Notas iniciais
AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAWN GANHEI UMA NOVA RECOMENDAÇÃO, AAAAAAAAWN *=* MUITO MUITO MUITO OBRIGADA!
e muito obrigada pelas reviews também gatas, me desculpem pela demora ok? mais tarde tento colocar outro! beijões, boa leitura s2

- Você sabe o que eu penso sobre isso, Rachel. – Finn disse encostado no batente da porta do quarto dela.

Ela o olhou, segurando um vestido preto em frente ao seu corpo. O semblante dele era sério e aquilo só a excitava mais para que a missão começasse logo.

- Eu sei, Hudson. – ela disse, tentando soar o mais fria possível. – E você sabe que não devemos perder tempo nessa missão, dado que não temos direção alguma para seguir e os planos de Giorgio Triolli são uma incógnita. Por favor, deixe sua insegurança para outro momento.

Ele bufou e saiu irritado do quarto, não percebendo o sorriso que brotava nos lábios dela. Rachel e Santana haviam decidido, na noite anterior, que a missão Gian Belssario deveria acontecer no dia seguinte. Segundo elas, não havia tempo a perder, pois era estritamente perigoso ficarem só estudando as pistas e fugirem da ação quando Giorgio poderia estar recriando o mortal vírus da AIDS, tornado-o mais mortal ainda.

Finn sabia que as duas tinham razão, mas estava preocupado. Todos os detalhes da missão foram discutidos e decididos em duas horas, quando os quatro estavam um pouco bêbados e cansados. Quando ele acordou, pela manhã, foi que percebeu o erro que poderiam estar cometendo. E se Gian desconfiasse de alguma coisa? E se não bebesse o champanhe com Rohipnol? Rachel estaria perdida. Além disso, e se Rachel estivesse em perigo? Arriscando sua vida por causa da falta de paciência.

Por isso ele tentara por todo o dia fazer Rachel desistir daquele plano idiota e se aconchegar nos seus cobertores, já que o inverno havia chegado à Elba com força total. (N/A: O resto da história se passa no inverno.) Mas a garota era o sinônimo de teimosia e simplesmente não queria desistir.

Ele subiu novamente as escadas. Se ela não queria ficar, tudo bem, mas ele não deixaria aquele plano ser um desastre total.

- Rachel? – ele bateu levemente na porta.

Ela a abriu, revelando um vestido branco totalmente provocante, que deixava seus seios maravilhosamente empinados. Finn sentiu sua boca secando. Tudo o que ele não precisava era sentir tesão em um momento como ele.

- Eu... – ele começou. – Eu só vim te pedir pra ir armada, porque é muito perigoso. – ele parou, vendo Rachel se inclinar sobre a penteadeira, deixando o seu bumbum levemente empinado para a porta. – E coloca alguma roupa quente. Estamos com o aquecedor ligado, mas lá fora fazem -5°C.

Rachel se virou e sorriu pra ele. Um sorriso cínico. Finn nunca admitiria, mas o cinismo realmente caia bem à ela.

- Está preocupado, Hudson?

Ele sentiu sua boca ficar ainda mais seca. Ele estava?

- Não, Berry. Não se iluda. – dito isso, ele saiu do quarto.

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Meia hora depois, Santana e Brittany já haviam chegado à casa dos “Birkin”, carregando um notebook de última geração com um programa de estabilização de imagem e som e uma mini câmera conectada via USB. A mini câmera estava conectada também à pequena câmera que Rachel levaria escondida em forma de pingente, pendurada no pescoço.

As garotas pareciam animadas com a maldita missão e Finn entendia cada vez menos a causa disso. Quando ele ia atrever-se a perguntar o que estava acontecendo ali, eles ouviram um pigarreio do alto da escada. Todos olharam imediatamente, vendo uma Rachel maravilhosamente bem vestida no topo dela.

Ela usava uma meia calça rendada preta, e um trench coat creme que chegava até um pouco abaixo da metade das coxas. Nos pés, calçava uma ankle-boot. Usava luvas de couro e um cachecol preto, combinando. Seus cabelos estavam bagunçados e seus lábios com um tom levemente avermelhado, como se alguém houvesse acabado de beijá-la.

Rachel desceu alguns degraus, maravilhada com o fato de Finn parecer ter perdido as palavras. Lembrou-se do que Santana dissera na noite anterior:

- Seu corpo é a única coisa que ele pensa que quer. Use-o.

Então, tentando ser o mais sensual possível sem dar bandeira, ela abriu o trench coat. Por baixo dele, usava um vestido igualmente preto, decotado e agarrado.

- Vai ser bem fácil seduzir o Gian, Rachel. – disse Brittany, de forma natural. – Digo isso porque você me seduziu.

Rachel sorriu, esperando por qualquer reação de Finn. Mas ele continuava com a boca fechada em uma linha dura, irritado porque o plano parecia correr rápido demais para ele.

Ele pensava em muitas coisas, mas principalmente na razão de Rachel estar tão linda somente para Gian. Ele sabia que fazia parte do plano, mas não podia simplesmente ignorar o fato de que ela parecia estar gostando daquele falso jogo de sedução.

- Está parecendo uma prostituta. – Finn sorriu sarcasticamente e saiu da sala de estar onde se encontravam.

Rachel sentiu seu sorriso murchar e fechou novamente o trench coat. Santana, ao perceber, tratou de animá-la.

- Ei, Rach. Para com isso, é um bom sinal! – a latina disse, acreditando verdadeiramente em suas palavras.

Rachel a olhou, incrédula.

- Ele está com ciúmes. Com certeza sentiu a boca secar totalmente quando te viu dessa forma. Ele só não soube expressar. – disse Santana, sorrindo delicadamente.

- E agora é hora do show, Berry. – disse Brittany, batendo palmas freneticamente.

Rachel tentou se animar. Se Santana dizia que aquela era a forma que Finn encontrou de exteriorizar seu ciúmes, ela deveria acreditar. Porém, uma voz dentro de si dizia: Essa é a mesma Santana que acreditou que mudando você o faria ver os seus sentimentos. Rachel tratou de expulsar tais pensamentos. Eles atrapalhariam totalmente a ação. Além disso, Brittany estava certa. Era hora do show começar.

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Quinn olhava distraída para o horizonte Nova Iorquino, que era basicamente constituído de prédios e neve. Ela tomou um gole de seu chá de baunilha, sentindo o líquido quente correr por seu corpo. Tinha esperanças que dessa forma conseguisse aquecer seu interior. O inverno de Nova Iorque era surpreendentemente frio, mas era o espírito de Quinn que precisava de um pouco de calor.

Ela ajeitou as cobertas em cima de seu corpo. Estava sentada em um banco perfeitamente posicionado logo abaixo da janela de sua cobertura. Dessa forma, sempre que precisava de um pouco de tranqüilidade, Quinn Fabray instalava-se em seu banco acompanhada de alguma guloseima. E Quinn definitivamente precisava de tranqüilidade no momento.

Desde o fracassado encontro com Puck, ela sentiu-se estranha. No começo achou que era a raiva de saber que era uma segunda – senão terceira ou quarta – opção. Mas ela não sentia-se irritada. Estressada. Enraivada. Ela sentia-se magoada.

Todos os dias Puck lhe mandava alguma flor ou bilhete como pedido de desculpas. Flores e bilhetes que faziam o coração de Quinn bater mais rápido. E ela odiava aquilo. Então, um dia, ela simplesmente cansou-se da sensação e procurou por Puck. Ela se lembrava agora, com um pouco de dor, o sorriso esperançoso que surgiu nos lábios dele quando ele avistou a figura loira de Quinn andando até sua mesa. Um sorriso que logo foi substituído por uma expressão magoada quando sentiu as palavras dela lhe cortarem como um facão. Quinn se lembrava de dizer coisas como “nada mais do que um perdedor”, “necessidade doentia de conquistar a todas”, “nunca será digno de uma boa mulher” e também “admita para si mesmo sua natureza imunda e me deixe em paz”.

No outro dia não vieram flores. Muito menos bilhetes. Puck nem ao menos passou por sua sala rapidamente para lhe dar um leve olhar brilhante. Quinn lembrava-se de ter agradecido mentalmente. Admitia que tinha feito uma cena um tanto quanto dramática e desnecessária, mas pelo menos seu coração parara de acelerar. Mas ele logo passou a fazer outra coisa. Doer. Uma dor intensa, como se alguma pessoa má estivesse brincando de pular corda em cima dele. Foi naquele momento que Quinn Fabray, a linda mulher que era boa demais para Puck, percebeu que as flores, bilhetes e olhares eram a melhor parte de seu dia. Ela admitiu, silenciosamente, que esperava excitada por eles todos os dias, perguntando-se se receberia Amélias ou Jasmins, ou se o bilhete traria uma cantada ridiculamente fofa ou somente a palavra “Desculpe” com uma carinha sorrindo ao lado. Sim, seu coração batia mais rápido quando os recebia. Mas suas batidas descompassadas eram totalmente normais. Era isso que corações apaixonados faziam. E apesar de doer admitir, ela amava Puck. Não sabia como poderia amar alguém que gostava tanto de seu vídeo game quanto gostava de sua mãe, mas amava. Ela simplesmente amava. E teria sido uma sensação ainda mais deliciosa e infinitamente menos dolorosa se ela houvesse acreditado em Puck.

Ela havia descoberto que ele não estava mentindo. Ela sentia isso. Tudo o que Rachel dissera quando a briga entre os dois ocorrera fazia sentido.

Quinn tomou mais um pouco de seu chá, ainda olhando distraída e dolorosamente para o vasto manto branco que cobria Nova Iorque. Lembrou-se do que Rachel havia dito dois dias antes, quando ela conectara a amiga pelo Skype e a mesma contou-lhe sobre sua recém descoberta paixão e seus planos para fazê-lo enxergar seu amor por ela:

- Às vezes uma mulher tem que fazer o que tem que ser feito. Não é elegante e nem motivo de orgulho, mas dói muito menos do que a constante lembrança cortante de que você descobriu o amor mas ele simplesmente lhe escapou dos dedos.

Quinn deixou que as palavras penetrassem dentro dela, assim como o chá fazia. Ela sabia que Rachel dissera tudo aquilo sobre sua situação, mas aplicava-se perfeitamente bem ao que Quinn estava passando.

Ela não poderia ficar ali sentada como um Buda, olhando o inverno e talvez o amor de sua vida passarem. Quinn era uma mulher poderosa e ousada, e iria á luta! Se precisasse se arrastar aos pés de Puck, o faria, mas...

Seus pensamentos foram interrompidos pela campainha. Ela franziu as sobrancelhas. Não estava esperando ninguém e o porteiro não a avisara sobre visitas. A campainha tocou novamente. Saindo de seu transe, Quinn se levantou e foi atender à porta, pegando um vaso que se encontrava sobre a cômoda. Com o trabalho que fazia, não podia se dar ao luxo de atender à um estranho não anunciado sem uma arma.

Ela abriu a porta. Um grande corpo masculino encontrava-se de costas para ela. Sem pensar duas vezes, Quinn atingiu-lhe a cabeça com seu vaso, o quebrando quando o fez. O homem soltou um grito de dor, e colocou a mão sobre a cabeça negra – agora manchada de vermelho. Ela estava preparada para lhe dar seu melhor golpe, quando o homem se virou.

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- Oh, me desculpe, me desculpe, me desculpe! – ela não conseguia parar de dizer, enquanto pressionava a cabeça de Puck com uma toalha branca.

- É assim que você recebe suas visitas? – ele perguntou um pouco irritado. – Que ideia idiota de me acertar com um vaso!

Quinn mordeu os lábios, nervosa.

- É só que você não se anunciou, e eu pensei que poderia ser algum criminoso que eu estou investigando, fiquei assustada e... – ela parou de falar, ao ver Puck sorrir.

- Ta tudo bem. – ele disse, após alguns segundos de silêncio. – O corte não foi profundo.

Ela tirou a toalha da cabeça dele. O corte havia parado de sangrar, e não parecia mesmo ser muito fundo. Mas ela ainda estava preocupada e sentindo-se extremamente tola.

- Eu vim aqui só pra... – ele continuou, hesitando um pouco. – Pra tentar te mostrar que eu não sou o porco imundo que você imagina.

- Quanto a isso... – Quinn começou, mas ele a silenciou com os dedos.

- Se você me deixar tentar mais uma vez, eu posso provar que sou bem diferente.

Quinn sorriu, agradecendo mentalmente ao ser divino que havia bolado toda aquela situação.

- Eu deixo. – ela disse, tentando controlar a animação adolescente.

Puck sorriu.

- Então se troca, baby. Hoje você tem um encontro. Sem diamantes, carros reais e restaurantes caros. Um encontro simplesmente com o Noah.

Quinn sorriu também, deliciada com as palavras dele. Depois se levantou, e quando estava à meio caminho do quarto, disse:

- Tenho certeza que essa é sua melhor versão.

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Gian tentava desesperadamente obter algum descanso. Na noite passada havia ido a uma festa totalmente louca, com muitas garotas ricas e bebidas caras. Ele sorriu, pensando em como as garotas ricas eram as melhores. Elas sempre tinham problemas fúteis como o limite do cartão de crédito e se embebedavam muito nas festas que promoviam quando os pais iam para Ibiza, passar algum tempo longe da vida difícil.

Aquilo era algo que o irritava. Como uma pessoa com dinheiro, família, e privilégios poderia reclamar tanto? Tudo o que ele sempre quis foi ser uma dessas pessoas. Normal. Feliz. Vivendo dentro dos limites do aceitável. Ao contrário do que fazia com Giorgio...

Mas não era como se ele tivesse muitas opções, afinal das contas.

A campainha soou, tirando o jovem Gian de seus pensamentos. Ele amaldiçoou baixinho a pessoa que tocava sua campainha e empurrou as cobertas para o lado, logo em seguida se levantando da cama. Vestia uma calça de moletom e mostrava o torso nu, perfeitamente trabalhado através da prática de lutas. O apartamento podia ser simples e humilde, mas ele fazia questão de um bom sistema de aquecimento.

Ao olhar pelo olho mágico, Gian viu uma mulher. A morena que tocava sua campainha era a mesma que o seguira até o jardim na festa de Giorgio. Ele não se lembrava de seu nome. Gian tinha uma ótima memória em circunstancias normais, mas o efeito das bebidas e drogas da noite anterior ainda estava – apesar de um jeito muito mais leve – domando as atitudes do garoto. Apesar disso ele pensou duas vezes antes de abrir a porta: mesmo de ressaca e sob efeito de entorpecentes, ele ainda era um homem inteligente. Deu uma rápida olhada ao redor do apartamento um pouco bagunçado – apesar de Gian não ter muitas coisas para bagunçar – procurando por alguma coisa que não pudesse ser mostrada. Do lado de fora, a voz doce da mulher encheu o hall:

- Gian, é Charlotte. Abra essa porta por favor, estou congelando aqui fora. – ela disse em seu péssimo italiano.

Gian tinha quase certeza que ela era americana. Puxava, de forma engraçada, todos os T’s para R’s, e tinha um italiano forçado, como em algumas das típicas sátiras de comédia da televisão.

Ele abriu a porta, e sorriu para Charlotte.

- Você pode falar inglês por aqui, Char. – disse Gian, sorrindo sensualmente enquanto dava espaço para que ela passasse.

Charlotte entrou no apartamento, colocando uma sacola que trazia encostada no sofá e tirando imediatamente o cachecol preto que levava enrolado no pescoço. Gian fechou a porta, observando a mulher à sua frente. Ela dava voltas por sua sala de estar/ jantar/ dormitório, parecendo bem interessada apesar de suas feições expressarem nojo. De vez em quando ela ajeitava um colar que levava no pescoço. Um colar muito bonito por sinal. Gian sorriu. Talvez se ela esquecesse o colar ali ele poderia revende-lo por um preço bem justo.

- Está quente aqui dentro. – Charlotte disse, encostando-se a sua mesa de jantar. Devagar, ela tirou o trench coat creme que levava no corpo. Gian mordeu os lábios maliciosamente com a visão daquela mulher tão linda revelando somente à ele um vestido preto, muito provocante, que cobria um corpo de proporções perfeitas.

- E você está fazendo ficar ainda mais quente. – disse o garoto, se aproximando dela. Ela sorriu.

- Você pode falar italiano, se quiser. – Charlotte andou até ele, completando o espaço que faltava para que seus corpos ficassem bastante unidos. – Vai deixar tudo mais quente.

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Finn olhava para a tela, incrédulo. Tudo o que se podia ver, naquele momento, era uma imagem bem detalhada de parte do peito malhado de Gian. E isso significava que Rachel estava bem perto do garoto. E então ela disse coisas bem quentes à ele, e Finn sentiu sua garganta ficando seca.

- Ela realmente sabe como seduzir alguém. – disse Santana, rindo maliciosamente. – Mas parece que ele também sabe. Palavras de uma lésbica comprometida.

Finn sentiu que sua boca se fechava numa linha ainda mais tensa, deixando sua feição um pouco distorcida.

- Dessa forma a Berry está fazendo com que nossa visão seja bloqueada. Que diabos de Agente Secreta é ela? – ele tentou mudar de assunto.

Brittany, que estava sentada ao lado de Santana, riu.

- Ela só está esperando por uma oportunidade pra conectar a câmera de verdade, Finn.

Um pouco antes de Rachel sair para o apartamento de Gian, Finn conseguiu convencer Santana de que eles tinham que contar com todos os equipamentos possíveis, levando em consideração que a segurança de Rachel dependia disso e uma agente morta seria uma péssima imagem para a união da SIE e da CIA. Portanto, além da pequena câmera em forma de pingente, Rachel levava uma mini câmera guardada dentro do bolso do trench coat. Essa câmera era conectada com outro notebook, dessa forma haveriam dois ângulos mostrando toda a ação: o do pingente de Rachel e o da mini câmera, que seria montada em algum local do quarto depois de Gian cair no sono forçado, provocado pelo Rohipnol.

- Eu não consigo fazer isso com você cheirando à bebidas, Gian. Porque não vai tomar um banho rápido e eu te espero bem aqui? – a voz de Rachel saia robotizada através do notebook, mas eles podiam perceber toda a malicia envolta nela.

Quando Gian saiu da frente de Rachel e desbloqueou a visão, os agentes conseguiram enxergar um apartamento pequeno, ou parte dele. A câmera que Rachel levava presa ao pescoço era de pequeno alcance, e tudo o que eles podiam enxergar era uma grande poltrona preta e o que parecia ser uma mesa de centro. A visão deles logo foi desestabilizada, o que só poderia indicar que Rachel estava em movimento. As imagens que apareciam eram confusas e desfocadas, mas logo a tela preta do segundo notebook ficou iluminada com a imagem de grande parte do pequeno apartamento de Gian, indicando que Rachel conseguira conectar a câmera de longo alcance e máxima definição.

O local era basicamente a moradia de um homem jovem e sem dinheiro: a sala de estar, a de jantar e o quarto eram acoplados, sem divisória alguma. Havia uma porta fechada para o que supostamente era o banheiro e uma porta aberta, no fim da sala de jantar, onde ficava uma cozinha.

Finn observou com atenção o local, procurando por rotas de fuga caso algo saísse do controle. Havia uma janela na “sala de estar”, e uma grande poltrona próxima a ela. Na frente da poltrona, uma mesa central de vidro com caixas vazias de comida japonesa. Uma televisão LED de aproximadamente 40 polegadas também fazia parte do cenário da sala de estar. Logo atrás da mesa central encontrava-se o “quarto” do garoto. Uma grande cama de casal ficava no centro, com uma cômoda pequena ao lado. Perto de uma janela – que definitivamente não poderia ser considerada uma rota de fuga – se encontrava uma mesa de madeira grande, e um baquinho à sua frente. Uma luminária descansava no local, que era perfeitamente organizado e limpo. A porta do banheiro ficava logo ao lado direito da cama. Um pouco á frente do quarto e ao lado da sala de estar, encontrava-se a sala de jantar, se é que poderia ser chamada dessa forma. Uma parede colorida, verde escura, ostentava uma pintura moderna. Logo abaixo da pintura, um “projeto” de mesa de jantar estava preso à parede, com três banquinhos enfiados logo embaixo da estrutura de madeira.

E aquilo era tudo.

Rachel entrou no campo de visão da câmera maior, parecendo observar com extrema atenção tudo ao seu redor. “Talvez esteja procurando rotas de fuga também”, Finn pensou. Secretamente ele torcia para que a mulher estivesse fazendo exatamente isso. Se ocorresse alguma falha nos sistemas de comunicação entre os agentes, Rachel estaria por si só. Em momento algum Finn desacreditava de sua capacidade, – já havia provado dela anteriormente – mas sabia que uma pequena falha poderia resultar em grandes conseqüências. Como Rachel parecia estranhamente deslumbrada com seu novo amigo, ele tinha medo de que algo pudesse sair assustadoramente errado nessa missão.

A mulher saiu de perto da mesa de jantar e entrou na cozinha. Finn imediatamente olhou para o primeiro notebook. Só conseguia ver as coisas que estavam mais próximas de Rachel, mas com a atenção que cabia à qualquer agente pôde ver que a cozinha era extremamente simples. Minutos depois, ela voltou a aparecer no campo de visão da câmera maior. Carregava dois copos simples. Ela se dirigiu à cama de Gian, colocando os copos no chão. Depois pegou o champanhe que levava na sacola e o colocou ao lado dos copos. Despejou um pouco da champanhe em cada um dos copos e colocou o Rohipnol no segundo.

Eles ouviram o barulho do chuveiro sendo desligado, e logo um Gian saiu do banheiro cheio de vapor, usando somente uma cueca do tipo boxe. O olhar de Rachel recaiu sobre o corpo dele, e de repente Finn sentiu um pequeno fogo brotando em seu coração. E queimava. Como queimava.

- Que bom que me esperou. – Gian disse, malicioso e se aproximou de Rachel. Ela sorriu também, quando as mãos dele tocaram sua cintura de um jeito um tanto quanto bruto para o gosto de Finn. Então seus lábios tomaram os dela em um beijo cheio de malicia, desejo e volúpia. Rachel colocou suas mãos sobre as costas nuas do garoto e deixou que as coisas evoluíssem.

Do outro lado de Elba, Finn tentava se tranqüilizar. “Ela só não encontrou uma oportunidade para dopá-lo ainda”. Mas as coisas entre os dois evoluíram rápido demais. Logo ela estava de joelhos na cama, com um Gian parecendo esfomeado beijando seu pescoço. O rosto dela se contorcia em uma careta estranha e Finn torcia para que aquela expressão fosse de nojo. Então ela gemeu. Um gemido baixo, mais parecido com um suspiro, que escapou naturalmente de seus lábios. Ela parecia estar... gostando!?

Gian tirou o vestido de Rachel, e comentou o que pretendia fazer com ela em alguns minutos. Ela gemeu novamente. Logo os dois deliberadamente se atracavam na cama dele. Uma dormência dolorida começou a brotar nos pés de Finn quando as mãos rápidas de Gian passaram a explorar todo o corpo de Rachel. Logo a dormência se espalhava por todo o seu corpo, sem piedade alguma. Ele sentiu o rosto queimar de raiva quando as mãos dela tocaram a cueca dele.

Finn se levantou, jogando a cadeira para trás. Santana e Brittany o olharam. A morena fazia uma expressão assustada – claramente forçada – e a loira tentava segurar um riso. Ele olhou incrédulo para as duas.

- Bom, parece que a Rachel vai ter um pouco de diversão ao fim disso tudo. – disse Brittany angelicalmente.

Finn bufou e murmurou algo irreconhecível, logo em seguida saindo da sala de estar e subindo as escadas. O casal logo abaixo ouviu a porta dele batendo com uma força fora do comum. Elas não conseguiram evitar uma risada, e logo depois enviaram o sinal para Rachel.

Toda a ação havia sido planejada nos mínimos detalhes. Rachel disse que definitivamente não se importaria em dar um bom amasso em Gian, mas nunca conseguiria ir “aos finalmentes” com o garoto que poderia fazer parte de um plano mais do que maquiavélico. Portanto, quando Finn finalmente estivesse irritado e enciumado o suficiente para fugir da sala, Santana lançaria à Rachel um sinal: Ativaria o botão de chamada da mini câmera em forma de pingente, que consequentemente estremeceria sob a pele dela. Então Rachel finalmente ofereceria champanhe à Gian e começaria a explorar seu apartamento.

Santana e Brittany observaram atentas quando Rachel empurrou levemente o corpo de Gian para o lado, levantando-se da cama e andando com elegância. Ela pegou os copos de champanhe.

- Não estão nas taças adequadas, mas existe forma melhor que essa para se comemorar bons tempos? – ela sorriu e entregou o champanhe batizado ao garoto, que tomou tudo com volúpia logo após brindar com a morena.

- Eu estou confuso. – ele disse um tempo depois. Rachel subiu em seu corpo, com uma expressão falsamente preocupada.

- Oh, Gian! Você anda usando drogas? – ela exclamou. – Que menino mal. E meninos maldosos merecem punições.

Gian teve tempo de dar um último sorriso malicioso antes de apagar por duas horas.

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Quinn não pôde evitar. Sentindo o vento bater em seu rosto, espalhando as mechas loiras por todos os lados, ela sorriu abertamente. Puck dirigia seu Ford Mustang em alta velocidade em uma estrada praticamente vazia, e a mulher que estava bem ali ao lado dele era ela. Quinn sentia-se em um daqueles momentos mágicos dos filmes de John Hughes que Rachel e ela adoravam. Não havia motivo algum pra esconder sua felicidade. Ela sentia-se como Samantha Baker ao ver seu grande amor esperando-a na frente da igreja. Feliz. Desnorteada. Embasbacada com o tamanho do sentimento que carregava no peito. Era clichê? Sim. Mas era verdade.

Ao seu lado, Noah sorria também. Os dois haviam conversado grande parte do caminho: ele contando sobre suas paixões e frustrações e ela dizendo a todo momento as coisas que ele precisava ouvir. A conversa fluía naturalmente e nada ali era forçado. Exatamente da forma como deveria ser.

Agora o silêncio reinava, exceto pela música “Crazy – Aerosmith” (N/A: Quem aqui acha que a música tem tudo a ver com a cena gente? *-* rs) que tocava no rádio. Mas o silêncio era acolhedor para aqueles dois rostos sorridentes.

Puck começou a cantar a música, baixinho. Quando Quinn o ouviu, não pôde deixar de acompanhá-lo. O resultado? Logo suas vozes estridentes (N/A: Lembrem-se que é UA, portanto eles não cantam bem aqui rs) ultrapassavam o volume da música, misturando-se às risadas do casal. Quando a música acabou, passou a tocar “I Don’t Wanna Miss a Thing – Aerosmith”. Puck tocou a perna de Quinn com uma das mãos, porém não tirou os olhos da estrada. Apesar disso, ela viu que um sorriso sincero brotava nos lábios dele e não pôde evitar sorrir como uma idiota também, pensando que a vida nunca havia sido tão doce.

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Quando Rachel chegou a sua casa, tudo estava escuro e silencioso. Exceto pelo coração dela, que batia fortemente, ansioso. Por um momento ela achou que podia ouvir as próprias batidas. Será que o plano havia angariado os resultados esperados? Ela torcia para isso. Estava cansada de agir como uma adolescente com um amor platônico.

Sem acender nenhuma luz, ela subiu as escadas devagar, estranhando o silêncio na casa. Provavelmente Finn havia saído. Ela sentiu o coração murchar, ao perceber que o plano havia dado errado. E se ele estivesse com raiva dela agora? E se pensasse que ela era algum tipo de vadia barata? Aquilo ela não poderia suportar.

Entrou em seu quarto, livrando-se das roupas de inverno, já que a casa estava quente. Ela franziu o cenho. Será que Finn havia esquecido o aquecedor ligado? Era mesmo um irresponsável! A sorte de ambos era que Rachel já havia chegado e poderia checar como estava o aparelho.

Ela entrou no banheiro, se inclinando sob a hidromassagem com a intenção de ligá-la, assim ela poderia ir enchendo enquanto Rachel procurava pelo aquecedor. Quando ela endireitou o corpo novamente, sentiu uma presença atrás de si. Que diabos era aquilo? Antes que ela pudesse reagir, sentiu mãos grandes tocarem a sua barriga e um cheiro amadeirado familiar lhe invadiu as narinas. Finn.

- Então você sente saudades de jogar, Berry? – ele sussurrou em seu ouvido, a fazendo fechar os olhos e respirar um pouco mais forte.

- Não. – ela disse com todo o auto controle que conseguiu reunir.

Ele deslizou os lábios macios por sua nuca, enquanto suas mãos desciam com uma pressão deliciosa por sua cintura.

- Não foi o que pareceu hoje. – ele falou com a voz um pouco abafada, enquanto deixava rastros de beijos por toda a nuca dela.

- Está com ciúmes, Finn? – ela se virou pra ele, sorrindo tentadoramente.

Ele sentiu o corpo se retesar.

- É óbvio que não. – ele parou com as carícias, sentindo as mãos dela tocarem seu abdômen por baixo da camiseta. Logo os lábios de Rachel trabalhavam em sua orelha, o deixando totalmente arrepiado e fazendo com que seu amigo começasse a dar sinais de vida. Ele jogou a cabeça pra trás, involuntariamente, quando os beijos dela desceram para o seu pescoço.

- Por que não admite logo Finn? – Rachel disse por entre os beijos, enquanto passava um dedo pelo cós da calça dele.

- Porque eu não sinto ciúmes de você. – Finn empurrou o corpo dela com delicadeza, e a levou para a parede. Ele olhou para o rosto dela, mas seu olhar logo se fixou na boca voluptuosa de Rachel. Ela clamava por um beijo. Finn tinha que sentir o gosto dela novamente, tinha que sentir o toque macio daqueles lábios e aquela língua experiente o levando pra um outro nível. O que ele sentia era só desejo. A queimação, o formigamento, a raiva... Tudo isso porque ainda a desejava. Então se pudesse tê-la novamente, tudo passaria. Quando seus lábios estavam próximos aos dela, ela o renegou, virando a cabeça para o outro lado e escapando da pressão do corpo dele.

- Sabe qual é o seu problema, Finn? Medo. – ela começou a andar pra fora do banheiro, deixando um Finn aturdido atrás de si. – Você não consegue admitir nem pra si mesmo que sente ciúmes de mim, porque tem medo do que isso possa significar.

Ela voltou a andar, e ele foi atrás dela.

- Rachel... – ele segurou seu braço, mas ela logo o soltou com um movimento brusco.

- Não, Finn. – a voz dela parecia extremamente magoada. – Eu não sou só um corpo, pense nisso. – e então ela saiu. Momentos depois ele ouviu a porta da casa sendo fechada com força.

Ela preferia o frio de inverno ao frio da presença dele. Aquilo fez o coração de Finn doer como se alguém houvesse enfiado uma faca ali. Tentando tirar os pensamentos de sua cabeça, ele decidiu dormir. Amanhã seria um novo dia e ele obviamente acharia uma expressão lógica para o que estava sentindo.

Mas, quando o relógio deu 00:00 e Rachel ainda não estava de volta, Finn ainda estava tão acordado quanto horas atrás. Como se houvesse um jeito dele dormir sem saber onde a Srta. Teimosia se encontrava.

Naquela noite, Finn só conseguiu deixar que o cansaço tomasse conta de seu corpo quando ouviu o barulho dos saltos de Rachel chocando-se contra a escada de madeira.