Notas iniciais
Bom, é minha primeira fic do gênero então espero que vocês gostem! Boa leitura, beijos!!

JUNGKOOK

O barulho pesado das gotas batendo contra a janela da sala de aula se misturava com a voz rouca e lenta da Srta. Brekker. Jungkook estava distraído observando o Pátio Central do Colégio em que ele estudava. Do outro lado do extenso Jardim a céu aberto, ele enxergava a área destinada às crianças mais velhas, as que já estavam no Ensino Médio. Era por volta das 10 da manhã e estava chovendo desde quando o menino havia saído de casa. O intervalo tinha sido uma merda por causa da chuva. Todos os seus melhores amigos estudavam do outro lado do prédio. Jungkook odiava ser o mais novo da turma, ele era pelo menos 3 anos mais novo que Jin e já estava de saco cheio daquilo. Quando Jungkook entrou no Ensino Fundamental I, Suga e Jin já estavam prestes a ir para o Fundamental II e abandonar a equipe. Entretanto, a idade nunca fora um grande problema para os garotos fora da sala de aula.

O garoto teve que passar o intervalo inteiro só com seus colegas de sala porque “quando está chovendo, as crianças não podem abandonar o Departamento”. Ele quase podia ouvir a voz da diretora dizendo essas palavras. O único elemento que ligava as 3 torres da escola era a Passarela central, que pendia sobre o Grande Pátio entre os edifícios. Entretanto, já faziam algumas semanas que ela estava em manutenção, então a única forma de chegar aos Departamentos 1 (Ensino Fundamental I) e 3 (Ensino Médio) era pelo gramado.

— Presta atenção na aula, idiota – Sun cochichou no seu ouvido, tirando sua atenção da janela e voltando para a aula. Jungkook virou para a colega que sentava atrás dele e disse:

— Me obriga – ela sorriu e chutou de leve a cadeira dele.

— Idiota – disse baixinho.

— Você já disse isso – Kookie provocou.

— Você me enoja – respondeu a garota.

— Sun! Jungkook! – Era a Srta. Brekker – vocês querem compartilhar essa grande conversa com a sala? – A voz da senhorinha era tão doce e calma que não era possível distinguir se aquilo era mesmo um sermão ou apenas um pedido sincero.

— Desculpe, senhorita – disse Kookie e virou para frente.

— Bom – acrescentou a professora.

— Idiota – Sun sussurrou em sua nuca e riu baixinho.

O garoto soltou um riso, mas se conteve. A velha professora já havia voltado sua atenção para a aula e Sun provavelmente voltara a mexer em seu celular. Estava mais escuro do que o normal lá fora, entretanto, o garoto pensou que deveria ser por causa da chuva. “Não é como se essa cidade fosse mesmo normal” ele pensou. O seu aplicativo de clima tinha dito que o tempo ficaria fechado pelo resto da tarde e o garoto apenas aceitou seu fardo destino. Provavelmente passaria o almoço sozinho também. Cada torre do Colégio tinha seu próprio refeitório, mas Jungkook adorava comer no Refeitório 3 porque 1) a comida era bem melhor e não parecia estragada e 2) tinha a companhia de seus seis queridos amigos... Ai ai.

Ele se lembrou de Sun e pensou que a garota também poderia ser mais velha e ele estar completamente sozinho. “Pelo menos tenho você, Sun” ele pensou desejando que a menina não precisasse nunca escutar isso. O que ela diria? Sun, junto de Dak-Ho, namorada de Suga, eram as duas garotas do grupo, o que as tornavam grandes amigas. Contudo, Dak também era mais velha, então Sun e Jungkook eram os mais excluídos. O parquinho destinado às crianças mais novas estava completamente encharcado atrás dos vidros que separavam Jungkook de sua liberdade.

O garoto percebeu que havia escurecido mais, o que era estranho considerando que já estava próximo do meio dia. “Até o sol quer morrer hoje” pensou o menino. Então ele deu uma rápida olhada ao redor da sala para ver se tinha alguém fora. Ninguém. “Minha chance” pensou. Ele levantou de seu lugar, foi até a mesa da professora e pegou o crachá escrito “banheiro”. Ele colocou o objeto em volta do pescoço e se dirigiu até a porta. “Ridículo”. Ter que colocar um crachá para poder sair da sala era mais um motivo que fazia Kookie odiar o Ensino Fundamental. “No Ensino Médio não tem isso” pensou antes de passar pela porta. O garoto então deu uma última olhada para a sala, Srta. Brekker escrevia alguma coisa na lousa sobre o corpo humano, um grupo de garotas cochichava no fundo da sala e Sun, para sua surpresa, não estava mexendo no celular mas sim prestando atenção no que a professora escrevia no quadro. A menina notou o garoto na porta olhando para ela com um olhar curioso e então riu. Ela pegou o celular e mostrou para ele clicando na tela escura.

— Sem bateria – ela disse com os lábios, sem soltar nenhum som.

O garoto riu e se virou para a saída, mas não antes de dar uma última conferida na janela. Escuro. Estava muito escuro, definitivamente aquilo não era normal. Ele já não conseguia enxergar as outras duas torres devido à escuridão. Jungkook então se dirigiu ao corredor, caminhou por alguns segundos observando as janelas dentro das salas de aula pelas quais ele passava... Muito escuro mesmo. “Que tempestade da porra” pensou e entrou no banheiro.

Ele não estava realmente apertado para ir ao banheiro então se dirigiu até a pia, onde se sentou e encostou suas costas no espelho. Kookie resolveu mandar mensagem para seus amigos então pegou seu celular do bolso do casaco. Todavia, seu celular não ligava. Apertou o botão e nada. Outra vez. Nada. E de novo. Nada. “Deve estar desligado”. Mas o garoto não lembrava de ter desligado nada. Apertou e segurou o botão liga-desliga. Sem sinal de vida...

— Merda – falou.

Antes de se levantar para voltar para a sala, o garoto notou algo estranho. O barulho da chuva contra a janela havia sumido. Como assim parou de chover? O banheiro tinha uma janela alta e pequena, então o garoto teve que ficar na ponta do pé para ver através dela. Escuridão era o que ele enxergava. Nada, um breu. Como se o próprio vidro da janela fosse negro. Empurrou o vitrô com força, mas parecia emperrada. Estranho... Olhou novamente para seu celular em sua mão. Desligado.

Foi aí que o garoto se deu conta de que Sun também não tinha bateria. “Melhor voltar” pensou. O garoto então saiu do banheiro e o ambiente do corredor estava estranho. Uma agitação no ar, pessoas falando, crianças falando, nada de matérias ou vozes chatas de professores gritando. Jungkook caminhou até sua sala observando as outras turmas através das portas. Na maioria das salas, os alunos pareciam estar observando alguma coisa na janela. Isso se repetiu para as próximas salas até chegar na sua. Kookie entrou no cômodo em que antes estava tendo aula e novamente, todos pareciam olhar para algo lá fora, inclusive a Srta. Brekker.

Sun olhou para trás e viu Jungkook parado observando na porta.

— E aí, idiota – ela disse com um sorriso no rosto, como se estivesse encantada com alguma coisa.

— O que está acontecendo, Sun? – Kookie perguntou.

— Vem ver – ela disse e riu. – Parece que de repente ficou de noite. A gente estava aqui tendo aula e do nada a chuva parou e os vidros ficaram escuros – uma fascinação estava estampada em seu sorriso. – Louco né?

— É... – Kookie soou meio preocupado. O que estava acontecendo? – Já tentaram abrir a janela?

— Já sim, mas parece que está emperrada – ela disse com uma tristeza evidente.

Sun era, de longe, a mais corajosa e a mais aventureira de todos os seus amigos. “De todas as pessoas que existem na Terra” ponderou Kookie. Entretanto, não se podia dizer o mesmo do menino. Situações diferentes da rotina tiravam o garoto de sua zona de conforto.

— E ah – a menina disse. – O celular de todo mundo parou de funcionar, não sei porque. Bak acha que foi uma tempestade magnética, ou algo do tipo, se é que isso existe.

Então sua teoria estava certa. Não era apenas seu celular que não ligava, mas o de todos também. E porque raios ninguém parecia preocupado com aquele tipo de situação? Jungkook andou até a sua mesa e expulsou alguns meninos que estavam sobre ela apoiados na janela tentando enxergar alguma coisa do lado de fora.

— Arruma suas coisas – Sun disse. – Acho que seremos dispensados, sem chance de quererem continuar com as aulas depois de um evento como esse. Não vejo a hora de encontrar Dak-Ho.

Como Sun conseguia parecer tão normal em meio a uma situação como aquelas? Ele abaixou, pegou seus livros que os garotos que ele expulsara haviam derrubado no chão e começou a guardar os seus pertences em sua bolsa. Ele estava fechando o zíper quando sentiu uma leve falta de ar, como se tivessem desligado um interruptor dentro de seu peito, mas ligado de novo rapidamente. Estranho.

— SENHORITA BREKKER – alguém gritou e Kookie tomou um susto. O garoto levantou rapidamente e o que viu o deixou apavorado.

No meio da sala, jogada no chão, sem vida e com as pupilas completamente negras, estava Srta. Brekker. Foi quando um alvoroço tomou conta de todo o andar e gritos se espalharam pelo corredor. Alguma coisa havia desligado o interruptor da velha senhora, mas esquecera de religá-lo.

Notas finais
É isso, comentem o que acharam! Beijos, amo vocês. Continuo?