Blessing or Curse?
41 41
Notas iniciais

P O V DEAN
Eu desconfiei que tinha algo de muito errado em tudo isso. Eu achei que a Jen estava muito suspeita, que estava escondendo alguma coisa, mas não tinha imaginado que seria uma coisa perturbadora, como matar cruelmente e ter algum interesse no purgatório. Escuto um uns suspiros como se alguém estivesse chorando, Benny.
–O que foi cara? -sussurro.
–Ela...ela...-ele murmura nervoso. -aquela coisa matou a minha amiga. Eu juro que vou acabar com a raça daq...
–Pera aí! -seguro Benny e o empurro um pouco para trás. -Não faça nada! Pode ser perigoso.
Sua expressão estava furiosa, até parecia que ia me atacar de tão irritado que está. Antes que ele pudesse responder alguma coisa escuto passos firmes feitos por salto alto vindo a nossa direção. Fico pensando uma desculpa para dizer a Jen e que eu não vi nada, e torcendo para que ela não faça nada que se arrependa. Os passos param e uma voz de um certo desgraçado paira ao ar. Crowley!
–Te achei querida! Achou que conseguiria escapar sabendo do que sabe sem me dizer?
–Na verdade eu tenho certeza! -ela responde confiante.
–Como? Acho que eu não ouvi direito. Meu amor, esqueceu quem é o rei aqui?
–Nunca esqueci. -eles ficam se entreolhando.
P O V JEN
Mandei Sam e Dean fugirem com Kevin para longe dessa igreja, sabendo que era Crowley que estava por trás do ataque fracassado de demônios. Eu sei que era para entregar, literalmente, o profeta ao maldito, mas eu não posso fazer isso. Eu não quero quebrar a confiança dos Winchester, não quero fazer mal a eles, não quero faze-los sofrer, e quando eu vi Kevin eu me coloquei em seu lugar eu vi um pouco de mim nele, não que ele seja um monstro como eu, na verdade é que ele me passou a impressão que está nessa vida por obrigação, não teve a escolha de o que ser e o que não ser, e isso me deixou muito mal.
Crowley ficou furioso sabendo que eu o "traí", sendo que eu nunca prometi a ele devoção, ele que resolveu confiar em mim e me fazer de seu bichinho de estimação, e eu como nunca quis fazer nada disso, por mais que o sangue dele me fez mudar, ainda que não por completo, eu ainda consigo me controlar e seguir o que acho que está certo (nem sempre).
Num estalo de seus dedos eu apareço numa sala de casa enorme, uma mansão. Muito bem cuidada, com carpete, papel de parede, velas em cima da lareira, uma decoração bem rústica.Continuo com dois demônios me segurando, se eu quisesse eu os explodia mas não reajo, só fico esperando no que vai dar. Crowley estala os dedos novamente e os demônios somem.
–Bem vinda ao meu ninho de amor.
–Vai logo ao ponto Crowley! O que vai ser? Vai ficar flertando ou vai me torturar?
–Já que está com pressa, aposto que quer ir ver o Alce, vamos logo então. Uma rapidinha.
–O que?!? -fico quase histérica. Ele estala os dedos e aparecemos num escritório. Crowley estende a mão e fico pressionada na parede. Ele puxa uma gaveta da comoda ao lado da janela e tira dela uma serrinha.
–Pronta? Aqui vou eu. -ele se aproxima e começa a fatiar minha pele. Berro de dor. -Então me fale o que descobriu! -não o respondo. Ele pega um tipo de martelo para carne e começa a desferir golpes no meu rosto. -Fale! -eu sorrio e cuspo sangue na cara dele. -Ta muito desobediente Jennifer. -ele limpa o sangue de sua face com um lenço que tira de seu paletó. -Próximo brinquedinho então. -Crowley pega um maçarico e liga nas minhas pernas. Entre gritos e lágrimas, digo com um fiapo de voz:
–Eu falo!
–Maravilha! -diz ele sorrindo.
–Me solta daqui que eu falo, se não nada feito. -tento não demonstrar o sorriso que meus lábios estavam querendo fazer. Crowley me mira e pensa.
–Ok querida. -ele estala os dedos e eu caio no chão ao lado de uma caneta, eu a pego e escondo entre minha mão e a jaqueta. Me levanto e me aproximo de Crowley.
–Então descobri que... -passo a mão no rosto dele, que me encara com estranheza. Aproveito sua distração e enfio a caneta na sua garganta e em seguida me concentro num lugar, penso na Teresa, onde que ela está já que não posso aparecer assim para os Winchester. Me tele transporto e chego a um beco. Caio sentada de fraqueza e de dor, respiro fundo para recuperar meu folego. Olho a minha frente e vejo a vagabunda da vampira e a mato enquanto sentia meu corpo se curando. Sinto a presença de alguém. Ando até o fim do beco e quando estava quase perto Crowley reaparece. Desgraçado!
Ele quis me botar medo quando me faz lembrar quem é rei da droga do inferno. Confesso que um temor passou pelo meu corpo inteiro, lembranças das dores tantas físicas quanto psicológicas tomam conta de mim.
Eu e Crowley ficamos nos entreolhando. Tomo folego e puxo concentração de meu interior e estendo uma de minhas mãos o fazendo "voar" para dentro de uma caçamba de lixo. Rapidamente ele sai gargalhando, se aproxima de mim batendo a sujeira de suas roupas e ajeitando seu cabelo.
–Só isso que sabe fazer querida?
–Você sabe muito bem o que eu posso fazer! Agora chegou a minha vez de te ver sofrer. -ele ri debochado e estala os dedos e eu sou jogada para o fim do beco fazendo bater forte minhas costas no muro.
Ele se reaproxima e estala os dedos novamente e minha pele começa a ser arrancada me fazendo gritar alto de dor. No começo do beco vejo Dean prestes a correr até aqui, o miro com um olhar pra ele sair daqui, ele me encara confuso, me levanto e estendo o braço fazendo as pernas de Crowley serem puxadas e o arrastando no beco. Dean recua e logo não o vejo mais.
Vou até o Crowley controlando meus suspiros de dor. Ele se levanta e antes que estale os dedos, os faço ser fatiados e logo caiem ao chão. Ele dá um berro e me pressiona na parede e dá um leve sorriso enquanto segurava um lenço em seus dedos e os juntava do chão, em seguida os coloca em seu bolso. Se aproxima de mim e me dá um soco com sua outra mão.
–Vadia! -ele diz parecendo estar furioso. Me concentro novamente temendo o que ele pode fazer, as palavras de Lúcifer passam em minha cabeça: "Você é poderosa filhota, poderia conquistar o mundo se quisesse!" e também uma frase dita por Castiel, na qual escutei escondida: "Se ela tivesse noção de quanto poder tem nos destruiria em um piscar de olhos." Sinto meu sangue se esquentar de tal forma que parece que vai fazer minha pele derreter, meus olhos ardem e uma ventania começa a soprar ao meu redor. Me solto da parede, mas dessa vez não caio de joelhos, fico em pé e sinto minhas pernas caminhar em direção ao Crowley, que ia recuando com uma expressão de confusão e se eu não estivesse receosa, diria que ele está apavorado. -Mas que merda é essa? -ele quase berra.
Sem que uma palavra saia de minha boca e sem que eu faça esforço algum, golpes de socos e chutes se disferem em Crowley o fazendo cair no chão, sua pele começa a ser arrancada pedaço por pedaço, seus dentes são arrancados de maneira tão brusca que quando se chocam com a parede se transformam e milhares de pedacinhos, seu sangue escorre e atinge meus saltos alto. O último esforço que faz é voltar seus olhos para mim de maneira que me faz pensar que está pedindo misericórdia ou qualquer outra coisa desse gênero. O ignoro e seus ossos são quebrados vagarosamente o fazendo gemer de tanta agonia, e por fim um fogo azul se faz ao seu redor o queimando rapidamente por inteiro e desintegrando sua fumaça vermelha, o pouco de cinzas que sobraram a ventania ao meu redor carregou para longe. Sinto em meus lábios um grande sorrio que logo se transformou em uma terrível gargalhada.
Fico fitando o beco com um alívio e com uma sensação estranha, que ao menos consigo explicar. Miro minhas roupas e elas estão praticamente acabadas, praticamente toda rasgada não me deixando nua por um triz e bem sujas. Meu corpo não estava ferido mas também está sujo de sangue, tanto do maldito do Crowley, quanto meu e da vampira vadia. Respiro fundo e penso onde que eu poderia ir agora, lentamente começo a caminhar para o fim do beco me encolhendo do frio que conseguia sentir.
A rua em repleto silêncio, com apenas o barulho do vento e das ondas do mar e pelo eco que meus saltos faziam. Passando em frente do beco seguinte, sinto uma puxada no meu braço e em seguida uma grande faca no meu pescoço me fazendo ficar contra a parede e de quem a manuseava. Dean! Por um momento eu tinha esquecido que ele estava aqui e que talvez ele possa ter visto tudo o que aconteceu.
–Quem é você? -ele questiona irritado
–Sou eu Dean, Jen! -respondo nervosa, já sentindo a faca ferindo minha pele.
–Você matou minha amiga! -vejo Benny que estava encostado no muro se aproximando.
–Eu sinto muito mas...
–Sente nada! -ele me interrompe. -Você a matou sem piedade alguma, a matou como um monstro!
–Mas eu fui meio que obrigada, -minha voz falha. -a vampira ia fazer Crowley me matar e...
–O que houve com você Jen? -indaga Dean me fitando dentre meus olhos. Penso em algumas respostas.
–Muitas coisas. -digo vagamente. -O inferno me destruiu. -digo mais sincera do que gostaria. Seus olhos que pareciam muito raivosos mudam para tristes e tira a faca de meu pescoço. -Me desculpem, agora eu tenho que ir.
–Ir pra onde? -pergunta Dean.
–Pra qualquer lugar que não faça me sentir pior do que já estou. -minto, por que na verdade não estou me sentindo ruim com tudo isso, não sinto remorso nenhum.
–Espera! — Dean tira seu casaco e coloca sobre meus ombros. Benny revira os olhos e bufa ainda irritado e encara Dean com um olhar de desaprovação. -Não pode andar por aí assim.
–Obrigada. -digo sem jeito. -Você vai contar pro Sam?
–Eu tenho! Afinal como vou explicar onde que Crowley se meteu, e mais cedo ou mais tarde ele vai descobrir.
–Ta. -respondo mirando o chão. -Você pode dizer que eu o amo demais e que eu sinto muito?
–Eu to caindo fora! -diz Benny caminhando para a saída do beco. -Sabe me encontrar né Dean? -Dean se vira a ele e o comprimenta acenando.
–Por que você quer que eu diga isso? -pergunta ele com os olhos brilhando. -Você não vai voltar mais?
–E-eu n-não sei...é que eu vou partir e...e
–Você não precisa ir embora e...
–Eu tenho que fazer isso, é o certo! Eu fiz muitas coisas ruins e...
–Espera, -ele dá uma pausa. -você que matou aquele lobisomem e aqueles vampiros? -assinto escondendo o orgulho que estranhamente sinto disso. -E o sarnento do Sam também? Por que? E por que o interesse no purgatório?
–Tchau Dean! Não esquece o recado pro Sam tá? -me viro e começo a caminhar para fora do beco, segurando as lágrimas. Eu posso ter mudado, mudado pra pior, posso ter perdido ou desaprendido os sentimentos humanos mesmo continuando sendo uma, por mais que eu pareça um monstro, mas a única coisa que eu nunca esqueci é o amor, aquele que eu sinto pela minha família, a família de coração que eu tive a oportunidade de ter, o infinito amor que sinto pelo Sam, o amor que sinto por Dean e Castiel e o Bobby, oh céus, o Bobby, eu fiz muita maldade a ele.
–Não tem um recado para mim? -escuto a voz de Dean perguntando longe. Paro meus passos e me viro, o vejo parado me fitando e tremendo de frio. Rapidamente retorno e tiro a blusa que ele me deu e o entrego.
–Na verdade eu tenho, você pode me perdoar?
–Eu não estou ressentido com você, por nada. -ele continua segurando o casaco e insiste e me dar, mas recuso. -Tem mais alguma coisa pra falar? -miro seus olhos e desvio o olhar enquanto penso. -Então me prometa que você logo vai voltar.
–Eu não sei se posso prometer. -dou uma pausa e ele me encara como se estivesse me pressionando. -Ok, e-eu prometo.
Uma lágrima escorre do meu rosto sujo de sangue, ele pega um lenço de sua jaqueta e limpa. Sinto meu rosto ficar quente e vejo o dele avermelhado e até um pouco suado ele dá um beijo no topo da minha testa e eu o abraço. Sem dar mais uma olhada em seus olhos, me viro rapidamente e ando em passos firmes e ligeiros até ficar longe o suficiente daqui.
Fale com o autor