P O V JEN

Eu fiquei horas sendo obrigada a beber aquela droga de bebida escura de várias jarras que Crowley tinha dentro de uma porta na parede. E o gosto? Cada vez mais insuportável. É uma mistura de um amargo que arde e um outro amargo que dá náuseas, não consigo distinguir bem do que realmente tem gosto.
Em alguns momentos na minha mente passava em desistir de lutar pela sobrevivência, de lutar contra essa plano insano desse demônio nojento e covarde, e assim eu deixava ele me fazer beber aquele liquido, sem resistir. E quando voltava a consciência de lutar pela minha vida, de lutar para que desse errado o que Crowley tanto planejava para mim, eu me repreendia e me rebatia e até conseguia o golpear com alguns socos e chutes, para que ele não me empurrasse a bebida, mas todas vez que eu fazia isso, ele enfiava uma faca no mesmo lugar, fazendo um ferimento cada vez maior e mais dolorido.
E a cada jorrada da porcaria a minha garganta ele repetia as mesmas palavras em latim. O tal ritual que ele mencionou brevemente.
Crowley acabou de me esfaquear de novo e me obrigou a beber mais uma dose. Eu me deito num canto desse enorme salão e começo a pressionar o meu ferimento que não parava de sangrar. A dor é tanta que mal consigo respirar, os ossos da minha costela parecem latejar e minha pele parece queimar. Suor frio escorre pela minha coluna, meu cabelo úmido em meu rosto se sujando com o liquido de cor preta.
–Mas olha que maravilha! Falta mais uma hora meu amorzinho. -diz o repugnante olhando para o relógio de seu pulso e subindo vagarosamente a escadaria. -Me espere aqui querida, estou indo buscar seu ultimo drink.
Uma hora. Mas uma hora para que?
Pelo menos só tem mais uma jarra daquela bosta. Mas e daí? O que ele vai fazer depois? Essa curiosidade e o medo está quase me matando. Literalmente.
Eu estaria melhor se soubesse que Sam, Dean e Castiel estão longe daqui e a salvo. Mas o maldito disse que eles estão vindo. Que problema eles têm? Não sabem ler? Eu disse na porra do bilhete que não era para vir atrás de mim. Que droga! Quando eu me livrar desse desgraçado do Crowley, eu vou dar uma surra nesses idiotas.
Eu fiz tudo que Crowley quis (ta certo que fiz relutante, mas eu fiz), eu deixei ele me fazer beber, deixei ele me esfaquear, deixei ele me assustar, e não fugi como uma covarde. Ele prometeu que não faria nada a Dean, Sam e ao Cas se eu colaborasse com ele. Isso me tranquiliza, mas nem tanto. Temo que ele não cumpra sua parte.
Eu não suportaria se algo acontecesse a eles, ainda mais por que é tudo minha culpa. Se eu tivesse ido embora antes, isso não estaria acontecendo. Tudo bem, estaria acontecendo sim, mas pelo menos eu estaria mais calma sabendo que eles não viriam. Não posso deixar que algo os aconteça, eles são tudo que eu tenho agora.Eles são a minha família.
Escuto um barulho de porta ranger. Esse é o som que eu menos queria ouvir agora. Eles chegaram. Merda!
Olho para a direção da entrada do salão e vejo Sam e Cas. Meu coração se transborda de alegria e ao mesmo tempo de tristeza e raiva. Por que eles fizeram isso? Não achei que fosse tão babacas assim.
Sam corre até mim e me toma em seus braços. Seus belos olhos se enchem de agua. Como é horrível vê-lo assim. Ele me abraça forte. Era disso que eu precisava, mas não aqui.
Olho a entrada novamente e vejo Dean que logo corre até mim. Seus olhos de uma cor linda, verdes lacrimejam. Ele se agacha também e pega na minha mão. Quando Sam pede para Cas vim me curar vejo Crowley descer as escadas.
Crowley enche a sala de demônios e diz que ta afim de se divertir. Eu sabia! Ele não vai cumprir sua parte. Nojento! Sujo! Isso até me deu ânsia de vomito. Ele pressiona os rapazes na parede e me faz beber a merda. E depois me traz para o meio do salão.
Um sentimento ruim toma meu peito e em sinal de despedida miro Sam. Ele está chorando, fazendo meu coração se desmanchar.
Crowley começa de novo com aquelas palavras em latim. O sol fica totalmente coberto pela lua, escuridão bate em mim. Sinto um desconfortável peso em meus ombros e uma dor no peito como se meu coração estivesse sendo arrancado. Não consigo conter meus gritos e gemidos.
Retorno a mirar para frente e vejo Sam se virando e indo correr até mim, mas vejo também Crowley, esse demônio baixo, quase o esfaqueando. Dean se enfia na frente de seu irmão e quando tiro minhas últimas forças para tentar impedir, meus olhos se fecham e se abrem com a dor da perfuração do meu peito.
Olho para frente, Crowley retira a faca do meu peito com um grande e malvado sorriso. Olho para o lado e vejo Cas tentando se levantar segurando o ferimento de sua barriga. Vejo Sam gritando e se levantando.
Sinto uma mão no meu braço e outra na minha cintura. Minhas pernas não conseguem suportar mais o meu peso e caio no colo de Dean. Sam pega a faca que mata demônios, aquela faca daquela demônia que enganou o meu anjinho, (se ela estivesse viva eu encheria sua cara de porrada e depois a matava. Vadia desgraçada!) e junto com Castiel, avança na direção de Crowley, mas ele já havia sumido. Covarde!
Miro Dean. Seus olhos transbordam tristeza e se encontram com os meus. Logo Sam se ajoelha e me coloca em seus braços. Ele parece tão mal, e Cas também, eu nunca o vi desse jeito. Isso está esmagando meu coração, o quebrando em mil pedaços. Essa dor é pior que a dos meus ferimentos.
Meu coração começa a desacelerar. Tento segurar a mão de Dean e de Cas mas sequer consigo aperta-las. As mãos quentinhas deles apertam as minhas. As lágrimas ferventes de Sam caem sobre meu rosto, ele as enxuga me acariciando. Como eu queria dizer que tudo vai ficar bem.
Olho para a escadaria e vejo um homem parado. Não consigo ver sua face direito. Não é o Crowley. Ele é diferente.
Meus olhos pesam e fico mirando o Sam. Ele é a ultima coisa que pude ver.
Abro os olhos e sinto a força para me levantar. Olho para meu peito e percebo que o ferimento não está mais lá, e nem na barriga.
Miro para frente e vejo Sam chorando desesperado. Me aproximo e me ajoelho ao lado dele e me vejo, quero dizer, vejo o meu corpo. Ao lado, está Dean e em seu rosto corre algumas lágrimas e ele continua apertando a mão do corpo, quero dizer do meu corpo, a minha mão. Cas está segurando a minha outra mão e ele fica mirando para baixo.
Isso é tão estranho! Se ver morto e ainda ver as pessoas que você ama sofrendo tanto por isso. Parece até coisa daqueles meus pesadelos aterrorizantes. Me sinto tão angustiada.
Miro ao redor a procura daquela figura da escadaria, mas nem sinal. Quem poderia ser?
–Sammy...-diz Dean com a voz abafada.
Eles se entreolham em silêncio, Dean gagueja algo mas nenhuma palavra sai de sua boca. Os olhos de Sam estão inchados e vermelhos. Eu daria tudo pra não vê-lo assim.
–Por favor...-digo com a voz fraquejando. -Parem com isso! Eu ainda estou aqui.
Eles não parecem me ouvir. Eles continuam tristes e em silêncio, apenas me ignorando. Até Cas continua do mesmo jeito. Tento chamar a atenção dele, gritando seu nome, ou passando minha mão diante seus olhos. Tento o chacolhar, mas minha mão passa através de seu corpo.
Isso é realmente muito esquisito! Como que um anjo não pode ver um espírito?
Oh céus! Olha o que eu sou agora, um espírito. Um espírito que não consegue ser notado e que agora vai ter que vagar por aí. Não espera! Uma vez eu vi no diário do pai dos Winchester, John, que ceifeiros levam os espíritos, talvez eu possa negociar e pedir um jeito para mim voltar. Eu tenho que voltar! Não posso deixá-los, não desse jeito.
Olho ao meu redor e não vejo nada, nem uma aparição branca ou uma figura humana. Me levanto e deixo Sam, Dean e Cas aqui ajoelhados ainda em silencio. Corro pelo casarão inteiro a procura desse tal ceifeiro. Não encontro ninguém. Que merda!
Volto para o salão e já estava vazio.
–Me esperem! -berro correndo até a saída. Dãh Jen sua idiota, eles não podem te ouvir. Mas como aqueles fantasmas conseguem falar? Tocar nas coisas, e até matar, como aquele fantasma da garota maluca do convento. Como que eles conseguem fazer isso?
Me aproximo do Impala, Cas está sentado no banco da frente com Dean e Sam ao de trás me segurando, quero dizer segurando meu corpo morto. Isso me dá uma tristeza tão grande. Tento abrir a porta do Impala, mas minha mão passa. Ai como eu sou tapada! Atravesso pela porta e fico ao lado de Sam.
Nenhuma palavra foi dita durante todo o tempo da viagem, eu não sei quantas horas se passaram, mas parece que já é de madrugada pelo jeito que o céu está.
–Cas....-Sam quebra o terrivel silêncio limpando a garganta e tentando fazer sua voz não parecer fraquejada. -você pode traze-la de volta?
–Eu não sei Sam... -Cas dá uma pausa enquanto fita o horizonte da estrada a sua frente através do parabrisa. -eu tenho que localizar sua alma primeiro. E isso pode demorar muito tempo.
–Mas...-Sam insiste e antes que pudesse terminar a frase Cas desaparece. -DROGA! EU TO TÃO CANSADO DELE FAZER ISSO!– ele termina berrando.
–Dá um tempo pra ele Sammy. -diz Dean.
–Dar um tempo? Um tempo? -Sam bufa. -Ele sempre fica fugindo e...
–Você quer que ele faça o que? Que estrale os dedos e faça tudo ficar feliz? — diz Dean aumentando seu tom de voz enquanto para no acostamento perto de uma pequena mata. Eu reconheço essa mata! Parece aquela que tem perto da casa do Bobby.- ACORDA SAMMY! NUNCA VAMOS PODER SER FELIZES, ESSA É A NOSSA VIDA! POR QUE VOCÊ NÃO ACEITA QUE AS COISAS TENHAM QUE SER ASSIM?
–E POR QUE VOCÊ NÃO TENTA FINGIR QUE SE IMPORTA COM A JEN E ME AJUDA A PROCURAR UM JEITO DE FAZER ELA VOLTAR?
–DÁ PRA VOCÊS PARAREM DE BRIGAR SEUS CRIANÇÕES!!! -berro. Mas que caralho! Eles não me ouvem.
–VOCÊ ACHA QUE EU NÃO ME IMPORTO COM ELA? -continua Dean. Meus os olhos rolam. -EU TENTEI AJUDA-LA E TAMBÉM...
–NÃO VENHA COM ESSA CONVERSA PRA CIMA DE MIM. DESDE O COMEÇO VOCÊ DIZIA QUE ELA ERA UMA ABERRAÇÃO...
–EU NUNCA DISSE ISSO SAMMY!
–NÃO IMPORTA, VOCÊ PENSOU ISSO E VOCÊ DIZIA TAMBÉM QUE...
–PAREM DE BRIGAR SEUS IDIOTAS!! -continuo tentando faze-los me ouvir. -ESSA DISCUSSÃO NÃO TEM SENTIDO! -eles ainda não me ouvem e ainda continuam gritando um com o outro.
–PODE SER QUE NO COMEÇO EU FALAVA ISSO MAS EU MUDEI, MINHA OPINIÃO MUDOU!! ELA SÓ É UMA GAROTA. -Dean hesita. -ERA UMA GAROTA.
–PAREM AGORA COM ISSO! -continuo.
–ENTÃO JÁ QUE VOCÊ 0 O SENHOR JUSTO MUDOU, ME AJUDA A ENCONTRAR UMA MANEIRA DE ... -continua Sam.
–SAMMY PARA COM ISSO! NÃO ESCUTOU O QUE CAS DISSE? ELE TEM QUE ACHAR A ALMA DELA. E PODE SER QUE ELE NÃO CONSIGA. ENTÃO POR QUE VOCÊ NÃO ACEITA QUE ELA SE FOI? SE FOI PARA SEMPRE!
–POR QUE VOCÊ SEMPRE TEM QUE SER TÃO CÉTICO DEAN? É TÃO DIFÍCIL PRA VOCÊ ADMITIR QUE PODE HAVER UM JEITO PARA...
–PRA VOCÊ SEMPRE TEM ESSE JEITO. NÃO VÊ QUE NUNCA DÁ CERTO?
JÁ CHEGA!!! CANSEI. PAREM COM ISSO AGORA!–quando eu termino de gritar essa frase o parabrisa traseiro do carro se quebra.
Eles se calam imediatamente e se entreolham. Sam solta meu corpo e encosta no banco e junto a Dean eles saem do carro e vão para a parte de trás checar o que aconteceu.
–Que porra foi essa? -indaga Dean.

Notas finais
Espero que gostem amores! Comentem o que acharam! Muuuuito obrigada e beijinhos :3