Blessing or Curse?
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Notas iniciais
P O V NARRADOR
–Não faça isso, -diz Meg segurando as lágrimas ainda presa a cadeira. -por favor.
–Se você fazer isso eu vou te arrancar o coro macaco pelado. -diz Leziel aparecendo bem atrás de Dean e tirando de sua mão a arma.
Dean nada faz. Agora com seu desespero e choro controlados, ou melhor engolidos, ele apenas continua mirando o corpo de seu irmão.
Castiel o mira se lamentando por não ter descoberto a tempo a consequência para aquele que termina os testes, pois quando tinha descoberto Sam já havia iniciado e não podia arriscar que deixasse que destruíssem o mundo. Castiel solta as amarras de Meg, que se levanta e enxuga as lágrimas que começaram a escorrer.
–E-eu... -ela diz confusa. -poderia dizer algo a mais mas eu não consigo, obrigada a todos. -ela se vira rapidamente e sai da igreja antes que algum deles falasse alguma coisa. Além da dor que Meg sentiu pelo sofrimento deles, ela ainda se lembrava de algumas das terríveis coisas que fez antes de virar humana, e algumas dessas imagens não parava de rondar sua mente. Ela caminha pela estrada até achar um lugar que possa ficar sozinha.
–Castiel, -diz Leziel se aproximando de Jennifer, que estava sentada a um canto chorando e observando Dean e o corpo de Sam. -ainda temos uma última coisa a se fazer. -os anjos se entreolham por alguns segundos e respiram fundo em angústia.
–Será mesmo necessário? -pergunta Castiel com os olhos marejados.
Leziel não responde, apenas caminha até Jennifer e estende a mão para ajuda-la a se levantar, enquanto seu amigo anjo o acompanhava mirando cada movimento atentamente.
–Por favor, -diz ela tremula enquanto se levantava com ajuda do anjo chamando a atenção de Dean. -pode me matar?
–Nós não podemos fazer isso. -diz Castiel.
–E por que não? Eu sou um monstro. -ela rebate. -Olha o que eu fiz!
–Se te matarmos as coisas podem piorar e você pode fazer tudo isso de novo, ou até pior. -diz Leziel.
–E... se... -Jennifer tenta dizer algo enquanto pensava. Dá alguns passos com ajuda de Leziel e se aproxima de Dean que continuava na mesma posição, com Sam em seus braços. Mais algumas lágrimas escorrem e ela respira fundo. -Há alguma maneira que vocês possam trazê-lo de volta? -pergunta mesmo sabendo da resposta. Os anjos negam cabisbaixo e Dean a ignora. -E eu? Ainda posso tentar algo antes de...
–E-eu não sei. -responde Castiel e em seguida sussurra para si mesmo. -Ele se foi.
–NÃO ACHA QUE FEZ O SUFICIENTE? -berra Dean se levantando e se aproximando de Jennifer com os punhos cerrados.
–Dean... -diz Castiel se colocando entre o Winchester e Jennifer. Dean fita o anjo por alguns instantes e se vira rapidamente.
Os anjos a miram e assentem, ela se abaixa e acaricia a testa gélida de Sam.
–Me desculpe... -ela sussurra. -E-eu... -se interrompe e respira fundo. Tenta se concentrar, tenta afastar toda essa agonia, esse nó em seu garganta e o aperto no coração. Fecha os olhos e segura uma das mãos de Sam enquanto a outra colocava em seu peito. Em sua mente passa aqueles momentos ruins, aquelas torturas que passou no inferno, o remorso de rever aqueles que matou e de rever a sua significante ajuda a Lúcifer. Se lembra da morte de seus pais, de quando conheceu os Winchester e Castiel, de quando os olhares dela e de Sam se cruzaram pela primeira vez, das piadas idiotas de Dean, do jeito nerd de Sam, de seus abraços, de quando ele sorria para ela e de todas as vezes que eles a salvaram e deram o seus melhores para ajuda-la. Mais lágrimas escorreram pelo seu rosto, suas mãos tremiam e logo as afastou de Sam e se levantou bruscamente. -Eu não posso, eu não consigo. -ela murmurou chorando.
Dean a mirou com raiva e pena ao mesmo tempo, e em seguida se reaproximou de Sam.
Leziel tirou do bolso de sua calça jeans o feitiço da cura e entregou a Castiel, que mirou o velho papel com os olhos cheios d'água e pela mão puxou Jennifer, que estava imóvel de tanta tristeza, e pegou uma cadeira qualquer e a fez se sentar e com ajuda de Leziel a amarrou.
–Não, não podem fazer isso, -ela rebate. -não por mim, eu não mereço e não posso aceitar. Por favor não faça. -ela mira direto nos olhos de Leziel que apenas desvia o olhar.
Leziel pega sua espada angelical e também com os olhos cheios d'água aproxima de sua garganta e encosta nela. Castiel começa a ler as palavras e sem hesitar e em um movimento rápido o anjo corta sua garganta liberando sua graça e deixando que sangue escorresse e o corpo caísse com tudo ao chão. A graça paira ao ar em frente de Jennifer, que repetia sem parar seu argumentos de culpa e se menosprezando. Castiel lê a última linha e a graça entra pela boca de Jennifer lentamente.
Ela começa a sentir uma leveza e aos poucos sua mente fica vazia, se esquecendo de tudo e introduzindo memórias de uma vida comum e cobrindo e disfarçando buracos das tragédias que aconteceram. Sua audição fica cada vez menor e seus olhos pesam e antes que os feche e que pare de escutar os sons a sua volta, a voz de Dean esperançosa e feliz ecoa pelo lugar:
–CAS! O SAMMY VOLTOU! -ela força sua visão e vê o Winchester abraçando seu irmão, que estava com um expressão confusa. -SAMMY! SAM... SA... S... -e para Jennifer tudo fica escuro.
Castiel anda rapidamente até os rapazes e se abaixa ao lado e examina Sam. A sua aparência tinha se curado, suas olheiras sumiram, sua pele estava em sua cor normal sem ferimento algum e já não estava mais magro como antes.
–O-o que aconteceu? -pergunta o moreno ainda confuso e um tanto assustado. Dean e Castiel se entreolham pois sabiam que Jennifer havia conseguido trazê-lo.
–Está tudo salvo. -responde o anjo.
–E você está de volta Sammy! -diz Dean alegre. -E é isso o que importa.
Sam pensou em perguntar da onde que ele voltou, não conseguia lembrar o que tinha acontecido depois que deu a última seringa a Meg. Ele mira a cadeira e vê que ela não estava mais ali.
–O que houve com a Meg? -ele pergunta e em seguida mira para o fundo da igreja, onde estava o corpo de Jennifer desacordado e também numa aparência melhor do que antes. -E com a Jen?
–Depois eu volto, -diz Castiel se levantando. -ainda tenho alguns assuntos a serem resolvidos.
–Não espera! -diz o Winchester mais velho. -Temos que...
Castiel vai até Jennifer e toca em seu ombro e ambos desaparecem. Dean reclama e pragueja e em seguida mira para seu irmão e suspira se preparando para começar a contar. Eles se levantam do chão e arrumam o que sobraram de suas coisas enquanto Dean contava, mas não tão detalhadamente. Voltam ao bunker e antes que possam ficarem completamente aliviados resolvem pesquisar se ainda há algum vestígio que o mal anda pela Terra. E de fato não tem mais nada disso. As noticias que encontram são sobre o misterioso clarão, sobre algumas pessoas ter morrido de um segundo ao outro e outras afirmando que viram fumaças negras sendo puxadas para o solo.
Então eles respiram fundo como nunca fizeram antes. Pela primeira vez estariam livres, poderiam ter as vidas que sempre ansiaram.
[...]
Se passaram dias, semanas completando 5 meses. As vezes os Winchester chamavam por Castiel, para saber noticias sua, de como as coisas foram no céu e como resolveu a pós cura de Jennifer e até para saber como o anjo estava, mas não obtiam nenhuma resposta, nenhuma aparição, nenhum sinal assim como a maldade que praticamente nem existia mais.
Os rapazes estavam no Impala conversando assuntos aleatórios enquanto voltavam de um dia de trabalho no emprego que conseguiram há quatro meses na oficina mecânica de um velho e agora aposentado caçador a caminho de casa que também adquiriram a pouco, quando repentinamente Castiel aparece no banco de trás.
–Olá Dean, Sam.
O carro derrapa na pista e logo volta a ser dirigido normalmente.
–Típico. -diz Dean logo após de respirar fundo e se recuperar do pequeno susto.
–Por onde esteve Cas? -pergunta Sam. -Nós achamos que os anjos tinham feito alguma coisa contra você.
–Eu estive resolvendo alguns detalhes finais.
–Detalhes finais? -Dean arqueia as sobrancelhas.
–Tudo está bem agora. Tudo. -diz o anjo com um leve e tranquilo sorriso no rosto.
Dean e Sam se entreolham. Eles não duvidam; pois sabiam, mesmo que agora eles tenham uma vida normal não deixavam de pesquisar sobre qualquer evento fora do comum, só para se sentirem seguros que ninguém mais precisasse de suas ajudas; mas ficaram um tanto curiosos para saberem o que o anjo fez durante todo esse tempo.
Dean estaciona na frente de sua casa, que era muito bonita. Castiel a mirou contente, era noite e ainda dava para perceber que era grande e um cor tão branca quanto as nuvens. A grama muito bem aparada, uma pequena cerca da mesma cor da casa isolando o enorme terreno. E se por fora era assim por dentro era melhor ainda. Muito aconchegante. Uma enorme sala com direito a lareira, uma cozinha comum mas muito bem arrumada como Dean lembrava que era daquele jeito a casa de seus pais. Uma escadaria que levava aos quartos, um para cada Winchester e um de hóspede.
Dean pega cervejas e joga para Sam e uma para Castiel e logo se deita ao sofá e liga a televisão, bem na hora de sua novela favorita. Ao perceber o olhar confuso de Castiel, Sam sorri e se senta ao outro sofá, deixando a poltrona para o anjo.
–Bem, acho que posso começar a contar o que houve desde a cura na igreja. -diz Castiel dando um pequeno gole na cerveja e fazendo uma mínima careta, em seguida solta na mesa ao lado.
–Não, agora não. -rebate Dean. -Espera um pouco, nesse capítulo Carlos Roberto vai se declarar a Joana Maria e a Christina Larissa vai atrapalhar e...
–Ta bom, Dean nós já entendemos. -diz Sam revirando os olhos de leve e sorrindo. -E não gostamos de ver novela.
–Shhh Sammy. -reclama Dean.
–Jerk.
–Bitch.
Um tempinho passa, Sam havia pedido pizza para o jantar e Castiel ainda esperava pela atenção do Winchester mais velho.
O anjo ouve na "rádio celestial" um pedido para que ele voltasse ao céu e ajudasse a alguns de seus irmãos.
–Amanhã eu volto. -diz ele.
–Cas espera! -diz Sam mas o anjo já havia sumido. Ele bufa e irritado mira Dean que ainda estava vidrado na televisão.
–O que foi cara? -ele pergunta. -Eu hen! Onde foi Cas?
–Até amanhã. -ele diz e sobe as escadas para seu quarto, deixando Dean confuso.
–Eu hen.
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