Notas iniciais
Uma rajada vermelha percorreu varrendo todo o solo, atingindo vários shinigamis presentes. Antes que pudessem se recompor, compridos tentáculos agarraram um outro grupo, puxando-os para perto da grande boca cheia de dentes afiados que estava prestes a devorá-los.
– Pessoal! — gritou um shinigami, aparentando ser o responsável pelo grupo. — Aguentem firme! — disse ele, correndo apressadamente para salvar os companheiros.
Avançou o mais rápido que conseguiu, mas ainda estava longe demais. O hollow já estava com a enorme boca aberta e os tentáculos, segurando vários shinigamis, acima dela. Não iria dar tempo, uma equipe inteira seria devorada em segundos.
Mas, de repente, um risco preto percorreu o céu, descendo em um rasante tão rápido que atravessou o monstro, rachando seu crânio antes que alguém pudesse ser da conta do ocorrido.
O shinigami responsável pela equipe parou, espantado. E, após notar a silhueta atrás do hollow que estava desaparecendo, sorriu, sabendo que agora estava seguro.
– Capitã Soi Fong! — disse ele, aliviado.
A capitã voltou seu olhar a ele; um olhar determinado.
– Você é o responsável pelo grupo de defesa? — questionou, o shinigami assentiu. — Me informe da situação.
– Um de nossos soldados estava voltando de uma missão, quando foi atacado por um Menos Grande e em pouco tempo o campo já estava repleto de hollows. — relatou ele.
– Um Menos Grande, é? — disse ela, olhando o hollow ao longe. — Oomaeda — gritou, chamando seu tenente que surgiu tropeçando no pedregulhos.
– Sim, capitã! — disse ele, em pose de soldado.
– Fique aqui e dê cobertura ao grupo, até que cheguem reforços — ordenou ela. — Eu vou cuidar de uma coisa.
– Sado! — gritou Ishida, enquanto perfurava um hollow com uma flechada.
– Eu sei! — respondeu ele, avançando sobre um outro grupo que estava vindo ao lado. — El Directo! – gritou, disparando uma rajada azul que eliminou todos os inimigos no caminho. — Brazo Derecha de Gigante.
– Malditos hollows — disse Renji, enquanto um hollow enorme a sua frente caía e desaparecia. — Parece que dessa vez estão em maior quantidade.
– E em maior qualidade — gritou Ishida, saltando para trás para desviar do Cero disparado pelo Menos Grande, que estava ao lado de outro de mesma raça.
Estavam no portão oeste. Inoue estava ao lado de dentro cuidando dos feridos, enquanto Ishida, Sado e Renji ajudavam o grupo de shinigami que estavam com dificuldades.
– Onde estão os reforços? — questionou Renji para um shinigami que estava sentado, exausto.
– Não conseguimos contato com eles… — disse, com a voz fraca.
– Droga, nós vamos dar um jeito aqui — disse Renji. — Vá para a cidade.
– Mas… — tentou dizer o shinigami, quando um hollow surgira repentinamente atrás de si, com suas grandes garras e corpo de gafanhoto.
Mas Renji foi mais rápido. Antes que o hollow pudesse tocar o shinigami, Renji decepou seu braço que continha a garra. Avançando em seguida e enterrando sua lâmina o crânio do monstro, que rugiu e tombou para trás, desaparecendo.
– Agora! — ordenou Renji, e o shinigami a sua frente levantou rapidamente e saiu mancando em direção a cidade.
– Algum plano? — questionou Ishida, surgindo ao lado do companheiro.
– Sobreviver — disse Renji, mirando a enorme quantidade de hollows que pareciam cair do céu.
– Vai ter que ser mais rápido do que isso se quer me pegar — disse Soi Fong, desviando do Cero do Menos Grande.
O hollow retrucou com altos grunhidos monstruosos e, estava preparando outro ataque, quando a capitã correu até uma árvore próxima, pegando impulso na mesma e com um saque rápido de sua espada, perfurou a cabeça hollow antes que esse pudesse atacar, fazendo-o desaparecer no mesmo instante.
Ouviu-se o som de palmas e uma voz feminina ecoou pelo ar.
– Ora, ora — disse a mulher, a distância. — Pensei que todos morreriam para o Menos Grande — disse, aproximando-se. — Mas parece que nem todos.
Soi Fong virou-se no mesmo instante, para ver uma mulher jovem e esguia. Os cabelos brilhantes e longos, na região da cintura, e de cor semelhante a um lilás quase branco, lembrando um relâmpago cruzando o céu. Seu rosto, fino com sobrancelhas levemente levantadas, olhos grandes e lilás e sua boca pequena. Estava vestindo um uniforme semelhante a um shihakushou, diferenciando-se por ser meio preto e meio branco, dividido em uma linha horizontal, com uma espada embainhada na cintura.
– Quem é você? — questionou Soi Fong, alarmada.
A jovem estava prestes a falar, quando, atrás de si, Ichigo, Rukia e Yuzuke apareceram, saindo da cidade e chegando ao local sob ataque.
– Parece que chegou mais companhia — disse a jovem, com tom meigo, virando-se para os três shinigamis.
No instante que o olhar de Yuzuke encontrou o da jovem misteriosa, uma chuva de imagens surgiu em sua mente. Uma dor intensa percorreu por toda sua cabeça e ele caiu, reprimindo-se de dor com as mãos na cabeça.
– Yuzuke! — gritou Rukia, abaixando-se para ajudar o rapaz, que agonizava de dor. — O que você fez com ele?! — gritou de forma ameaçadora para a jovem.
– Ora, eu não fiz nada — disse ela, com tom suave. — Ainda — terminou de falar, adquirindo uma expressão sombria.
– Quem é você? — questionou Soi Fong, novamente. — Eu não vou voltar a perguntar, se você não responder será considerada inimiga e eliminada.
A jovem a olhou por cima do ombro.
– Vejo que vocês também não tem boa educação — ironizou ela. — O que vocês aprendem ai? Só a gritar e lutar? Parecem ogros.
– Já chega — disse Soi Fong avançando sobre a jovem.
Mas, antes que pudesse acertá-la, a moça esquivou e segurou a lâmina da capitã, acertando um chute em seu estômago e lançando-a contra uma árvore ao longe.
Tudo sem sequer sair do lugar.
– Já vi que isso não vai ser nada eletrizante– suspirou a jovem. — Quem vai ser o próximo? — questionou, olhando para Ichigo e Rukia, que a encaravam, incrédulos. — Aliás, meu nome é Mei, Kamiya Mei.
Uma enorme sombra cobriu Ishida, que notou um tronco de árvore sendo arremessado sobre si. Rapidamente girou e usou hirenkyaku para escapar.
– Qual é, vocês só vão ficam fugindo? Seus vermes! — gritou um homem, aparentando ter 25 anos, alto, troncudo e de pela morena clara. Seus cabelos curtos e arrepiados em um tom de castanho quase marrom. Seu rosto angular e sobrancelhas curvadas davam a ele uma expressão séria. Estava usando um traje idêntico ao de Mei e luva de treino em sua mão direita.
– Droga, minhas flechas não fazem efeito nesse cara — disse Ishida, disparando mais algumas flechas que pareciam ser repelidas ao toque na pele do inimigo.
– Já disse que isso não vai funcionar — disse ele. — Mas isso aqui vai! — gritou, avançando rapidamente na direção do Quincy, que mal deve tempo de desviar...
Mas Renji interferiu.
Invocando novamente sua shikai, o tenente pulou e atacou com a lâmina que se esticou e obrigou o inimigo a recuar para não ser acertado.
– Obrigado — disse Ishida para o companheiro que descera ao seu lado.
– Não me agradeça ainda — disse Renji, fitando o inimigo.
– Ainda estão falando? — disse o homem, que surgiu repentinamente atrás dos dois, e antes que Renji pudesse sequer se mexer, o acertou com um golpe que lançou o tenente de encontro ao muro que cercava a cidade.
Ishida saltou na tentativa de se distanciar do inimigo, mas, quando percebeu, o homem já estava acima de si, acertando-o com um golpe que o lançou de costas para o chão, fazendo-o cuspir sangue e o solo rachar.
– Ishida! — gritou Renji recompondo-se rapidamente.
– Você não vai ajudá-lo! — gritou o homem, preparando-se para atacar Renji…
Foi quando Sado surgiu, descendo com seu braço esquerdo, agora branco e envolto de raios brancos.
– La muerte– gritou ele, acertando em cheio o peito do inimigo, que foi ao chão imediatamente. — Brazo Izquierdo del Diablo– e então o solo atrás do homem se quebrou formando a imagem de uma caveira.
– Você não vai escapar — disse Ichigo, girando a lâmina em suas mãos. Mei estava parada no céu, havia pulado para desviar do golpe do shinigami. — Getsuga Tenshou! — uma enorme rajada em forma de meia lua foi lançado da Zanpakutou, acertando em cheio Mei.
Ou pelo menos foi o que pareceu.
Antes que Ichigo pudesse comemorar, uma lâmina pairou a frente de sua gargante e uma risada feminina ecoou.
– Vocês shinigamis são tão fraquinhos — provocou Mei; Ichigo soltou um ruído de raiva. — Se eu quisesse poderia te matar agora.
– Ichigo! — gritou Rukia.
– Se eu você eu ficaria paradinha ai — disse Mei, aproximando mais a lâmina da gargante de Ichigo.
– Jinteki shakusetsu, Suzumebachi! — disse Soi Fong, invocando sua shikai e atacando Mei em uma velocidade incrível… que não foi o bastante.
Mei, com seu braço livre, segurou a mão da capitã, torcendo-o e fazendo-a gritar de dor, antes de arremessá-la para o ar e disparar um raio vermelho que a atingiu em cheio. Um Cero.
– Capitã — gritou Oomaeda ao ver a superior, mas antes que pudesse correr para ajudá-la foi cercado por mais hollows que surgiram.
– Agora vamos acabar com isso — disse Mei. — A vida do seu amigo shinigami ou de um desconhecido?
– Sado, você conseguiu! — disse Renji, ajudando Ishida a se levantar.
– Boa, Sado — disse Ishida, entre ofego. Estava com a mão na cintura, onde estava sangrando.
– Por que estão comemorando? — disse o homem, levantando-se lentamente. — Acho que dei um mal jeito nas costas — disse, estalando as costas. — Pronto, então, onde estávamos mesmo, seus vermes?
A reação do homem fez com que os três ficassem parados, impressionados e estáticos.
– N-não pode ser… — sussurrou Sado olhando para a mão que deferiu o golpe. — La Muerte é um golpe fatal, você não deveria estar vivo…!
– Esse golpe fraco? Acho que sequer me arranhou — retrucou ele. — Vou te mostrar o que é um golpe forte.
Então, em questão de segundos, o homem já havia avançado e estava a frente de Sado, que espantado colocou o braço direito a frente, na tentativa de se proteger do golpe, mas teve o escudo perfurado. Com o punho atravessado, o homem acertou o peito de Sado, lançando-o contra o chão e fazendo com uma cratera imensurável fosse criada.
O tremor abalou parte da Seireitei.
– Você… — disse Renji, sem reação. — Você é um monstro.
– Monstro? — disse ele. — Eu prefiro ser chamado de Kamyia Ryoku.
– Como você…?
– Como eu sei? — respondeu Mei. — Isso não importa, o que importa agora é que você vai perder um de seus companheiros. Já escolheu qual, shinigami?
– Eu escolhi — disse ela. — Você! — e então apontou sua Zanpakutou, que estava toda branca e com um brilho envolvendo-a, para Mei — Tsugi no Mai, Hakuren!
Uma grande rajada de gelo percorreu até Mei, que fora obrigada a pula para desviar do golpe, dando a chance para Ichigo escapar.
– Sode no Shirayuki – disse Rukia, fitando Mei seriamente.
– Então você quer brincar? — ironizou Mei. — Por mim tudo bem — disse, desaparecendo e reaparecendo a frente de Rukia, acertando um tapa que fez com que a shinigami fosse lançada a metros.
Ichigo avançou para proteger a amiga, tentando acertar Mei com um corte lateral, mas a inimiga foi mais rápida, desviando-se facilmente e acertando um chute na boca de seu estômago, deixando-o sem ar e logo em seguida arremessando-o para longe.
Rukia sentiu o mundo girando, levantando a cabeça com dificuldade e vendo sua Zanpakutou há poucos metros. Mas, quando tentou se esticar para tentar pegá-la, teve sua mão pisoteada por Mei.
– Tentando pegar algo? — zombou. — Bom, já que você não escolheu e parece que não tem mais nenhum amigo seu capaz de lutar, então eu vou matar você mesmo! — disse Mei, carregando um Cero em suas mãos, mas esse continha uma cor diferente, era azulado, e não avermelhado como os outros.
– Pare! — gritou Yuzuke, levantando-se.
– Hum? — Mei voltou seu olhar para o rapaz.
– Eu não sei quem você é ou o que você quer aqui — começou a dizer ele. — Mas não vou deixar você ferir os meus amigos! — disse, esticando as mãos e disparando um Cero na direção da garota.
Mei cancelou o ataque a tempo suficiente para desviar do projétil. E então reapareceu ao lado de Yuzuke, segurando com firmeza as suas duas mãos.
– Que modos são esses? — disse ela, com tom meigo, aproximando sua boca da orelha do rapaz. — Você não devia atacar uma companheira, Yuzukezinho.
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