Bleach: Dawn of the Hero
2 Iniciante
Notas iniciais
Ichigo
E o jovem era assombrado por mais pesadelos do que ele podia contar. Mas os que mais lhe arrancavam o fôlego, tão reais quanto ele próprio, refletiam sua família
Karin caída ao pé da escada, sangrando profusamente. Seu pai com os olhos cerrados, mortificado no canto da sala com uma pintura de sangue na parede. O corpo de Yuzu nas mãos daquele Monstro Abissal, que tinha sangue por toda sua boca; o corpo com a cabeça decepada. Mas ele ainda podia ouvir suas vozes, o amaldiçoando por ter perdido, o amaldiçoando por ter falhado
E então, quando a voz dos três se juntava e se repetia tanto em sua mente, que Ichigo assimilava um chiado em seus tímpanos, o pesadelo mudava para a beira de um rio corrente. Um corpo adulto jogado sobre o seu, banhando o jovem de sangue que não era dele; em meio a chuva forte, uma besta diferente, com uma máscara sorridente cheia de buracos, olhos carmesim que o encaravam por debaixo da máscara, rindo dele
Até que ele percebesse que o corpo acima de si se mexia
E em um instante, virando-se para ele, uma face conhecida, com os olhos vazios e tenebrosos o encarava, o prendendo no chão, enchendo-o de desespero
— A culpa é sua! – Amaldiçoou a voz
E o jovem acordou sobressaltado, deitado em sua cama, olhando para a luz que batia em suas colchas, vindas da janela. Pondo a mão sobre seu peito, ele percebeu...
Nenhuma das feridas do dia anterior doíam mais, nem sangrava, nem nenhum curativo havia sido feito. Apalpando-se, ele parou pra pensar sobre a noite anterior, e assim que percebeu, saltou da cama, saindo do quarto e descendo as escadas em disparado
— Yuzu, Karin, Pai! – Berrou ele ao pé da escada, apenas para os ver tomando o café normalmente. Yuzu foi a única que se animou tanto ao encarar o irmão
— Bom dia maninho – Disse ela
Na parede da sala, um rombo enorme bloqueado por diversas tábuas de madeira, pregadas para não dar passagem para fora. O rombo aberto pela besta da noite anterior, enorme. Ichigo se perguntava quando que Isshin teve tempo de bloquear a passagem com tantas tábuas, e o que eles pensavam que aquilo significava
— É realmente um milagre. Um caminhão bateu de frente com a nossa casa e ninguém se machucou! – Disse o pai, percebendo a atenção do filho
— É ainda mais milagroso ele bater e ninguém acordar – Intrometeu-se Karin – Graças a isso o culpado fugiu...
O jovem podia jurar que ouviu Karin reclamar um pouco mais baixo.
O que estava acontecendo? Isso que Ichigo se perguntava. Enquanto Isshin discutia com Karin sobre o motorista eventualmente voltar ou não, Ichigo se lembrava das feridas de sua família, e de ter ouvido da própria boca de Karin que ela havia visto tudo, menos o monstro. Ele vira o medo no olhar de Yuzu. E no fim todos acham que é um acidente, e todos foram curados... este seria o jeito dos Shinigamis de manterem o sigilo? Para alguém que existe pra destruir monstros como aqueles e enviar almas para o outro mundo, porque curar e apagar memórias seria demais?
Porém, o estudante se pegou pensando... será que ela havia voltado para seja onde habitavam esses tais ceifeiros?
Óbvio que tinha... não é?
...
Na Escola de Ensino Médio de Karakura, os estudantes seguiam sua rotina normal. Nenhum deles consciente do que havia acontecido durante a noite, nenhum suspeitando que qualquer coisa de suas vidas normais fosse mudar repentinamente
Todos
Menos Orihime Inoue. A ruiva estudante de longos cabelos tinha a mente mais ativa que todos os amigos de sua classe juntos. Uma cabeça tão avoada como a dela, que um inseto podia passar por sua boca aberta sem ela nem perceber
— Ei, sua boca tá aberta! – A garota de cabelos negros curtos, bagunçados, chegou ao seu encontro – Você é muito nova pra ficar descansando num canto
— Tatsuki! — Chamou ela
As duas se cumprimentaram, com a nova garota sentando na carteira ao lado da ruiva. Estavam na sala de aula, mas com o tempo vago, os alunos estavam espalhados tanto pela sala, quanto por todo o prédio. Mas havia um que ela sabia que não tinha chegado... um que ela teria percebido no momento
— O Ichigo tá atrasado mesmo – Disse a ruiva. Tatsuki, soltando um que de estranheza, percebeu o motivo e provocou a amiga logo em seguida
— Tava pensando no Ichigo é?
— N-não! Não tava...
Tatsuki encarava a amiga por um tempo, um semblante sério no rosto
— O que você vê nele Orihime? – Perguntou – Ele é todo frio, o cabelo dele tem cor esquisita, ele é crianção, temperamental. Uma gatinha peituda como você poderia arranjar alguém bem melhor
— Claro que não! Ele é muito engraçado... só de imaginar aquela cara séria dele... – A face do jovem estudante passou por sua mente de várias formas, como um retrato passando pela máquina de um editor. Edições, estrelinhas, montagens que a fizeram ter que segurar uma risada alta
— Sério? – Respondeu com incredulidade
— Talvez ele não venha hoje – A terceira voz que se juntou a conversa, chamou a atenção das duas garotas, para o estudante sentado na carteira da frente, que tirava o fone de ouvido entre os cabelos negros penteados – Tô falando do Ichigo
— Kojima... – Soltou Orihime, distraída
— Como assim? – Tatsuki se perdeu apenas por um momento, antes de se lembrar – Ah é... você passa perto da casa dele...
— Sim. Eu passei lá mais cedo e tinha um buraco enorme na parede da frente... não sei do que se trata, mas...
— Foi um caminhão, que bateu contra a parede no meio da noite
O garoto tinha mais que 1,90. Sua pele morena, ossos da bochecha sobressaltados e lábios grossos com certeza o davam uma aparência mais intimidadora entre estudantes japoneses comuns, não o dando crédito só por sua altura e corpo musculoso, além das ataduras nos antebraços e em sua testa. Orihime se sobressaltou, tomando um susto com a chegada de Sado Yasutora, diferentemente de Kojima e Tatsuki, que simplesmente processaram o que ele havia dito. A notícia os pegou desprevenidos, e apenas o jovem estudante notou a gaiola que outro trazia nas costas, deixando ao lado de sua carteira
— Um caminhão?! – A estudante de cabelos curtos levantou-se na hora de seu assento, encarando o novo chegado – Como sabe disso Chad?
Atrás na sala, a porta se abria mais uma vez
— Eu passei lá antes de chegar – Respondeu – O pai dele disse que um caminhão invadiu no meio da noite e destruiu tudo
Os semblantes preocupados dos três outros criaram o silencio e o fortaleceram por um único instante. Porém Tatsuki não o queria
— Então ele tá machucado... ou... ou... mor-
— Eu não to morto – Disse ele, acertando com sua bolsa na nuca da amiga – Desculpe desapontar. E ninguém se feriu
— Kurosaki! – Soltou Orihime, notavelmente feliz e aliviada por vê-lo – B...bom dia!
— O...oi. Tá feliz como sempre, Inoue – Disse ele, desajeitado pelo jeito sorridente como ela o encarou
— Ah, então você veio. Tava ajudando nos reparos da casa? – Perguntou Kojima
— É, mais ou menos... Qual é a terceira aula?
— Estudos sociais
— Professor Ochisan? Pelo menos ele não deve me encher o saco por me atrasar – O estudante ruivo puxava sua cadeira, pronto para se sentar, ainda saboreando aquela sensação da noite anterior de detonar aquela besta, quando a voz ao seu lado se proclamou
— Então você é o Kurosaki? – E quando ele se virou, reconhecendo a voz, seu coração bateu tantas vezes mais rápido que ele não sabia se berrava ou se enfartava – Prazer em conhece-lo, meu nome é Rukia Kuchiki
A garota. A Shinigami de olhos púrpura, cabelos negros e pele branca. Sua aflição era tão grande, e tão transparente em seus olhos, que Ichigo teve sorte de nenhum deles além dela o encaravam, caso contrário, a explicação que Kojima Mizuiro dava sobre ela ser uma nova aluna se interromperia na hora e ele buscaria respostas sobre se eles já se conheciam. E mesmo tentando manter a compostura, ele não conseguia mencionar nenhuma palavra, mesmo quando ela o cumprimentou mais uma vez e pediu algo; era como sonhar, e acordar do sonho descobrindo que tudo aquilo era real. Ele sabia que era, mas mesmo assim, aquele momento foi como um soco no estômago. Após dizer algo, Rukia estendeu a mão, e em sua palma jazia escrito: ‘’Se disser qualquer coisa eu te mato’’
Mas ele não fazia ideia do que queria fazer. Não sabia se queria sair correndo dali imediatamente, se queria contar a todos só para contrariar o que ela havia mandado ou se simplesmente perguntava na cara dela o que queria. Mas quieto ele não conseguia ficar, e para o azar do jovem, Tatsuki também percebera, mas ela ainda não tentara nada. Ele ficou a aula inteira nervoso, com a Shinigami a seu lado agindo como uma aluna normal, mas com um jeito tão formal de falar que chegava a irritar. Na primeira oportunidade que teve, em que Orihime fora mandada para a mostrar o Colégio para a nova aluna, ele se virou para Chad, que se estendeu para ouvi-lo um milissegundo antes mesmo do ruivo agir, como se já soubesse o que ia ocorrer
— Eu te explico tudo assim que eu puder. Não se mete com a garota nova. Se eu fosse você, nem andava perto dela – Encarando por cima dos grandes ombros do meio mexicano, vendo a gaiola e o pássaro, ele se virou com um olhar cético – E qual foi a da cacatua?
— Te conto quando se explicar
— Justo
Mas no tempo em que voltara a aula, pouco antes do próximo intervalo, ele nem sequer sabia direito o que fazer. O que ela queria? Porque tava no mesmo colégio que ele? Aquela besta do outro dia não era sua missão? Então o que estaria ela fazendo, caçando outra? Quando o sinal tocou, Ichigo se esforçou o máximo possível para parecer cortês, sem nem ver a reação dos outros, chamando a nova estudante para conversar particularmente. Sem rodeios, ela simplesmente o seguiu, ambos saindo do prédio escolar sem dizer um pio um pro outro, até que chegaram a área de educação física e que estivessem cercados por apenas poeira e silêncio
— Para onde estamos indo – Desembuchou Rukia – Conduzindo-me para este ermo local... oque pretende fazer a minha pessoa?
— Me faz o favor de parar de falar assim?
— Que rude! Não é bom o suficiente para alguém que aprendeu em um único dia?
— Como se isso importasse! – Cortou ele, se virando — Explica, o que tá acontecendo? O que você tá fazendo aqui? Você já não cumpriu sua missão, não tem que voltar pro QG das Donas Mortes?
— Tolo! – Disse ela, cruzando os braços – Somente Shinigamis podem passar livres para a Sociedade das Almas. Justo agora, não sou capaz de ir...
E Ichigo pensou por um instante, processando tudo naquele exato momento. Não podia ser, podia? Não, era impossível que...
—... é porque perdi meus poderes de Shinigami! – Afirmou ela, terminando ali o pensamento do jovem. E como se já pressentisse isso e já se preparasse, ele puxava as mangas do blazer cinza do uniforme da Escola
— Mas eu já tô sem aquele quimono, nenhum sinal de poder aqui!
— É óbvio que não, pois não foi seu corpo que se tornou Shinigami, e sim sua alma – Contou ela, apontando para ele, mas não para ele. Como se para algo além – Ontem a noite, você tomou de mim praticamente todos os meus poderes, e com essa ínfima quantidade, fui até mesmo forçada a habitar neste Corpo Artificial...
O jovem nem sequer se preocupou a princípio, pois sua cabeça estava cheia. Cheia demais para que ele pudesse analisar qualquer coisa além do fato de que ela era real, que a noite anterior havia sido real... e mesmo sabendo desde o começo que era, ter a confirmação assim, fazia parecer ainda menos que havia sido um sonho. Mas ela ainda estava ansioso, ainda mais quando a noite anterior clareou tanto o caminho por seus sonhos
— E o que essa Shinigami sem poderes quer comigo? – Ichigo continha qualquer sentimento que estivesse sentindo. Não sabia o que queria, nem como eram as coisas depois dessa linha de Ceifeiros que destroem monstros
— Aí que está – E o estudante quase congelou quando ela estendeu a mão para ele, como se anunciasse a notícia de sua vida. Mal ela sabia o quanto isso mudaria todo o destino de tudo – Até que meus poderes retornem, tu ficarás encarregado de minhas tarefas de Shinigami!
E mesmo se contendo, ele não pôde impedir que arregalasse os olhos. Não sabia o que sentir naquele momento, mas a garota a sua frente continuou a explicação, o qual o som entrou por um ouvido e saiu por outro
— É óbvio, não é? Agora és tu quem detém os poderes de Shini...
Ele ainda possuía os poderes. E ele enfrentaria mais criaturas daquelas, iguais aquelas da noite anterior. Mais uma vez. Dilaceraria suas máscaras
— ...irei auxilia-lo em seus dever...
Assim como na noite anterior... o desespero que devorou o âmago de si quando viu suas irmãs e seu pai caídos, ensanguentados, à beira da morte... a vontade de se vingar o preenchendo, as forças sobrenaturais o enchendo e a lâmina gigante que nem sequer pesava
— ...não estás em posição de recusar, visto que...
— Eu aceito – Interrompeu Ichigo, para surpresa de Rukia, que se manteve estática por um momento
— Como disse? – Perguntou incrédula
— Ontem à noite, eu lutei pela minha família, e por isso encontrei forças pra encarar aquele demônio. Normalmente eu chutaria o balde e daria no pé, porque aqueles bichos... nem fodendo eu enfrentaria mais daqueles do jeito que eu tô agora...
— E qual é o seu ponto então?
— Eu tenho meus motivos, meus próprios motivos que você não precisa nem tem necessidade de saber. O que precisa saber, é que eu vou arregaçar mais dessas bestas, desde que eu ainda tenha a força de ontem – E ele realmente tinha. Ele tinha o mesmo pesadelo havia anos, e ele se repetia, se repetia e a passos lentíssimos e excruciantes. E naquela fatídica noite, o pesadelo se tornara mais lúcido que nunca, e mais do que nunca ele viu o que havia a sua volta. Mais que nunca, muita coisa fora revelada. Não era coincidência, e não podia ser. A sensação após matar a besta no dia anterior também fora uma recompensa, e por aquele curto momento, era como se peso nenhum restasse em seus ombros
Por um momento, Rukia permaneceu pensativa, mas logo que concordou com a cabeça, tirou do bolso uma luva vermelha, com um desenho de uma caveira em chamas nas costas da palma
— Certo então, eu pensei que seria mais complicado o convencer... – Disse ela, enquanto colocava a luva
— Eaí, o que vou ter que faze... – Num instante, quando Ichigo deixou-se levar pelo descuido, ela avançou, acertando o queixo do estudante com a palma da mão enluvada. O mundo girou conforme ele sentiu uma sensação de desconforto, caindo. Porém, algo estava de errado: ele via seu corpo, os cabelos ruivos alaranjados e o uniforme escolar cinza, como se fosse outra pessoa. Seu corpo caiu para frente, de cara ao piso de pedra, conforme o jovem percebia que vestia o mesmo quimono negro da noite anterior, preso pela mesma faixa branca, calçando as mesmas sandálias de palha a volta das meias. Como que por instinto, ele encarou Rukia, que já estava de costas para o jovem
— Siga-me
...
E conforme ambos deixavam a escola, deixando o corpo físico do garoto para trás, seguiram à passos rápidos, como se em pressa. No caminho, Rukia explicou em bons detalhes sobre o Corpo Artificial que usava: feito de matéria física, tão real e tão tocável quanto qualquer corpo de seus amigos e familiares; cada detalhe de sua Alma reproduzido em um Corpo Físico, como se sua reencarnação tivesse uma manifestação física
Quando um Shinigami fica fraco demais, à primeira oportunidade que tiver, ele deve imediatamente entrar em um Corpo Artificial, como um procedimento de segurança, descreveu ela para o estudante. Ele esconde a Pressão e Poder Espiritual, fazendo com que Hollows sejam ainda menos propensos a os atacar, vide que seriam alvos fáceis, e conforme o tempo passa, a Energia Espiritual se recompõe, e eles podem deixar o Corpo Artificial e se defenderem sozinhos. Enfraquecida como Rukia estava, essa era a única opção que existia...
E ela também o contara que não entendeu muito bem o porque dele ter tomado todo o poder dela. O processo era simples, tão simples quanto a realização de um feitiço, e o erro não havia sido dela... a Shinigami já havia teorizado que o grande Poder Espiritual do jovem havia atrapalhado o processo, mas apesar de ser a mais plausível das teorias, não deveria haver como aquele a quem está sendo transferido o poder interferir no controle daquele que transfere, nem no processo em si. Mas a raridade de um caso assim abafava a resolução para qualquer lado que fosse
Quando o ruivo reparou, eles já estavam parados fazia 5 minutos na entrada de um parque infantil da cidade, sem trocarem palavras a mais, apenas saboreando o que tinham e buscando entender. E depois que tudo havia sido processado, mais 15 minutos parado observando os brinquedos enquanto a garota não dizia para que tinham vindo
— Ei...
— Espere, acontecerá em breve... – Retrucou ela
— E o que vai acontecer? Estamos aqui há 20 minutos!
— Tem algum espírito que ronda esse parque? – A voz contida de Rukia contrastava com a falta de paciência do estudante
— Ah... pensando nisso, tem sim
— Qual é a aparência?
— É um moleque de uns 5 anos – Disse ele, ajoelhando-se para indicar a altura que ele lembrava de ter – Ele costuma brincar por aqui no começo da tarde
Ela estendeu ao jovem seu celular, onde na tela havia escrito:
‘’ Parque Infantil Yumizawa
20 metros
12:00
+- 15 minutos ‘’
— Um Hollow aparecerá aqui, e esse garotinho provavelmente é a presa... você está pronto para fechar o compromisso de ser um Shinigami?
— Não lembro de compromisso nenhum – Soltou ele – Só lembro deu dizer que acabaria com esses monstros
A Shinigami olhou para o garoto, estranhando-o
— Nosso trabalho é proteger as almas e liberta-las. Não apenas lutar
— E quando eu disse que eu ligo? Eu tô fazendo isso porque vou ter a oportunidade de matar essas porcarias. Eu já libertava almas antes mesmo de você aparecer, e nunca me recompensaram por isso – O olhar do ruivo era vazio, falando sério com a garota ao seu lado, parecendo ignorar o semblante que se irritava
— Quando disse que liga?
E assim que a Shinigami recomeçou, o grito de pavor se estendeu por muito além do parque, praticamente puxando o corpo do jovem para além das grades. Uma besta aracnídea perseguia o garotinho com seus 3 pares de perna, sempre deixando-o à sua cola, à sua sombra. A criança chorava enquanto corria mais que suas pernas aguentavam. Em seus olhos, o medo, desespero igual ao de Yuzu na noite anterior.
Ichigo nem sequer olhou para a Shinigami ao seu lado. Nem sequer parou para considerar ao realizar um único salto por cima da cerca, com movimentos sobrenaturais, aterrissando com poeira às sandálias. Em um único movimento, ele apertou o cabo da katana gigantesca as suas costas e a desceu num golpe fulminante
— Quem é vo...
A criatura mal teve tempo de perguntar, com aquela voz retorcida como uma besta do abismo, ao ter uma de suas pernas dianteiras partidas pela lâmina. O rugido de dor seguiu o sangue jorrando, e o ruivo aproveitou o momento de incapacitação, pegando o garoto pelo tronco e o trazendo para longe, perto de Rukia. Porém, a jovem segurou seu braço antes dele voltar ao combate
— O que está fazendo salvando esse garoto? – Perguntou ela – Você não disse que só está nisso para matar? Se é assim, então tire-o daqui, deixe o Hollow o devorar, e eu tenho certeza que a sensação de elimina-lo será muito melhor...
Ichigo arregalou os olhos, travando no lugar onde estava. A sensação de elimina-lo... como ela sabia que era por isso? Como que ela fazia ideia?
— ...o trabalho de um Shinigami é de tratar todas as almas igualmente, salvando-as. Você não é um Shinigami de verdade, sequer tem vontade de salva-las? Para ser um Ceifeiro, você deve dar sua vida para salva-las, e não querer experimentar a vida matando!
E ali, o jovem parou. Nem sequer para pensar, pois a memória foi puxada no exato momento que as palavras foram captadas; Rukia, no dia anterior, se entregando por ele e sua família, se arriscando para que eles não se ferindo mais do que já haviam. Lutando com todas as suas forças, dando sua vida e seus poderes para que eles ficassem bem. Foi aí que ele se lembrou
O Hollow, no entanto, não queria o dar aquele tempo. Assim que largou o garoto, Ichigo já estava com uma sombra pairando sobre ele, e ao arregalar os olhos, ele girou
Velocidade sobrenatural. Além de tudo que ele já sentira. Tanto dele, quanto da besta; girando, ele vira a pata dianteira que sobrou da besta se aproximar conforme ele estocava com sua espada. A máscara branca da besta aracnídea se amassando sobre o peso da lâmina, que atravessou a cabeça e perfurou corpo adentro graças a anatomia da criatura. O Hollow não teve tempo, nem meios de gritar com a boca dilacerada, enquanto o garoto apertava o cabo com ambas as mãos e puxava sua Katana para cima, vendo o corpo da besta ser talhado da cabeça e barriga ao subir da lâmina. Sangue jorrou apenas por um instante antes da besta começar a desparecer, desvanecendo como partículas no ar
— Você aceitou então?
De costas, o ruivo fincou sua lâmina no chão, berrando ao virar-se
— É claro que não, eu não aceitei droga nenhuma! Eu já disse, eu tenho meus próprios motivos pra fazer isso, e quer saber? Eu não sou um lixo que consegue viver uma vida boa sem pagar as suas dívidas! Ontem à noite, até parece que você tava pensando nessas coisas complicadas de se sacrificar! Isso nem sequer seria se sacrificar...
Num balançar da espada, todo o sangue restante que banhava a lâmina se libertou, sumindo ao vento, conforme Ichigo levava a espada as costas e a embainhava
— ...pelo menos, eu sou diferente... Eu tenho meus próprios motivos pra realizar isso, mas... – O ruivo encarou-a uma última vez, estendendo sua mão – Eu devo a você muito, e independente de quais sejam meus motivos, eu vou te ajudar a fazer esse trabalho de Shinigami!
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