Bleeding Love
2 Capitulo 2
Notas iniciais
Caminhei ate a cozinha, abri a porta e vi minha tia lá, preparando o almoço da família Real, junto com outros servos do castelo. Fui ate ela e a abracei, cheirando a comida. Depois fui ate a mesa e peguei os talheres e as porcelanas, me preparando para servir o almoço do “Lorde” Miraz.
– Teu pai não se sacrificou tanto para você ter que servir comida aqui no castelo! – ela falou.
– Irá falar isso todos os dias? Ambas sabemos que não tenho outra escolha! – falei, enquanto pegava algumas coisas para sair da cozinha.
– Algo melhor que isso... – ela começou a falar, mas eu a interrompi.
– Tia, por favor. – pedi a ela e ela suspirou.
– Só quero o melhor para você criança! – ela falou e eu assenti.
– Eu sei tia, eu sei! – falei e sai, antes que começasse a chorar.
Meu pai é um ex-general do exercito, durante uma guerra antiga com os narnianos ele teve uma queda feia do cavalo e teve um dos ossos das costas quebrado, os curandeiros não conseguiram cura-lo. Ele esta preso na cama ate hoje, 15 anos depois. Por ter exercido um alto cargo, ele recebe alguma quantia do “Rei” pelos seus serviços ao reino, mas não era o suficiente depois dos remédios que tivemos que comprar para ele! E eu tive que começar a trabalhar no castelo para ajudar na casa.
Caminhei pelos corredores ate o salão principal, onde uma extensa mesa de jantar estava posta, comecei a ajeita-la e logo os serviçais começaram a trazer a comida. Quando dei por mim, Miraz e a esposa, grávida, vieram almoçar e Caspian chegou em seguida. Dispensei os outros serviçais e fiquei apenas eu para servi-los.
Comecei a servi-los, Caspian não esperou, como sempre não esperava. Depois de 3 anos de amizade e 1 ano de namoro, ele sempre se servia, não sei se era para não me dar trabalho ou se era para porque ele sempre tinha muita fome. Acho mais fácil ser a primeira opção.
Enquanto servia o refresco para eles, Caspian segurou minha mão e me entregou um papel, disfarçadamente. Relacionamentos, além da amizade, entre plebeus e membros da família real são proibidos por lei. Se me pegarem com Caspian, eu posso ser presa e punida, sendo ele príncipe herdeiro ou não.
– Você já pode ir! Esta dispensada pelo resto do dia! – Miraz falou e eu assenti, saindo. Quando estava no corredor, abri o papel e nele havia uma mensagem escrita com uma letra que eu reconheceria em qualquer lugar:
“ Espero ver-lhe na torre abandonada da ala leste hoje a meia-noite!
Caspian X”
Ninguém sabia, mas hoje eu e Caspian fazemos um ano, do que ele chama, de namoro. Estava esperando por um momento como esse a manha inteira. E, graças a recém, tarde livre que eu acabei de receber, eu poderia me preparar fisicamente e mentalmente para esse encontro hoje a noite.
Voltei para a cozinha e depositei a bandeja em cima da mesa, lendo o bilhete mais uma vez. Minha tia me olhou desconfiada e adivinhou, provavelmente pelo sorriso bobo em meu rosto, de quem veio aquele papel.
– É daquele rapaz? – ela perguntou e eu assenti. – Quando irá apresenta-lo para a família?
– Logo tia, logo! – falei. – Me dispensaram hoje! Vou ver se mamãe precisa de ajuda nos afazeres da casa!
– Faça isso querida! Faça isso! – ela falou, enquanto picava alguns temperos para começar a preparar o jantar.
– Sua benção tia! – falei beijando sua mão e ela assentiu.
O caminho do castelo ate minha casa era relativamente rápido e simples. Cheguei e minha mãe terminava de lavar as louças do almoço.
– Mãe. Sua benção. – falei.
– Você já comeu minha filha? – ela perguntou e eu neguei. – Sente-se.
Me sentei na mesa e ela colocou um prato para mim.
– Como papai esta? – perguntei, já que não o tinha visto ainda.
– Dormiu agora! Mas não esta melhorando! Temo que ele não...
– Não fale assim mãe! Daremos um jeito! Ele vai conseguir! – falei enquanto segurava a sua mão.
O dia passou mais rápido do que eu esperava. Ajudei minha mãe com a casa e quando percebi já era de noite. Banhava-me quando mamãe entrou em meu quarto, segurando um embrulho desconhecido.
– Mãe, vou sair! – avisei-a.
– Aonde vai?
– Encontrar-me com alguns amigos! – falei. Odiava mentir para ela, mas ela não pode saber sobre mim e Caspian. Não ainda.
– Nesse caso, acho que vai precisar disso mais cedo do que eu esperava. – ela falou e colocou o embrulho em cima da minha cama. – Feliz aniversário minha filha.
Para quem não sabe, meu aniversário é na semana que vem! Pelo jeito, meus pais resolveram me dar um presente mais cedo. Me levantei da banheira e me sequei, caminhei ate minha cama e abri o embrulho, dentro dele havia um vestido, lindo, vermelho com pequenos fios do dourados.
– Mãe, ele é lindo. – falei. – Não posso aceitar! Não temos esse dinheiro!
– Não tem que aceitar! Já é seu! Você merece querida! É só um jeito de agradecer pela excelente filha que você é! – falou e eu assenti, chorando.
– Obrigada mãe! – falei e ela assentiu, saindo quarto.
Ajeitei-me rapidamente e deixei minha casa, colocando o capuz na cabeça para ninguém me ver! O caminho ate a torre da ala leste era rápido, mas perigoso, se os guardas me vissem e me seguisse, eu estava ferrada.
Lá em cima era frio, esta noite então estava especialmente frio. Cheguei à torre, mas nada de Caspian, não acredito que ele estava atrasado.
Quando me distrai, uma mão envolveu minha cintura e a outra tapou a minha boca. Depois me puxou pra dentro da vigia.
– Caspian. – murmurei e ele liberou minha boca, mas continuou segurando minha cintura. – Você tem que parar de fazer isso sabia!
– É legal ver a sua expressão de susto. – ele falou e eu observei ao nosso redor. Ele havia preparado o local para que ficássemos confortáveis, para o chão ele trouxe algumas almofadas, que encostou em uma das paredes e um pano que estendeu por toda a superfície, para que pudéssemos deitar. Na outra extremidade, algumas frutas e um jarro de, eu descobri mais tarde ser, suco.
Ele se sentou no chão e me puxou, gentilmente, pela mão. Sentei-me ao seu lado e ele acariciou o meu rosto. Fechei os olhos, sentindo o seu carinho. Ele se distanciou de mim e pegou uma caixa achatada e um pouco maior que a sua mão.
– O que é isso? – perguntei, curiosa.
– É o seu presente! – ele falou e me estendeu a caixa. – Abra!
Peguei a pequena caixa, olhando para ele meio desconfiada. Desviei meus olhos dele por alguns segundos, para olhar dentro da caixa, quando me deparo com um colar, dourado, com um coração como pingente.
– Ele era da minha mãe! Minha tia me deu a uma semana atrás, disse que minha mãe queria que eu desse ele a mulher que eu considerasse a minha altura! Eu acho que ela ficaria feliz se você ficasse com ele!
– Você tem certeza disso? – perguntei a ele e assentiu. – Ele é lindo! – peguei o cordão e estendi para ele. – Me ajuda?
Caspian pegou o colar, passando o mesmo pelo meu pescoço e o prendendo, enquanto ajeitava meu cabelo ele aproveitou para depositar um beijo em meu pescoço. Um beijo delicado e gentil. Me virei para ele e murmurei:
– Eu te amo! – então ele me beijou.
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