Blessed With A Curse
14 Capítulo 14
Notas iniciais
Boa leitura amores s2
Finn parou em frente ao quarto de Rachel. Não sabia muito bem o que fazer, mas sentia que devia fazer alguma coisa. Na noite passada estava tudo correndo tão bem entre eles e de repente Rachel simplesmente havia saído correndo do jardim para seu quarto, deixando um Finn atônito. Mas essa nem era a pior parte. A pior parte é que eram 16:00 hrs da tarde do dia seguinte e Rachel ainda não havia saído de seu quarto – pelo menos ele não a havia visto.
Ele andava de um lado para o outro, um pouco perdido. Alguma coisa estava errada com ela, isso era inegável. E ele queria poder ajudar. Não porque gostasse dela, mas simplesmente porque a simples presença da morena na noite anterior havia o ajudado muito. E ele sentia como se devesse ajuda a ela também.
Mas Finn sabia que não era muito sensível, e diabos, aquilo cheirava à TPM. Tinha receio de procurar Rachel e magoá-la. “Foda-se” ele pensou, antes de criar coragem e bater à porta dela.
- Sim? – ela disse com a voz um pouco tensa, de dentro do quarto.
Finn ficou em silêncio. O que diria? Não podia admitir que queria ajudá-la. Isso nunca!
- É... Comeu alguma coisa hoje, Rachel? – Ele se arrependeu das palavras logo depois que as disse. O que ela pensaria agora? Que ele estava preocupado. Maldição!
- Comi. – ela respondeu, rapidamente. Logo depois ele ouviu a porta sendo destrancada e uma Rachel Berry totalmente abalada saiu por ela.
Os cabelos sempre soltos e impecavelmente arrumados estavam meio presos agora. Ela usava uma t-shirt que era quatro vezes o seu tamanho e uma pequena bermuda preta. Não era como se ela estivesse feia (Ela precisaria se esforçar muito se esse fosse o objetivo), mas Rachel sempre estava impecavelmente vestida, maquiada e penteada. Mesmo quando o momento era de descontração.
- Finn, admiro sua coragem de se mostrar preocupado comigo, mas honestamente sei que é mentira e eu prefiro ficar sozinha no momento. Muito obrigada. – dito isso, ela fechou a porta do quarto novamente.
Finn ficou encarando a porta fechada por alguns segundos. A situação era pior do que ele imaginava.
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Eram 19h00min horas da noite e Rachel ainda não havia aparecido. Finn não admitia nem para si mesmo, mas estava meio que preocupado com ela. Ele a havia procurado e após ver seu estado um pouco insano e sua pequena demonstração da síndrome de o-mundo-me-odeia, ele havia se convencido de que Rachel passava por problemas femininos. E nisso ele não poderia – e nem queria – ajudar.
Ele se levantou e se dirigiu ao painel na geladeira. Estava na hora de chamar reforços.
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Santana e Brittany chegaram à casa dos amigos cerca de trinta minutos depois. Santana não tinha muita certeza se atender ao pedido do amigo seria uma boa ideia, pois a discussão da noite anterior ainda era muito recente e estava fresca na mente de ambos. Mas ela não podia simplesmente ignorar a mensagem que ele havia deixado através do sistema conector. Que tipo de amiga seria se fizesse isso? E depois, no momento em que viu o rosto de Finn, ela teve certeza que fez muito bem em atendê-lo. Seus olhos castanhos claros tinham uma leve preocupação estampada. Não era nada muito alarmante, mas definitivamente era algo.
- O que aconteceu? – Santana logo perguntou.
- É bom que seja algo muito importante, pois estávamos nos divertindo bastante brincando de policial e bandido com o Sr. Pepper. – disse Brittany, fazendo um biquinho.
Finn franziu o cenho.
- Quem é Sr. Pepper?
- Nosso vibrador. – Britt disse, sem rodeios. – Não é como se alguma de nós duas tivesse um pê... – Santana tampou a boca da namorada.
- Chega, amor. O Finn não quer saber de tudo. – depois virou-se para Finn. – Ignore o que acabou de ouvir e me diga o que aconteceu.
Finn ainda estava muito espantado por ter acesso à essa parte tão... íntima da vida da amiga. Sr. Pepper. Que nome estranho para um vibrador. Ele balançou a cabeça, tentando expulsar tais pensamentos de sua mente e concentrar-se na razão de tê-las chamado.
- Agora entendi porque vocês demoraram tanto. Espero que o Sr. Pepper esteja descansado quando eu apertar o botão para uma emergência de verdade. – Finn disse. Não podia perder a oportunidade de debochar das amigas.
Santana revirou os olhos e cruzou os braços.
- Me diz logo o que aconteceu antes que eu use o Sr. Pepper em você, engraçadinho.
Finn riu ante a atitude Lima Heights da amiga.
- Enfim... Alguma coisa aconteceu com a Rachel. E estou bem convencido de que é algum problema de mulheres. Eu não sou muito bom com essas coisas, sabe né? E ela passou o dia todo trancada no quarto.
Santana olhou para Finn. Se não fossem as palavras do amigo no dia anterior, poderia jurar que ele estava preocupado demais com Rachel para alguém que a odiava.
- Tudo bem. Tento conversar com ela. – disse Santana à Finn. Depois virou-se para Brittany. – Britt-Britt, você pode ficar aqui?
A loira assentiu com um aceno de cabeça.
Santana subiu as escadas, correndo. Ela sabia que não era um problema de mulheres. Nem a pior das TPM’s faz uma garota ficar o dia todo trancada no seu quarto. Quando chegou à porta de Rachel, bateu com cautela.
- Finn, já te pedi pra não me procurar. – a voz de Rachel veio do quarto, levemente irritada.
- Não é o Finn. É a Santana. Pode abrir pra mim? – a latina disse.
Lá dentro, Rachel hesitou um pouco.
- Qual é Rachel, nós duas sabemos que não é só um problema de mulherzinha como ele está sugerindo. Você está sem nenhum rosto conhecido aqui, mas não significa que esteja sem amigos. Se estiver com um problema pode falar comigo. Se não quiser falar, posso simplesmente ficar aí do seu lado. Só abre essa porta pra que eu possa garantir que você está bem, ok?
Alguns segundos depois a porta foi destrancada e Rachel deu espaço para Santana entrar.
- Santo Dios! – ela exclamou, quando viu o estado da morena. Ao olhar atentamente para o quarto, percebeu papéis de bombom jogados pela cama e uma televisão com o filme “Um para recordar” pausado. Lentamente, ela se virou para Rachel. – Ta apaixonada por ele, não está?
Rachel deixou o bombom que havia acabado de abrir cair no chão. Estava chocada. Como ela poderia saber? Ela logo forçou um riso.
- Ótima piada, Santana. Mas por causa dela perdi um chocolate. Você me deve uma trufa de chocolate Godiva (N/A: Marca carinha de chocolates).
- Berry, não tenta negar. – Santana andou até a cama de Rachel e sentou-se na ponta dela. – Você está assistindo o filme de amor mais coxinha de todos os tempos. A escolha de “Um amor pra recordar” já diz tudo. Escolheu um filme onde dois seres totalmente opostos, que não gostam um do outro, acabam se apaixonando.
Rachel olhava aturdida para a mulher à sua frente. Como ela poderia saber tanto por tão poucos detalhes?
- E-eu... – Rachel deixou seu corpo cair na grande e confortável poltrona que ficava perto da janela. – Eu não sei o que fazer, Santana.
Santana a olhou com um pouco de pena. Rachel era uma mulher linda e na noite passada se mostrara uma ótima pessoa. Ninguém assim, como ela, merecia o castigo de se apaixonar por Finn.
- Pode começar me contando como essa loucura aconteceu.
Rachel contou tudo à Santana. Como eles se odiavam, o que pensavam um do outro, a inegável tensão sexual entre eles, a noite da bebedeira, o que Finn dissera a ela depois e como ela havia descoberto seus sentimentos de forma improvável na noite anterior.
- Me diz como é possível alguém odiar tudo sobre uma pessoa e ao mesmo tempo amá-la? – Rachel perguntou a ela, com um sorriso triste no rosto, após terminar sua declaração.
Santana deu de ombros.
- O amor não faz sentido, e é bom justamente por causa disso.
- No momento eu não acho que seja bom. – Rachel começou. – Eu não vou deixar esse sentimento crescer, Santana. Vou acabar com ele antes de me machucar. Já gostei de outras pessoas antes. Obviamente, nenhuma delas era meu inimigo, mas...
Santana a fitou em silêncio. Ela entendia o ponto de vista de Rachel. Mas Finn parecera tão preocupado com ela, mesmo sem um motivo muito sério para isso. Talvez Rachel fosse a mulher que enterraria Ally de uma vez por todas.
- Você tem certeza disso? – ela perguntou. – Talvez você devesse pensar um pouco antes de tentar esquecê-lo. E se ele não for só mais um cara pelo qual você sentiu algo? E se ele for pra valer, Rach?
Rachel parou para pensar. Não acreditava que alguém como Finn Hudson poderia ser a pessoa certa para ela. A pessoa certa seria um homem compreensivo, prestativo e caridoso. Finn não era nada disso, certo?
- Sei que parece difícil de dar uma chance a essa ideia. Mas o Finn é muito mais do que parecer ser. – Continuou Santana, como se estivesse lendo os pensamentos da amiga. – Ele é uma incógnita Rachel, até para mim. Não é fácil saber o que ele está sentindo. Mas o Finn passou por muitas coisas, e essa barreira em volta dele é só a forma que ele encontrou para se proteger de passar por elas novamente.
Santana havia despertado a curiosidade de Rachel com aquela declaração.
- Por quais coisas ele passou?
Santana ficou em silêncio. Deveria contar a ela sobre a história de Ally, do começou ao fim? Acreditava que não. Finn era um homem reservado e aquilo poderia colocar a amizade dos dois em risco.
- São coisas muito pessoais, Rachel. São tão íntimas que expõe a fragilidade do Finn, e eu não me sinto no direito de fazer isso com ele.
Rachel somente balançou a cabeça, assentindo.
- Mas eu posso te garantir, — continuou a latina – que o Finn tem um outro lado. Ele só precisa de alguém que o faça desperta-lo, entende?
Rachel novamente assentiu. Então pensou um pouco nas palavras dela.
- Você está sugerindo que eu possa ser essa pessoa?
Santana sorriu.
- Sim. Mas definitivamente não vestida dessa forma e agindo como uma adolescente dramática.
As duas riram. Rachel realmente havia exagerado na atitude, e provavelmente assustado Finn.
- Então qual é o plano? – perguntou Rachel.
- O plano é mostrar a mulher que você é. Forte, doce, dedicada, sensual e decidida. Você tem que se aproximar, Rachel. Engolir alguns sapos, talvez. Mas definitivamente não pode continuar fugindo do que sente e brigando com Finn em todas as oportunidades.
Rachel assentiu.
- Além disso, — continuou Santana – teremos o que Britt chama de uma “Intervenção Fashion”. Não que eu ache que você precisa, porque suas roupas são incríveis, mas olhando pra todo esse chocolate e essa t-shirt manchada, acho que você precisa de uma mudança. Talvez assim sua auto-estima melhore.
Rachel sorriu.
Santana se ajoelhou em frente a ela, e pegou sua mão, imitando uma clássica proposta de casamento.
- Rachel Berry, você aceita fazer o possível para conseguir aquele homem para você?
Rachel pensou um pouco. Aceitando a proposta ela estaria se expondo para alguma futura decepção. Mas se não aceitasse passaria meses brigando com Finn, machucando-se por saber que nunca o teria para si. Sofreria de um jeito ou de outro. Não tinha nada a perder aceitando aquela loucura, não é?
- Santana Lopez, — disse a morena com um sorriso iluminado. – é claro que eu aceito sua proposta.
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