Suas pálpebras estavam pesadas, as forçou e abriu os olhos, se arrependeu no momento que a claridade fez seus olhos arderem. Sentou-se na cama enquanto esfregava os olhos e notou que estava nu. Seus olhos, agora habituados a claridade, podiam ver onde se encontrava, em um quarto de hotel.


Um quarto simples com paredes brancas e poucos e simples móveis. Percebeu que suas roupas estavam jogadas no chão e não pôde deixar de sorrir pensando no quanto a noite devia ter sido boa. Tentou se lembrar do que acontecera, mas isso fez apenas com que sua cabeça doesse.


Ouviu um barulho vindo de uma porta da qual julgou ser o banheiro. Talvez a garota que passou a noite com ele poderia esclarecer lembrá-lo de como ele chegou nesse quarto. Levantou-se da cama e se colocou a pegar as peças de roupas que estavam no chão, vestiu apenas a cueca e deixou o resto das roupas jogadas na cama.


Andou até a porta do banheiro e a abriu com certa relutância. Pediu mentalmente para que a garota fosse bonita, pois quando ele bebia seus critérios quanto a garotas diminuíam muito. O banheiro estava todo enevoado, num conseguia ver muita coisa. Só ouvia o barulho do chuveiro ligado, entrou e fechou a porta atrás de si.


Ficou parado na porta esperando ter algum vislumbre dela, mas a fumaça não diminuía.


-Vem tomar banho comigo. — Disse uma voz masculina


Ele balançou a cabeça, devia ter escutado errado, talvez tivesse ingerido algo mais do que a bebida habitual e isso fez com que ele tivesse ouvido essa voz grave parecida com a de um homem.


-Você vem ou não? — A voz masculina perguntou


Ou talvez a garota tivesse uma voz grave de manhã, igual sua irmã possuía quando ainda estava sonolenta. O barulho de água cessou, ele permaneceu parado em frente a porta da banheiro.


-Você vem ou não, caramba? -Perguntou a voz tornou a pergunta.


A névoa que estava em todo o banheiro foi se tornando mais fina e ele pode ter uma visão perfeita de um homem nu, de cabelos logos negros e que detinha olhos azuis. Seu corpo possuía poucos músculos, mas de um modo atrativo.
Balançou a cabeça em negação respondendo a pergunta do moreno e saiu do banheiro rapidamente fechando a porta. Andou até a cama e pegou suas roupas e as colocou rapidamente.


Isso não podia ter acontecido. Passou as mãos na cabeça bagunçando os fios de seu cabelo ruivo. Algo que sempre fazia quando ficava nervoso

.
— Calma, Erick! Isso tem uma explicação, você não transou com um cara. — Sussurrou para si mesmo enquanto se sentava na cama.


Tentou se lembrar da noite passada, da última coisa que lembrava era de ter ido ao Deep Hole, a boate que sempre ia com seus amigos e depois disso só se lembrava de ter acordado nesse quarto de hotel. Procurou no bolso da calça seu maço de cigarros, mas não o encontrou. Precisava-os para se acalmar e para piorar sua cabeça latejava, o que sempre acontecia após uma noite de bebedeira.


-Aconteceu alguma coisa? -Perguntou o moreno enquanto saía do banheiro usando apenas um jeans e com a toalha sobre os ombros.
O ruivo se virou assustado; não tinha ouvido os passos do outro. Fitou o moreno e não conseguia imaginar que eles podiam ter feito algo, ele não parecia o tipo de cara que saía com outros.


-A gente fez? -Perguntou Erick ignorando a pergunta do outro.


O moreno sorriu, ele não sabia se era um bom sinal. Mas, o outro não se pronunciou apenas andou pelo quarto a procura de algo. A espera estava matando-o, tinha que ter certeza se tinha rolado algo entre eles.


O moreno parecia ter desistido do que procurava e olhou para Erick. Abriu a boca para começar a responder a pergunta, mas foi interrompido quando ouviu o alerta de que algum celular emitia.


Erick sorriu constrangido enquanto tirava o celular do bolso, deveria ser um de seus amigos perguntando onde ele estava. Ele tocou na tela touchscreen do aparelho e viu a mensagem, nela estava anexada uma foto dele beijando esse moreno cujo nem se lembrava com a legenda:


TROCANDO DE TIME, SEMPRE DESCONFIEI.


Ele olhou incrédulo para tela, não podia ser verdade. Ele tinha passado a noite com esse homem e ainda por cima tinham tirado uma foto. Nem quis pensar no que aconteceria se isso fosse visto por outras pessoas.


-Acho que isso responde minha pergunta. -Disse Erick em um tom ressentido, jogou o aparelho para o outro que o pegou rapidamente. — Que tipo de brincadeira é essa?


O moreno olhou para tela do aparelho, depois olhou Erick


-Eu não sei. -Respondeu o outro. -Isso não tem nada a ver comigo
Erick se levantou rapidamente se aproximou do moreno.


-Isso não pode vazar. -Disse ao moreno. -Eu nem estava em mim quando fiquei com você e nem me lembro de como cheguei aqui, ou do que a gente fez.


-Essa desculpa não. -Disse o moreno revirando os olhos e aumentando o tom de voz — Você estava bem consciente quando me jogou nessa cama e tirou minha roupa, isso sim!


Erick o olhou estarrecido, não conseguia aceitar que teria feito algo desse tipo com um homem.


-Não tenho nada a ver com essa foto. -Disse o moreno. — E pra mim não é nenhum problema que ela apareça por aí, sou muito bem resolvido diferente de você.


Erick só se virou e se dirigiu para porta, abriu-a bruscamente e andou rapidamente em direção aos elevadores. Apertou o botão várias vezes, na esperança de que isso o fizesse chegar depressa.


Parecia que tinha sido uma eternidade para o elevador chegar, quando chegou ao seu andar, entrou e apertou o botão do térreo. A música que tocava era irritante. Balançou a cabeça tentando esquecer que um dia esteve nesse hotel, não queria ver nunca mais esse homem e apagaria da mente que um dia já tinha feito sexo com um homem. Tarefa fácil, pois não recordava de nada da noite passada.


Quando o elevador chegou ao térreo, passou pelo saguão rapidamente e saiu do hotel, só olhou para trás e viu tinha passado a noite no Empire. Entrou rapidamente em um táxi que um casal de idosos acabava de saltar e ditou seu endereço ao motorista.


Olhou pela janela e viu a massa de turistas, que sempre estava lotando a Broadway. Fechou os olhos sua cabeça ainda latejava, mas uma dor a qual já estava habituado. Permaneceu assim todo o trajeto só abriu os olhos quando o motorista o avisou que chegaram ao seu destino.


O ruivo entregou uma nota de 20 para o taxista e saiu do carro. Não ligava para o troco, nunca precisou se preocupar com dinheiro. Olhou para prédio no qual residia, um edifício antigo localizado na Quinta avenida. Andou ate a porta do prédio sendo recebido pelo porteiro e passou direto pelo hall pegando o elevador até o ultimo andar.


Quando a porta do elevador se abriu já estava na sala de sua cobertura. Foi recepcionado por uma mulher que aparentava ter quarenta anos, de feições suaves e que possuía um cabelo ruivo e olhos verdes iguais ao de Erick, usava um vestido verde claro e andava impaciente pela sala.


-Erick Christopher Jones. -Disse a mulher ao ver seu filho entrando em casa. Nos últimos vinte minutos, eu te liguei umas 30 vezes.


-Não ligou. -Respondeu imediatamente enquanto procurava o aparelho em um dos bolsos da calça


-Bom que está em casa. -Disse a mulher sorrindo. -Tome um banho e coloque o terno que sairemos em 20 minutos para casamento do sócio de seu pai


A mulher deixou a sala e Erick continuou a procura de seu celular. Não tinha nada nos bolsos a não ser a carteira e ele se lembrou que não pegou o celular de volta com aquele homem.


-Erick 18 minutos. -Gritou sua mãe de algum outro cômodo da casa.


Erick começou a andar em direção ao seu quarto, odiando a ideia de ter que voltar aquele quarto de hotel a procura daquele homem.

Notas finais
Review?