Bleach: Dawn of the Hero

4 Perseguindo Chad por aí


Notas iniciais
Yo Como vão? Ta aí mais um capítulo - Curto em relação ao anterior, mas o próximo vai ser maior ao ponto de se reclamar :v

Ichigo Kurosaki

Quando acordou, Ichigo ainda pensava sobre o que Rukia o contara na noite anterior. Primeiro, achava que demoraria a formar uma opinião sobre se ela era uma aliada ou uma inimiga – suas ações priorizavam eliminar os Hollows – então o garoto não achava que teria tanto pra pensar além de que ela era tipo uma super heroína

Mas, pelo que Ichigo entendia sobre super heroínas, elas não deveriam ameaçar a vida de seus amigos

Ela nunca dissera isso diretamente – se considerasse uma ameaça de morte escrita a mão algo indireto – mas a intenção de suas ações eram tão claras quanto o céu daquela manhã. Certas vezes, ele pensava se ela não deixava isso mais claro que o necessário, tendo certeza que ele não era burro demais para entender. Ela o mantinha em cheque para que não abrisse o bico, porém… pelo menos, o brilho de preocupação que passou em seus olhos conforme ela explicava-o a situação de Yasutora era verdadeiro, mesmo que parecesse mais um tipo de preocupação que uma babá dá a um bebê levado do que alguém preocupado com a segurança e a ameaça a vida de seu melhor amigo

Ichigo já descera arrumado – o mesmo uniforme com calças e blazer cinzas, sem nenhum ferimento envolto em ataduras, como tinha a frequência de aparecer com – ouvindo o noticiário da manhã recontar sobre o acidente massivo de carros da tarde anterior, porém, ele não teria tempo para pensar sobre o que fazer a seguir como achou que conseguiria quando sentou-se à mesa do café

A porta da ala médica da casa abriu-se com um estrondo, acompanhada da voz de seu pai

— Ichigo! — Berrou ele, num vigor que contrastava contra as olheiras meio profundas debaixo dos olhos – Chad desapareceu da cama!!

...

Ele passara correndo pela cidade de Karakura, em desespero – Merda! Onde Chad tava com a cabeça?! — Ichigo passara pelo apartamento compartilhado do amigo, mas nem Gitano nem Harutoki o tinham visto desde o dia anterior e notando a preocupação do garoto, ficaram preocupados também. Logo depois, disparou para a escola; talvez Chad simplesmente aparecesse por lá, encorporando o grandalhão meio deslocado e desnorteado que ele era

‘’Ah, tinha aula, então eu vim’’

Por mais idiota que parecesse, Chad era capaz disso, e já aconteceram situações tão estúpidas ou incomuns quanto essa antes com ele, então Ichigo tinha esperança. Queria abrir a porta e vê-lo sentado ali no canto, com o mesmo uniforme dele e com os cabelos castanho-escuros cobrindo-lhe os olhos, que se voltariam para o amigo e ele agiria como se nada acontecesse pelo resto do dia. Mas…

— O Chad não apareceu no Colégio não – Respondeu Kojima

— Que preocupação é essa Ichigo? Aconteceu algo com ele? — Keigo contrastava com o amigo de cabelos pretos, tendo um semblante que mostrava bem demais como estava nervoso – O Chad sempre tá na sala dez minutos antes mesmo da aula começar… o que que aconteceu com...

Sem responder e contra os protestos dos amigos, ele disparou pela porta, saindo ao mesmo tempo que a professora entrava em sala de aula, berrando algo sobre ir ao banheiro quando ela reclamou. Não ficou nem mais um minuto no prédio escolar, mas não fazia a mínima ideia de onde podia ir, então simplesmente correu, deixando seus instintos o levarem pra qualquer lugar

...

No banheiro feminino da Escola Primária Sul de Karakura, porém, Karin vomitava tudo que tinha e o que não tinha comido

— Karin, você está bem?

Enfurecida, por trás da porta trancada de seu sanitário, ela berrou

— Cala boca! O que você tá fazendo aí, ouvindo o tempo inteiro?! Volta pra sala de aula!

Yuzu hesitou, voltando com um pé atrás, mas logo reunindo coragem o suficiente em seu peito para protestar e dizer, em seguida fez sua voz se elevar pelo banheiro

— Mas eu estou preocupada com você!

— Se você não voltar pra sala de aula, eu vou bater em você! — Suas últimas palavras saíram engasgadas, e ela sentiu o estômago se revirando do fundo do âmago e subindo por sua garganta; ela se virara, jogando tudo fora

A porta do banheiro se abriu, dando espaço para uma outra menina de aparência preocupada

— Como a Karin tá? — E ao ouvir tudo que se passava do outro lado, o nervosismo passou por seu rosto; não como nojo, mas sim como preocupação – Acho que não preciso perguntar pra saber…

Bastou apenas aquela última vinda. Karin se certificou de que não haveria mais naquele momento, e bateu a porta com tanta força que a fez tremer. Suas feições faziam os pés de Yuzu e sua amiga parecerem enterrar no piso e revirava seus próprios estômagos, como se fossem elas as prestes a vomitar. Mas ela não as bateu… ela passou andando, posando de forte enquanto isso, indo para a pia

— Eu vou pra casa mais cedo Yuzu, pega minha bolsa na sala por favor…

— Mas, Karin…

— Faça o que eu disse!! — Berrou ela, arrancando as últimas gotas de coragem que sua irmã tinha e as esmigalhando

Concordando de imediato e recuando ao mesmo tempo que disparavam para fora do banheiro, em direção as salas de aula, a expressão da irmã mais velha se suavizou… e se tornou frágil, necessitando de ajuda. Se Yuzu tivesse visto aquela cara, ela nunca teria deixado o lado de sua irmã, por isso Karin havia se segurado com todas as suas forças. Ela precisava de ajuda… mas não tinha nada nem ninguém quem a pudesse ajudar. Desde que vira aquele pássaro… aquele maldito pássaro, na noite anterior… todas aquelas imagens a faziam vomitar, e só de lembrar delas, ela tinha ânsias para disparar de volta para a privada. Mas… não tinha nada que ela pudesse fazer… ela estava sozinha naquela, e era a única que sabia da história daquele pássaro. Mas mesmo que estivesse solitária, talvez houvesse algo que pudesse fazer, e ela pensava no que enquanto uma ideia repentina cruzava sua mente

...

Ichigo Kurosaki

E, pelo menos, em algum ponto ele acertou por onde deveria virar, porque alguns instantes depois Rukia disparava acima de um muro ao lado da calçada onde Ichigo estava

— Achou algo? — Perguntou, assumindo que ela já soubesse de toda a situação, como ela sempre sabia

— Não

— Merda! — Ichigo tentava se acalmar, dizendo a si mesmo que estava preocupado demais com o estado do amigo, reafirmando que estava bem. E toda vez que ele se reconfortava, lembrava que o amigo estava sendo perseguido por um Hollow que podia o matar com um único ataque, e uma onda de nervosismo o enchia. Não podia ser, só passara uma noite, ele não podia, não no meio da noite, ter… — Você não consegue o rastrear não? O espírito do Chad?

— Seria o mesmo que eu tentar rastrear um ser humano comum

— Merda! — Ele repetiu. O quanto demoraria para eles o encontrarem por procurarem cada espírito agindo de forma suspeita por toda a cidade?

— Nós não vamos tentar procurá-lo desse jeito – Respondeu a garota, como se lesse sua mente – Karakura é uma cidade grande, é um eufemismo eu dizer que pelo alguns milhares de humanos encaixassem no nosso requisito de pesquisa

De repente, uma ideia travou o passo de Ichigo, o fazendo quase derrapar no cimento

— E o pássaro? Ele é diferente né? O espírito dentro daquele pássaro tem que ser pelo menos diferente o suficiente para que você consiga detectar fácil, né?

Rukia, que tinha parado junto dele, pensou na possibilidade apenas por um mísero instante, voltando ao semblante sério de sempre antes que ele ficasse satisfeito de ter dado a ideia

— Impossível. A alma do pássaro e a outra que residem naquele corpo estão entrelaçadas a um ponto que são quase uma só, com a diferença sendo fundamental demais, seria impossível com minhas capacidades atuais eu detectar algo tão…

Então as feições de Ichigo se enfureceram por uns instantes, os quais ele se concentrou de olhos fechados, ignorando o resto. Ele se focava muito mais do que o normal, e aos poucos sua face foi se acalmando. A raiva foi se esvaindo, mas o sentimento de preocupação continuava lá – a irritação desceu por seu peito até desaparecer, dando lugar a uma sensação diferente… Ele já havia feito algo parecido antes. Não tão profundo, mas algo similar, procurado de uma maneira sobrenatural outras pessoas, outros seres… procurar, era isso que precisava, procurar… procurar… procurar…

Procurar.

— O que você está… — Mas ela não teve tempo de completar a frase. Afetada pela Pressão Espiritual que era expelida dele por conta de sua concentração, ela tinha sido pega na área de efeito da própria Energia Espiritual do garoto, que estava sendo utilizada naquele momento de forma incrível. No meio do ar, ‘’fitas’’ surgiram de múltiplos pontos da cidade, onde começavam do pulso das pessoas e seguiam, terminando a alguns centímetros de Ichigo. Cada pedestre a volta tinha uma fita branca que apontava sempre na direção do ruivo, e as outras fitas, que seguiam cidade adentro, ele tinha o palpite de que seriam pessoas que estivessem por lá

Num único gesto, Ichigo puxou uma das fitas que pairava a centímetros do rosto de Rukia, a fazendo travar com o susto

— Encontrei! — Exclamou ele, abrindo os olhos com uma expressão sorridente que parecia um sorriso mais sinistro do que feliz – Por aqui!

— C...Certo! — Disse ela, hesitando nem por um momento em seguir seus passos. Será que tinha feito exagerado demais? Não, Chad corria aquele perigo todo, então demonstrar umas capacidades para aquela Shinigami não era nada demais, e ela talvez até deixasse de o subestimar tanto

Não bastaram mais que alguns momentos para que, virando uma esquina estivesse Yasutora, com a mesma camiseta vinho estampada e calças pretas da noite anterior. O suor descia por seu rosto em bicas, e pelo que Ichigo sabia de sua resistência, nesse estado ele devia estar correndo apressado daquele jeito havia pelo menos um bom punhado de horas. Assim que plantou seus olhos no amigo, Chad disparou para o lado contrário do que o ruivo seguia

— Idiota, porque você tá fugindo!? — Ichigo nem sequer sabia se sua voz alcançava os ouvidos do amigo – É perigoso ficar sozin…

Uma voz , vindo logo ao lado do garoto, o interrompeu em meio aos berros. Ele havia notado a voz, a reconhecido, de forma que mesmo em meio a seus próprios gritos aquilo o fisgava e o retirava a atenção; tirava totalmente o cenário de importância, como uma faca apontada para sua nuca. A voz de sua irmã, Karin, estava tão… fraca…

— Ichi…

Karin vestia-se da mesma forma que saíra pra escola, com seu legging preto e uma camisa estampada desabotoada por cima de uma listrada. Sua própria mochila da escola jazia pendendo de seu braço, mas sua irmã estava recaída: suas pernas tremiam e ela se curvava para frente, se apoiando num poste ao lado. Sua pele estava pálida e suor escorria de sua testa. Ela parecia prestes a desmaiar

— Karin, o que aconteceu com você?! – Ichigo tinha travado; não se mexia nem um passo na direção de Karin, nem voltava a correr na direção ao amigo – Você mal consegue ficar de pé…

Porém assim que ela desabou, o irmão correu para a pegar no colo, chamando seu nome

— Ichigo, leve ela para casa – Foi aí então que o ruivo percebera. Mas e quanto a Chad? Mesmo que morrendo de preocupação, Chad estava sendo seguido por um Hollow por sabe se lá quanto tempo e, por algum motivo, para Ichigo, só por o ver com tanta pressa depois do amigo ter fugido do hospital deixava o clima mais tenso — Eu seguirei!

— Que… — Ele não podia deixar Karin ali, mas ainda assim, Rukia ainda estava… — Do que que você tá falando? Você não pode…

— Não reclame!! — A garota o interrompeu com voz firme – Será um problema para nós se ela ficar. Só iria distrair sua mente durante a luta

Ichigo a encarou. Ela sabia que o garoto queria ter certeza que a irmã estaria bem, e por isso nem sequer se oferecera para levar a irmã mais nova de volta a casa ela mesma; talvez ela soubesse que Ichigo não confiava totalmente nela, ou talvez ela estivesse acostumada com isso, mas algo ainda incomodava o garoto

— Ei, Rukia – Chamou, ainda de costas para ela – Seus poderes para combater Hollows ainda não voltaram né? Então faça o favor de não exagerar

Mesmo não podendo a ver, seu silêncio respondia em lugar à sua surpresa. O próprio Ichigo tinha suas razões para duvidar dela, mas sentia um dever em relação a garota… sim, era exatamente isso. Ela sentia que devia ligar pra ela, como uma dívida sendo paga

— Seu tolo – Mas a critica em sua voz mais saía como um elogio – Como se eu fosse errar de modo que causasse preocupação em você

E lá mesmo, ambos seguiram por ruas separadas. O ruivo carregava sua irmã no colo na direção contrária a que estivera até aquele momento enquanto Rukia continuava sua perseguição a Chad. Mas algum mal pressentimento continuava perturbando o garoto… um frio em sua barriga, um incômodo da nuca, como se ele soubesse que algo daria terrivelmente errado

Notas finais
O que acharam? Sinceramente, essa parte inicial da cacatua foi bem complicada de escrever - eu nunca conseguia me sentir bem com o capítulo e eu acabava sempre refazendo ele do zero, esboçando, reescrevendo... deu uma trabalheira pra fazer
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.