P O V CASTIEL

Eu ia sair daquele lugar, o purgatório, junto com Dean e aquele seu amigo vampiro, Benny pelo portal que se abre para humanos passarem, mas nos últimos segundos soltei sua mão para que eu permanecesse aqui. Eu não merecia ser salvo, não merecia ser resgatado, eu tinha que ficar e aceitar esse lugar como um castigo por ter falhado de todas as maneiras. Eu não tinha ajudado Jennifer com seu fardo de ser descendente de um arcanjo caído, do pai das mentiras, da escuridão, do mestre da maldade, a deixei sofrer e morrer e ainda a deixei queimar no inferno, mesmo enganando Crowley para adquirir poderes das almas do purgatório. Depois descobri que não foram só almas que libertei, mas também monstros antigos e poderosos, Leviatãs, que por minha ganancia me deixei levar pelo poder e usa-los para me fazer do novo Deus e fazer todos se curvarem a mim querendo ou não, quis mudar o mundo e deixa-lo do jeito que eu achava que deveria ser. Por minha incapacidade não consegui suportar os Leviatãs em mim e os liberei pela face da Terra para que fizessem dela sua grande refeição. Com muito esforço Dean e Sam e até com um pouco da minha ajuda e um pouco de Crowley conseguimos dar fim a tudo isso, jogando o chefe dessas criaturas ao purgatório, mas por fim levando Dean e a mim. Ele merecia sair daqui e continuar com sua vida, pois afinal ele sempre fez tudo certo, se sacrificou e salvou o mundo diversas vezes e merece ter uma boa vida, mas eu a maioria das vezes falho nas minhas missões, descumpro ordens e daquela vez quase fiz o mundo acabar.
Sem ao menos esperar, Jen aparece nesse lugar, me fazendo ter muitas duvidas e me sentir pior pelo estado de sua alma. Antes dela ter ido para o inferno, era como uma outra alma qualquer, como a de Sam, como a de Dean, como a de um humano normal até pelo fato das cicatrizes do sofrimento que passam, mas quando a vi naquele exato momento, sua alma está destruída como uma superfície corroída por ácido ou como algo carbonizado por intensas chamas. O que me deixa surpreso é ainda consigo ver ternura em seus olhos, porque nesse estado ela deveria estar pior que um demônio, pior que um anjo envolvido pela revolta e pela maldade, pior que Lúcifer ou qualquer outro ser repleto de malevolencia.
Fomos ao lugar onde estão os Winchester, fonte de conhecimento sobrenatural, bunker. Me controlei o máximo que pude para me concentrar no que devo fazer e de não ficar aqui e mergulhar em todos esses livros e aprender mais. Como recomendado por Jennifer, me lavo e me arrumo e logo parto em busca de informações.
Localizo alguns irmãos e os pergunto o que sabem sobre Naomi e sobre o ato que ela diz ter acabado com o primeiro descendente de Lúcifer, mas também não sabem de nada. Vou até aquela biblioteca escondida e procuro e nada também, tento localizar Balthazar mas é inútil. Então por ultimo sem mais escolhas procuro por Leziel, meu antigo amigo anjo, grande guerreiro porém excelente em dar broncas e humilhar em frente a outros; o localizo e apareço num lugar escuro com musica alta e um cheiro estranho, com luzes vermelhas e azuis que piscavam de vez em quando e assim consigo ver moças com pouca roupas e parecem que estão fazendo, como que dizem? Estão fazendo danças, isso! Elas estão dançando. Dean já me trouxe para um lugar parecido com esse. Miro a minha volta e sinto um toque em meu ombro e em seguida na minha face e em minha frente vejo uma moça sorrindo para mim e em seguida estende seu dedo e o mexe como se estivesse me convidando para segui-la, fico parado a encarando até sinto minha cabeça inclinar.
–O que foi docinho? -ela pergunta. -Eu não mordo, a não ser que você queira. -ela morde os lábios e antes que pudesse perguntar o que ela estava querendo dizer sinto um toque em meu ombro e instantaneamente me viro para ver quem é.
–C-Castiel? -pergunta Leziel com uma voz tremula como se tivesse bebido bastante daquelas cervejas que Dean toma. Sua casca está horrível, seu terno amarrotado, mal vestido e desabotoado, seus cabelos bagunçados e parece cansado. -Achei que estivesse mort...- é interrompido por uma moça que abraça suas costas e beija seu pescoço.
–Estou prontinha meu amorzinho. -diz ela, em seguida ela olha pra mim. -Ele vai vir para a festinha?
–Não tenho tempo para festas. -digo. -Leziel preciso de ajuda.
–Não pode ser em outra hora não? -ele pergunta rindo de alguma coisa que a moça estava fazendo.
–Não! -digo irritado. -O que houve com você Leziel? Desde quando ficou irresponsável?
–E desde quando você virou um chato? Vamos nos divertir! Qual é o sentido da nossa miserável vida se não nos divertimos? -ele questiona e eu continuo o encarando irritado sem dizer nada. -Ok. -revira os olhos. -Minha querida, pode nos dar licença? -ele olha para a moça e ela assente com uma expressão fechada, vira as costas e caminha em direção a um outro homem. -Acho bom ser importante Castiel, por que estou muito ocupado, tenho que checar essas gatinhas e também tem aquele, aquele, aquele liquido, b-bebida que faz que...
–Vamos conversar em outro lugar? -pergunto. Ele revira os olhos de novo e toca meu ombro e aparecemos em uma loja de bebidas fechada. Ele vai até um prateleira e pega uma garrafa grande daquelas bebidas que Bobby costumava consumir, ele a abre e em segundos bebe tudo num gole só. -Pode me falar agora o que aconteceu para você estar nesse estado?
–Já que insiste tanto em saber...-ele começa a procurar entre outras pratilheiras entre as bebidas. -como eu sou sou de cargo maior que o seu Castiel, a minha responsabilidades eram maiores, e entre elas estavam ter destruído o espirito da cria de Satã, não só esconde-lo, e como sabe pela primeira vez falhei e o castigo foi dado... Ah achei! -ele pega uma outra garrafa comprida com um liquido azul florescente e bebe mais uma vez em um gole só e sua voz fica mais difícil de entender. -fui rebaixado e uma segunda chance recebi quando aceitei outra missão, mas eu falhei de volta e mais castigos me foram lançados e depois eu comecei a me sentir um lixo, na verdade eu realmente comecei a me enxergar, eu sou um lixo e larguei dessa vida de servidão e agora eu me permiti a fazer tudo que quero para esperar a chance de acabar com essa merda de vida.
–Mas que outra missão era essa?
–Naomi como nova chefe do pedaço já que Rafael se foi, ordenou que você fosse morto. E como falhei, ela disse que mandaria outro para que fizesse, mas você se condenou quando se perdeu ao purgatório assim a poupando de um trabalho. -ele dá uma pausa e toma uma garrafa pequena com um liquido parecido com agua. -Quer um pouco? -ele estica sua mão e oferece o gargalo da garrafa. Recuso, então ele dá de ombros e quando termina joga a garrafa para trás a quebrando. -E aí, o que é de tão importante que alguém precise de mim? Se for algo com gatinhas eu topo.
–Naomi mencionou que já matou o primeiro descendente de Lúcifer, mas eu não me lembro.
–E por que você acha que eu sei de alguma coisa?
–Porque seu cargo é do mesmo nível de Naomi.
–Era...-ele dá uma breve pausa. -era do mesmo nível. Eu não devia contar, mas como eu não me importo mais e não temo a mais ninguém. -ele se senta em algumas caixas e inclina a cabeça de modo que me faz entender para me sentar a uma caixa ao seu lado. Caminho até o lugar e me sento. -Quanto tempo não conversávamos meu amigão. -ele dá um empurrão no meu braço. Leziel está bem diferente do que era, mesmo que ainda sinto sua graça ele está muito humano. -Bem, isso foi há muitos anos, quando ainda não se existia carros e muitas dessas outras modernidades, Lúcifer, como de costume, mandou seu filho tomar o mundo para o comandarem, dando fim em mais da metade da humanidade e do que restaram os fizeram de escravos, inclusive muitos dos anjos, quase todos caíram no truque dele e o serviram, alguns porque queriam e outros foram obrigados e/ou hipnotizados. E graças a mim, eu acabei com o primeiro descendente e Miguel o responsável por essa grande missão, jogou Lúcifer em sua jaula pela primeira vez. Naomi fez Miguel acreditar que foi ela que matou a cria e assim conseguiu seu tão desejado cargo elevado.
–E por que você deixou que essa mentira permanecesse?
–Eu me deixei cair em seus encantos. -ele diz passando a mão em seu rosto. -Vagabunda!
–Ainda eu não compreendo como que eu não me lembro de tudo isso.
–Não é só você que não se lembra...na verdade quem sabe disse é só eu e Naomi, já que Miguel está na jaula também. -ele dá outra pausa. -Como eu disse antes quase todos os anjos e todo os humanos que restaram na época viraram servos de Satanás e seu filho, e a único jeito de recupera-los, para não manda-los ao inferno e despovoar a superfície terrestre, tivemos que apagar todos os rastros, todas as lembrança tivemos que "programa-los" de novo, entendeu?
–Sim. -respondo.
–Era só isso que queria saber?
–Na verdade não, eu também queria saber se aquele sacrifício, aquele de recuperar um alma destruída funciona mesmo e também dos testes dados por nosso Pai para fechar para sempre os portões do inferno, o comprometido a faze-los pode ter danos irreversiveis?
–Eu não tenho certeza, mas existe explicações que se não me engano estão escondidos numa pirâmide oculta no Egito e sobre esses testes eu não sei nada sobre.
Ele toca no meu ombro e aparecemos dentro de um lugar escuro, encosto minha mão no que parece ser uma parede e sinto um relevo diferente como um cone, o pego e percebo que é uma madeira, uma tocha. Toco o dedo no topo e ascende chamas iluminando o lugar. Agora vejo que as paredes, chão e teto são feitos do que parece areia só que no estado sólido, há cobras rastejando e caravelhos correndo ao chão. Mais a frente vejo o que parece ser uma tumba com vários hieroglifos, uma parte escrito prece ao deus Anúbis e a outra não consegui ver direito.
Leziel caminha a minha frente e empurra a tampa da tumba a abrindo. Ele tira o corpo enfaixado e o joga ao chão fazendo mais caravelhos saírem e correrem, em seguida tira uns potes e também joga ao chão fazendo cair jóias e muita poeira. Ele me pede para ajuda-lo a cavar a areia de dentro da tumba. Depois de algum tempo e de muita areia retirada pego em um pequeno pote, Leziel faz um sinal com a cabeça para eu prosseguir, então o abro e vejo três papiros e começo a ler.
A primeira parte do papiro diz aquilo que já sabia, sobre anjos caídos, sobre sua influencia na Terra, quando tem filhos e o quão poderosos são esses seres. Entrego a Leziel e vou para a segunda parte, que explica como se fazer corretamente o ritual de sacrifício, na pratica e por fim vejo o terceiro que tem a escrita para alguém dizer enquanto o tal anjo disposto a fazer retira sua graça.
–Eu não sabia que tinha que citar uma espécie de feitiço. -digo ainda analisando o terceiro papiro.
–Agora sabe. -ele responde enquanto eu entregava os últimos dois papiros e ele cantarolava alguma canção, deve ser aquilo que dizem, o efeito da bebida.
–Tudo pronto não é? -pergunto e ele assente, em seguida toco seu ombro e aparecemos de novo naquele lugar que os Winchester estão. -Cade o Sam? -pergunto examinando o meu redor.
–Ele ta lá no quarto dele. -responde Dean. -Que velharia é essa e quem é esse?
–Aqui está a cura. -respondo. -E esse é um anjo amigo.
–Leziel? -Dean questiona o mirando de forma esquisita. -Ta na pior hen amigão.
–Não sou seu amigão Winchester. -diz ainda com a voz tremida.
–Ta todo cozidão aí mas não perdeu a gentileza. -Dean responde.
–Leziel? -Jennifer questiona confusa.
–Sim gatinha, -responde. -em carne e osso. -ele pisca para ela, que me encara mais confusa ainda.
–Por que não vão chamar o Sam? -pergunto.
–Vai Jen. -diz Dean de modo autoritário e fitando Leziel com o que parece raiva ou algo assim.
–Por que eu? -questiona. -Porque você não vai? O Sam não quer falar comigo.
–O que aconteceu? -pergunto analisando as expressões nervosas deles. Não me respondem, Dean aponta com a cabeça a escadaria e Jen revira os olhos e logo dá as costas e começa a subir lentamente os degraus.

Notas finais
E então o que acharam? Comentem a opinião de vocês, vale muito pra mim muuuito obrigada por tudo amores da minha life (sabem que eu amo muito vocês né?) e me desculpem qualquer coisa, qualquer errinho ta? PS: o anjo Leziel é invenção minha, e ele já teve uma pequena aparição se não me engano no capítulo 24, e parar relembrar, ele é um velho amigo do Cas, que não se importava com os humanos, os desprezava assim como aqueles outros anjos de alto escalão e também dava broncas no Castiel por "falhar" em certos aspectos. E também foi ele quem avisou onde a Jen estava antes dela morrer, antes do Crowley ter matado ela. Beijinhos seus lindões ♥♥♥