Notas iniciais
Heyyyyyyy.Cá estou eu,mais cedo do que nunca. Queria agradecer a duas leitoras em especial -Ingrid e Scarlett (seus pedidos serão logo,logo atendidos!)- por terem me dado uma injeção de ânimo.Eu as agradeço muito. E vocês em geral,por continuarem lendo a fanfic,MUITO OBRIGADA. Boa leitura.

Hermione ainda não tinha certeza do que fazia no terreno da Mansão Malfoy.Quando Draco a avisou que precisariam ir até a Mansão,após receber uma carta na hora do café,sentiu um nó formando em sua barriga.Lembranças ruins do local a fizeram prender a respiração quando a estrutura imponente entrou em seu campo de visão.O caminho era demarcado por longas sebes que guiavam até a entrada da residência,os jardins se estendiam por quilômetros,com pavões albinos circulando pela grama esverdeada.O palacete em si era assustador,com suas grandes colunas e janelas suntuosas,torres pontiagudas,e uma grande porta de carvalho no meio da estrutura.

Desde que haviam passado pelos portões da propriedade Draco observava Hermione de perto,podia ver a apreensão que ela demonstrava e se xingava internamente por isso,mas era preciso,ele não podia adiar a visita.

–Tem algo que preciso te dizer –ele falou,quando alcançaram a porta da frente –Minha mãe está muito doente,desde que meu pai foi beijado por um dementador ela cedeu à loucura.Tem tido perca de memória,se atrapalha no reconhecimento dos outros,bem,esses são os principais.

Ouviram movimentos do outro lado da porta,passos leves contra o piso e alguém gritando “Dobby,não há necessidade querido,são minhas visitas”.

–Só ...-começou ele,interrompido pela porta sendo aberta.E lá estava Narcissa Malfoy,em toda sua glória,seus cabelos castanhos contrastando com as mechas loiras,seus olhos azuis opacos,sua pele de um branco fantasmagórico.

–Draco! –exclamou a matriarca,enrolando seu filho em um abraço.

“Oh,Astória,minha querida” disse Narcissa,desvencilhando de seu filho e indo em direção à Hermione ,”como você está?”,ela completou beijando-lhe ambas as faces.

–E o meu pequeno Scorpius? –exclamou Narcissa,abaixando para beijar a barriga de uma Hermione surpresa.Puta merda,a morena pensou.Olhou para Malfoy que encarava o chão,seus olhos castanhos umedecidos,a garganta seca,o nó no estômago se transformando em uma dor incessante.Havia muito mais nessa história do que ela previra.

–Muito bem,obrigada – respondeu Granger,forçando um sorriso.

–Bem,não fiquem aí parados no capacho como dois sem-teto,entrem,entrem.

O interior da casa continuava do mesmo jeito desde que Hermione fora lá pela última vez.Os mesmos quadros dispostos nas paredes,o mesmo sentimento de perfeição exagerada,melancolismo extremo.Hermione não tinha percebido o tamanho do impacto da casa sobre ela até que alcançaram a sala onde tudo aconteceu. Hermione quase podia sentir a cicatriz em seu braço queimar,parou na batente da porta tentando afogar o pânico que começava a se formar,respirava com dificuldade sentindo como se um peso enorme tivesse sido colocado em seu peito.

–Mãe,está um dia tão lindo.Não acha formidável que sentemos no pátio? –interrogou Draco,sabendo que aliviaria –não muito- a situação de Hermione.

–Ora,mas é claro!Como não pensei nisso antes?Vou pedir que Dobby leve chá e biscoitos para lá –ela respondeu,saindo da sala.

Draco andou incerto até onde Hermione prostava,enrolando-a em seus braços.

–Sinto muito por isso-ele disse,sincero.Seu pedido de desculpas contendo não apenas redimo pela situação do momento,por ela estar ali tendo flashbacks de seu sofrimento,mas também,pelo sofrimento em si.

–Está tudo bem –ela replicou,a voz trêmula.

–Vamos,vamos sair daqui –ele disse,a guiando para fora da residência.

O Sol brilhava intenso no céu límpido da tarde,as folhas farfalhavam com a brisa morna.

–Aqui estão eles,eu disse que eles já estavam aqui! – Narcissa exclamou para uma senhora de meia idade,vestida em um traje azul-celeste.

–Helena –disse Draco,cordial,à senhora.

–Olá,querido – ela respondeu,um sorriso iluminando a sua face,apesar de seu olhar mostrar-se triste e nublado – E você deve ser Hermione Granger!

–Hermione Granger? –interrompeu Narcissa,incrédula-Você deve estar louca Helena,esta é Astória Greengrass,futura senhora Malfoy.Me desculpe,Astória,ela não tem tomado os remédios ultimamente –riu a matriarca.

–É um prazer te conhecer,Helena- respondeu Hermione,a senhora apenas lhe olhou com compaixão.

–Bom,sentem-se.O chá já está esfriando.

Enquanto servia-se do chá Hermione não pode deixar de pensar na cena que se passava à sua frente.Narcissa Malfoy adornada de seus trajes monocromáticos,tomando seu chá com o dedo mindinho levantado e a mente insana.Quanto tempo levaria até que a loucura se tornasse ela e não apenas mais uma parte dela?

–E como vai a gestação,Astória? –Narcissa perguntou,fazendo Hermione voltar à realidade.

Olhando para Draco,que evitava ao máximo fazer contato visual com ela,respondeu:

–Muito bem.

–E os enjoos?Ah,quando eu estava grávida de Draco eu sentia os piores enjoos da Grã-Bretanha,Lucius mandou estocar uma quantidade enorme de poções para mim –riu ela –Aliás,Draco meu querido,não tenho visto seu pai ultimamente?Tem alguma ideia de onde ele possa estar?Ele sabe muito bem o quanto eu odeio quando ele faz isso.

–Não,mãe.Ele provavelmente estará de volta em breve –Draco replicou.

–É bom mesmo,você não tem noção do quão sozinha eu me sinto nessa casa.Ás vezes posso jurar que escuto os gritos daquela sangue-ruim na sala de estar.Me deixam louca.Só de pensar no sofrimento que ela passou,ah meu Deus.Você deveria procura-la,Draco.Por mim,que seja,e pedir desculpas pelas péssimas maneiras com as quais a tratamos.

–É eu deveria mesmo –ele disse,olhando de soslaio para Hermione.

– Você deveria ver,Helena,a pobre coitada esparramada no chão e Bella em cima dela cravando mal dizeres em seu antebraço,terrível,uma visão terrível.Ainda tenho pesadelos com isso –terminou Narcissa,esmigalhando um biscoito.

A mesa caiu num silêncio agonizante,apenas entrecortado pelo uivo baixo do vento.

–Draco,se importa se eu falar com você por alguns minutos?Com licença –disse Helena,se distanciando da mesa com Draco em seu encalço.

–Eu sei que ele ainda sofre com isso –começou Narcissa- Eu acordava no meio da noite para vagar pela casa,problemas para dormir,entenda.Quando passava pelo quarto dele podia ouvir ele clamando “Por favor tia Bella,por favor,pare”.Acho que ele se sente culpado por não ter feito nada.Mas não havia nada pra ser feito,às vezes interromper o sofrimento alheio causa um sofrimento ainda maior.

Hermione dirigiu o olhar até Draco.Ele permanecia encostado em uma árvore,ouvindo atento ao que Helena dizia,balançando a cabeça em sinal de consentimento de vez em quando.

–Mas depois ele se mudou,foi para a faculdade e conheceu você.Acho que agora ele dorme em paz.

–É,dorme sim –Hermione respondeu,ainda olhando para o loiro.

A tarde passou em um piscar de olhos,quando o Sol começava a se por no horizonte,Helena se levantou avisou que ela e Narcissa se retirariam porque estava na hora da medicação diária.

–Foi um prazer lhe conhecer –disse Hermione à enfermeira.

–O prazer foi todo meu,querida.Bem,tenham uma boa noite e uma ótima viagem de volta.

–Eu realmente não vejo necessidade em tomar esses remédios,eu já disse que estou me sinto muito bem.

–Cissa,já conversamos sobre isso.Ande,vamos,dê tchau para eles.

Narcissa se despediu relutante do casal,agradecendo-os pela visita e pedindo que voltassem em breve.

–Ela estava grávida –disse Hermione,enquanto andavam até os portões.

–Sim –foi o que ele respondeu.

–Eu sinto muito.

–Tá tudo bem,Granger –ele disse após atravessarem os portões.E aparataram de volta a Londres.

–Ainda temos algum tempo até termos que nos separar,o que você quer fazer? –ele perguntou.

–Vamos só...andar por aí –ela respondeu.

A Lua já estava alta no céu quando eles se aproximavam do edifício onde Hermione morava.Haviam andado por toda a extensão de Chingford,até que o horário começou a se encurtar.

Hermione andava imersa em seus próprios pensamentos,relembrando o que havia ocorrido naquela tarde e todos os pontos que a levaram até ali,não sabia explicar o que sentia.

Dizem que sua alma fica bem em cima de seu estômago. Hermione concorda plenamente com isso, sempre sente tudo bem ali na boca do estômago.Medo,raiva,angústia.Quando está triste responde todos os “está tudo bem?” com, ”tudo, só uma dor no estômago”.

Eram nove e cinquenta e cinco quando alcançaram a entrada do edifício,sentaram-se na escadaria que levava ao hall do prédio,esperando o tempo passar.

–Eu devia ter te contado –Draco disse,interrompendo o silêncio.Hermione o olhou.

–Era muito pessoal,Draco.Não tem problema,sério.

Se entreolharam, se compreendendo mais do que nunca.Hermione olhou as feições que compunham a obra de arte conhecida como Draco Malfoy.Quem diria,quem diria.Sentiu o nó no estômago se desatando dando lugar à pequenos farfalhares de asas.

–Nove e cinquenta e nove,acho que vou indo –ele disse,quebrando o contato visual.

“Boa noite,Hermione”.

–Boa noite,Draco –ela disse,mas ele já havia desaparecido.

Ficou lá paralisada na escadaria por alguns instantes,tentando entender como a sua alma tinha virado um panapaná.

Notas finais
Panapaná:coletivo de borboletas. É isso gente,ainda tem coisa pra acontecer. Amo vocês.