Blackmail
13 Capítulo 13
Notas iniciais
Hermione não dormia.Passava todos os dias sentada ao lado da cama de Mary Elizabeth,fazendo ligações,orando,chorando baixinho.O quadro da garota estava ameno,pra falar a verdade,ela estava a um dia de ter alta mas todas as vezes que Hermione batia os olhos na pobre coitada sentia seu coração ser pisoteado por um milhão de rinocerontes.Fechava os olhos e conseguia ver o dia em que fosse deixar Mary no aeroporto com rumo á Austrália pra morar com sua tia Samantha.E então seus globos oculares eram hidratados por uma enxurrada de água.”Nós vamos manter contato,Mione,eu prometo”,era o que a garota dizia para acalmar a morena.Nenhum efeito.
–Você jura? – indagava Hermione.
–Juro de dedo mindinho- respondia Mary.
E o ritual se repetia todos os dias,toda hora que Hermione começava um monólogo de como tudo seria mais fácil se Mary pudesse morar com ela.Foram 563 promessas.
Draco estava cansado,mental e fisicamente.Passara os últimos 10 dias fazendo plantão para manter os olhos grudados em Mary.Precisava de uma boa noite de sono,e férias de 5 anos.Passou a suportar um pouco mais a presença de Hermione Granger no hospital,via ela de hora em hora andando pelos corredores como se fosse um fantasma.Sinceramente a mulher era um porre,no dia após a internação de Mary Elizabeth ele a avisou que o quadro não era agravante e que tudo já estava controlado.Mas não,ela insistia em passar o dia inteiro no pé da cama,chorando – o que ele pensou que nunca ia ver.Não via como ela conseguiu se apegar tanto a garota,principalmente depois que teve certeza de que ela não moraria mais ali e que ia embora pra Austrália.
No dia de levar Mary ao aeroporto os dois foram apertados no carro de Hermione,com a menina no banco traseiro.Saíram do carro,arrastaram as malas até o saguão,encaminharam Elizabeth até o check-in e esperaram o horário do voo.Ninguém dizia nada.Hermione sabia que se abrisse a boca iria sair um soluço agudo e ela não controlaria as lágrimas,Draco estava dormindo de olhos abertos e Mary enrolava um fio de cabelo na ponta do dedo indicador.
–Passageiros do voo 187,por favor,se encaminhar para a sala de embarque- avisou uma voz feminina.
–Então é isso –disse Mary se levantando.
–É –respondeu Hermione.
–Antes de ir eu queria,hm,agradecer vocês por tudo.Tudo mesmo,eu sinceramente não sei o que seria de mim sem a ajuda de vocês dois.
–Mary –começou Hermione.
–É sério,Mione.Ninguém nunca fez algo assim tão grande por mim e eu sou eternamente grata.
Mary abraçou Hermione tão forte,inspirou todo o ar que podia e tentou guardar o cheiro de sua salvadora na memória,fechou os olhos,suspirou um “eu te amo” tropeçado para a morena e se afastou.Abraçou Draco,fechou os olhos,agradeceu mais uma vez por tudo e pediu que ele cuidasse de Hermione pra ela.
–Tudo bem –ele disse.Ela se afastou,forçou um sorriso triunfante que podia fazer todas as flores crescerem,acenou para os dois e desapareceu na sala de embarque.
–Vou sentir falta dela.
–É,eu também –Draco respondeu.
Saíram do aeroporto em busca do pequeno Prius de Hermione.
–Onde diabos esse carro tá? –ela perguntou.
Encontraram o automóvel na carroceria de um guincho.
–OW ESSE CARRO É MEU –exclamou a morena.
–Me desculpe senhora mas nós somos obrigados a guincha-lo –respondeu um senhor de meia-idade com bigode grosso e uma barriga gigantesca.
–O quê?Por quê?
–A senhorita estacionou num local proibido.
–Quê?Claro que não.
–Senhora,todas as vagas pintadas de azul são proibidas.
–Droga,droga,droga.Okay mas eu estou aqui,eu posso te mostrar meus documentos e o senhor libera o meu carro,não libera?
–Me desculpe mas eu não posso,mas a senhora pode retirar o seu carro segunda-feira no pátio da polícia.
–MAS QUE POR-começou Hermione.
–Tudo bem senhor,muito obrigado.Tenha um bom dia –interrompeu Draco.
A mulher observou furiosa seu carro ser levado pelo guincho.
–Mas que droga Malfoy,por que você não me avisou nada?
–Wow,pera aí.Eu avisei setecentas vezes que você não deveria estacionar ali,mas você não me escuta pra nada.Na verdade,eu tenho quase certeza de que você não me escutaria nem se sua vida dependesse disso.
Hermione o fuzilou mentalmente.
–Anda,sabe-tudo,vamos pegar um metrô.
A coisa sobre metrôs londrinos é:você encontra todo tipo de gente neles.Outra coisa sobre os metrôs londrinos é:você tem uma facilidade enorme pra se perder.
Draco e Hermione passaram por três estações diferentes,em três bairros diferentes em menos de 2 horas e 17 libras foram gastas com quatro tickets.
–Sério mesmo,Malfoy?Você não sabe usar a porra de um metrô? –Hermione disse,brava.
–Não venha jogar a culpa em mim,a única coisa que você sabe fazer é reclamar o tempo inteiro.
–Reclamo mesmo,nós fomos parar na estação de Heldshire,no outro lado da cidade.
–Granger,por favor,cala a boca.Minha cabeça está pra explodir e a sua voz é extremamente irritante – ele disse,sentando e massageando as têmporas.
–Vai se foder,Malfoy – ela disse,se sentando do lado de uma velhinha que segurava umcarrinho de supermercado repleto de bugigangas.Malfoy sentou no banco,fechou os olhos e entrou dormiu assim que as pálpebras se tocaram.
–Vocês sempre brigam?-perguntou a senhora,apontando para o loiro adormecido.
–Sim,acredite,ele é insuportável.
–Mas vocês formam um casal lindo,isso ninguém pode negar.
–Oh,não,não.Nós não somos um casal.
–Sério?
–É,eu prefiro morrer do que ter alguma espécie de relacionamento amoroso com ele.
–Jura?
–Juro –disse Hermione rindo.
–Bom,eu posso te ajudar.
–A senhora por um acaso é assassina de aluguel?
–Não,bobinha –replicou a senhora- Vem cá,me dê a sua mão.
–Okay –disse Hermione,estendendo a mão direita.
–Eu aprendi isso com a minha mãe,que Deus a tenha.É uma velha magia passada de geração em geração na minha família.Afasta qualquer tipo de indesejáveis.
Bom,ela é louca pensou a morena.Mas continuou com a mão estendida,não queria desapontar a pobre velhinha falando que não acreditava que ela tinha poderes sobrenaturais.
–Eu não me lembro muito bem das palavras...Mas vou tentar,tudo bem?
–Tudo bem- disse Hermione,hesitante.
A senhora murmurou algumas palavras desenhando com a ponta dos dedos calejados formas na mão de Hermione.
–Prontinho,se sente diferente?
–Na verdade n-começou Hermione,mas foi interrompida pelo trem parando bruscamente.
As luzes piscavam sem parar e Draco acordou de imediato.
–O que está acontecendo? –ele perguntou.
–Uh-oh,isso não deveria estar acontecendo –a senhora replicou,espantada.
–O quê?Como assim?-disse Hermione.
–Eu acho que o encantamento saiu pela culatra.
Fale com o autor