Blessing or Curse?
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–Por que elas fazem isso com você? -pergunta Sam.
–Não está vendo não? -Trish responde grosseiramente e agora ela imita a voz de uma das garotas -Eu sou o treco esquisito.–Você tá bem? -pergunto.–É...vai passar.–Fiquei sabendo que você tem um livro maneiro... -diz Dean.–Quem disse? -ela questiona. -Foi a Rebecca não é? -ela revira os olhos. Assentimos.–Você poderia nos mostrar seu livro? -pergunta Sam.–Por que eu mostraria?–Porque sabemos o que anda fazendo com ele. -responde Dean. A expressão dela escurece.–E por acaso quem são vocês? -Trish nos questiona.–Nós só queremos ajudar. -digo e em seguida nos apresento.–Eu não preciso de ajuda. Quando precisei ninguém me ajudou, só o livro.–Onde você o conseguiu? -pergunta Sam.–Uma noite eu estava acordada chor... -Trish se interrompe. -eu estava com insonia e escutei um barulho vindo da parede. Eu fui ver o que era e um bloco de pedra se soltou e o livro caiu.–Pode nos mostrar onde é? -pergunta Sam.–Por que? -ela diz nervosa.–Só por curiosidade. -Dean sorri de canto.–Não vai dar agora... -ela desvia o olhar.–Tudo bem, nós esperamos. -digo.–Mas vai demorar e também...–Trish nós sabemos que você está usando esse livro parar ferir as pessoas, quero dizer para matá-las. -pressiona Dean. Ela olha para os lados checando se tem alguém por perto. Ela está tremula e seus olhos cheios d'água.–Eu não fiz por mal. -ela diz tirando o livro da bolsa dela. -Eu li umas escritas aqui e as coisas foram acontecendo. As garotas mereceram, mas a Irmã Louise não...–O espírito pode estar fora de controle. -murmura Sam a Dean.–É um fantasma que está fazendo isso? -ela pergunta um pouco aliviada.–Na verdade o fantasma fez isso por que você leu um feitiço. -diz Sam. Trish fica mais nervosa, e entrega o livro para Dean analisar:–Não tem nada aqui falando de como fazer parar o fantasma.–Talvez só temos que nos livrar de algo que prende o espírito a esse mundo, -diz Sam. -precisamos descobrir onde está o corpo. Eu pego o livro e o folho. Paro na página que tem aquele símbolo, sinto uma fraqueza e de repente tenho um tipo de flashback. "Eu estou num corredor. Parece o corredor da entrada do convento. Entro na porta que leva aos dormitórios. Na base não tinha aquela mesinha com velas e nem o retrato de tecido de Jesus na Cruz. Vejo um garota chorando no topo da escadaria. Outra garota aparece, pedindo desculpas e se lamentando (ela fala algo como 'eu nunca deveria ter me juntado com elas e ter feito você ficar assim.'). A garota que está chorando não aceita as desculpas e dá um impulso para descer as escadas e a outra garota segura o braço dela dizendo 'Por favor me escute'. A garota chorosa dá de ombros e solta violentamente seu braço da mão da garota, tropeça e vai rolando até a base da escadaria. Ela fica com vários cortes nos braços e nas pernas, como aquelas cadáveres no legista. A outra garota grita desesperadamente, e outras alunas vem ver o que está acontecendo, em seguida as freiras e depois um padre, ele me parece familiar... é claro! Ele é padre Franchesco. O padre e uma freira se entreolham. A freira manda as garotas irem para seus quartos e pede as outras freiras as acalmarem e não deixa-las saírem. A freira fica em pânico e berra: 'Vamos chamar os médicos ou os policiais! Qualquer um!!!'. O padre dá um tapa no rosto dela e manda se acalmar dizendo pensativo: 'Não adianta chamar ninguém, ela se foi. Precisamos enconde-la. Eu faço isso e você some com as coisas dela.' A freira começa chorar e diz: 'Isso não é certo, vamos para o inferno!' Ele se exalta e grita: 'Louise você quer que esse convento feche? Você quer ser apontada na rua?' Ela timidamente e apavorada com a cabeça simboliza um não. O padre grita exaltado: 'Vá logo vadia!' A Irmã Louise desesperadamente sobe a escadaria e deixa o padre sozinho com o corpo da garota. Ele a olha e mira o chão pensativo, ele mexe no cabelo algumas vezes e mira a parede de blocos de pedra. Ele sai pela porta e volta rapidamente com uma picareta e um martelo. Se aproxima da parede e com a picareta ele remove os blocos de pedra. Ele tira alguns blocos, o suficiente para colocar alguém dentro, ainda mais que o interior é oco. Ele arrasta o corpo da garota e na hora que ele coloca ela, um livro cai (a capa se parece com esse que Trish usou). Ele não dá importância e chuta para dentro da cova improvisada. Ele começa recolocar as pedras batendo com martelo. A freira chega e o padre a pressiona pra ajuda-lo a fechar o buraco depressa. Depois de terminado a freira busca o retrato de tecido e coloca na parede onde colocaram o corpo e o padre coloca uma mesa e acende velas. Eles se entreolham, o padre parece frio a freira continua chorando, eles saem para o corredor. Me aproximo dessa parede, a toco por cima do retrato. Não sei explicar como mas escutei uma respiração desesperada, passa pela minha cabeça que a garota ainda não está morta, deve estar se rebatendo para sair. Empurro a mesa e o retrato de pano e tento retirar os blocos de pedra. Mas é inútil, tudo volta pra seus lugares, me fazendo concluir que não posso mudar nada. "
E assim acabou o flashback, retorno a olhar para a mesa que estávamos sentados com Trish, vejo Sam me chacoalhando desesperadamente e pedindo para falar com ele.Trish perguntando a Dean o que estava acontecendo e ele a respondendo que não tinha ideia. Sorte nossa que ninguém no refeitório reparou esse escândalo.–Eu vi uma coisa!- digo segurando minha cabeça. Ela está tão pesada que tenho a sensação que vai cair. Eles se entreolham confusos, e Trish me encara mais confusa que eles.–O que você viu? -pergunta Sam colocando meu cabelo para trás da orelha.–Eu vi o que aconteceu na noite que aquela garota "desapareceu" .–Como que você fez isso? -Trish pergunta desconfiada.–Quando eu toquei no símbolo do livro eu...–É que ela é...ãh... uma vidente. -Dean me interrompe gaguejando. -E isso vai ficar com a gente. -ele pega o livro e guarda dentro do casaco. Ela continua me encarando. Meus olhos se enchem de lágrimas, porque pela minha mente passa o quão bom seria se eu fosse uma simples vidente. Eu os conto o que vi no flashback. Eles se entreolham,Trish parece assustada. –Esse deve ser o motivo da freira ter morrido. -diz Dean. Eles resolvem voltar a base da escadaria, eu peço para ficar aqui sentada, eu não me sinto forte o suficiente para ficar em pé. Claro que eu não digo a eles que eu estou assim, eu dou uma desculpinha e eles se vão. Fico observando as alunas pegando o lanche, algumas conversando e rindo com suas amigas, e algumas isoladas, me fazendo lembrar de quando eu era pequena. Eu não me lembro muito, mas o que eu lembro é que ninguém queria ficar perto de mim, ninguém queria ser minha amiga. As vezes eu ficava me perguntando o que tinha de errado comigo e me sentia tão mal que voltava para casa chorando. Minha mãe sempre me consolava, me ouvia, ela era a única que me fazia me sentir melhor. Sinto tanto sua falta. As vezes eu me pego pensando o motivo de eu não ter ficado tão triste quando meus pais se foram. É claro que fiquei triste, mas nem tanto. Eu queria entender o por que de eu ser tão insensível. Tenho a sensação que eu não sei amar o próximo. Eu tenho sérias dúvidas se eu amo/amava meus pais; se eu amo alguém, se eu realmente sei o que é amar. Talvez eu nem ame a mim. Com o meu coração apertado e sufocado por esses pensamentos decido parar de ficar com essa auto-piedade idiota e ir encontrar os rapazes e a Trish. Saio do refeitório, ando pelo corredor e chego a entrada da base da escadaria. Trish está apontando para para debaixo da mesinha, exatamente onde o livro caiu no flashback. Dean e Sam encaram a parede pensativos. Alguém coloca a mão em meu ombro, levo um leve susto. Me viro e vejo o padre Franchesco. Sua expressão estava séria e carrancuda, deu até um pouco de medo.–Eu liguei para o jornal local e ninguém com o nome de vocês trabalha lá. -ele diz. Os rapazes se viram rapidamente. -Quero que se retirem do meu convento e quanto a você Trish me espere na minha sala! Não respondemos, ficamos parados em silêncio, nos entreolhamos e saímos pelo corredor. Pude escutar o padre reclamando "Intrometidos..." Entramos no Impala. Aquela sensação de fraqueza, o mal estar passa.–Temos que esperar anoitecer para tirar aquelas pedras e queimar o corpo e o livro. -diz Sam.–To cheio de fome. -diz Dean dando partida no carro. Duas quadras depois paramos numa lanchonete. -Tomara que eles tenham hamburger duplo com bastante bacon. Sam faz os pedidos a garçonete. Ficamos um tempinho em silencio e logo o nosso lanche chegou, espero a garçonete sair e pergunto:–Vocês sabem o motivo de Cas estar tão ocupado?–Ele me disse uma vez que estava á procura de Deus. -responde Dean abocanhando ferozmente seu hamburger.–O que? Como assim os anjos não sabem onde Ele está?–Longa história...- responde Dean.–O que você quer tanto falar com ele? -pergunta Sam.–Eu já disse antes... não é nada demais.–Se não é nada demais por que você não me conta? Ficamos nos entreolhando por alguns minutos. Eu olho para baixo e fito meu hamburger.–Tudo bem... se você quer mesmo saber eu conto. -digo segurando as lágrimas. Eu não sei o motivo mas eu estou com vergonha/medo de falar. -Eu queria a ajuda dele para eu não ser mais assim. Eu to cansada dessa luta interna. Dean para de comer e fica me encarando, Sam fica um pouco sem graça e começa a comer e eu faço o mesmo.–Melhor voltarmos ao convento. -diz Dean olhando para a janela (já estava escuro) -Vão indo para o carro que eu vou pagar a conta. -ele joga as chaves na mão de Sam.–Olha Jen, -diz Sam antes de abrir a porta do carro. -me desculpe, eu não tive a intenção de te...–Não se desculpe, culpa não é sua... eu errei em tentar esconder, mas é que eu sinto vergonha de...de.... na verdade nem sei bem do que.–Eu te entendo. -ele diz.–Me entende?–Sim. Um tempo atrás eu sentia algo parecido quando eu fazia...ãh...umas coisas.–A parada do sangue de demônio? -pergunto me lembrando de alguns pesadelos que já tive.–Como você sabe? -ele questiona. Sua expressão parece ser de lembrando de algo e em seguida revira os olhos. -Ah é... esqueci que você é vidente. -ele termina imitando a voz de Dean. Nós sorrimos.–Jen eu quero que você fique bem e se você precisar de ajuda... -ele diz com um olhar tranquilizante-eu e Dean estamos aqui para isso, para ajudar as pessoas. Dean retorna:–Vamos? Antes de entrarmos no carro Sam me dá um beijo na testa. Retornamos ao convento. Esperamos á espreita do outro lado da rua até todas as luzes se apagarem. Com nossas lanternas procuramos uma entrada para invadirmos. Pela frente do convento não tinha nenhuma entrada fácil. Então procuramos atrás. Aqui tem uma espécie de torre, parece que está em reforma. Tem ferramentas pelo chão, e um andaime encostado na torre. Não tem nenhuma entrada, a não ser por um buraco, não tão grande para passar uma pessoa, mas dá para se enfiar, só que é lá em cima da torre.
Notas finais
Esperem que gostem!
Muito obrigada a vocês que leem e que comentam :3
Se puderem cometar o que acharam ficaria muito feliz
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