Blank Pages
13 #13
– Você já que percebeu que desde que eu venho te visitar, só ficamos nesse quarto? — Blaine perguntou, sentado à beira da cama, acariciando a mão do namorado.
– Mas agora temos que ficar com a porta aberta. — Gargalhou Kurt lembrando da regra que seu pai o pusera.
– Tudo bem... Vamos resolver isso. — Blaine se levantou.
– Aonde você vai? — Kurt parecia um pouco assustado. Até que sentiu seu braço ser puxado, e teve que se levantar. Blaine, agora que tinha seu namorado frente-a-frente, não perdeu a oportunidade de tomar aqueles lábios num pequeno e breve selinho.
– Não vou a lugar nenhum... Sozinho. — Sorria, e Kurt ficou com mais medo ainda. — Você confia em mim, certo?
– A-acho que sim.
O médico pegou as duas mãos de Kurt e o guiou até algum lugar. Kurt não tinha o mesmo medo de antes, ou pelo menos, não até Blaine contar aonde estava o levando.
– Uma coisa de cada vez; hoje você vai descer as escadas. Sozinho. — Disse orgulhoso de si mesmo.
– O quê?! Você só pode estar brincando. — O adolescente cruzou os braços, em forma de protesto.
– E aqui vamos nós... Eu não via esse Kurt mal-humorado desde seus primeiros dias no hospital...
Kurt continuava de braços cruzados, lutando para continuar bravo (coisa difícil, já que só de pensar em seu namorado já sorria).
– É bom se acostumar, porque ele voltou. — Virou o rosto, fechando os olhos.
– Mesmo? — Blaine subiu o degrau que havia descido, ficando frente a frente com o castanho. — ...E será que ele melhora se eu fizer isso?
Os lábios se selaram e a língua de Blaine pedia passagem pela boca do castanho. "Céus, vai ser muito difícil arrancar coisas dele desse jeito..." Kurt pensou, assim que começou a corresponder o beijo.
– Confia em mim agora? Vamos descer esses degraus? — Kurt continuava com seus braços cruzados. — Por favor...
– Como você consegue fazer isso? Eu me rendo!
– Tudo bem! — Blaine tinha um sorriso enorme no rosto, e Kurt podia sentir isso.
O castanho levou suas pontas dos dedos até o rosto de Blaine, tentando imaginar como era seu namorado sorrindo, e enquanto tentava imaginar aquele homem em sua frente, já tinha os lábios tomados em um beijo casto.
– Modos, garotos. — Burt passou ao lado dos dois rapazes, descendo a escada sem se importar com a cena. Kurt corou levemente.
– Tudo bem, agora vamos. — Blaine desceu até metade da escada, aonde se preveniu caso acontecesse algum acidente.
– O que eu não faço pra manter esse namoro? — Brincou Kurt, colocando a mão no corrimão se aproximando com passos pequenos.
– Como se você tivesse mantendo ele por muito tempo...
– Hey, a pressão é maior pra cima de mim, ok? — Os dois gargalhavam agora na escada.
– Deu de gracinhas. Eu sei que você está fazendo isso só pra me desconcentrar!
– Droga. — Sussurrou Kurt, fazendo Blaine sorrir. — Ok, lá vamos nós...
Kurt colocou seu pé um pouco pra frente, sentindo o degrau. Com cuidado, conseguiu avançar com uma perna. Assim que foi colocar a outra no primeiro degrau, acabou esbarrando as duas e caindo (nos braços de Blaine, que estava ali esperando por esse tipo de acidente).
– É por esse e outros motivos pelo qual eu gosto de ficar no meu quarto... — Kurt falava decepcionado consigo mesmo, sendo colocado em pé novamente com a ajuda do namorado.
– Ei, ei! — Blaine alcançou o queixo do namorado. — Você estava indo super bem. Vai deixar que um erro te impeça de tentar novamente?
– Você faz as coisas parecerem tão dramáticas... — Kurt revirou os olhos, fazendo Blaine sorrir.
– Ok, vamos continuar. — Aproveitou a mão no queijo e roubou um selinho. — ...E você fica com a vantagem que caindo chegou na metade da escada e como sou bonzinho não vou fazer você subir.
– Ah, nossa, obrigado por isso. Nossa, agora sim. — Kurt ironizou, fazendo Blaine sorrir. O castanho repetiu o ato e desceu um degrau com o primeiro pé. — E lá vamos nós... — Ao tentar colocar o outro, teve sucesso, diferente da última vez.
– Isso, o primeiro degrau. — Disse Blaine, descendo um também. Kurt respirou fundo de desceu mais um. Em pouco tempo, no pé da escada também estavam Burt, Carole e Rachel, torcendo pela recuperação de Kurt.
– Tem mais? — Perguntou, sorrindo.
– Só mais um. — Disse Burt, entusiasmado.
Os pés de Kurt tremiam, mas isso não significava que ele teria que desistir. Lentamente, colocou seu pé no ultimo degrau. Lentamente passou o outro, e conseguiu.
Podia parecer de mínima importância, porém todos foram até Kurt e o abraçaram. Blaine ficou de fora do abraço, vendo aquele gesto lindo. Lembrou-se de quando ensinara Katie a descer as escadas sozinha.
– Blaine? — Perguntou Kurt, saindo do abraço da família.
– Aqui. — Segurou as mãos do namorado.
– Obrigado.
Se abraçaram.
– Que bom que Kurt está aqui em baixo. Vou terminar o almoço. Rachel? — Carole disse, seguindo até a cozinha. Rachel a acompanhou.
Burt subiu as escadas, certamente indo até seu quarto tomar um banho e tirar toda a graxa do corpo. Kurt e Blaine seguiram até a sala, esperando a comida sair.
Ambos estavam abraçados, assistindo (ouvindo) a programação. Conversaram um tempo sobre o filme que passava na tv.
– A falta de enredo é totalmente perceptív- — Kurt o interrompeu.
– Blaine, tem uma coisa que eu queria te perguntar. — Falou rapidamente.
– Pode me perguntar, Kurtie. — Blaine segurou as mãos de Kurt, que tentou ignorar seus batimentos cardíacos por causa do apelido.
– ...Você já teve algum namorado? — Perguntou, corando.
– Você não precisa corar... — Blaine gargalhava baixo, fazendo Kurt ficar mais vermelho ainda. — Mas sim, já tive alguns namorados... Isso te incomoda?
– Não, não... — Kurt não virava para Blaine. Podia jurar que havia um enorme sorriso no rosto do namorado, e um enorme rubor vermelho em seu próprio. — Qual foi seu último?
– Carl Johnson. Ele trabalhava no hospital, mas se mudou. — Blaine não tirava os olhos de Kurt. Tão ingênuo, tão ciumento... Tão dele.
– Hm. E vocês terminaram?
– Não, ainda estamos juntos. — Kurt deixou soltar uma risada forte, porém se recompôs. — Terminamos faz um bom tempo. Ambos saíram felizes.
– Então sem ex-namorados possessivos querendo fazer de tudo pra voltar? — Kurt sorriu.
– Não. Isso aqui não é uma novela, Kurt.
– Não custa checar... — Kurt sorriu, se apertando no abraço do namorado. Não havia dúvida que eles haviam sido feitos para ficarem juntos.
Fale com o autor