Bladian Soul
4 Capítulo 04 - Os Mais Fortes
— Afinal, como diabos você conseguiu convencer 50 pessoas a lutarem com a gente? Aposto que a maioria não pratica faz tempo. – Nakaido olhou com suspeitas para Orihime que sorria ironicamente com os olhos fechados.
— Ara, eu apenas disse que se perdêssemos, pagaríamos um jantar pra todos ali. – Ao ouvir isso, todos nós exceto Lyn ficamos sem resposta e surpreendidos com a insanidade da menina.
— Ei ei ei ei! Eu sei que somos mais fortes e tal, mas contra 50, não acha que é um exagero isso? Estão pensando que eu sou um magnata ou o quê? – Disse isso enquanto havíamos chegado no local combinado, um campo aberto perto do rio que cortava a cidade, uma área onde o vento circulava suavemente e não havia ninguém transitando, todos carregávamos nossas bladians.
— Você não vai se tornar o melhor lutador do mundo? É o que sempre diz por aí, se for isso, vai ser rico e não precisa se preocupar, agora para de chorar! – Lyn parecia irritada, mas não que isso fosse novidade.
— Que merda é aquela? Isso é um desfile escolar ou algo do tipo? – Hiro olhou para o horizonte, e quando percebi, um bando de pessoas andavam em nossa direção de ambas as direções, todas trazendo suas bladians.
— Hum, fomos chamados aqui pra derrotar só cinco a troco de um jantar no Kamikaze? Ei Narita maldito, vamos nós 10 acabar com eles logo e dar o fora daqui. – O homem que estava falando era Hiku Seishou, level 37, junto dele estavam uma famosa gangue de motociclistas que haviam parado com Kendoushi desde que a ‘massa’ também parou de praticar, olhar para seus rostos me dava nojo, tamanha deprimência por desrespeitar um esporte tão louvável, apenas praticavam por modinha e para aparecerem para as garotas, a maioria ali era assim.
— Calado, não vim até aqui pra ficar assistindo, nós vamos dar um pau nesses pretensiosos, chamando 500 pessoas pra lutarem de uma vez? Isso já é zombar da gente. – A garota de cabelos azuis que falava em tom de deboche era Karin, level 38, umas das melhores da cidade do dojo de karatê, havia outras 12 pessoas em seu grupo.
— Uns nerds otakus que ainda praticam isso? O que vocês querem? Estão entediados? – Um garoto de cabelos longos brancos se meteu na frente de Karin, seu nome era Miroshi, um delinquente conhecido na cidade que tinha tudo que queria por consequência do seu pai ser um rico empresário, ele havia bancado bladians de alta qualidade para todos os seus amigos, que somavam pelo menos quinze.
— Ei, não olhe pro Nakaido lixo e depois pra mim! – Lyn havia dito isso enquanto Nakaido ficava vermelho de raiva.
— Hahaha, pensei que pelo menos teria alguém novo por aqui, são só vocês, os renegados de Sapporo! – De longe, do alto de uma pedra, Satoshi Akagi ria com suas 5 garotas enquanto nos fitava com desprezo, antigamente ele era conhecido como o melhor da cidade, mas parou porque todos pararam de apostar dinheiro nas lutas, algo que eu achava repugnante também, mas ele só lutava por isso.
— Bla bla bla, vocês vieram aqui pra falar? Eu estou cansado de esperar, ei líder, posso limpar o local? – Hiro sacou sua Bladian sem hesitar, ele não era de perder tempo, assim como eu, e no momento, eu estava puto demais vendo todos aqueles lixos por ali, mas a razão pra eu lutar não era essa, aquilo era um aquecimento, Kendoushi não poderia ser praticado pra descontar a raiva ou frustração, ele era um esporte para acalmar a mente e o coração.
— Você é aquele cara que foi expulso do colégio Central, né? Hiro, o tal do mal criado que foi abandonado pelo pai quando pequeno, acha que pode fazer algo com essa bladian lixosa? — Satoshi começou a rir euforicamente, mas antes que ele percebesse, com um rápido salto em três passos, Hiro estava em sua frente.
— Hehehe, então todos sabem disso já? Bem, é uma cidade pequena, fazer o quê? Mas sabe do que todos vão saber também? – Naquele momento, as cinco garotas de Satoshi mais cinco de seus amigos sacaram suas bladians e cercaram Hiro.
— Hã? Do que está falando? – Satoshi se levantou e parecia ainda menosprezar Hiro, sem ao menos sacar sua bladian.
— Vão saber o quão humilhante foi sua derrota para um ‘renegado’ como eu. – Em um rápido movimento, Hiro havia golpeado o pescoço de Satoshi com sua bladian, o garoto havia cuspido sangue no chão enquanto se ajoelhava, as garotas do rapaz vieram pra cima de Hiro, mas ele, sem sair do lugar, acertou os joelhos de todas com sua técnica de troca de mãos, Hiro era um especialista duo, ele usava ambas as mãos para golpear, passava sua bladian de mão em mão e atingia todos os adversários sem eles saberem qual mão os golpearia, por último, os outros cinco amigos de Satoshi tentaram pegar Hiro pelas costas, mas o mesmo, em um único movimento se virando, trocou sua bladian de mão 10 vezes quebrando as bladians caras dos garotos que nem piscaram.
— Orihime, quais as regras você impôs nisso? – Perguntei enquanto vi Orihime sorrindo com a mão na frente de sua boca.
— A regra é clara, um golpe, está fora, e a bladian quebrada também é claro. – Hiro havia terminado, ele se sentou no chão com as pernas dobradas colocando sua bladian do seu lado.
— Eu pensei que ao menos iria me aquecer, porra! No final, vamos lutar nós cinco de novo. – Olhando com raiva a cena, a gangue dos motociclistas partiu para cima de Hiro, mas antes que os mesmos chegassem até o garoto, Orihime, sorrateiramente, já estava atrás dos mesmos.
— Maldita, como chegou até aqui? – Hiku ativou o modo névoa de sua bladian, ela era especializada em tipo sombrio, fazia uma espessa neblina quando ele apertava muito em seu cabo, fazendo isso, ele e outros quatro rapazes tentaram atingir Orihime sem dó, mas acertaram apenas o ar.
— Hiku, a menina não tava aqui? – Um dos lacaios se surpreendeu ao não ver nada em sua frente, mas o mesmo sentiu algo golpear suas costas e caiu desmaiado no chão.
— Mas eu estou! Hihi. – Orihime era conhecido como a cobra de Sapporo, sua técnica se baseava em se mover sorrateiramente e sem que ninguém perceba, ela dava os botes repentinamente em seus inimigos, sua bladian era do tipo silenciosa.
— Ora malditaaaaa! – Hiku e mais seis partiram pra cima de Orihime que se abaixando, se moveu em direção aos mesmos, ela havia golpeado o queixo de todos menos de Hiku, que foi o único a ficar em pé.
— Você pode ter seus truques, mas não pode prever onde todos vão atacar! – Mais cinco foram por trás de Orihime, mas antes dela ser pega, Lyn, com um único golpe, derrubou todos os cinco os fazendo voarem para trás.
— A princesa bruta, ora ora, não sabia que iria ter um show de horrores aqui hoje. – O homem que falava em minha frente era Narita, level 40, considerado um dos mais fortes que pararam no Japão.
— Q-quem está chamando de bruta? – Lyn fitou o rapaz com raiva, a mesma partiu em direção dele, ela, usando toda sua força, impulsionou seu corpo para acertar Narita com tudo, mas o mesmo bloqueou a bladian da menina com sua mão.
— Hm, pensando bem, você não é tão forte assim mesmo. – Antes que Narita pudesse desferir um golpe em Lyn, eu me coloquei em sua frente bloqueando sua bladian com dois de meus dedos.
— Seus golpes também não parecem nada fortes amigo.
— Lixos miseráveis! – Antes de perceber, uma horda com mais de 15 pessoas, todas de uma mesma escola, estavam indo pra cima de mim, mas Nakaido começou a pegar um por um vindo por trás dos mesmo, ele fazia um som coma boca do que parecia ser um ost de Fate Stay Night, seu estilo de luta era baseado em guerreiros medievais, ele segurava sua bladian com as duas mãos e ‘cortava’ os oponentes da cintura pra cima.
— EEEEEEEEEEEEEEXCALIBUUUUR! – Ele havia derrubado todos os quinze em menos de vinte segundos, mas realmente, estava passando vergonha demais.
— Cara, se mata logo! Você só faz nossa reputação cair ainda mais. – Lyn estava com um olhar assassino em seus olhos.
— Hm, interessante, vocês não pararam de treinar não é? – O homem que falava meio a pessoas caídas no chão era Narita, ele era o melhor da cidade, mas parou por motivos desconhecidos, antes que eu pudesse me preparar, o rapaz voou para cima de mim com um golpe certeiro em minha cabeça, mas consegui bloquear graças ao aviso que Lyn me deu, eu estava na frente daquele rapaz sádico de cabelos loiros e longos que sorria enquanto mal fazia força para me pressionar para trás, eu apenas deixei um suspiro escapar, ao menos havia alguém decente no meio daquela multidão.
— Pelo visto você também não, hein. – Desviando meu olhar do de Narita, deixei a bladian escorrer por minhas mãos e inclinar para o lado, com isso fui capaz de sair do alcance do rapaz que não hesitou em correr atrás de mim desferindo vários golpes de uma só vez, todos bloqueados enquanto eu também corria, parei e fui para ofensiva, dei dois golpes rápidos mas o homem que tinha por volta de 30 anos ficou parado, imóvel, ele usou uma das mãos e com sua bladian, golpeou a parte inferior da minha fazendo levar meus braços para cima, ele ia golpear meu peito, mas dei um mortal para trás com uma pirueta, em seguida, desferi 3 golpes em menos de 1 milésimo, fazendo sua bladian bambear em suas mãos, aproveitei a abertura para tentar acertar sua barriga, mas ele, parecendo um bailarino, fez um movimento sútil se inclinando para o chão, ele segurou novamente a bladian com suas duas mãos e mirou em minhas costas abertas, eu usei a técnica de Hiro, troquei a bladian de mão, jogando-a até o meu braço esquerdo que a pegou e bloqueou o golpe que iria ser bem no meio da minha coluna, eu consegui com ajuda do chão e impulsionando meus pés, erguer novamente os braços de Narita, que ao perceber isso, se jogou para trás, mas diferente da minha pirueta, ele caiu de joelhos, eu fui pra cima tentando finalizar, ele sorriu novamente e soltou sua bladian.
— Claro que parei, não treino a exatamente um ano e meio. Eu parei com isso. – Mentiroso, ele estava claramente mentindo, alguém com sua habilidade ainda treinava, aquela havia sido uma disputa difícil, felizmente não precisei usar minha técnica relâmpago para vencer, pensei que lidaria com mais pessoas, mas quando olhei para trás, vi que meus amigos já haviam limpado o território.
— O que diabos? Eu não lutei com ninguém! – Gritei enquanto Hiro tirava um cochilo deitado na crama, Orihime limpava sua bladian, Nakaido comia uma barra de cereal e Lyn ajudava umas garotas do colegial a se levantarem.
— Quem mandou você ir atrás do peixe maior? Hm! – Lyn olhou para mim enfezada, mas ela realmente parecia estar aproveitando aquele ‘treinamento’. Havíamos derrotado 47 pessoas em menos de 10 minutos, mas aquilo não podia servir de parâmetro, eram pessoas que abandonaram o kendoushi, aquilo, ao invés de me ajudar, havia me deixado triste, só de pensar que Sapporo era pra ter tantos praticantes... Eu olhei para a face de cada um ali, todos pareciam vazios por dentro, eles não viam motivos para praticar kendoushi, por outro lado, via meus companheiros sorrindo, não porque ganharam, mas porque eles gostavam disso, gostavam do que faziam, isso era o que ainda me mantinha motivado, eu disse que lutava por vingança e por minha irmã, mas a verdade é que eu luto porque esse é meu refúgio, kendoushi é tudo que me resta, eu nunca fui de ter amigos, era uma pessoa reclusa e que sofria bullying constante no ensino médio, quando comecei com o Kendoushi, as coisas começaram a mudar, as pessoas começaram a me respeitar, até aquele incidente acontecer. Eu com certeza era visto agora como o órfão que praticava kendoushi para esquecer de tudo, alguns me viam com nojo por eu praticar um esporte cujo qual havia matado meus pais, mas eu não via dessa maneira, era justamente para limpar essa imagem que eu lutava, meus pais foram assassinados assim como muitos outros são todos os dias, a diferença é que usaram uma bladian modificada, se eu fosse forte... se eu estivesse lá quando isso aconteceu, jamais deixaria algo assim ocorrer. Por isso mesmo que eu seja o único praticamente de kendoushi no mundo, eu não vou desistir.
— Vocês são fortes, espero que tragam boas lembranças da capital, quem sabe quando voltar, eu não possa me vingar desse dia. – Narita se levantou, e organizando seu grupo que estava bem irritado pela derrota, foi embora, assim como os outros, eu ouvia vários reclamando que havia sido perda de tempo, outros surpresos por terem perdido, Orihime se aproximou de mim um pouco desapontada.
— Desculpa, Shin-kun! Eu não sabia que seria tão fácil.
— Nah, esperar o que de pessoas que pararam com o kendoushi? Mas bem, isso serviu para nos aquecer, o Narita é mesmo alguma coisa.
— Aquele cara.. ele não estava lutando a sério. – Nakaido se aproximou, ele ainda não havia de acabado de comer sua barra de cereal, por acaso esse maldito era um hamster comendo uma semente de girassol.
— Você percebeu? – Eu disse enquanto via que o sol começava a se pôr completamente no horizonte alaranjado.
— O pior é que ele não estava mentindo, eu sou seu vizinho, ele não pratica a mais de um ano mesmo.
— Se o miserável fosse como você Shin, seria top 10 no Japão. – Hiro havia se levantado e estava indo em direção a sua casa.
— Não importa agora, nós somos uma equipe, vamos dar nosso melhor em Tóquio certo? – Eu disse isso mas todos ali não pareciam muito animados, nem mesmo Orihime que sabia fingir bem.
— Ora ora ora, que belo espetáculo tivemos aqui, eu diria que foi um pouco lamentável bater em cachorro morto, mas bem, aquele tal de Narita contra você foi interessante Shin. – Todos se viraram imediatamente ao ouvirem uma voz vindo da beira do rio que cruzava aquele campo verde, era um homem com aproximadamente 25 anos, careca, usando uma roupa de algum dojo, ele parecia mais um monge, mas carregava uma bladian em sua cintura.
— Hã? E você seria quem? Um monge que pratica kendoushi? – Lyn não media suas palavras mesmo, mas acho que era isso que todos pensavam no momento.
— Hahaha, essa piada é antiga, mas só por ser careca preciso ser um monge? Que maldade! – O homem parecia despreocupado, mas eu sentia nele uma aura bem anormal, apesar disso, ele não parecia forte.
— Como sabe meu nome? – Perguntei o encarando seriamente.
— Shin, você é famoso! Não sabe disso? Até foi convidado pra ir pra Tóquio, e bem, sabe, eu como pseudo monge estou aqui pra dar um conselho: Não vão pra lá. – Todos o olharam sem entender o que o rapaz queria dizer.
— Ara, como assim? Por que não devíamos? – Orihime sorria, mas pelo seu semblante, eu sabia dizer que ela estava nervosa com o que ele havia dito.
— Como eu disse, só um conselho! Não é muito melhor manter a soberania que vocês criaram aqui? Esses dias de paz e tal, vão por mim!
— Desculpa amigo, mas não precisamos do seu conselho, vamos pra aquela merda e voltaremos com Sapporo bem falada, se está com inveja porque não foi chamado, não posso fazer nada. – Hiro ficou olhando para o rapaz de cabeça erguida, ele já queria criar confusão, mas o homem, por outro lado, parecia bem calmo e complacente, não o conseguia ver como sendo alguém ruim.
— Calma amigo, não queria ir pra Tóquio não, soube que lá tem uns monstros insanos.
— Sim, a equipe de Tóquio é fodida, mas como você viu aqui, também somos. Então, vou pra casa. – Nakaido havia jogado o papel do seu cereal em uma lixeira que havia no local, todos deram as costas para o careca e fomos embora, não sei qual era a intenção dele com isso, mas eu não ligava para o que falassem, eu vou até lá e com certeza vou vencer.
— Ei Shin, eu esqueci a merda da minha pulseira que tirei lá, vou pegar, pode ir na frente! – Hiro voltou para o local do confronto, e lá, se deparou com o homem careca que estava sentado observando o rio descer.
— Ainda está aqui, é? – O rapaz se virou e com os olhos semi-abertos, sorriu para Hiro.
— Suponho que você não voltou aqui por nada, não é?
— Eu não sei quem é você, mas se quer confusão, vamos resolver agora. Se eu te vencer, você não aparece mais dizendo bobagens, certo? O Shin sempre quis lutar fora daqui, não estrague os sonhos de uma pessoa por ser um babaca. – Hiro sacou sua bladian e apontava para o homem careca que parecia não entender a atitude do garoto.
— Não sei porque temos que resolver isso em um duelo...
— Você não é a merda de um jogador? Então, vamos!
— Ora ora, não era pra eu fazer isso, mas como não tem ninguém vendo, eu vou abrir uma exceção, já que você teve a audácia de me chamar de babaca. – O homem careca colocou a mão direita próximo da bainha de sua bladian.
— Ficou nervosinho é? Sério, quando eu vencer, você não vai mais se aproximar da gente.
— Claro claro, eu nunca deixei de cumprir uma promessa de luta, aliás, se eu vencer, quero que faça algo também. – Antes que Hiro pudesse perguntar o que era, o homem careca sacou sua Bladian e em um rápido salto pra frente, acertou as pernas de Hiro, fazendo-o pairar no ar, imitando quase os movimentos de Shin, o rapaz acertou as costas de Hiro cinco vezes e cinco vezes sua barriga também, mas com um movimento de esgrima rápido, para finalizar, ele colocou a lamina de sua bladian esticada, quando o corpo de Hiro caiu sobre a mesma, ele o jogou para o outro lado e fez as costas do mesmo baterem violentamente contra o chão, ele em seguida guardou sua bladian e saiu andando sem se virar. – Minha condição é que você não conte a ninguém que isso aconteceu. – Tudo que Hiro podia ver na capa nas costas do homem que caminhava lentamente para longe dali era o kanji de ‘Cobra’.
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