Blam?
21 À Beira do Abismo - Parte 2
O motor do carro de Sam não estava desligado há tanto tempo, mas já estava frio. Atestamos isso na prática, quando descobrimos que já não nos causaria nenhuma queimadura sentar no capô. Sam tomou a iniciativa e pediu que eu me sentasse ao meu lado, e, por mais desconfortável que eu pudesse estar com tudo aquilo, principalmente com a obrigação de ter que lidar com algo imprevisível, eu me sentei e o fiz porque isso prometia ser divertido. Aliás, era divertido sentar no capô de um carro alto à beira de um abismo que poderia ser o topo do mundo – ou, pelo menos, o topo de Portland. A sensação de grandiosidade era devastadora de uma maneira ótima.
Dali, daquela pequena clareira, uma apêndice de uma estrada que não parecia ser usada por muitos motoristas, tinha-se uma vista da cidade que não podia ser imaginada por alguém que não a conhecesse. Surpreendeu-me que Portland parecesse tão urbana sob aquela perspectiva, com direito a prédios, bairros, diversas casas e até rios, cuja distância entre uma margem e outra era possível percorrer através de pontes que não eram muito diferentes das que havia em Nova Iorque. Mesmo assim, a cidade era notavelmente menor; mesmo daquela altura, eu acho que jamais conseguiria ver Nova Iorque por inteiro. Os prédios, muito maiores do que aquelas torres que despontavam por entre casas menores, não deixariam a vista correr muito longe. Mas Portland tinha a sua beleza e ela era emocionante. É difícil imaginar a imensidão de um lugar quando se está tão próximo dele; de longe, Portland se mostrava a mim como um mundo a ser explorado.
Até senti um pouco de raiva de Sam por ele não ter me mostrado mais daqueles lugares, mesmo depois de tantos dias de estadia.
— Por que não me disse que Portland era tão grande? – perguntei.
— E eu precisava? Qualquer pesquisa no Google te diria isso.
— Você entendeu o que eu quis dizer...
— Tudo bem que o Maine não é o estado mais urbano que você vai conhecer, principalmente quando comparado à Nova Iorque e todas aquelas luzes, mas somos uma cidade e o tempo também passou para nós – ele disse, divertindo-se.
— Não quis dizer que são antiquados...
— Eu entendi o que quis dizer, não esquenta. Já aprendemos a lidar com turistas que acreditam que vão encontrar vilarejos pequenos e pouco povoados quando vêm ao Maine. Isso tudo é culpa do...
— Stephen King.
— É. Bangor é mais parecida com o que ele descreve.
Talvez fosse o vento o culpado pelo rápido esfriamento do motor, porque, ali, era quase possível acreditar que estávamos prestes a enfrentar um furacão. O vento vinha de vários lados, não permitindo que soubéssemos ao certo em que parte nos acertaria no segundo seguinte.
Sam saltou do capô e abriu a porta do carro. Retirou de lá nosso almoço frio e entregou a mim o meu saco de papel pardo.
— Pra que adiar isso, não é mesmo? – justificou.
Em outra ocasião, eu teria comido com nojo aquele cheeseburguer frio, com aspecto de amanhecido, a carne dura e o pão já seco, mas não ali, não no topo de Portland. Era a atmosfera, o clima, o cenário, a paisagem. Ou talvez a fome. Devorei o meu primeiro cheeseburguer com pouquíssimas abocanhadas, o que, no estado em que eu me encontrava, tão avoado, me fez perguntar se eu realmente comera o lanche ou se só imaginara que o fizera. Graças a Deus Sam pedira mais um para mim.
— Sabe de uma coisa, Sam? – comecei a dizer. A sensação de saciedade me deixava mais positivo e animado. – Eu não fazia ideia do que iria fazer quando você me chamou para sair hoje. Se não tivesse aceitado seu convite, acho que eu iria para casa e assistiria algo no Netflix. Mas sabe o que é mais engraçado? Mesmo quando aceitei sair com você, eu ainda não fazia ideia do que estávamos prestes a fazer. Aceitei seu convite com relutância, e você deve ter percebido isso. Mas não me arrependo. É aqui que eu gostaria de estar agora.
Sam assentiu com a cabeça de um jeito bastante comum, típico de alguém que entendeu cada uma das palavras que ouviu e assimilou a ideia transmitida. Mesmo assim, acabou abaixando a cabeça como que para contemplar a metade de um lanche que ainda havia na sua mão.
— É difícil mesmo, isso de aceitar fazer parte de algo sem saber no que ele vai dar. Sem conhecer suas consequências.
Aquela resposta era pertinente e condizia com a conversa que eu iniciara, mas, mesmo assim, estava claro para mim que ele não estava falando exatamente sobre o que eu falava.
— Sobre o que está falando, Sam?
— Eu não fazia ideia do que ia encontrar quando a Angelina disse que iríamos abrigar o filho de uma amiga dela, e tampouco conseguia imaginar que consequências isso teria.
Então era isso.
— Isso não é tão incomum – eu assegurei, como que para aliviar a tensão da conversa. – Acontece bastante em Nova Iorque. Talvez as visitas não durem tantos dias... Isso é mais comum quando intercambistas vêm para a cidade. Brasileiros que vêm para estudar inglês e essas coisas, sabe?
— Não é disso que estou falando.
— Eu sei que não é...
— Eu nunca achei que fosse me apaixonar por você, Blaine.
Se eu estivesse em pé, acho que minhas pernas teriam fraquejado e agora eu estaria sentado na poeira daquele chão. Como eu me levantaria, se é que eu me levantaria? Eu não faço a menor ideia. Talvez quando o choque do que eu acabara de ouvir tivesse passado. Mas se eu esperasse por isso, talvez não conseguisse me levantar jamais.
— Isso foi tão direto ao ponto – acabei por dizer e engoli em seco.
Eu estava chocado, e por isso meus olhos estavam arregalados. E eu não era do tipo que ria de nervosismo com frequência; se eu ficava nervoso, minha pele perdia o tom e minha boca ficava semiaberta, como que preparada para responder qualquer coisa que eu ouvisse. Essa mesma expressão, contudo, era usada para os choques causados por notícias ruins ou boas, e, naquela ocasião, no topo de Portland, eu estava chocado por uma excelente razão.
Mas Sam não entendeu assim.
— Eu sabia que não deveria ter dito isso... – foi o que ele disse, e, por alguma razão, jogou longe o que restava do seu lanche e pulou do capô, caminhando em direção à...
Em direção à estrada?
— O que você pensa que está fazendo?! – eu perguntei num tom autoritário que provavelmente não contribuiu com nada. Àquela altura, eu já estava em pé e bem distante do capô do carro. Meu corpo tremia com adrenalina.
Sam parou no lugar, já no meio da estrada. Estávamos em um ponto da rota que era só curvas, então qualquer carro desavisado certamente não teria tempo para evitar Sam, se surgisse após a curva no horizonte.
— E-eu não sei ao certo – ele disse e se voltou para mim. – Eu só sei o que eu não deveria ter feito.
Eu abri a boca para gritar uma ordem, que consistia em basicamente pedir que ele saísse, de uma vez POR TODAS, do meio da estrada, e eu o faria com indignação e pressa. Mais uma vez, esse meu semblante deve ter passado uma mensagem errada a Sam, que continuou onde estava e voltou a falar:
— Você tinha razão, eu não sei o que é me apaixonar e não sei o que é amar alguém – ele disse, assumindo uma postura de derrota que, no contexto em que ele se encontrava, o fazia parecer um suicida. – Eu não sei ser amado e não posso ser amado. Isso explica por que você me disse tantas vezes que me ama; no final das contas, você sabia que isso não iria resultar em nada. Ou pelo menos assim esperava...
— Sam, mas que porra você está faland...?
— Mas o que eu sinto, seja lá o que for – e quando disse isso ele espalmou a mão no peito, inconscientemente apontando o lugar em que sentia as coisas – não começou hoje, não começou ontem e nem na semana passada, isso começou na primeira vez que te vi. Não sei se é paixão, não sei se é amor. Nem sei se é possível admirar alguém só por vê-lo uma vez. Não sei se é possível se apaixonar por alguém cuja realidade é tão diferente da sua. Eu não sabia nem se era possível que eu, eu— ele repetiu, batendo várias vezes no próprio peito –, poderia me apaixonar por um cara! Isso tudo é tão confuso...
— Sam, por favor...
—... mas, ao mesmo tempo, é tão esclarecedor. Quer dizer, uau!, estamos aqui, no topo, acima de todo mundo, acima de qualquer pessoa que eu conheça, acima da minha família, acima dos meus amigos, acima da minha escola e acima da minha casa, acima de todos os lugares que eu já frequentei nessa cidade, e falar sobre essas coisas parece tão libertador! É como jogar todo um mundo de peso das minhas costas a cada nova palavra, e esse vento, sim, esse vento, ele é forte o bastante para levar todo esse peso para bem longe, Blaine, você consegue sentir isso? É aqui e agora que eu vejo melhor. É aqui e agora que todos os meus pensamentos fazem mais sentido. É aqui e agora que eu vejo que...
Ele parou. Sustentou seu olhar em mim com uma força admirável e de um jeito que não mais se fazia em tempos modernos, ainda mais entre os jovens. Com celulares nas mãos, nem mesmo amigos de infância costumavam se encarar enquanto conversavam, e naquela ocasião Sam não só me notava, ele me percebia. Essa forma de me olhar foi o que tirou de mim a coragem de falar qualquer coisa. Até o vento deu uma trégua, como se apenas aguardasse o melhor momento de voltar a nos envolver sem que o clima fosse quebrado.
Aliás, que clima era aquele, afinal?
— O que você vê, Sam? – perguntei num tom mais brando.
Ele engoliu em seco antes de voltar a falar, como se ainda lhe fosse um desafio responder perguntas tão pessoais.
— Eu vejo que estive perdendo tempo. – Riu antes de continuar: – E sabe o que é mais irônico? Não é a primeira vez que isso acontece. Eu sempre perco tempo. Porque sou confuso. Porque sou burro, não sei ao certo. Às vezes, porque tenho medo. Quer dizer, Blaine, não seria o mundo perfeito se a pessoa por quem você está apaixonado também estivesse apaixonada por você? Não seria um mundo perfeito se você estivesse apaixonado por mim também? – Como se eu lhe tivesse dito algo, ele respondeu: – Mas como seria, então? Quer dizer, você iria desistir da sua vida para viver a minha? Ou será que eu teria que desistir da minha para viver a sua? – Sacudiu a cabeça em negativa. – Eu jamais faria isso.
Talvez essa tenha sido a coisa mais egoísta que ele disse naquela tarde.
— Mas não por que eu não quero fazer parte da sua vida – ele disse, assumindo um tom honesto e tocante. – Eu sou complicado. Você mesmo me disse que eu nunca sei o que quero, e não é fácil de lidar com isso. E se não é fácil para mim, imagina como seria para você. Seria ainda pior. Eu poderia estragar a sua vida. Eu poderia ser o peso que o impediria de ir mais longe, de voar às alturas que você pretende alcançar...
— Eu preciso que você cale a boca por um instante – demandei com uma voz dura, que não abria espaço para que Sam contestasse. E antes que o clima ficasse pior do que já estava, retomei a fala: – Não vou mentir: você é burro e é confuso, sim, mas isso só acontece porque você é melhor com atitudes do que com palavras. Será que nunca percebeu isso? Nos primeiros dias em que convivi com você, você mal falava. Mesmo assim, você sempre me ajudou, sempre me tratou bem e sempre me fez sentir especial. Você é péssimo com palavras, por Deus!, e isso é tão claro que até a sua caligrafia é horrível! – E dizer isso me fez lembrar que eu ainda tinha o bilhete que ele me enviara naquela semana, o que me convidava para um jogo de cartas na sua casa. – Eu poderia passar horas e horas aqui descrevendo o quão bom com atitudes você é e mencionar cada uma das vezes que você roubou um beijo ou quando tocou o meu corpo quando essas eram as coisas que eu mais desejava, mas não preciso ir tão atrás na memória para encontrar um bom exemplo. Tomamos banho hoje cedo – eu disse e sorri, porque a lembrança ainda era muito agradável para mim. – Você falou muito pouco e não fizemos nada que nossos pais não quereriam que fizéssemos. Foi um banho inocente, de dois corpos juntos, apenas isso. Mas você me amou ali. Talvez não saiba disso, mas me amou, e eu o amei ainda mais. Você é ótimo com as palavras não ditas, e seu olhar diz tantas às vezes que...
— Blaine... – Sam começou a dizer, embora o tom usado tivesse me levado a crer que ele não tinha muito o que dizer depois disso. Mesmo assim, eu o interrompi.
— Você diz que tem medo de ser um peso na minha vida, algo que me impediria de ir mais alto, mas olha onde estamos! – eu disse e fiz um gesto abrangente, que apontava todas as direções e, principalmente, a paisagem além do abismo. – Eu jamais viria aqui sozinho. Aliás, digo até que jamais conseguiria vir aqui sozinho. Foi você que me trouxe.
— Porque eu tinha coisas para falar, e, como sempre, acabei estragando tudo. – Agora falava num tom choroso que me preocupou. – Mas também, como poderia eu ter dito algo decente? Tomei a decisão de te trazer aqui hoje na madrugada, enquanto te observava dormir, e não planejei as coisas muito bem. Não sei planejar, só sei fazer, mas você é alguém que... – Ele teve que buscar o que queria dizer na mente: – Você é alguém que eu tenho medo de nunca conseguir agradar. Estar com você faz com que eu meça os meus passos, a intensidade dos meus gestos e as palavras que escolho. Acho que é paixão, mas...
— Pode ser amor – eu completei e toquei seu rosto com a mão. Tão compenetrado que eu estava no que ouvia, não percebi que eu me aproximava de Sam a cada instante.
— Mas... E tudo aquilo que você me disse aquele dia?
— Eu não desminto. Você não sabe ser amado, e todo esse instante de confusão que você está passando agora só comprova isso. Você queria fazer algo romântico comigo e achou que seria uma boa ideia vir até aqui. Me contou histórias da sua infância e me levou para um passeio com sanduíches do Mc Donald’s, esperando que tudo isso falasse o que você queria falar. E falou. Você sabe amar, Sam, e não à toa não abandonou sua mãe, mesmo com os problemas que ela tem. E me ama também, senão não teria feito os sacrifícios que fez na frente dos seus amigos e até distante deles. Você não é o robô fazedor de sexo que eu imaginava – eu disse e ri. – Você é só o cara por quem eu sempre estive apaixonado também.
Eu ainda tinha muito mais para dizer. Queria mencionar como aquele novo tempo em Portland tinha sido tão diferente do anterior. Queria enumerar todas as vezes em que Sam fora melhor com atitudes do que com palavras e lhe explicar como era frustrante, até para ele, não saber se expressar em alguns momentos. Mencionar o beijo que ele roubou de mim na parte de trás da minha nova casa, quando voltamos a os encontrar. O momento em que ele começou a chorar quando eu disse que o amava no carro, após o beijo com sabor de Milky Way, um reflexo de pura frustração por não saber o que dizer. Quando me chamou para dançar no casamento do amigo. Quando me beijou na frente daqueles que ele dizia serem seus amigos. O cuidado que tivera em me escrever um bilhete, para ter certeza de que eu não me esqueceria de um convite. Todas as vezes em que me oferecera carona só para me ter por perto.
Mas ali, com a minha mão em seu rosto, eu o assisti começar a chorar de novo, o que me deixou claro que ele já ouvira o bastante – ou melhor, que já ouvira o que precisava ouvir. Entendera toda e cada palavra e as compreendera. Novamente, não sabia o que dizer, mas eu saberia lidar com isso novamente, se aquele encontro no topo de Portland fosse um convite para que eu fizesse parte da vida dele pelo tempo que o que sentíamos durasse. Essa era só uma das partes da personalidade do cara que eu amava, um detalhe que, junto com vários outros, construía o que ele era.
E eu amava cada parte dele.
Mas foi o beijo que ele prontamente colou em meus lábios naquele instante que me disse que esse amor era recíproco e que ele amava cada parte de mim também.
Quando nossas línguas se desgrudaram, mas nossas testas se mantiveram coladas e nossas mãos, unidas, Sam perguntou:
— E agora, o que a gente faz?
Eu não fazia ideia. Não sei se eu conseguiria lidar com um namoro a distância, principalmente quando ele ainda estava em seu início – até porque eu não queria me distanciar de Sam tão cedo. Fazer essa firmação, no entanto, trazia sua cota de implicâncias: isso queria dizer que eu me mudaria para o Maine, então? Que deixaria todas as facilidades de Nova Iorque para trás por causa de um amor? Parecia um motivo legítimo, mas e minha família, que eu igualmente amava? Eles sentiriam falta de mim. Mesmo assim, eu estava prestes a me tornar um adulto, e minha saída de casa para um lugar que fosse ou não em Nova Iorque, mas que fosse meu para que eu pudesse crescer, amadurecer e seguir com a minha vida, logo seria inevitável. Seria o Maine um bom lugar para isso, então?
Eu não sei.
Daquele ponto de Portland, à beira do abismo, eu tinha a vista de uma cidade que não só oferecia centenas de caminhos para percorrer e milhares de pessoas para acontecer, mas também promessas de oportunidades para eu agarrar. Os rumos que a minha história poderia tomar por ali, assim como a de Sam, eram muitos e imprevisíveis. É impossível prever o que o futuro nos reserva, mas nós podemos ajudá-lo a tocar a música que desejamos se fizermos um bom plano para isso.
A melhor prova disso era que a pessoa que Sam agora tinha nos braços era eu.
Quando fizera aquela pergunta, Sam não esperava nenhum tipo de resposta específica, e nem poderia, quando nossas emoções estavam tão visivelmente à flor da pele. Quando perguntou o que faríamos a seguir, talvez quisesse só saber para onde iríamos, agora que a tarde quase virava noite, mas também havia a possibilidade de ele esperar uma resposta mais ampla, que definisse o rumo de nossas vidas agora que éramos um só. Fossem quais fossem as dúvidas que sua pergunta guardava, eu não tinha resposta para sanar nenhuma delas. Mas uma coisa era certa:
— A gente pode começar saindo do meio da estrada – sussurrei para ele. – É perigoso ficar aqui.
E foi com os corpos voltados na direção daquele abismo, que nos permitia ver Portland como um todo, que demos nosso primeiro passo juntos de mãos dadas e como um casal. Ali, eu poderia até estimar quantos passos mais ainda daríamos juntos depois daquele dia, mas provavelmente seria uma estimativa errada. Viver e conviver com Sam sempre fora uma experiência de fins e acontecimentos imprevisíveis, e eu suspeitava que isso era o que havia de mais fascinante em poder estar com ele. Era emocionante!
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