Notas iniciais
Gente que história é essa que eu morri??Tava lavando o cabelo... VOLTEI VOLTEI VOLTEI até porque estava levando cuspida na cara por causa dessa demora toda.Mas então,desculpa miguxos.Se vocês soubessem a bagunça que a minha vida tá vocês não reclamariam.Tenho prova toda bendita quarta-feira e o bonde não tem piedade.Só não posso prometer uma data específica pro próximo capítulo mas vou tentar agilizar. Boa leitura.

A chuva caía intensamente ao redor da casa dos O’Hare,o barulho dos trovões se propagava longe mas mesmo assim seu efeito era enorme em Hermione.Os relâmpagos,os trovões e o breu a lembravam da guerra e ela tentava ao máximo espantar os pesadelos que começavam a surgir.Os corpos,as maldições,o caos,o cheiro da morte a perseguiam e ela correu até os joelhos cederem e ela cair.Fechou os olhos e começou a entoar essa pequena oração que sua mãe havia lhe ensinado.E então,tudo começou a mudar.Agora ela estava neste campo de centeio,o Sol brilhava intensamente e seus raios faziam o mundo parecer dourado.E o cheiro,ah,o cheiro.Cheiro bom,cheiro muito bom.Inconscientemente ela podia ouvir a chuva caindo lá fora e se aconchegou ainda mais naquele cheiro maravilhoso.

Draco Malfoy conseguia sentir a respiração de Hermione em seu pescoço.Ela estava agarrada em seu braço como se fosse uma tábua de salvação e inspirava em seu pescoço com fervor.Um pequeno sorriso começou a tomar conta do rosto cansado dela e ele tinha certeza que ela sonhava com algo bom.Apoiou o queixo no topo da cabeça dela e serpenteou seu braço para que ele a abraçasse.E dormiu.Bem.Dormiu muito bem.

Quando o Sol começava a apontar por entre as nuvens os dois foram acordados por batidas na porta de mogno.

“Hermione?Hermione querida,o café da manhã já vai ser servido”,disse Jules.

—Ah,claro Jules,nós já vamos descer –replicou Hermione,sonolenta.Voltou-se para Draco e começou a cutucar seu braço –Malfoy,Malfoy,MALFOY ACORDA!

—Mas tá tão bom aqui –ele disse,enterrando o rosto nos cabelos dela.E Hermione o empurrou da cama.

Desceram a passos preguiçosos as escadas em direção a sala de jantar.A grande mesa estava recheada de comida,quase um Salão Principal versão trouxa.

—Olha só quem resolveu aparecer!Finalmente,pensei que os pombinhos passariam o dia inteiro no quarto – disse Miranda.

—Bom dia.Bom dia pra você também Miranda –respondeu Hermione.

Sentaram-se na ponta da mesa,rodeados por magnatas londrinos e que,na verdade mais cruel,eram tão miseráveis de alma e espírito.

—Dormiram bem,meus amores? –perguntou Jules.

—Mais que bem,na verdade,Jules.Obrigada- respondeu Draco.

—A Hermione provavelmente sim,agora você meu colega...tenho certeza que quase quebrou uma costela tentando dormir com ela –disse Brian,bisbilhotando por cima do jornal.

—Não,eu realmente dormi muito bem,obrigada –replicou Draco.

—Porque a Hermione costumava me marcar todo quando dormíamos juntos.Ou pior ainda quando ela abria a boca e não parava mais de falar – Brian disse como se não tivesse ouvido a resposta seca que Draco lhe ofereceu.

Não confie no seu bom humor.Essa é a minha dica.Porque,usando como exemplo nossa pobre Granger,ele sempre te indica que “Olha,o dia vai ser maravilhoso” mas o dia sempre acaba uma merda.E agora a heroína de guerra se sentia tão pequena.O dia tinha começado tão bom,ela até tinha empurrado Draco Malfoy da cama,pelo amor de Deus!,e agora...Agora que o filho de uma biscate chamado Brian começou a falar dos tantos problemas que ela tem/tinha/nunca-teve-mas-ele-acha-que-sim seu humor se esvaiu.Assim,como num passe de mágica.Ficou observando suas mãos o tempo todo enquanto ele falava de como ela nunca soube nem fritar um ovo ou como nunca teve “a decência de ir arrumar o cabelo”.Ou de como ela não se importava com as figuras importantes de Londres.Os olhos castanhos se encheram de lágrimas grossas e Hermione desejava ter colocado um remédio mais forte que laxante na bebida dele.Afastou a cadeira,quase fazendo a mesa cair,e saiu a passos apressados para os jardins.

Draco,que estava absorto na tamanha babaquice de Brian,só viu pelo rabo do olho uma grande quantidade de cabelos encaracolados saindo pelas portas da casa.Levantou da mesa lançando um olhar furioso para Brian e saiu atrás de Hermione.

A encontrou deitada na grama,observando o céu.

—Eu me pergunto o porquê de você ter namorado ele- disse Malfoy,rindo amargo.

—Eu também.

—Sério,ele é um babaca.

—Eu sei disso Malfoy.Se você veio aqui jogar na minha cara que eu não sei escolher namorados pode dar meia volta- ela respondeu,irritada.

—Desculpe,não vou mais voltar no assunto-ele disse,se deitando na grama também.

Ficaram deitados lá,olhando as nuvens,por não sei quanto tempo,em silêncio.

—É que...eu não sei,ele me lembrava alguém –Hermione disse,quebrando o silêncio.

—Pensei que não íamos mais voltar nesse assunto- Draco disse,ainda observando o céu.

—Eu decidi voltar,fica quieto Malfoy.É horrível,sabe?Saber que ele me trocou por outra porque eu não sou o suficiente.É horrível,Malfoy.

—Eu sei,Granger.Mais que todo mundo,eu sei como você se sente.

—Jura?

—Hermione,a minha mulher se matou porque se sentia sozinha sendo que eu estava lá por ela o tempo todo.Porque eu não fui o suficiente pra ela.

—Você deveria parar.Deveria parar de ficar falando dela o tempo todo,isso só vai te corroer ainda mais.

—Impossível.

—Possível.

Silêncio.

—Só é difícil,sabe?Granger,você mais que ninguém, sabe das decisões idiotas que eu fiz na minha vida e a Astória foi a primeira coisa concretamente perfeita que eu clamei.Só é difícil...

Tem coisa mais bonita do que o silêncio preenchendo e aliviando corações inquietos?Não.Não mesmo.Ficaram lá com as costas apoiadas numa cama macia feita de verde por horas.Cada um silenciando suas dúvidas,concordando com suas falhas e agonizando com suas qualidades.Passearam pelas bordas das terras O’Hare até que o Sol voltou a se esconder por entre as nuvens carregadas.

—Pode ir,eu vou andar mais um pouquinho-Hermione informou.

—Tudo bem.Está com a sua varinha?

—To sim.

Draco Malfoy estava deitado na escuridão de seu quarto quando ouviu o ranger da porta.

—Hermione?-perguntou- Hermione é você?

Sentiu alguém subir na cama.

—Hermione?

Alguém estava respirando bem em cima de seu rosto,ok,ele ia morrer.

—Hermione?

—Aqui não é a Hermione.

Notas finais
~letizea termina o capítulo em partes emocionantes~ AMO VOCÊS,NÃO ME CRUCIFIQUEM (piadinha sem graça com a Páscoa #letizea #tem #área #vip #no #inferno). Beijos.