Blackwhite

15 Capítulo 17


Notas iniciais
Oi galera. Faz tempo que não posto, né? Sorry.
Bem, achei meu pen-drive e agora to tentando escrever feito louca para compensar vocês por todo esse tempo, mas ta dificil. Acho que até o final de novembro eu não vou postar muito, talvez até nem poste por causa das minhas provas finais. Ela tem peso dois, sabia? Se eu me dar mal, me dou mal ao dobro e fico de recuperação. Ou seja: Me mato.
Então eu queria que por favor me dissessem se devo continuar essa fic assim mesmo. Tipo, eu adoro escrever ela, mas odeio o fato de demorar tant para postar. Me sinto mal por causa de vocês. Então me digam se devo continuar ou parar de uma vez.
Bem, sem mais delongas, aqui está o capitulo. Espero que gostem. Até a próxima se assim quiserem.
Beijos

...:Ikuto POV:...

- Kya! Olhem para ele! Tão legal...

- Ele é tão bonito! Será que é famoso?

- Tão lindo... Talvez ele seja modelo!

- Olhem os amigos dele. Também são muito lindos!

- Ikuto, você chama muita atenção! – Utau diz, irritada.

- Não é minha culpa se sou gostoso. – digo, passando a mão nos meus cabelos e escutando mais gritinhos.

- Não entendo. Você nem é essas coisas toda. – a baixinha diz, de mãos dadas com o Nagihiko.

- Isso porque seus olhinhos apaixonados só vêem o Nagihiko. – respondo e ela cora.

- Ei, Ikuto, onde está a Amu-chan?

- Ela já deveria estar aqui. – Kukkai diz, com um pirulito na boca.

- Yeah. – olho para os lados, escaneiando entre a multidão de pessoas que vieram para o show. O incrível é que aqui tem até adultos e alguns famosos. Essa Mid-não-sei-o-que é bem famosinha. Mas ninguém dessa multidão é meu pequeno moranguinho.

- Hey, a Amu me mandou uma mensagem. – Utau diz de repente – Ela ta dizendo para entrarmos que ela já está lá dentro.

- Já? Como ela passou por a gente sem ser vista? – Tadase pergunta, admirado.

- Sei lá. Vamos logo. — Kukkai diz, sorrindo.

Nós entramos pelo corredor, dando nossos ingressos e seguindo para nossos lugares. É bem grandinho esse lugar para ela se apresentar. Ela é uma cantora novata, tudo bem que é famosa, mas conseguir um lugar com essas dimensões? Cara, ela tem bons contatos.

- Hey, Ikuto, está vendo a Amu?

- Não. – digo, olhando em volta e vendo vários garotos e garotas, adultos.

- Hey, Utau, aqueles ali não são da empresa do velho? – pergunto, olhando para cinco homens de terno.

- É mesmo. – ela vem para meu lado – O que você acha que estão fazendo aqui? Não pode ser! Talvez o papai esteja aqui!

Eu já disse? Meu velho é dono da maior empresa japonesa internacional que ‘fabrica’ novas estrelas. Cantores, atores, apresentadores, modelos, esse tipo de gente. E ele quer que eu assuma os negócios. Só que, tipo assim: EU NÃO QUERO!

Já disse isso para ele milhares e milhares de vezes, mas nós acabamos brigando todas as vezes e ele ignorando totalmente o que eu quero. Eu ainda não sei o que quero ao certo da vida, mas é para isso que to vivendo, certo? Quero fazer algo que me faça feliz, realmente feliz, igual quando estou com a Amu. Ela é a única que consegue me fazer ter alguma emoção além do constante ódio pelo velho. Ela é a única que me enfrenta, que me contradiz, que ao invés de correr para mim cheia de amor, foge envergonhada, fazendo-me querer persegui-la, caçá-la e então finalmente saborear do mais delicioso prato exótico que ela é. É como se o mais que ela recuse, mais eu a quero, mais eu a desejo.

- Hey, será que você poderia parar de sorrir assim? – minha irmã me tira dos meus pensamentos – As garotas ao nosso redor estão começando a desmaiar. Daqui a pouco a policia vem aqui.

- Não me olhe como se fosse minha culpa. – respondo – Elas desmaiam porque são fracas a qualquer cara com charme. Amu nunca desmaiaria assim.

- É lógico, a Amu tem cerebro. – a baixinha diz, sendo abraçada por trás pelo Nagihiko.

- Falando nela, já vai começar o show e ainda não encontramos ela.

- É mesmo. Talvez algo tenha acontecido.

- Ela ligaria.

- Mesmo assim…

- Será que dá para calar a boca? – olho para eles, irritado – A Amu está bem. Nada aconteceu e nem vai acontecer com ela porque eu não vou deixar. Ela vai chegar logo, então fiquem caladinhos ok? – eles concordam, surpresos. Fala sério, ficar falando como se a Amu tivesse morrido. Eu NUNCA deixaria nada ruim acontecer com ela. Mesmo que o mundo esteja acabando, eu morro, mas ela fica viva. Não vou perder mais ninguém. Prometi para minha mãe que seria forte e protegeria todos que amo, e a Amu é a garota que amo mais do que qualquer coisa em toda minha vida.

De repente as luzes se apagam e todo o lugar fica em silêncio. Dois holofotes se focam no centro do palco e uma musiquinha começa a tomar. Está começando e a Amu não está aqui!

- Hum? – pego meu celular, que tinha acabado de vibrar.

De: Amu

‘Surpresa!’

- Eh? – olho para o palco e escuto uma doce, mas sexy voz. Todo mundo começa a gritar.

La la la la

La la la la

La la la la

La la la la

Se a Amu não brigasse comigo cada vez que eu falo um palavrão, agora mesmo eu falaria todos o palavrões que conheço. É a Amu! A cantora, a mysterious não-sei-o-que é a Amu! E cara, ela tá muito gostosa nessa roupa!

I want you to love me, like I'm a hot pie

Keep thinkin' of me, doin' what you like

So boy forget about the world cuz it's gon' be me and you tonight

I wanna make your bed for ya, then imma make you swallow your pride

Ela me olha, sorrindo e aponta para mim, como se estivesse se referindo a mim. Olhe as pernas delas… Cara, se eu não soubesse que ia ser preso por invadir o palco e atacar a cantora, eu faria isso. Ela está tão quente! Eu realmente quero pegar ela e arrancar essas roupas e então fazer ela gritar de prazer na frente de todos esses idiotas que estão olhando para ela.

Sorrio maliciosamente ao pensar em tudo que poderia fazer com ela e vejo, apesar de todas essas luzes em cima dela, o rosto dela ficar vermelho.

Want you to make me feel like I'm the only girl in the world

Like I'm the only one that you'll ever love

Like I'm the only one who knows your heart

Only girl in the world...

Like I'm the only one that's in command

Cuz I'm the only one who understands how to make you feel like a man

Want you to make me feel like I'm the only girl in the world

Like I'm the only one that you'll ever love

Like I'm the only one who knows your heart

Only one...

Sim, Amu. Se é o que você quer, eu farei. Você é e será a única mulher para mim. Você é a única que me entende, que me desafia, que me faz sorrir, que me faz desejar e sonhar ter um futuro com alguém. Apenas você…

Want you to take me like a thief in the night

Hold me like a pillow, make me feel right

Baby I'll tell you all my secrets that I'm keepin', you can come inside

And when you enter, you ain't leavin', be my prisoner for the night

Want you to make me feel like I'm the only girl in the world

Like I'm the only one that you'll ever love

Like I'm the only one who knows your heart

Only girl in the world...

Like I'm the only one that's in command

Cuz I'm the only one who understands

Like I'm the only one who knows your heart

Only one...

Agora eu sei porque todos do colégio estavam virando uns fanáticos por essa Mid-alguma coisa. Amu realmente tem uma voz mravilhosa. É como se fossem um anjo cantando. O meu anjo.

Take me for a ride

Oh baby, take me high

Let me make you first

Oh make it last all night

Take me for a ride

Oh baby, take me high

Let me make you first

Make it last all night

Want you to make me feel like I'm the only girl in the world

Like I'm the only one that you'll ever love

Like I'm the only one who knows your heart

Only girl in the world...

Like I'm the only one that's in command

Cuz I'm the only one who understands how to make you feel like a man

Only girl in the world...

Girl in the world...

Only girl in the world...

Girl in the world...

Acredite, eu já fui para vários shows. Admito que na maioria das vezes eu estava me agarrando com algua garota ao invés de estar escutando o cantor, mas nunca o tempo havia passado tão rápido. Amu estava tão linda e sexy em todas as roupas que usou, sua voz era como um feitiço e caramba, eu estava mais do que disposto a cair nesse feitiço. Quando eu menos percebi, o lugar já estava se esvaziando, todos com sorrisos no rostos, comentando sobre meu moranguinho e como ela era demais.

- Caramba, eu sabia que a Amu podia cantar, mas isso… — Utau sorri – Foi incrivel!

- Deve estar orgulhoso, não é, Ikuto? – Nagihiko sorri para mim.

- Orgulhoso?! Se eu tivesse uma namorada daquelas, nunca mais olharia para nenhuma mulher na minha vida inteira! – Kukkai diz, mordendo o último pedaço de um chocolate – Vocês sequer viram o rosto dos caras? Eles pareciam uns idiotas babando pela Amu-chan. E nenhuma garota sequer olhava com inveja.

- Realmente… — Rima sorri – Bem, Amu sempre foi talentosa. Fico feliz que tenha resolvido mostrar seu talento para os outros.

- Com licença. – eu olho para o lado, vendo dois homens de terno e óculos escuros. Devem ser os seguranças.

- O que foi? – pergunto.

- Você é Tsukiyomi Ikuto?

- Sim. Por que?

- Venha conosco. Hinamori-sama deseja ver você e seus amigos.

- Amu? – Utau se anima – Vamos!

- Onde ela está? – pergunto, olhando para o cara do meu lado. Ele parecia bem bombado.

- Logo a verá, Tsukiyomi-sama. – ele sorri.

Ótimo. Logo vou ver minha moranguinho e vou poder beijá-la o quanto quiser. Ela com certeza deve ter ficado feliz ao me ver na plateia. Imagino se posso enganá-la e fazê-la me dar algo em troca. Quem sabe uns beijos, ou um showzinho particular. Talvez uma strip tease? Nah, ela é muito timida para isso. De qualquer maneira, tudo que quero é vê-la. Ela deve estar brilhando de felicidade.

- Aqui estamos. – os dois param de repente e eu olho para a porta na minha frente.

- Ela está ai dentro? – a baixinha pergunta.

- Sim. Ela está esperando por vocês.

- Vamos! – Kukkai me empurra e eu lanço um olhar para ele, fazendo-o recuar. Então eu me ajeito e abro a porta.

Amu estava a alguns metros de distância, de costas para mim. Ela estava usando um vestido branco, que ia até metade de suas coxas. Fico um pouco decepcionado por ela não estar usando uma das roupas do show. Eram bem… excitantes. Sorrio maliciosamente e faço um sinal para os outros ficarem quietos. Lentamente vou me aproximando dela, então passo meus braços pela cintura dela, puxando-a para meu peito e beijando sua bochecha.

- Olá, Amu. – sussurro sensulmente, sentindo o corpo dela tremer todinho contra o meu. Adoro quando ela reage assim.

- I-ikuto! – ela olha para cima, exatamente para mim e me da um daqueles sorrisos maravilhoso – Você veio!

- É claro, Amu. Eu prometi, não foi? – sorrio, virando seu corpo para ela ficar de frente para mim.

- Você gostou? Como eu fui? – ela pergunta, ansiosa. Eu podia jurar que se não tivesse segurando ela me meus braços, ela estaria pulando para cima e para baixo de tanta empolgação.

- Você estava linda Amu. Próxima vez que fizer um show, será só para mim, no meu quarto. – sorrio maliciosamente e logo o rosto dela fica vermelho. Então eu me abaixo e encosto meus lábios nos seus, num beijo suave, mas que ainda implicava tudo que eu faria com ela se ela fizesse mesmo o show para mim. Após alguns segundos me afasto, sorrindo satisfeito ao ver ela sem ar e com as bochechas vermelhas.

- Pervertido. – ela sussurra, mas logo sorri – Estou muito feliz que veio, Ikuto.

- Hey, nós estamos aqui também! – droga Utau! Sempre tem que atrapalhar, não é irmãzinha? Lanço um olhar maligno para ela, que me ignora.

- Utau! Rima! Pessoal! – ela se afasta, correndo para fora dos meus braços e indo falar com nossos amigos. Apenas espere Amu. Quando eu pegar você sozinha, você será todinha minha, e nada nem ninguém vai me impedir.

- Você estava incrível, Amu! – a baixinha elogia, abraçando-a.

- É mesmo! Caramba, ainda não consigo acreditar que a Midnight Girl era você o tempo inteiro!

- Eu cantei bem? – ela olha de um para o outro, ansiosa e eu sorrio, feliz por ela – Todo mundo disse que sim, mas eu acho que desafinei algumas vezes e…

- Você foi perfeita. – digo, abraçando-a por trás e sorrindo. Não quero ver ela inventando erros onde só existe perfeição.

- O-obrigada, Ikuto. – ela sorri timidamente.

- Agora diz ai, Hinamori, como você conseguiu tudo isso? Quero dizer, faz menos de seis meses e você já fez um show?! Você deve ter tido bons contatos.

- Agora que você falou, Kukkai… — Utau olha para ela, curiosa – Quem é seu empresário?

- Hm… — ela desvia o olhar, nervosa, me fazendo estranhar – Sobre isso…

- Amu?

- Vamos Amu, conta! Não é como se fosse um segredo.

- Bem, não é exat… — desvio o olhar dela ao escutar a porta abrindo. Como? Bem, sou um líder de gangue, tenho que ficar atento a tudo. Então vejo alguém que eu não esperava ver nunca.

- Amu-chan, o carro já está pronto. – ele diz, entrando na sala de cabeça baixa, olhando para seu celular – Você quer… — ele para de falar ao nos ver.

Não consigo acreditar! O que ele está fazendo aqui?! De todas as pessoas, por que ele está aqui?! E por que chamou minha Amu pelo primeiro nome? E como assim o carro está pronto? Para onde ele pensa que vai leva-la?

- P-p-papai?! – o queixo da Utau cai enquanto ela olha surpresa para aquele ser que eu me recuso a chamar de pai.

- Aruto-san! – ela tenta se libertar dos meus braços, mas não deixo. Não vou deixar ela se aproximar de um monstro como esse. Nem agora nem nunca.

- Utau! O que es… Esses são seus amigos, Amu-chan? – ele nos olha surpreso, então seu olhar para sobre mim e descem para meus braços ao redor da Amu. Alguma coisa… apareceu nos olhos dele? Não, ele não tem sentimentos. Me ver feliz com minha namorada não deve significar nada para ele. Mas já o fato da Amu ser uma cantora oficial agora e ter um namorado com certeza deve interessa-lo, já que é ruim para a imagem dela.

- O que está fazendo aqui? – pergunto rispidamente, apertando mais meus braços sobre a cintura delicada dela.

- Ora, ora, Ikuto, Utau, realmente não esperava ver meus dois filhos aqui. Ainda mais serem amigos da Amu-chan. – ele sorri, aquele sorriso falso e ridículo que eu mais odeio no mundo, e cruza os braços.

- Não ouse dizer que sou seu filho. – retruco furiosamente – Não sou filho de um monstro como você.

- Ikuto! – Amu me olha horrorizada – Como você pode dizer isso para o seu pai?! Peça desculpas agora!

- Está tudo bem, Amu-chan. Já estou acostumado. – ele da de ombros como se não importasse. Imbecil!

- Responda a pergunta. O que está fazendo aqui?

- Bem, se prestasse atenção, perceberia que sou o empresário dela.

- Mas papai, você é o presidente da empresa inteira. Você não pode ser empresário.

- Claro que posso, Utau. – ele sorri para ela e eu me controlo para não xingá-lo – Apenas nunca achei ninguém interessante como a sua amiga.

- Amu-chan, você sabia? – Tadase a olha e eu também – Sabia que Aruto-san era o pai do Ikuto-nii-san e Utau-chan?

- …Sim. – ela sussurra baixinho, abaixando o rosto.

Não acredito. Ela sabia. Sabia o tempo inteiro e não me disse. Não me disse que o imbecil do meu pai era o empresário dela. Que ela ficava com ele quase todos os dias. Que eu só não passava mais tempo com ela por causa desse idiota! Foi ele quem colocou a Amu para fazer um papel com o Kazuma. Ele… Ele realmente que tornar minha vida um inferno. Mas não consigo acreditar que ela não me disse.

- Por que não me disse Amu? – pergunto, sério, minha voz saindo mais fria e dura do que pretendia. Ela está com medo. Posso sentir. Eu causei esse medo.

- E-espere, não é o que pensa! Eu só…

- Você não me contou! Assim como não me contou que estava fazendo trabalhos como modelo! Você queria fazer uma surpresa também?!

- Não… N-não é i-is-isso… — sei que ela está com medo e nervosa. Sei que ela está prestes a chorar. Sei também que ela não fez de propósito. Que ela não tinha intenção alguma de esconder de mim. Ela provavelmente pensou que assim estaria me protegendo. Mas ainda dói.

- Pensei que confiasse em mim. – sussurro, libertando-a de meus braços e me afastando, saindo daquela sala e ignorando todos os chamados dela. Não to com cabeça para vê-la e falar com ela agora. Eu provavelmente vou ficar mais bravo e falar coisas horríveis para ela como as que acabei de falar. Mas tem algo que não consigo ignorar. A imagem de seus olhos que antes brilhavam em alegria agora imersos em tristeza, culpa e medo. E tudo por minha culpa.

…:Aruto POV:…

Bem, bem, quem diria que meu filho um dia se apaixonaria tão intensamente assim como me apaixonei por sua mãe? Não que eu pensasse que não ia acontecer, mas pelo que Utau havia me dito sobre ele na escola, era igual a mim, um playboy. Bem, até que encontrei Souko e achei meu destino. Uma pena ter acabado tão rápido.

- Amu, está tudo bem, ele só está irritadinho. – vejo minha filha, Utau, tentar confortar a Amu-chan, que está chorando e tentando ao mesmo tempo não chorar, o que para mim, acabava numa cena bem engraçada dela mesma soluçando e tentando engolir o choro e o soluço juntos, fazendo uma certa careta.

- Ele vai estar melhor amanhã, Amu-chan. – um dos amigos de meu filho diz. Já o vi em minha casa antes. Pelo que percebi parecia ser o mais responsável e racional dos amigos dele. E então tem o Souma-san, e Mashiro-san. Então tem o Tadase-kun, amigo de infância do Ikuto. Não é só porque meu filho me odeia que não procuro saber sobre ele. Haruto, meu assistente de confiança, me mantem informando sobre ele, já que não posso conversar com ele. Se tem algo que me arrependo nessa vida é ter feito meu filho me odiar. Souko, onde quer que esteja, sinto muito por decepcioná-la tanto.

- Amu-chan, não se preocupe. Ele é idiota assim quando se trata de você. – Fujisaki-kun diz, sorrindo para ela – Eu vou falar com ele.

- Mas ele estava com raiva. – ela murmura, entre soluços – Eu machuquei ele! Eu deveria ter contado, eu sabia que deveria, mas eu pensei que se ele não soubesse, não se machucaria.

- Você sabe como é a relação entre papai e o Ikuto? – minha filha pergunta, surpresa.

- Sim. Ele falou um pouquinho só para mim e Aruto-san me falou também. – então o rosto dela se contorce me dor e ela começa a chorar mais – Eu só não queria que ele se machucasse!

- Shh, vai ficar tudo bem, Amu-chan. – um dos amigos de meu filho a abraça, confortando-a. Mas ela não parava de chorar. E deus do céu, essa garota sabia como comover as pessoas. Só de observar ela chorando, tenho vontade de chorar.

Bato no ombro do garoto, que me olha surpreso e eu apenas sorrio, olhando para a Amu-chan e ele entende.

- Poderiam nos deixar a sós? – pergunto, olhando para todos.

- Mas, papai… — Utau olha para mim e para Amu-chan, indecisa.

- Falarei com ela. Não se preocupe, Souma-kun, também a levarei para casa.

- Tem certeza, senhor? – ele olha para ela, também hesitante em deixa-la. Realmente, que bom que meus filhos tem boas amizades.

- Sim. Obrigado por virem. – sorrio educadamente, apontando a porta e eles deixam após darem um abraço e se despedirem da Amu-chan.

Quando todos saíram, ela já havia se acalmado o suficiente para estar apenas soluçando. Tão fofa. Imagino que Souko amaria ter uma filha assim. Não que Utau não seja boa o suficiente. Meus filhos são meu maior orgulho e felicidade. Mesmo que um deles me odeie.

- Amu-chan, venha aqui, sente-se. – sorriu, batendo no sofá no lugar ao meu lado. Ela me olha, fungando e se senta, tão silenciosa quanto possível.

-- M-me desculpe. E-eu não q–q-queria chorar a-assim… — ela passa a mão no rosto, tentando limpá-lo, mas eu a impeço, segurando sua mão e virando seu rosto para mim.

- Está tudo bem. Eu entendo. – sorrio, passando um lenço em suas bochechas o mais gentilmente possível. Ela parece tão frágil assim, como se fosse quebrar ao menos toque. Imagino se Ikuto se sente assim quando a abraça. Provavelmente sim. Vi o modo como ele a trata, tão carinhoso e atencioso. Assim como alguém que está apaixonado e não quer perder esse amor por nada. Assim como eu. Mas isso foi no passado.

- Obrigada. – ela tenta sorri, mas nós dois sabemos que não é um sorriso verdadeiro.

- Amu-chan, você não precisa se preocupar com o Ikuto. Ele não está bravo. Bem, não com você.

- Eh? – ela me olha surpresa – Mas ele…

- Acredite, sei dessas coisas. Por mais que ele tente manter distância de mim, ainda sou seu pai. Conheço-o muito bem.

- Mas ele me olhou com aqueles olhos…

- Ele deve estar apenas um pouco magoado por você não ter contado a ele sobre mim. Mas vai perceber que é um motivo… idiota para um briga.

- Eu não sei… — ela olha para baixo.

- Não confia em mim?

- Claro que sim! – ela me olha, como se eu tivesse feito uma pergunta estúpida.

- Então pronto.

- Hm… Mesmo assim vou falar com ele amanhã. Me sinto mal por ter escondido.

- Claro.

- Obrigada, Aruto-san.

- De nada. A propósito, desde quando sabe que sou o pai dele? Que me lembre, nunca disse o nome dele na sua frente.

- Ah, você lembra quando disse que seu filho tinha ficado doente?

- Sim.

- Bem, eu e o Ikuto tivemos uma briga enorme e o idiota acabou ficando na chuva. – ela revira os olhos e eu sorrio – Então Utau me levou na casa dele. Ai eu vi você lá.

- Entendo. Não é surpreso ele ter melhorado rapidamente de um dia para o outro. – ela fica vermelha e desvia o olhar. – Nee, Amu-chan, uma última pergunta.

- Sim?

- Acreditaria em mim se dissesse que Ikuto tem toda razão em me odiar?

- Não. – ela responde sem hesitar, me surpreendendo.

- por que?

- Eu vi você na cozinha naquele dia Aruto-san. – ela sorri e por um momento penso que viu o leve rubor em minha face — Não acho que seja capaz de magoar o Ikuto propositalmente.

- Entendo. Bem, você deve estar cansada. Vamos embora? Contarei a você uma pequena história no caminho.

- Eh? – ela me olha sem entender, mas eu apenas sorrio e abro a porta.

- Meu senhor, bem vindo de volta à casa. – Tabata se curva. Não sei o que faria sem ele. É o melhor e mais fiel mordomo que já tive. Um excelente amigo também.

- Obrigado, Tabata.

- Utau-sama chegou há poucas horas. Souma-sama veio deixa-la.

- Entendo. E Ikuto?

- Chegou antes de Utau-sama. Está em seu quarto agora. Quer que o chame, senhor?

- Não precisa. Mais alguma coisa?

- Sei que avisou que não jantaria em casa, mas tomei a liberdade de pedir que Naomi-san fizesse um pouco de sopa. Se meu senhor quiser tomá-la…

- Hm… Sim, pode fazer isso. Estarei em meu quarto.

- Sim, senhor.

- Obrigado, Tabata.

- O prazer é todo meu. – ele se curva mais uma vez, apesar de eu já ter dito milhões de vezes que ele não precisa, e se retira do hall.

Olho ao redor. É uma casa tão grande, e eu ainda me sinto tão só. Sorrio sarcasticamente, pensando em como era possível. Souko, por que tinha que partir? Por que teve de me deixar para trás?

Suspiro, balançando a cabeça e me livrando desses pensamentos. Nada disso me ajudaria a cuidar de meus filhos. Eles precisavam de um homem, forte, real e que aguentasse e pudesse resolver qualquer problema. Falhei em todos os outros aspectos com eles, mas nesse jamais falharia. Prometi ao meu amor.

Subo as escadas, dobrando no corredor e observando as pinturas nas paredes. Todas eram de artistas desconhecidos, não famosos, mas mais talentos que alguns que conheço. Paro alguns segundos em frente a pintura de Souko e sorrio. Como era possível alguém ser tão linda? Sigo em frente, dobrando a esquerda e paro em frente ao quarto de meu filho, imaginando se devo bater a porta ou não. Ele provavelmente não irá me deixar entrar se souber que sou eu. Mesmo assim bato.

- Cai fora Utau! – ouço o grito abafado – E nem pense em entrar, estou me trocando. – sorri ao ouvir a mentira. Esperto meu filho.

- Bem, não me incomodo muito, afinal, vi tudo que tinha para se ver quando você era um bebê. – abro a porta, apenas confirmando minhas suspeitas. Ikuto não estava se trocando, mas sim arrancando os pôsteres presos nas paredes, amassando-os em suas mãos.

- O que você quer? – ele me pergunta, apenas lançando um olhar rápido para mim, reconhecendo minha presença, mas logo voltando a se concentrar em sua tarefa.

- Redecorando o quarto? – pergunto, olhando ao redor e vendo que até mesmo o pôster no teto acima de sua cama havia desaparecido.

- Não é da sua conta. Cai fora. – ele joga os papeis no lixo e para no meio do quarto, olhando ao redor e procurando por mais alguma imagem indesejável.

- Ao lado do piano. – olho e me surpreendo pela imagem mostrada naquele pedaço de papel e plástico. Nossa, os jovens de hoje… — Você provavelmente já deve saber, mas a sua atitude em direção a Am…

- Não falei o nome dela! – assisto ele se virar e me olhar diretamente nos olhos pela primeira vez desde que entrei no quarto – Não ouse usar sua boca para pronunciar o nome da Amu.

- Bem, contanto que saiba que sua atitude foi errada. Você a fez chorar.

- Não preciso de você me dando sermão. Sei cuidar da minha vida. – ele resmunga – Agora cai fora que quero dormir. Tenho aula amanhã.

- Ah, uma informação importante: dei o resto da semana de folga para Amu-chan. É melhor aproveitar. – sorrio maliciosamente e deixo o quarto, escutando o leve barulho de algo batendo contra a parede e um xingamento. Sorrindo, vou para meu quarto.

...:Amu POV:...

Estou tão cansada! Eu nunca estive tão cansada em toda minha vida! Não fazia ideia que fazer um show me deixaria como uma morta-viva no outro dia. Argh, e eu ainda tenho que ir para a escola. Suspiro. Ikuto… Será que ele ainda está bravo? Com certeza. Por que eu sempre estrago tudo?

Me levanto da cama, arrumando-a e então indo para o banheiro. Tiro meu pijama e entro no chuveiro. Ah, se tem uma coisa que eu adoro é tomar um banho bem quentinho pela manhã.

‘Próxima vez, nós vamos tomar um banho bem quentinho juntos, Amu. Só eu e você. E lá dentro, bem, vamos apenas dizer que água quente não será necessária com o que vou fazer com você’

Parei na metade da saída do meu apartamento, meu rosto ficando tão vermelho, que até mesmo um tomate sentiria inveja. E eu to falando sério.

- Pensando em mim, Amu-koi? – levantei tão rápido o rosto, que acho que nem mesmo aquele gato do Matrix conseguiria ter visto o movimento.

- I-i-ikuto! – olho para ele, chocada e surpresa, mas acima de tudo envergonhada por ele ter me visto assim. E o pior de tudo é que ele acertou no que eu estava pensando.

Ele estava vestindo o uniforme do colégio, bem, mais ou menos, já que ele nunca usava o uniforme completo e acabava sempre levando advertências dos professores. E caramba, ele estava muito lindo. O cabelo ainda estava desarrumado, suas roupas amassadas pelo vento (ele estava de moto, encostado nela) e como sempre, ele tinha um sorriso malicioso no rosto. Um que me deixava louca. De vergonha e de amor.

Ele estendeu a mão, como se me chamando. Dei um passo na direção dele, sem resistir, mas logo parei. Ele não estava mais bravo comigo? Eu fiz algo tão horrível como mentir. E ainda mais sobre o Aruto-san.

- Venha aqui. – a voz dele é tão gentil e tão carinhosa, que não resisto e corro até ele, abraçando-o com tanta força que pude sentir a moto dar uma leve balançada, como se fosse cair, mas logo se equilibrou. Ele passou os braços ao meu redor e pude sentir quando mergulhou a cabeça no meu pescoço, escondendo-se em meus cabelos. Ele sempre fazia isso quando nos abraçávamos. Dizia que era porque gostava do meu cheirinho de morango.

- Desculpe, Ikuto. Sinto muito… — sussurro, abraçando-o com mais força – Desculpe por escond…

- Shh, Amu. Não estou bravo. Nunca estive. – ele sussurra, beijando minha orelha e fazendo um arrepio percorrer meu corpo inteirinho. Eu sabia que ele tinha percebido seu efeito em mim, porque podia sentir o sorriso dele contra minha pele.

- Mas… — tento me desculpar de novo, mas ele me impede.

- Desculpe. Você estava tão feliz ontem e eu estraguei tudo.

- Hm hm! – balanço a cabeça, negando – Nunca vou estar feliz se você também não estiver.

Então ele me beija de repente, e arregalo os olhos, surpresa, mas logo cedo. É impossível resistir ao Ikuto, ainda mais quando ele me beija assim. O que me irrita é o jeito que minhas pernas sempre parecem perder as forças e ficam bambinhas.

Sinto sua língua se entrelaçar na minha lentamente, como se fosse uma serpente se enroscando em sua presa, devorando-a lentamente. E então minhas pernas cedem. Mas como sempre, os braços fortes dele me seguram e eu me agarro com mais força a ele, aproximando tanto os nossos corpos, que sentia como se estivéssemos fundidos um no outro.

Quando nos separamos, estou ofegando, meus olhos continuam fechados por mais alguns segundos, como se esperando por mais, e lógico, meu rosto está queimando.

- Estou feliz agora. – ele sussurra, com sua testa contra a minha.

- Hmm… Eu também. – admito, sorrindo – Ikuto, nós temos que ir agora se não quisermos nos atrasar para a escola.

- Hmm… — ele suspira, enfiando a cabeça no meu pescoço e me abraçando mais forte – Temos que ir? Nós podíamos ficar aqui…na sua cama…fazendo coisas pervertidas. – ele dizia as palavras enquanto deslizava os lábios por meu pescoço sensualmente, me fazendo estremecer.

- Tem…temos qu… ahh…ir! – murmuro, gemendo ao sentir ele sugando meu pescoço.

- Mas Amu~ — ele teima, como uma criança que quer muito um doce e sua mãe está se recusando a dar.

- P-per…ver-ahh… tido…

- Não posso evitar. Você me deixa assim. – faço uma careta com a resposta. A culpa era minha, agora? Não é como se eu estivesse seduzindo ele como ele faz comigo.

- Vamos! – empurro ele para poder me afastar, mas ele me segura – O q-que?

- Vou lhe dar uma carona. – ele sorri para mim.

- Mesmo? Obrigada! – sorrio, feliz por não ter que andar até o colégio – Então vamos!

- Opa, opa, espere um pouco ai, Amu. – ele segura minha cintura e me coloca em cima da moto, sentada de frente para ele – Quem disse que ia ser de graça?

- Eu tenho que pagar?! – olho para ele, chocada. Ele já era rico e ainda queria dinheiro de mim?! – Ta bom, quanto você quer? – pergunto, tirando minha carteira.

- 5. – ele sorri.

- 5000 yen?!

- Quem falou em dinheiro? – ele sorri maliciosamente e já sei que vai sobrar para mim – Quero outra coisa.

- O q-que você q-quer? – gaguejo, nervosa.

- Beijos. Eu quero 5 beijos.

- Ah! – sinto meu rosto aquecer rapidamente e vejo o sorriso no rosto dele aumentar – V-vou a pé!! – tento sair de cima da moto dele, mas ele me prende.

- Nada disso. – ele se aproxima mais ainda – Ou você me beija e eu te dou uma carona, ou vamos chegar muito atrasados.

- M-mas… isso é chantagem!

- No amor e na guerra vale tudo. Não é assim que dizem? – ele sorri.

- E-eu… — fico olhando para ele, pensando se há alguma maneira de eu me livrar disso, mas suspiro. Quando o Ikuto bota uma coisa na cabeça, não tira até realizar. – Tudo bem. Mas vai logo! – fecho os olhos, esperando. Então escuto uma risada e abro os olhos, sem entender. – O que?

- Não sou eu quem vai beijar você, Amu. É você quem vai me beijar. – ele sorri maliciosamente enquanto meu rosto vai aquecendo novamente. Mas que droga, será que eu nunca vou poder ficar perto do Ikuto sem ter uma coloração normal no rosto? Quero dizer, por que ele sempre me faz ficar assim, toda vermelha e nervosa? E por que ele não fica assim?

- M-mas e-eu…

- Melhor se apressar. Falta apenas 30 minutos para a primeira aula. – ele avisa e eu me desespero.

- Ta bom, ta bom! Mas v-você tem que fechar os olhos e não p-pode fazer nada!

- Hm… — ele concorda, sorrindo e fechando os olhos.

Fico olhando para o rosto dele, apenas para confirmar que ele não vai fazer nada. Caramba, ele é mesmo muito bonito. Dá até para entender por que todas as garotas do colégio são apaixonadas por ele. Se ela tentarem tocar num único fio de cabelo dele, eu mato todas elas. O que? Quem disse que eu também não posso sentir ciúmes?

- Estou esperando, Amu. – a voz dele me tira dos meus pensamentos e eu coro.

- J-já to indo. – murmuro, envergonhada.

Seguro o rosto dele entre as minhas mãos e me aproximo, tão lentamente que se alguém visse isso por uma câmera lenta, não notaria nenhuma diferença. Então eu encosto meus lábios na testa dele, sentindo os cabelos dele roçando no meu nariz e um cheirinho delicioso invadir meus sentidos. O cheiro dele é tão diferente dos outros garotos.

- P-primeiro… — murmuro baixinho e abaixo meu rosto, depositando outro beijo na bochecha esquerda dele. Sinto as mãos dele segurarem minha cintura com um pouco mais de força, mas não paro. Beijo a outra bochecha dele e então dou um pequeno beijo na ponta do nariz dele, ouvindo a respiração dele falhar. Eu sei o que o Ikuto quer. O que está esperando. É por isso que a respiração dele está mais acelerada. É por isso que ele está me segurando com força, como se estivesse se controlando para não me fazer algo.

- O último… — sussurro a poucos centímetros de distância dos lábios dele e então o beijo. Minhas mãos automaticamente saem do rosto dele e deslizam pelos ombros dele, postando-se na nuca dele, puxando-o para mais perto de mim e dos meus lábios. Beijar o Ikuto é como… eu não sei, nunca consigo pensar direito quando estou fazendo. Não dá para comparar com nada porque nunca vai existir coisa igual a beijar o Ikuto.

Solto um leve gemido ao sentir a língua dele em meus lábios, pedindo para entrar. Por alguma razão, sempre que ele faz isso, eu me lembro de gatos. A língua dele é o gatinho abandonado, minha boca é a casa e minha língua é a dona. Se bem que, eu não me sinto nada como uma dona, como a dominadora ali. É sempre ele quem domina o beijo, quem arranca as reações de mim, e eu descobri recentemente que quando ele me deixa controlar as coisas, na verdade só estou sendo manipulada por ele e que no final de tudo, é sempre ele quem está no comando.

- A-atrasaah… — tento falar, mas a boca dele me impede, me atraindo para outro beijo. – I-iku-yah! – solto um gritinho quando de repente eu estou no ar, com ele me segurando pela cintura e me girando, como se fossemos aqueles amantes de filmes românticos. Claro, como é do Ikuto que estamos falando aqui, ele não parou de me beijar por um único segundo.

- Eu amo você, Amu. – ele sussurra ao quebrar o beijo, olhando para mim e sorrindo.

- Ikuto… — olho para ele, surpresa, mas feliz – Você sabe que isso não me engana mais, né?

- Mesmo? – ele me olha, sorrindo. Deus, se me contassem que um dia eu iria flertar com um garoto assim, eu teria rido feito uma louca.

- Malvado. – resmungo, mas sorrio, beijando-o rapidamente. – Escola, Ikuto. Agora.

- Ehh… Não quero ir. – ele teima, novamente fazendo o tom de um criancinha.

- Ikuto… — tento fazer uma voz ameaçadora, mas falho miseravelmente. Não consigo parar de sorrir.

- Okay. Mas você tem que prometer passar o resto da semana comigo.

- Eh?

- Sei que recebeu férias, Amu. E eu quero esse tempo livre todinho para mim. Faz tanto tempo que não ficamos juntos assim. – ele murmura, abraçando-me.

- Você quer passar todo esse tempo comigo? Mesmo? – olho para ele, esperançosa.

- Sim.

- Eu também. – sorrio, abraçando-o – Eu senti sua falta, Ikuto.

- Hm…

Eu me afasto dele após alguns segundos, mesmo sem querer. Se dependesse do Ikuto, ficaríamos daquele jeito até anoitecer, então sou sempre eu que tenho que… colocar um limite. Então ele sobe na moto, me dando o capacete e eu subo logo atrás.

...:Ikuto POV:...

- Oh meu deus, oh meus Deus! Ikuto! Por que você foi tão rápido?! – sorrio, observando a Amu ajeitando sua saia, quase como se quisesse que ela ficasse congelada daquela maneira.

- Mas foi você quem disse para eu acelerar.

- Porque estávamos atrasados! Eu não sabia que você ia acelerar tanto! – ela reclama, ainda ajeitando a saia – Eu tenho certeza de que alguém na rua viu minha calcinha. Tão embaraçoso!

- Ninguém viu. – respondo, sorrindo e trancando o cadeado de segurança da minha moto – Eu estava olhando pelo espelho.

- O que?! – ela grita, ficando incrivelmente vermelha e me fazendo rir.

- Relaxa, Amu. O que importa é que ninguém viu.

- Você estava olhando! Fez de propósito, não foi?

- Talvez. – sorrio misteriosamente. Eu não tinha feito. Na verdade, estava olhando pelo espelho apenas para conferir quando a saia dela começava a levantar demais, para que eu diminuísse a velocidade. Não quero ninguém vendo a calcinha da Amu, só eu posso.

- Não acredito! Seu pervertido! Pervertido! – ela se afasta, pisando duro e atravessando entre as pessoas, que se afastavam imediatamente, dando passagem a ela e sussurrando entre si.

Não é como se isso fosse coisa nova. Agora que todo mundo sabe que a Amu é a Midnight Girl, vão todos encarar ela como se fosse uma Deusa. Do jeito que eles me encaram. Se bem que isso é porque sou líder de uma gangue, sou bonito e gostoso e tenho grana. Mas talvez seja em parte por causa do meu nome, Tsukiyomi.

- Hey, Ikuto-nii-san! – desvio o olhar da Amu ao ouvir a voz do Tadase.

- E ai, Tadase? – bagunço os cabelos dele, sorrindo.

- Ah, nii-san! – ele se afasta, segurando minha mãe – Já disse para não fazer isso.

- Ei, cara, tudo certo com a Hinamori?

- Teria ficado melhor se não houvesse a droga da escola. – reclamo. Ainda não sei para que diabos inventaram a escola. Tipo, eu aprendo, tudo bem, mas tem um monte de coisa que eu nunca vou usar na minha vida. Para que eu preciso saber o que são logaritmos? Ou uma oração subordinada adverbial de alguma coisa?

- …aula.

- O que? – pergunto, sem ter escutado nada do que estavam dizendo.

- Eu disse que nós vamos nos atrasar para a aula se ficarmos aqui. – Nagihiko repete.

- Hm. – resmungo em resposta, andando em direção a entrada do colégio e desviando de algumas garotas que insistiam em vir falar comigo sobre o dia dos namorados. Sorrio. O que será que meu moranguinho vai me dar?

~Algumas horas depois~

- Hey, o que nós vamos fazer esse ano para o festival de primavera? – o presidente da classe, um garoto chamado Kairi, acho, fala, chamando a atenção de toda a turma. Ele sempre conseguiu lidar com a gente, considerando que nenhum professor consegue nos calar. Respeito o cara por isso. Se ele fosse bom de luta, quem sabe eu poderia chama-lo para minha gangue.

- Que tal uma casa do terror? – um dos garotos da sala sugere.

- Ehh. Isso é chato! – uma das garotas reclama – Ikuto-sama, o que você quer fazer?

- Não me importo com isso. Decidam vocês. – digo.

- Eu acho legal uma casa do terror. – Kukkai diz, sorrindo e fazendo algumas garotas gritarem.

- E um café? – Nagihiko sugere – Podíamos tematizar a sala inteira.

- É uma boa ideia. – o presidente diz – Alguém mais tem uma opinião?

- Uma cabana de adivinhação! – uma garota sugere – Podíamos adivinhar o futuro dos outros. Todo mudo quer saber a sorte no amor.

- Com licença… — ergo minha cabeça rapidamente ao ouvir a voz. Minha Amu. – O professor me pediu para entregar isso para você, Kairi-san.

- Obrigado, Hinamori-san. – observo desconfiadamente o jeito que ele a olha e noto o leve vermelho no rosto dele. O idiota gosta da minha mulher!

- Vejo vocês mais tarde. – falo para meus amigos – Meu voto vai para o café. – então saio da sala, seguindo meu moranguinho.

Vou andando silenciosamente atrás dela, imaginando para onde estaria indo. Para a sala dela é que não é. E por que ela está olhando para os lados, como se estivesse fugindo de alguém ou se certificando de que não está sendo vista? Estranho. Ah, ela está indo para o terraço. Será que ela vai encontrar alguém lá?

Subo os degraus lenta e silenciosamente, abrindo a porta pela qual a Amu havia acabado de passar e olhando ao redor, não vendo ninguém. Mas que diabos… Para onde ela foi?

- Peguei você! – sinto algo se agarrando ao meu pescoço e pernas se enroscando na minha cintura, uma risada alegre soando como musica em meus ouvidos.

- Amu! – olho para ela, surpreso. Como ela descobriu que eu estava seguindo ela?

- Me seguindo, hm? – ela sorri – Seu pervertido.

- Eu queria saber para onde estava indo. Minha Amu não cabula aula. – sorrio, agarrando uma de suas pernas e virando seu corpo no meu, fazendo-a ficar de frente para mim.

- Eu não ia. Mas ai percebi que você estava me seguindo e resolvi brincar com você. – ela sorri, uma certa malicia em seus olhos. Eu podia vê-la como minha gatinha. No chão, com as patas da frente encolhidas e a cabeça entre elas, seus olhos brilhando com expectativa de provar sua presa, e sua bunda arrebitada no ar com seu rabo balançando de um lado para o outro, observando sua presa, que era eu.

- Tão safadinha, não? – sorrio maliciosamente, minhas mãos em suas coxas, segurando seu corpo contra o meu.

- Aprendi com o melhor. – ela sorri.

- Eu ainda não lhe ensinei nem metade do que sei. – sorrio maliciosamente, assistindo as bochechas dela finalmente começarem a ficar vermelhas.

- Pervertido. – ela murmura e faz menção se se afastar e voltar para o chão, mas eu não deixo. Eu esperei muito tempo para estarmos nessa posição para deixa-la ir tão facilmente. Beijo-a antes que possa começar a reclamar e vou andando em direção à parede, imprensando seu corpo contra o meu. Tudo bem, admito, nas minhas fantasias essa posição levaria para algo bem mais…excitante do que beijos, mas por enquanto, estou satisfeito com isso. Não é como se eu fosse força-la a fazer sexo comigo. Nunca fiz isso com mulher alguma e não é com a Amu que vou começar a fazer.

Eu sei que eu insinuo essas coisas pervertidas para ela, como se estivesse chamando-a para a cama, mas estou apenas provocando-a. Com a Amu, quero levar as coisas devagar, aproveitar cada momento, cada beijo e abraço, apenas deixar as coisas fluírem naturalmente. Quando ela estiver pronta, deixarei que venha até mim, e então vou devorá-la lentamente.

- …não… sigo…respi…ar… Ikuto! – me afasto quando ela grita contra meus lábios, finalmente percebendo que eu tinha esquecido de deixa-la respirar. Ah, eu também estou ofegando.

- Desculpe… — murmuro, sentindo meus pulmões voltando ao tamanho normal – Você está bem?

- …S…im… — ela respira profundamente, apoiando a cabeça no meu ombro. Ficamos em silêncio, até ela me olhar – Não sabia que você podia beijar sem respirar.

- Não posso. – nos olhamos por alguns segundos. Um sorriso começa a se formar no rosto dela e logo nós estávamos rindo. Sério, parecíamos dois idiotas, mas não to nem ai. Amo a risada dela.

Interrompo seu riso com um beijo, uma de minhas mãos indo para suas costas. Senti os punhos dela em meu peito, tentando me dizer algo. Então me afasto por alguns segundos, o suficiente para falar algo e volto a beijá-la.

- Não se preocupe. Vou deixar você respirar dessa vez.

…:Nagihiko POV:…

- Então? – suspiro sobre todos aqueles olhares.

- Eu já disse. Ela não está aqui.

- Ele disse que ela estaria! – um deles grita – Agora ou você nos deixa vê-la, ou acabamos com sua raça!

- E se soubermos que um de vocês pôs sequer um dedo nela, nós os matamos! – outro diz, furioso.

- Cara, como fomos nos meter nessa? – Kukkai suspira, com um pirulito na boca.

É o que estou me perguntando. Em um momento estamos sentados, discutindo algumas táticas de luta e movimentos e de repente somos invadidos por um batalhão de homens, exigindo ver a Amu-chan. A primeira coisa que me veio a cabeça quando os vi foi que era uma invasão de gangue. Então percebi que eles não estavam nem ai para isso e que uns nem mesmo sabiam que estavam num local de reunião de uma das melhores e maiores gangues da cidade.

- Se pudessem se acalmar e por favor esperar… — Tadase tenta falar.

- Cala a boca, pivete! – um deles lança um olhar assustador para o Tadase que paralisa na hora. Caramba, até eu fiquei com medo agora. Esses caras devem com certeza fazer ou terem feito parte de uma gangue.

- Olha, nós não nos importamos com quem você é ou de que gangue você é, só queremos nossa Amu-chan.

- E eu já disse que ela não está aqui! – fala, já no limite – Quão difícil pode ser entender isso?

- Olha aqui garoto, se você não se parecesse com uma garota, já tinha acabado com você. – um deles dá um passo para frente – Agora, para o seu bem, é melhor você nos falar onde ela está.

- Oh, todo mundo já está aqui. – olho para a escada, vendo o Kei-kun descendo e sorrindo – E ai? Faz tempo que não vejo vocês, idiotas.

- Realmente, um longo tempo. – um deles, o que parecia ser uma espécie de líder fala – Você não mudou nada, ein?

- Talvez. E vocês? Ouvi dizer que o Kuu se casou. – ele sorri esguiamente e muitos deles gritam, brincando com um do grupo.

- Cala a boca. Só estou noivo.

Kuu… onde foi que ouvi esse nome? Alguns deles me parecem familiar, mas não consigo saber o por que…

- oi, Ikuto disse que já estava chegando. – Kukkai me diz.

- Finalmente. – suspiro.

- Então, Kei? Você disse que a Amu-chan estaria aqui. Esse garoto ai diz que não.

- não se preocupem, ela deve estar chegando.

- E ai, galera?! – Kakeru-kun aparece nas escadas, sorrindo.

- Kakeru!

E então começa uma espécie de ritual de reencontro, com socos, chutes, risadas e xingamentos entre eles. Sério, como é que eu fui me meter nisso?

- Yah, Ikuto! – escuto uma risada e de repente tudo fica em silêncio.

- Ah, Amu, por favor! Só mais uma vez!

- Não! Pervertido!

- Você não reclamou quando estávamos no terraço.

- F-foi diferente! – ela finalmente aparece, seu rosto vermelho, e Ikuto aparece logo atrás, sorrindo.

- Só mais essa, hm? – ele pede, mostrando seus olhinhos de gatinhos abandonado. Eu odeio quando ele usa isso.

- Eu já dis… Ikuto? O que foi? – ela para ao perceber que ele não estava mais olhando para ela, e sim para aquele grupo de homens. Ele foi rápido. Em poucos segundos, Amu-chan estava atrás dele, protegida por seu corpo e ele estava pronto para uma luta.

- Quem são vocês? O que estão fazendo na sede dos Tigres do Norte?

- Ikuto-kun, relaxa. – Kei sorri, saindo do meio do grupo.

- Você! Eu sabia que não podia confiar em você.

- Amu-chan! – todos os homens dizem ao mesmo tempo, atraindo a atenção tanto do Ikuto quanto dela.

- Eles dizem que querem falar com a Amu-chan. – digo.

- Por que? – Ikuto pergunta, sem relaxar por um segundo.

- Me solta! Me solta, Ikuto! – Amu-chan sai detrás dele, olhando para todos os rostos ali, seus olhos brilhando com lágrimas – Todo mundo…Kuu… — ela olha para o mais alto e um sorriso enorme nasce em seu rosto.

Não durou nem um segundo, e logo a Amu-chan estava sendo abraçada e segurada por cada um dos homens, que pareciam quase lutar entre si para poder ser o próximo a tê-la em seus braços.

- Shinitani-kun, Ren-kun, Shou-chan, Yuu-chan… — ela ria e chorava ao mesmo tempo, abraçando a todos eles.

- Relaxa, Ikuto-kun. Nenhum deles vai machucar a Amu-chan. – escuto Kei-kun sussurrar para Ikuto, que encarava tudo sem entender, mas ainda completamente de guarda.

- Quem diabos são eles?

- A galera. Nossa galera.

Notas finais
E ai? Continuou ou não? Reviews?