Já, meus pais. — "E talvez Billy", ela pensou.
–Já amou alguém "daquele outro jeito"?
–Acho que não. — Aquilo era verdade, ela não sabia ao certo o que tinha sentido por Luke. Por um tempo pensou que era amor, mas ela não sofreu pelos cantos depois que terminou com ele.
–Porque está me perguntando isso, Percy?
–Sei lá, acho que amigos perguntam esse tipo de coisa. -Ele disse a palavra amigos com um pouco de escarnio, como se quisesse disser outra coisa.
–Então me responda, e você, você já amou alguém?
–Sim.
E foi só isso o que ele disse. Annabeth começou a achar que as coisas estavam indo devagar demais. Geralmente os homens queriam que ela abrisse as pernas e não que escutasse eles desabafar. Ela percebeu que pra ele era ao contrário, as coisas estavam indo rápido demais, ela sabia demais dele e ele pouco dela.
Mas como Billy tinha dito, só ela poderia executar aquele plano, só ela poderia fazer alguém que tinha acabado de conhecer, confiar nela. Então lá vinha mais um história torta de autoria da senhorita Chase:
–Sabe, eu já gostei muito de um cara. Fui idiota a ponto de ir pra cama com ele e ele foi o meu primeiro. Ele dizia que me amava, mas pelas minhas costas pegava todos as vadias da escola. No final do nosso baile de formatura ele disse que queria algo especial comigo, e então me levou para um motel. Bem,caquela noite foi com certeza especial pra ele, mas pra mim foi um desastre. Pelo menos fui rainha do baile — Ela respondeu dando de ombros e pronto, a história estava feita. Bom, pelo menos ela foi mesmo rainha do baile de formatura no colegial, pena que foi presa no final da festa depois de ter roubado 5 galões de cerveja com mais alguns adolescentes rebeldes.
–Qual era o nome dele? — Perguntou Percy franzindo a testa.
–Scott Dylan. — Nossa, essa foi por pouco. Mais um ponto para a mente trapaceira de Annabeth Chase. — Não tem porque a gente se preocupar com essas coisas do passado. Todas as pessoas do mundo já confiaram em alguém que não era pra se confiar.
–É, talvez você tenha razão.
Percy continuava pensativo, como se quisesse contar alguma coisa pra ela mais achasse que ainda não é o momento. Eles sentaram em um banco em frente ao lago e continuaram calados. Annabeth não sabia por quanto tempo aquele silêncio iria durar, mas estava começando a perceber que o plano de Billy tinha muitas falhas propositais. Apenas 3 meses pra convencer uma cara a se casar com ela? Nem as marias chuteiras conseguiam faz isso!
–Eu já amei alguém. O nome dela era Rachel Elizabeth Dare — Ele começou a sua narrativa, que Annabeth achava que iria ser muito dramática pelo tom que ele adotou. — Faz 4 anos que tudo aconteceu. Nós começamos a namorar no mesmo dia que nos conhecemos. Era tudo tão intenso e ela a pessoa mais agradável que eu tinha conhecido. Meus amigos não gostavam dela, diziam que talvez ela estivesse tramando alguma coisa. E ela estava, de fato. Ela tinha um amante que era meu parceiro com negócios em Boston, ele queria emancipar os seus negócios da CEO Jackson. Ele fingiu um sequestro e pediu que eu assina-se um contrato em que ele ficava com os seus negócios somente pra ele e com mais 500 mil dólares. ele tinha sequestrado ela e então eu fiz de tudo pra traze-la de volta, inclusiva assinar a merda daquele contrato. No final ele ficou com os seus negócios somente pra ele, com os 500 mi dólares e com ela. Eu fui o maior babaca daquele ano, se tivesse um prêmio pra isso eu merecia te-lo ganhado.
Annabeth pensou na história que ele tinha acabado de contar. Se sentia culpada por estava fazendo quase a mesma coisa, mesmo usando meios diferentes. Ela não sabia porque estava fazendo isso, claro, ela tinha medo de morrer e queria a grana, mas enganar aquele cara que passou por tanta dor, já era demais. Ela não sabe dizer o que sentiu por ele naquele momento, sabia que não era pena, afinal ela nunca tinha sentido pena de ninguém, só sabia que ele não merecia ser enganado mais uma vez.
Ela apoiou a cabeça no ombro dele. Era a vez dela ficar inerte em seus próprios pensamentos. Talvez fosse a hora dela desistir desse plano idiota.
Depois do que ele disse, os dois ficaram calados. Ele segurou a mão dela. Talvez aquele momento fosse apenas para ser compartilhados como amigos mesmo e nada mais.
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Em dentro de 1 Mês que se conheceram, Percy e Annabeth já eram vistos como um casal, apesar de ainda serem apenas "amigos". Eles se viam quase todos os dias e ficavam pendurados no telefone até tarde da noite. As vezes Percy achava que ele voltava a ser um adolescente perto dela, as vezes via que estava enganado, ele se tornava um bebezão mesmo.
Ela fazia ele se sentir vivo de uma forma única, era como se ele pudesse ver. Na semana anterior, Percy tinha lhe apresentado seus amigos a ela. Eles tiveram uma conversa divertida em um restaurante chique da cidade. Piper disse que aquela era a primeira garota que Percy arranjava que ela havia gostado.
Mas naquela noite eles iam ao parque. Por alguma razão, que Percy não fazia ideia qual era, Annabeth insistiu para que ele não fosse busca-la em seu apartamento, mas depois cedeu e disse que ele poderia espera-la no carro com Chad em frente a portaria. Ele ouviu ela se despedindo do porteiro e logo depois a porta do carro se abriu.
–Você ainda insiste em andar nessa velharia? Compre um Audi, Percy, pelo amor de Deus! — Ele sorriu ao reconhecer a voz dela.
–Mal me vê e já começa a reclamar. Você não cansa, Annie? — Ele passou a chama-la pelo apelido depois de um tempo.
–Não, não me canso. Troque de carro por favor. — Ela se inclinou para lhe dar um beijo no rosto.
Depois que chegaram no parque, se divertiram como se fosse verdadeiros adolescentes. Foram em quase todos os brinquedos possíveis e depois pararam pra comer. O parque estava lotado e eles quase não acharam nenhum banco para se sentarem.
Annabeth ao longe percebeu um sujeito loiro, alto e com uma jaqueta de couro preta olhando pra ela. Por alguma razão desconhecida, Luke estava ali e ela não precisava ler mentes para descobrir que ele queria falar com ela.
Ela entregou o seu cachorro — quente pra Percy e disse:
–Olha, eu tenho que ir ao banheiro. Prometo que não vou demorar. Já volto.
Ela nem esperou ele terminar de falar e saiu andando em direção a Luke. Ela não seria louca de conversar com ele perto de Percy, ele conseguia escutar tudo a milhares metros de distância. Por isso quando chegou perto de Luke, o agarrou pelo braço e o levou para um lugar mais afastado e para que desse pra ver Percy sentado no banco comendo(e se lambuzando como só os homens sabem fazer) o seu cachorro — quente.
–Luke, o que está fazendo aqui?
–Acho que é obvio que eu vim falar com você. — Annabeth não gostou do tom que ele usou. Ele estava apreensivo demais como se o que fossem falar ali poderia fazem o FBI descer do céu e prende-los.
–Bem, então fale. Seja rápido, se eu deixa-lo sozinho por mais tempo ele pode desconfiar de algo. — Ela falou olhando para Percy com medo de que Luke não fosse a única pessoa a trabalhar para Billy que estivesse ali.
–Sabe todo aquela estrategia para você se casar com o Cegueta e depois a morte dele? — Ela assentiu — Então, já era. Billy quer matar o cara logo de uma vez.
– Não, ele não pode fazer isso. Tudo está ocorrendo da forma que planejamos, se passou apenas um mês e ele me deu o prazo de 3 meses. — Ela teve de se controlar para não começar a gritar com ele.
–Olha Annabeth, os esquemas de Billy acabaram e o traficante novo na área está doido pra mata-lo. Billy enlouqueceu de vez e disse que a última coisa que queria fazer nos últimos momentos de vida que lhe restavam era matar o cara cego.
–Vocês não podem mata-lo, eu não vou deixar. — Billy não estava prestes a ser morto, se tivesse sendo ameaçado de morte ele já teria morrido, traficantes não costumam ameaçar e não fazer logo de uma vez.
–Annabeth, não se meta nisso. Tudo bem que vocês vai ficar sem dinheiro, mas vai ser melhor do que se meter em um assassinato com um cara que tem tanta influência na economia dentro do país. Volte para São Francisco e aproveite a suas férias e depois termine a faculdade.
–Não Luke, eu não posso fazer isso. Não posso deixar vocês mata-los tão friamente assim. — Ela estava com a voz embargada. Tinha aprendido a gostar de Percy mais do que deveria.
–Ah meu Deus, Annabeth. Você se apaixonou por ele? Meus pesâmes. — Ele realmente mostrou pena dela.
–Eu não sei o que, está bem. Só sei que não quero que ele morra. — Ela não tinha parado pra pensar no que estava sentindo por ele. — Me diga como posso salva-lo.
–Você vai ter que fugir com ele. Sumir do mapa. E reze para não me encontrar de novo, Billy me ofereceu 150 mil para mata-lo, e não vou exitar em mata-lo ou em matar você se si meter no meu caminho.
Ela sabia que ele estava falando sério, Luke era sangue frio demais e mataria todos a sua volta por dinheiro. Ele se virou e foi embora, pelo menos por hoje ela e Percy estavam a salvo.
Chegando onde Percy estava, ela viu o rosto dele sujo de ketchup. Ele até poderia usar a desculpa de ser cego, mas era a forma masculina de se alimentar, mesmo.
–Olha só pra você com o rosto todo sujo. Não pode ficar um minuto sem mim que já começa a fazer besteira. — Ela tentou rir um pouco para aliviar o nervosismo interno dela.
–Eu sou um desastre sem você, você sabe. — Ele disse e tentou olhar pra ela. Desde de que eles foram no Central Park ele não usava mais os óculos escuros a pedido de Annabeth, ela amava ficar hipnotiza por aqueles olhos verdes mar. — Você demorou.
–Tinha uma fila enorme no banheiro. Percy, eu não estou me sentindo muito bem, podemos ir embora?
–Bom, eu queria ficar mais um pouco, mas se você quiser ir tudo bem. — disse ele colocando o boné azul que havia ganhado no mini boliche.
Annabeth segurou a mão dele enquanto andavam em meio a multidão. Quando chegaram ao carro, Chad estava estava lá parado em frente ao capu fumando um cigarro.
–Chad, aqui está 50 dólares. Vá pra casa de ônibus e fique com o resto do dinheiro pra você.- Disse Percy, deixando tanto Chad quando Annabeth confusos.
–E quem vai dirigir o seu carro, senhor? — Perguntou Chad.
–Ah não se preocupe, Annabeth dirige. Nós vamos dar uma volta antes de ir pra casa.
–Tudo bem, senhor. Até amanhã então.
– Até amanhã Chad. — Percy deu um sorriso para Annabeth. — Vamos?
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