Blessing or Curse?
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–Soube que você estava me procurando. -o demônio Evan diz enquanto me empurrava discretamente para um lugar mais retirado, em uma pequena mata ao lado do hotel. Ele parece muito mais forte desde o nosso ultimo encontro.
–Você tem algo que me pertence. -o desafio.
–Quer dizer isso? -ele tira do bolso externo de sua jaqueta o papel com a escrita. -Te pertence mas eu peguei emprestado.
–Para que você vai usa-lo?
–Não é da sua conta minha querida. -ele dá um sorriso de canto.- E já que estamos aqui sozinhos, que tal fizermos o que interessa?
Evan me pressiona como da ultima vez, só que agora estou presa na árvore. Mas que bosta! Cade os rapazes? Eles não deveriam estar por perto?
–Se você não fosse tão selvagem seria mais fácil. -Evan diz enquanto puxa violentamente o braço que tem a cicatriz daquele ferimento que ele já tinha feito, ele corta a ferida e pinga seu sangue, mais gotas do que a vez passada. Ele fica bem perto de mim, digo bem perto mesmo. Ele segura meu queixo e lambe perto da boca. Isso foi mais do que nojento e não consigo entender a necessidade disso.
Sinto circulando nas minhas veias algo quente e que me deixa com o coração fervendo de ódio. Tenho vontade de mutilar esse ser insignificante até ele implorar para eu parar, e tenho vontade também de ver alguém sofrer.
Evan dá um sorriso de satisfação e me solta da árvore, eu tento atacá-lo mas ele está muito mais forte e se defende e depois me empurra direto para o chão. Quando me levanto ele já havia sumido. Filho de uma puta!
Avisto os Winchester correndo até mim.
–Não era para vocês estarem prontos para pegar ele? -pegunto furiosa.
–É um pouco difícil tentar pegar um demônio quando se tem mais cinco deles nos atacando. -responde Dean limpando o sangue da faca contra demônios.
–Evan está com o evocamento e tem planos no qual eu não sei.
–Ele fez...? você sabe...- Sam me encara tentando ler minhas emoções.
Eu assinto e avanço a frente deles em direção ao quarto de hotel.
–O que faremos agora? Ele soube que estávamos atrás dele e da escrita e se antecipou.
–Precisamos pensar em um plano. -Dean concluiu, e olha para Sam. -Alguma sugestão senhor nerd?
–Bem, temos que encontrar o canto que ele se esconde e surpreende-lo. Precisamos da ajuda de Cas para achar esse tal lugar.
Adentramos o quarto e Sam chama Castiel e esperamos por alguns minutos e nem sinal. Dean decide chama-lo e no mesmo segundo Cas aparece. Isso é muito suspeito, não consigo me conter e libero aquele velho som "hummmmm".
–O que foi? -Dean pergunta.
–É...nada não... quero dizer, não acha estranho ele aparecer só quando VOCÊ chama? Não é Cas?
–Não entendo onde você quer chegar. — o anjo responde.
Sam tenta esconder a risada. Dean revira os olhos e dá um sorriso de lado e conta a Cas o que aconteceu e o sobre o nosso novo plano.
–Eu já vi algo para revelar o esconderijo de um criatura maligna em um livro na Índia, vou buscar. -diz Cas.
–Mas o que você faz lá na Índ...? -antes que Dean terminasse a pergunta Castiel some. -Enquanto vocês esperam ele voltar, eu tenho um encontro. -Dean se vangloria enquanto olha para o relógio da parede. Eu não tinha reparado no quanto as horas tinham passado, já faltava 10 minutos para as 6 da tarde.
Dean toma um banho e se arruma e em seguida sai para o tal encontro com aquela garçonete caçadora, Emy. Particularmente a acho muito esquisita.
Eu e Sam optamos por ficar aqui no quarto, pois toda vez que saímos algo nos interrompe ou acontece alguma coisa. Sento na cama e Sam deita em um de meus ombros, fico massageando sua testa e entre os fios de seus cabelos. Não sei se mente dele está distante assim como a minha, todas essas coisas estão me perturbando, não consigo parar de pensar nelas.
Sam ergue a cabeça e fica me olhando por algum momento. Se eu pudesse ler pensamentos ficaria muito grata agora. Seu olhar é tão agradável que consigo encontrar a paz e o conforto. Ele me beija e seus lábios são tão doces e macios, e o toque de suas mãos me deixam ainda mais derretida por ele.
Quando olho para o relógio de novo, vejo que já se passaram duas horas. Eu não queria que o tempo passasse tão rápido, seria tão maravilhoso se nós pudéssemos ficar sempre juntos assim.
–Está aqui! -Castiel aparece no quarto e solta o livro na mesa de vidro que fica perto da janela. -Onde está Dean?
–Foi se encontrar com uma caçadora por aí. -digo tentando parecer indiferente, eu não consigo digerir aquela Emy. Eles se entreolham. -O que foi? Eu só não fui com a cara dela.
–Então Cas, você pode nos traduzir o que diz aqui? -pergunta Sam folhando o livro.
–O que nos interessa está em uma única página. -diz Cas enquanto Sam entrega o livro a ele, logo em seguida para numa das páginas. -Vocês consigam os ingredientes e eu digo o feitiço.
–O que precisamos? — pergunto e em seguida escuto um som de risadas perto da porta do quarto. -Guarde o livro e depois falamos sobre isso. -digo nervosa. Mesmo Cas parecendo confuso, ele esconde o livro dentro de seu sobretudo.
Dean abre a porta, e Emy está com ele. As risadas eram deles, como eu tinha desconfiado. No momento que adentram o quarto, ela me encara como da primeira vez, parecendo me reconhecer de algum outro lugar, só que agora posso sentir seu ódio, não sei como que eu consegui fazer isso só sei que consegui. Ela disfarça isso nos cumprimentando e em seguida ele apresenta Cas, falando que é um caçador também.
–E então, estão fazendo o que? -pergunta Dean olhando para o sobretudo de Castiel.
–Nós não estamos fazendo nada. -tento agir naturalmente,mas parece que não deu certo. Dean me encara desconfiado, eu o olho e em seguida olho para Emy e consigo faze-lo entender que não falarei nada enquanto ela estiver por perto.
Todos nós ficamos nos entreolhando em completo silêncio.
–Bem... -diz Dean e Emy em uníssono.
–Eu acho que vou para casa, Dean. Depois eu te ligo para conversarmos sobre aquele assunto. -diz rapidamente Emy e em seguida ela abre a porta e vai embora.
–Que assunto Dean? -pergunto.
–Sobre a morte do pai dela e eu me ofereci para ajuda-la. -responde ele sentando na beirada da cama. -Agora dá pra vocês me falarem qual é o lance?
–Cas conseguiu o livro e ia falar os ingredientes do feitiço. -responde Sam enquanto Cas recolocava o livro sobre a mesa.
–Acho que podemos continuar. -digo sentando na outra cadeira da mesa.
–Precisamos fazer um caldo da pimenta do reino com cabeça de uma galinha, ervas finas e resto mortal ou o sangue da entidade maligna no qual queremos saber de seu esconderijo.
–Isso é um ensopado ou um feitiço? -debocha Dean. -Temos que comprar um liquidificador.
–Como conseguiremos o sangue ou algo daquele demônio? -pergunta Sam.
–Dean e Sam vão buscar a cabeça e as ervas. Você fica. -diz Cas se referindo a mim.
Os rapazes se entreolham e concordam. Assim que eles saem Castiel me olha sério.
–Sua alma está cada vez mais mudada, consigo ver em seu rosto.
–Estou virando um demônio?
–O sangue que ele colocou em você não vai te transformar em um, esse sangue está despurificando sua alma. E acho que podemos colocar o seu sangue no feitiço. -E se não der certo? -pergunto insegura.
–Tenho quase certeza que dará certo. Mas se não der podemos tentar de novo, só que teremos que pegar algo do Evan.
Os Winchester retornam com sacolas. Cas pega o liquidificador e fica encarando (acho que ele não sabe como usá-lo). Então eu coloco na tomada e peço que coloque os ingredientes para poder triturar.
–E quanto o sangue ou algo do demônio? -pergunta Dean.
–Cas tem uma idéia.- respondo pegando uma faca. Faço um corte profundo na palma da minha mão e a aperto dentro do copo do liquidificador.
–Isso já é o suficiente! -diz Cas pegando um pano e embalando minha mão. Ele me encara esperançoso.
Batemos esse mistura e obtemos um líquido, coloco numa bacia. Sam e Dean pegam suas armas, agua benta e acho que era sal, não prestei muita atenção e ficam a postos. Cas molha sua mão no líquido e faz um símbolo na parede e começa a falar algumas coisas em latim, e eu consigo compreender quase todas as palavras, o que é estranho já que nuca estudei outra língua a não ser a minha. Ah é! Tinha me esquecido. Estou quase retornando a ser uma coisa do mal, como eu era quando pequena. Só consigo me lembrar disso pois Castiel me fez lembrar, quando verificou minha alma.
O anjo termina de fazer o feitiço e uma grande e forte luz acinzentada cobre o quarto inteiro que estamos, sou obrigada a fechar os olhos para não ficar cega. Quando os abro, vejo que estou numa casa. Tem um cheiro ruim, enxofre. As paredes tem musgo e o chão tem muitas manchas de sangue, esse lugar está me dando arrepios. Silencio constante e escuridão infinita, até parece que fui abandonada aqui sozinha. Olho para trás para me certificar se Dean, Sam e Cas estão aqui. Graças aos céus estão! Eles estão imóveis examinando o local.
Dean murmura para nos separarmos e eu digo que não é uma boa ideia, mas com ele não se pode discutir. Dean e Cas foram para o lado direito em direção a suposta cozinha e eu e Sam subimos as escadas em direção dos supostos quartos.
Pelos degraus da escadas havia retratos quebrados e ensanguentados de uma família. De repente uma imagem vem em minha mente: "Na base da escada vejo um homem, o pai da família com a cabeça cortada e ao lado a mãe com as entranhas saindo pela boca. Subindo as escadas desesperadamente duas crianças, uma garoto mais velho puxando sua irmãzinha derrubando os retratos e suas mãos sangrando. Escuto uma risada horrivelmente cruel, e em seguida aparece Evan, ele sobe as escadas vagarosamente, e percebo que fica cada vez maia satisfeito na medida que as crianças choram e imploram por suas vidas. Evan alcança elas e quebra o pescoço do garoto, a menina grita de pavor e em seguida o demônio corta seu pescoço."
Isso foi horrível! Não falo nada a Sam, não quero que ele imagine essa cena. Terminamos de subir as escadas e o silêncio ainda predomina. Verificamos o primeiro quarto, o das crianças. Nem sinal do maldito, em seguida um outro quarto e nada, e por fim o último quarto.
A porta está escancarada e há uma brisa vindo dele. A janela está aberta e suas cortinas balançando e há uma figura masculina olhando através da janela. Evan!
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