Blackfyre

6 Romances Florescem


Notas iniciais
Olá, amores! To um pouco ausente, mas é que eu tô participando das ocupações aqui da minha faculdade, ajudando com as palestras e com a limpeza que a ocupação está fazendo. Não se deixem enganar pelo que passa na televisão! Nunca tinha visto minha facul tão limpa, organizada e com tantas palestras e projetos quanto agora! =3 Mas bem, a maioria de vocês não liga pra isso e isso não tem nada que ver com a fic kkkk Mais um capítulo pra vocês! Espero que gostem! Beeeijos

Romances Florescem

Céus, por que ela precisa ser tão bonita? Se perguntou mirando Sansa Stark caminhar com o príncipe e herdeiro do trono. Ela é só uma garotinha, mas mesmo assim...

Valerion estava em cima de uma árvore, tocando uma flauta de madeira que tinha feito com as próprias mãos. Vira Arya e um garoto camponês brincarem com pedaços de madeira e decidira observar enquanto tocava sua flauta. Mas os dois acabaram se afastando e ele os perdeu de vista. Agora via apenas Joffrey e Sansa passearem juntos, como um casal apaixonado.

E isso lhe dava vontade de esmurrar alguém. Sansa e Joffrey continuaram a caminho do Tridente e Valerion os perdeu de vista.

—Partindo de Harrenhal... Em busca da minha sorte... Passei pelo rio Tridente... Em busca de rubis... Lá encontrei uma bela donzela... Ela me disse que seu nome era Nell... — cantarolou deixando a perna balançar, frouxamente – Nell... esse nome rima melhor com “fel” ou com “Mel”? – suspirou pensando em Sansa – Aegon é mortal com sua espada e famoso com sua lança. Shiera sonha com o futuro e ninguém escapa das flechas que ela atira... e eu sou mortal com minha pena, um pergaminho e uma flauta... o filho do meio, apaixonado por uma garota com quem nunca falei e que está prometida a meu príncipe... eu sou um verdadeiro... – escutou um grito vindo das árvores. Valerion piscou e escutou um grito agudo novamente e pensou que poderia ser Sansa ou até Arya. Pulou da árvore, sacou sua espada e correu em direção dos gritos. Quando estava para chegar, Arya passou veloz com Nymeria logo atrás – Arya, está tudo bem?

—Eu preciso fugir! – gritou ela.

Valerion piscou, sentindo-se confuso e avançou até encontrar Joffrey e Sansa às margens do Tridente. O braço do príncipe sangrava de leve e ele gritava para que Sansa não o olhasse.

—Você está bem, Lady Sansa? – perguntou preocupado.

—Sim. Precisamos buscar ajuda, para Joffrey. Ele está ferido! – lamentou Sansa.

Eu poderia ser capaz de afogá-lo, mas então eu seria só mais um Blackfyre enfrentando a coroa.

—Vossa Graça. Precisa de ajuda para se levantar? – perguntou Valerion.

—VÁ EMBORA! – gritou Joffrey, com lágrimas descendo por suas bochechas. Valerion olhou para o ferimento do príncipe e se abaixou para ver se ele precisava de ajuda imediata, mas logo notou que já tinha levado uma mordida muito pior do cachorro de estimação de Aegon, assim que voltara para Harrenhal, depois de ser treinado por Stannis. Sentiu uma vontade de rir de Joffrey, por ele ser tão sensível e fracote, principalmente porque ele estava fazendo uma cena na frente de Sansa, mas achou mais sábio não fazê-lo – Vá embora! Já disse! Não olhe pra mim!

—Claro, Vossa Graça. Chamarei seu Cão. – riu sem conseguir evitar – Lady Sansa, o príncipe quer ficar sozinho um minuto. – disse guardando sua espada. Guiou Sansa até o acampamento e disse que Joffrey precisava de assistência a Sor Sandor Clegane.

—Ele vai ficar bem? – perguntou Sansa, parecendo muito preocupada.

—Homens piores que ele sobreviveram a ferimentos mais graves, Sansa... aquele ferimento mal vai deixar uma marca, não se preocupe.

—Mas ele parecia estar sentindo muita dor. – lamentou Sansa.

—Talvez o orgulho dele estivesse mais ferido que o braço. O que aconteceu? – perguntou. Sansa pareceu nervosa e baixou os olhos.

—Oh... foi tudo culpa de Arya... ela... ela estava brincando com um menino e... e irritou Joffrey e... e o príncipe, bem... a culpa foi de Arya! Ela não sabe controlar o lobo dela.

—Nymeria atacou o príncipe para proteger Arya? – perguntou Valerion. Sansa parecia quase em pânico.

—Mas a culpa foi de Arya!

—Lady Sansa... Arya é sua irmã, não deveria ficar contra ela assim tão fácil... – murmurou gentilmente e Sansa corou como se ele a tivesse repreendido – Sei que Joffrey parece um galante príncipe, mas não se engane... – disse baixinho e ela o olhou confusa – Joffrey não é um garoto bonzinho. Ele... pode ser um tanto... difícil... eu não... eu tomaria cuidado com ele, no seu lugar.

—Você tem muito mais eufemismos que sua irmã... ela disse coisas terríveis dele, mas eu acho que ela estava com ciúmes de mim. Porque eu fui prometida a Joffrey.

—Oh, não, milady. Se minha irmã fosse prometida a ele, ela roubaria um cavalo e fugiria para a Muralha. – ou melhor, para Jon Snow...— Ela odeia Joffrey. Ele nunca foi muito gentil com ela... ou melhor. Ele não é gentil com ninguém.

—Ele foi comigo! – teimou a menina e Valerion suspirou.

—Bem... você vai morar em Porto Real e vai fazer parte da corte. Vai ter tempo para aprender... – Valerion soltou um suspiro, mordiscando o lábio – Onde está sua loba, Sansa?

—Hum? Por que?

—Curiosidade. – disse bolando um plano arriscado. Sabia que Cersei iria querer a cabeça de Nymeria, mas tinha certeza de que Arya daria um jeito de esconder a loba... talvez sobrasse para Lady. Se estivesse errado, era só dar algumas ordens. Mas se estivesse certo, teria a gratidão e atenção da menina e isso era tudo o que ele queria – Deveria descansar, lady Sansa. Esse susto deve ter sido muito para alguém tão linda e delicada como você.

Sansa sorriu encantada e corada e ele a achou ainda mais adorável. Devo ser mesmo um sonso. Aegon me daria um tapa na cabeça se me visse derreter por uma garota boba desse jeito...

—Obrigada, Valerion. É muito gentil.

—Sua loba? Onde está? – perguntou ele – Gostaria de dar uns biscoitos para ela. É a mais comportada de todas, não é?

—Sim. Eu a estou treinando. – concordou Sansa, orgulhosamente.

—Posso te acompanhar até seus aposentos?

—É claro. – riu ela.

A acompanhou e ficou bobo com o quanto ela era bonita. Os cabelos vermelhos, os olhos azuis, os lábios bonitos, e o sorriso... céus, o sorriso. Poderia ser capaz de escrever músicas e mais músicas sobre aquele sorriso. Talvez o fizesse e cantasse para ela.

Quando deixou Sansa em seus aposentos, saiu até onde ela lhe dissera que Lady estava. Chamou alguns de seus homens e lhes entregou algumas moedas.

—Arrumem tiras de carne e levem essa loba para Winterfell. – ordenou. Os homens de seu pai lhe dirigiram olhares confusos – Só façam. Eu tenho o consentimento de Lady Sansa. Mas levem o mais depressa possível e de forma discreta.

Foram necessários dois dias para que encontrassem Arya. Valerion tinha dito a Sansa que tinha escondido Lady, para a segurança da loba, pois a rainha poderia ficar zangada pelo que Nymeria fez, mas prometeu que logo a garota teria sua amiga canina de volta. Porém, a ruiva emburrou com ele imediatamente e por conta disso suas chances de ficarem com ela foram frustradas. Ele só podia contar com o senso de injustiça de Cersei.

Estavam abrigados no castelo de Raymun Darry, que lutara por Rhaegar na batalha do Tridente. Com a comitiva real, os homens de Darry, dos Lannisters, dos Starks e dos Blackfyre, em um castelo muito pequeno, as tensões queimavam tensas e pesadas. Claro que para alguém que vivia em Harrenhal, qualquer castelo era pequeno, mas o de Raymun Darry era menos da metade do que era Winterfell, por exemplo.

Quando encontraram Arya, Valerion e seu pai foram para os aposentos do rei. Os nobres e os homens dos Lannisters estavam lá. Seu pai não parecia muito feliz... na verdade, ninguém ali parecia feliz. Arya chorava assustada enquanto recebia olhares fulminantes de Joffrey e da rainha.

Lorde Eddard logo apareceu, correndo direto para a filha, para abraçá-la.

—Arya!

—Sinto muito. Sinto muito... – choramingava a garota abraçada ao pai.

—Eu sei, você está ferida?

—Não... mas estou com fome. – respondeu ela.

Ned a soltou e se levantou. A preocupação dando espaço em seu semblante para a indignação.

—Qual o sentido disso? Por que não fui informado que minha filha foi encontrada?!

—Como você se atreve a falar com seu rei dessa maneira?! – questionou Cersei. Valerion sorriu gostando de como ela estava zangada. De acordo com o que Shiera lhe disse quando os dois voltaram para Harrenhal, Cersei tinha uma queda por crueldade quando ficava zangada. Precisava mostrar para Sansa que estava certo.

—Quieta, mulher. – ralhou o rei. Ele se sentou mais confortavelmente em sua cadeira e suspirou – Sinto muito, Ned. Pareceu melhor resolver esse assunto rapidamente. – explicou ele.

—E que assunto é esse?

—Sua filha e o filho do açougueiro atacaram meu filho. Bateram nele com varas, enquanto ela mandava seu lobo atacá-lo. – rosnou Cersei e Valerion prestou atenção em cada palavra que ela disse.

—Não foi assim que aconteceu! – ralhou Arya, indignada.

—Foi sim! – rosnou Joffrey – Eles me atacaram e jogaram a Dente de Leão no rio. – Dente de Leão era o nome da espada de Joffrey, pelo que sabia. O garoto adorava exibir a espada.

—Mentiroso! – gritou Arya, enfurecida.

—Cala a boca! – devolveu Joffrey.

—CHEGA! – rosnou o rei e os dois meninos pareceram encolher. Valerion suspirou, se perguntando se deveria falar alguma coisa naquele momento. Não... ainda não...

—Eles não eram os únicos presentes. – disse Ned – Sansa. Venha cá e diga-nos o que aconteceu. – pediu Ned.

Sansa se aproximou e nem ousou olhar para Valerion, que suspirou aborrecido. Seu pai lhe olhou curioso e então deu uma risadinha.

—Eu... eu não sei. – murmurou a garota, timidamente e Valerion ficou surpreso. Ela não defenderia a irmã? Jamais deixaria de defender Shiera numa situação dessas... mesmo se fosse para chamar o cretino do príncipe Joffrey de mentiroso... Mas eu e Shiera somos muito amigos... ao contrário das duas...

—MENTIROSA! – gritou Arya e Ned precisou segurá-la, pois ela quis avançar na irmã – Sua mentirosa podre!

—A garota é selvagem como seu animal desprezível! E Joff vai carregar as cicatrizes para sempre. Eu quero que ela seja punida! – exigiu Cersei e Valerion mirou seu pai.

—Com sua licença, Vossa Graça. – disse seu pai adiantando-se um passo – Mas... para uma mulher, cicatrizes podem parecer o fim do mundo, mas para um homem, elas fazem parte da vida. Um homem de verdade deve ter cicatrizes. É o que forma o caráter. Apenas covardes não as têm. – disse seu pai e o rei Robert concordou com um aceno de cabeça.

—Sete Infernos. Briga de criança. Acabou. Não ficou dano nenhum. – rosnou ele – Ned, cuide da disciplina de suas filhas. Eu farei o mesmo com o meu filho.

—E quanto ao lobo que atacou o seu filho? – perguntou a rainha.

—Eles não encontraram rastro dele. – resmungou Robert.

—O rei com quem me casei teria jogado a pele do lobo em toda a minha cama, antes que o sol terminasse de se esconder no horizonte. – sibilou Cersei.

—Esse seria um ótimo truque, sem um lobo. – zombou o rei.

—Mas nós temos um lobo. – devolveu Cersei e Valerion olhou pra Sansa, que encolheu de leve.

—Que seja. – bradou Robert.

—Vossa Graça. – disse Valerion e o rei o encarou com impaciência – Eu vi o que aconteceu. – disse timidamente e seu pai o olhou com cautela. Sentiu os olhares sobre si, mas não se intimidou. Era bom com palavras, sempre fora – Mas como não me foi perguntado nada, não quis me meter... mas já que querem fazer algo tão drástico... – Valerion respirou fundo – Posso dar minha versão dos fatos?

—Por favor. – disse Arya, agitada. Lorde Eddard o olhou intensamente.

—É melhor não ser uma mentira garoto. Mentir para um rei é um grande crime. – disse o rei Robert.

—Ele não estava lá! – disse Joffrey, vermelho – Ele só chegou depois.

—Eu estava lá, em cima de uma árvore, vendo Arya e o filho do açougueiro brincarem com pedaços de madeira, como se fosse uma emocionante luta de espadas. – discordou ele – Mas então Joffrey e Sansa chegaram e houve um pequeno desentendimento. – explicou ele, torcendo para que não se traísse – Imagino que Joffrey quis se exibir para sua prometida, afinal... quem não iria? – ele perguntou olhando para Sansa, que parecia morrer de medo, tremendo em seu lugar – Mas acho que ele exagerou e... – o que Joffrey pode ter feito ao garoto?— Bem... Joffrey tinha uma espada, o garoto um pedaço de pau. E ele ficou com medo do príncipe. Então Arya se meteu e... – ela certamente deve ter dado uma surra no idiota do Joffrey – acertou o príncipe pelas costas. – Sansa disse que a culpa tinha sido da irmã e que Joffrey a atacara— Então Joffrey ficou realmente zangado e se voltou contra Arya, com uma espada...

—Eu não fiz isso! – gritou Joffrey.

—Fez sim! Ele tentou me atacar! – gritou Arya.

—Sim. Mas Nymeria fez o que qualquer cão treinado faria ao ver seu dono ser atacado por um estranho. Ela avançou. Foi quando eu desci da árvore. Mas enquanto eu me aproximava, Arya pegou a espada que Joffrey largou no chão e a jogou no rio. – não havia espada nenhuma quando eu cheguei, então isso deve ser verdade – Arya chamou sua loba e correu para o mato e eu fui ajudar o príncipe. Mas ele estava muito envergonhado pelo ocorrido, e assustado com o sangue. Então eu levei Lady Sansa para deixar o príncipe chorar em paz. – adicionou cruelmente. Robert fez uma careta de desgosto e a rainha o olhou indignada. Seu pai deu uma risadinha nada discreta e disfarçou com uma tossida nada convincente.

—Eu não chorei! Ele está mentindo! Ele está mentindo sobre tudo! – gritou Joffrey.

—Eu não estou mentindo. Foi o que eu vi. – disse Valerion.

—Como ousa mentir sobre seu príncipe assim?! – perguntou a rainha e Valerion tentou manter a pose, apesar de sentir algum medo.

—Valerion não está mentindo. – riu o senhor seu pai – Ele me contou a mesma história quando voltou de sua caminhada. Vai me chamar de mentiroso também, Vossa Graça? – perguntou ele e Valerion conteve um sorriso vitorioso.

—Eu quero a cabeça de um lobo, Robert! – exigiu a rainha.

—Sete Infernos. Que assim seja. Mande Sor Ilyn ver isso. – resmungou o rei Robert e Valerion olhou para Sansa, que estava horrorizada.

—Robert, você não pode fazer isso. – disse Lorde Eddard.

—Um lobo é uma besta selvagem, Ned. Dê a ela um cachorro e ela ficará feliz.

—Lady não mordeu ninguém! – suplicou Sansa – Ela é boa!

—Por favor, Robert. Pelo amor que você tem por mim. Pelo amor que você teve por minha irmã... – pediu o pai de Sansa.

Mas Robert não respondeu.

—Quer um lobo morto, Vossa Graça? – perguntou o senhor seu pai – Eu mesmo caço um para a senhora. Não vai ter a cabeça do lobo da menina.

—Quem você pensa que é para... – começou a rainha.

—O lobo não está mais aqui. – respondeu Valerion e tanto o rei, quanto a rainha e Lorde Eddard olharam para ele – Eu sabia que Joffrey iria fazer algo assim, então eu libertei o lobo. O mandei de volta para Winterfell. – disse com um sorrisinho e Sansa suspirou contente – Eu não pensei que a rainha em pessoa iria querer o lobo morto.

—Eu deveria ter a sua cabeça... – começou a rainha vindo em sua direção e seu pai ficou entre ele e ela.

—O que disse, Vossa Graça? – perguntou seu pai e por um momento ele e Aegon pareceram a mesma pessoa – Onde deveria ter a cabeça do meu filho?

—Vocês dois estão enfrentando a coroa! – rosnou Cersei.

—E Vossa Graça chamou meu filho de mentiroso, me ofendendo. E depois ME chamaram de mentiroso, também me ofendendo. – continuou seu pai – Não vamos continuar com essas ofensas, vamos?

—Lorde Haegon! Você por um acaso está fazendo ameaças?! – rosnou Robert vindo com pressa e raiva no olhar.

—Vamos deixar que os Deuses decidam isso, Robert. – disse Haegon – Escolha um campeão para me enfrentar. Se seu campeão me derrotar, será o preço por ofender a coroa. Mas se eu ganhar, considerarei aceitar suas desculpas, afinal... – ele olhou para o rei e sorriu – Eu sou o único Lorde capaz de enfrentar Tywin Lannister. No seu lugar eu aconselharia a sua mulher a controlar a língua quando for me ofender.

Valerion olhou chocado para aquilo. Robert apontou o dedo para seu pai e rosnou.

—Eu mesmo quero enfiar meu machado em você, como eu fiz com Rhaegar, anos atrás. – rosnou Robert.

—Pois tente, Vossa Graça. – provocou seu pai – Se me desafiar, não ousarei desobedecê-lo. – disse ele – Nunca pensei que se deixaria ser governado por uma mulher. Só isso.

O soco de Robert veio bem servido no rosto de seu pai, que caiu no chão imediatamente. Achou que seu pai tinha desmaiado e por um momento sentiu-se encurralado por leões.

Mas seu pai começou a rir e a gargalhar. Todos olharam para ele, em completo choque e ele se sentou, com um roxo inchando em seu rosto, com o sangue escorrendo. Seu pai cuspiu uma boa quantidade do líquido rubro e gargalhou de novo.

—Continua forte como um touro, Vossa Graça. – disse Haegon – Foi para esse homem a quem eu dobrei o joelho. Agora sim. – disse seu pai sorrindo e se levantando.

Olhou assustado para o rei e escutou Lorde Eddard rir também. Logo era o rei e os três gargalharam como se tivesse sido contada a piada do século.

—Oh! Como é bom socar a fuça de alguém. – riu Robert.

—Não vou falar que foi bom apanhar. – riu Haegon – Mas é bom revê-lo, Vossa Graça. – ele cuspiu mais um punhado de sangue – Devo sair caçando lobos por aí para compensar o que meu filho fez por lady Sansa?

—Que se dane o lobo. Se está em casa, não tem mais chances de atacar ninguém. Chega dessa história. – decidiu o rei.

—Ótimo. Então vamos beber um bom vinho da árvore. Eu ainda tenho mais um tonel e... – começou seu pai.

—Não acredito que vai deixar que... – começou Cersei, mas Robert se virou para ela.

—Oh! Cale a boca, mulher! E me deixe em paz. Chega de confusão. Vamos por um ponto final nessa história e beber.

Valerion sorriu aliviado e olhou para Sansa, que lhe lançou um envergonhado olhar agradecido. Sorriu para ela, piscando um olho, completamente satisfeito consigo mesmo.

**

Sansa se sentia numa confusão de sentimentos. Valerion tinha salvado sua Lady, por mais que não pudesse mais vê-la. Mas ao menos sabia que a loba estava a salvo. Era mais do que Arya tinha. O torneio da mão estava chegando e ela se perguntava se Valerion iria participar.

Deveria estar mais preocupada com o fato de que Joffrey nunca mais tinha lhe dirigido a palavra, desde o incidente no Tridente, mas Valerion era muito gentil e a ajudava a desviar o pensamento de Joffrey.

—Vai participar do torneio? Ou o seu pai? – perguntou para ele, durante um passeio pelos jardins.

—Meu pai não gosta de participar de torneios. Eu só participei uma vez, mas tive o azar de enfrentar Aegon na primeira justa... e não há homem no mundo capaz de vencer meu irmão nas justas.

—Ele é bom assim? – perguntou surpresa.

—Ele é melhor do que todas as histórias que dizem sobre ele. – garantiu Valerion e Sansa desejou que Lorde Haegon e Aegon fizessem as pazes para que o irmão de Valerion pudesse participar.

—E você, sor? – perguntou Sansa. Valerion lhe lançou um sorrisinho – Por favor, participe.

—Se prometer torcer por mim. – prometeu ele. Sansa prometeu que sim e Valerion prometeu participar.

E quando o dia do torneio chegou, ele estava usando uma bonita armadura cor de sangue, com o dragão negro dos Blackfyre desenhado no peito.

Valerion sempre falava que não justava bem como o irmão, mas Sansa achou que ele tinha talento, principalmente quando ele derrotou Sor Loras na última justa da noite.

Sansa sabia que a princesa era completamente apaixonada por Valerion e ele era sempre educado com ela, mas sentia que o interesse do rapaz era muito maior por ela do que por Myrcela. Se sentia dentro de uma música, ou de algum conto. Uma donzela disputada por dois lindos cavaleiros...

Apesar de que Joffrey seguia a ignorando.

No dia seguinte, quando a final do torneio aconteceria, Valerion parecia nervoso para enfrentar o Montanha. Era o maior homem que Sansa já vira e ela temeu por Valerion.

—Oh, papai. – lamentou Sansa, segurando o braço de seu pai – Não deixe que ele machuque Sor Valerion. – pediu assustada.

—Eu nunca vi um homem tão grande em toda a minha vida. – murmurou Lorde Haegon – E há quem diga que não existem mais gigantes.

—Não está com medo pelo seu filho? – perguntou Sansa, assustada.

—Sor Gregor já matou nesse torneio. – murmurou Sor Baelish, sentado perto deles.

—Valerion não será facilmente derrotado. – riu Haegon, despreocupadamente – Cem dragões de ouro que meu filho ganha essa justa. – disse Lorde Blackfyre.

—Apostado. – disse Baelish.

Valerion recebeu sua lança, assim como a Montanha. Então os dois começaram a correr em direção um do outro. Porém, o cavalo de Sor Gregor começou a saltar e sair do controle, enquanto a égua de Valerion seguiu deslizando como água.

Sor Gregor levou um golpe potente no elmo, enquanto tentava conter seu cavalo, e caiu no chão, trazendo seu animal consigo. Valerion levantou a lança quebrada, em comemoração e Sansa se levantou batendo palmas.

—A égua dele está no cio? – perguntou Baelish fazendo careta e Lorde Haegon deu uma gargalhada estendendo a mão.

—Você perdeu uma bela aposta, sor. – riu Lorde Haegon e Sansa notou que seu pai o olhou com alguma censura. Valerion ainda estava comemorando, trotando perto das pessoas, quando todos viram Sor Gregor puxá-lo pela capa, para o chão – Pelos Sete Infernos! – rosnou Lorde Haegon, puxando sua espada e pulando a estrutura de madeira, onde estavam – GREGOR!

O Cão tentou segurar Sor Gregor Clegane, mas os dois começaram uma briga ferrenha e Valerion se esgueirou para longe deles, pegando a espada.

—Parem já com isso! – gritou o rei e Sandor Clegane se colocou de joelhos imediatamente. Sor Gregor rosnou de leve, mas não continuou a disputa.

—Obrigado, Sandor. – disse Haegon.

—Obrigado, Sor. – concordou Valerion.

Sandor não lhes deu atenção.

—Eu não sou um maldito “sor”.

Todos miraram a Montanha sacar a espada e correr até o próprio cavalo, para decapitá-lo com um golpe só.

—Aquele cavalo era meu. – ralhou Valerion – Eu o derrubei. – adicionou ele e Sansa deu uma risadinha, achando-o muito despreocupado com o que tinha acabado de acontecer – Tenho certeza que me pagará por esse cavalo, certo, Sor?

—Vá comer merda, moleque. – rosnou a Montanha.

—Você me deve um cavalo e todos aqui são testemunhas disso, Sor. Inclusive o rei. – insistiu Valerion e Gregor o olhou furioso.

—Gregor, seu idiota. – bradou o rei, que parecia muito bêbado – O moleque tem razão! Vá arrumar um bom cavalo para ele.

A última justa seria entre o Cão e Valerion. Na primeira lança, os dois se acertaram no peito, mas na segunda, o Cão acertou Valerion no elmo e o garoto desmaiou em cima do próprio cavalo. Mas pelo menos ele estava bem.

Quando ele acordou do impacto, parabenizou o Cão pela vitória e então trotou até ela.

—É mesmo uma pena. Milady. – disse ele tirando o elmo amassado da cabeça – Eu adoraria proclamá-la minha Rainha do amor e da beleza. – disse ele galantemente, lhe mandando um sorriso insolente.

Sansa sentiu as bochechas corarem e seu pai não gostou nada disso. Valerion bateu os calcanhares em sua égua e trotou para fora da arena e Sansa ficou sentindo-se ainda mais confusa.

Queria ser uma boa prometida para Joffrey... mas ele não lhe dava atenção.

—Valerion gostou muito de você. Mas talvez fosse saudável que não desse tanta atenção para ele, milady. – murmurou Lorde Haegon – Você está prometida ao primogênito de Robert e eu não pretendo que minha família o ofenda dessa maneira. – ele se levantou e mirou o senhor seu pai – Não se preocupe, Ned. Vou falar com meu filho. Está na hora de acabar com essa paixonite dele, afinal... a princesa é bonita também... não tanto... mas certamente é bonita. – acrescentou ele lhe dando uma piscadela e Sansa corou violentamente com isso.

**

Bran tinha acordado, mas ele não era capaz de andar. Todos os dias Shiera ficava horas com o garoto, lhe contando histórias, o ajudando com suas leituras, ou apenas conversando mesmo. Robb era muito grato a ela por isso. Ela rezava no represeiro todos os dias e ele se perguntava o que ela pedia para os Deuses Antigos. Será que ela pedia para ser uma boa esposa? Para que o inverno demorasse a chegar? Para que se apaixonasse por ele algum dia?

Ou será que ela rezava por Jon?

Meistre Luwin lhe informara que ela escrevia quase todos os dias para a Muralha, sempre pedindo corvos ao Meistre. Se Jon lhe enviara alguma resposta, Robb não sabia dizer.

Já tinha se passado quatro meses inteiros desde que se tornara senhor de Winterfell. Sua mãe ainda não tinha voltado e havia rumores de que ela tinha feito Tyrion Lannister de refém no Ninho da Águia. Enviara um corvo para o Ninho desejando saber notícias dela, mas não tinha recebido uma resposta ainda.

Olhou para o sol, que estava começando a se por. Conhecia a rotina de sua prometida. Não conseguia tirar os olhos dela, mas não conseguia manter uma conversa que fosse com ela. Parecia que aquele dia em que dançaram e ele lhe mostrou Vento Cinzento tinha acontecido em outra vida.

Soltou um suspiro indignado com sua atual situação. Ele era o Stark de Winterfell... mas mesmo assim não tinha coragem de conversar com a mulher com quem um dia dividiria a cama. Não sabia dizer o porquê daquele sentimento. Tentava se manter ocupado com os assuntos do castelo para resolver. Meistre Luwin fazia de tudo para ajudá-lo e treiná-lo. Tinha muita coisa para resolver e estava orgulhoso com o modo como estava levando as coisas. Tudo seguia funcionando como deveria funcionar. Tinha mandado reformar os estábulos e consertarem os celeiros para se prepararem para as colheitas. Começar a estocar comida.

O inverno estava chegando.

Robb recebeu um último homem, um camponês que lamentava sobre um bêbado que arrumara confusão em seu estabelecimento e que acabou matando seu filho numa briga. Resolveu aquilo pedindo que seus homens prendessem o assassino e o mantivessem nas masmorras. Depois de um tempo de castigo na gelada masmorra do castelo, Robb lhe daria a opção de escolher entre a forca ou a Muralha. Tio Benjen dizia que a Muralha precisava de homens e se aquele homem era forte o suficiente para matar alguém, era forte o suficiente para servir à Patrulha da Noite.

—Meistre Luwin, não ouvirei mais petições hoje. – disse se levantando e sentindo o peso da capa que seu pai costumava usar. Já era alto como ele e provavelmente ficaria ainda mais. Agora, com a capa de pele de lobo de seu pai, se sentia um verdadeiro Lorde – Eu irei me recolher ao Bosque Sagrado e não quero ser incomodado. – já era hora de enfrentar sua prometida.

—Claro, senhor. Esteve muito bem hoje, Robb. Seu pai ficará orgulhoso. – garantiu Luwin.

Robb sorriu e se dirigiu ao Bosque Sagrado. Caminhou a passos firmes e logo sentiu o calor aconchegante que o bosque promovia. Logo viu a pequena lagoa, em frente à árvore coração. Shiera estava lá, deitada na relva, assistindo uma folha vermelha flutuar na superfície do lago, mas quando o escutou se aproximar, se sentou na relva

—Desculpe, milady. Não queria atrapalhá-la.

—Não atrapalhou. Já tinha terminado minhas orações. – respondeu ela. Robb concordou e se sentou na relva ao lado dela.

—Hoje tivemos muitas petições. – sussurrou – Muitas coisas para resolver... não é fácil administrar um castelo.

—Mas você está fazendo muito bem. – disse Shiera com alguma doçura na voz. Robb sorriu para ela, num agradecimento mudo.

—Como está Bran?

—Ele está bem... na medida do possível. – respondeu ela – Eu tento mantê-lo distraído... mas ele não pode fugir do próprio corpo. – explicou ela. Robb concordou com um aceno de cabeça – Eu tive um sonho estranho. – murmurou ela e Robb a olhou curioso – Eu sonhei com todos vocês. Com seus irmãos... e seus lobos.

—Sonhou comigo, Lady Shiera? – perguntou com um sorrisinho e Shiera revirou os olhos.

—Sonhei com você e com seu lobo. – disse ela – Sonhei que você e ele se tornavam um só.

—E o que isso significa? – perguntou Robb – Seu irmão me falou que quando você sonha, acontece.

—É preciso interpretar o sonho. – murmurou Shiera, voltando a se deitar na relva, olhando para as folhas que flutuavam na superfície do lago – Mas eu não consigo interpretar esse. Era muito simples e claro. Vocês e seus lobos, se tornando um só. Algo mais que físico... eu não sei explicar e isso me deixa frustrada. – Robb a olhou de canto de olho. Apesar de dizer que não sentia frio, ela usava roupas tipicamente nortenhas agora. Tinha mandado fazer um guarda roupa para ela e Shiera mesmo preparara algumas roupas para si, as bordando sozinha. Notava que Sansa bordava melhor do que ela, no entanto... mas Shiera ao menos era melhor do que Arya com as agulhas – O que está olhando? – perguntou ela.

—Os seus bordados.

—Oh, estão horríveis, eu sei. – resmungou ela se sentando – Eu sempre pedia para Talisa ou Walda fazerem meus bordados quando Venira não estava olhando. Mas agora não tenho ninguém para fazer as costuras por mim. – resmungou ela.

—Quem é Venira? Sua septã?

—Ela mesma. Eu não a suporto. – resmungou Shiera – Meu pai não queria tê-la, mas mamãe insistiu. Meu pai não gosta da Fé dos Sete e nem da Cidadela, mas minha mãe insistiu que nós vivêssemos como Lordes de Westeros e quis uma septã para cuidar e mim. – ela jogou os compridos cabelos negros para longe do rosto – Mas meu pai nunca teve um Meistre.

—Mesmo? – perguntou Robb, surpreso – Um senhor sem um Meistre... não acha um pouco arrogante? – perguntou Robb.

—Todos dizem isso. Mas Harrenhal segue prosperando, não é? – perguntou Shiera se sentando – Desculpe, meu senhor. Eu estou atrapalhando seu momento de oração. – ela se esticou e estava para se levantar, quando Robb a segurou pela mão.

—Não vim aqui para fazer orações. Vim por você, Lady Shiera. – respondeu e ficou satisfeito por ver as bochechas dela ganharem mais cor – Desejava passar mais tempo contigo. – prosseguiu se sentando mais próximo dela – Quero te conhecer melhor, minha senhora. – adicionou colocando a mão em seu rosto delicado. Shiera baixou os olhos, parecendo sem jeito e Robb a achou linda assim mesmo – Que os Deuses sejam testemunhas, Shiera... eu prometo cuidar bem de você. Não desejo que regresses para Harrenhal. Sei que essa ainda é uma possibilidade e que nosso compromisso pode vir a não existir... mas eu desejo que isso aconteça. Eu desejo ter você ao meu lado.

Shiera o olhou tristemente e se afastou.

—Eu prometo tentar, Robb. – murmurou ela ficando de pé – Mas... – ela soltou um suspiro – Com sua licença... – ela segurou a barra do vestido e começou a se afastar.

—Shiera... – ela se interrompeu – É Jon?

Ficou esperando uma resposta, mas só escutou os sons das folhas amassadas e dos galhos se partindo, junto dos passos dela a se afastar.

Suspirou, sentindo-se triste. Por que logo Jon? Nunca seria capaz de odiar Jon. E ele estava longe. Ele fora para a Muralha. Jon não tinha culpa de nada... mas Shiera o amava assim mesmo e Robb sentia-se numa confusão por conta disso. Seus sentimentos por aquela mulher lhe causavam dor, por não serem correspondidos. Nunca tinha sido não correspondido. Nunca tivera problemas com uma mulher... mas Shiera não era como outra mulher. Ela era diferente de todas. Não podia ser apenas mais um pretendente. Ele precisava ser especial para ela, assim como ela era para ele. Mas não sabia o que poderia fazer.

Ficou de pé, olhando para a árvore coração, desejando pensar em algo. Pediu em silêncio aos Velhos Deuses, para que eles o ajudassem de alguma forma.

Deixou o Bosque Sagrado e voltou para seu quarto. Pensou a respeito durante um tempo e então foi até Bran. Conversou um pouco com o irmão e prometeu que iriam passear novamente a cavalo.

—Mas dessa vez não vou te deixar sozinho de novo. – prometeu, se lembrando da última vez, quando foram cercados por selvagens e Bran quase foi morto por eles e por Theon, com uma flecha irresponsável.

—Lady Shiera pode ir com a gente?

—Se ela quiser. – respondeu.

—Falarei com ela. – prometeu Bran e Robb concordou com ele. Voltou para seus aposentos e se preparou para o jantar. Shiera sentou ao seu lado, como sempre, mas não conversaram – Shiera. Meu irmão vai me levar para cavalgar amanhã. – disse Bran, parecendo muito feliz.

—Isso lhe fará bem. – disse Shiera, gentilmente – Um pouco de sol será muito bom.

—Você gosta de cavalgar, Shiera? – perguntou Bran.

—Claro. – respondeu ela – Meu irmão mais velho sempre me levava para caçar com ele, quando estávamos em Harrenhal. Quando tive que ir para Porto Real, senti falta das caçadas, porque precisava ficar com a princesa Myrcela... mas quando voltei para casa, Aegon me levou para caçar no dia seguinte.

—Então venha cavalgar com a gente amanhã, por favor. – pediu ele.

—Claro. – respondeu Shiera – Se Robb não se importar.

—Não me importarei. Será muito bem vinda, minha senhora. – respondeu prontamente e recebeu um sorriso gentil dela.

A noite demorou demais para passar.

Robb levantou-se junto com a aurora e avisou Luwin que iria cavalgar com Theon, Bran e Shiera. Luwin aconselhou que levasse alguns homens consigo, ainda mais depois do incidente da última vez. Concordou achando mesmo sensato e levou mais de uma hora até finalmente estarem em cima dos cavalos.

Shiera usava um vestido, mas também uma calça por baixo. E ela não cavalgava como uma lady, com as duas pernas juntas, de um lado só, mas como um homem, além de também trazer um arco e uma aljava. Theon achou aquilo muito engraçado e Robb simplesmente curioso.

—Por que monta como um homem? – perguntou Bran.

—Para isso. – respondeu ela pegando o arco, colocando uma flecha. A mulher soltou um suspiro e a flecha zuniu no ar, acertando um esquilo que estava em uma árvore – Faz melhor, Theon? – perguntou ela. Theon pegou seu arco e fez a mira, acertando a cabeça do esquilo que ela tinha prendido contra a árvore. Shiera pegou outra flecha e acertou a flecha de Theon. Theon tentou fazer o mesmo, mas errou por centímetros, acertando apenas o tronco da árvore.

—Vamos embora. Viemos passear, não para acertar bichos na floresta. – riu Robb liderando a cavalgada.

O grupo cavalgou por horas e ele viu que Shiera era muito boa naquilo.

Ela era uma boa arqueira e cavalgava bem, porém, não sabia bordar direito, não conhecia muitos poemas e músicas. Shiera parecia ter sido criada para ser um rapaz e não uma dama. Talvez fosse assim por ser a única mulher numa família de homens, afinal a mãe dela tinha morrido quando ela tinha a idade de Bran, mais ou menos.

Resolveram parar para descansar e comer alguma coisa. Shiera encontrou algumas amoras e as catou para Bran e os dois ficaram petiscando as doces frutas negras. Robb tinha trazido um pouco de carne salgada e Theon trouxera um pouco de vinho. Quando acabaram as amoras, Shiera disse que buscaria mais.

—Não é seguro que vá sozinha, Lady Shiera. – disse Theon e Robb se levantou.

—Posso acompanhá-la, minha senhora?

—Claro. – riu ela lhe entregando a vasilha que estivera cheia das frutinhas. Os dois avançaram, andando próximos ao córrego, que soltava uma boa quantidade de vapor de água – Nunca pensei que encontraria amoras por aqui.

—Elas nascem próximas ao córrego. Normalmente aqui o solo não congela, mesmo no inverno. A água quente não permite. – explicou ele.

—Entendi. – Shiera começou a colher as amoras mais escuras e ele notou que estavam escassas. O inverno está chegando... ficou segurando a vasilha enquanto ela se enfiava entre os ramos para pegar mais e mais amoras, até que a vasilha estivesse relativamente cheia – Os Deuses Antigos só enxergam nas árvores com rosto? – perguntou Shiera. Robb concordou com um aceno de cabeça, apesar de não ter certeza disso.

—Como eles poderiam enxergar sem os olhos? – perguntou dando de ombros. Shiera concordou com aquilo e suspirou.

—Me perdoe por ontem. – murmurou ela. Robb sorriu e concordou.

—Não há motivos para pedir perdão. – respondeu mirando a vasilha cheia de amoras – Não podemos mandar em nossos corações.

—Mesmo assim. – Shiera se aproximou e o olhou nos olhos – Me dê algum tempo, Robb... eu não vou fechar meu coração para você. Mas eu me magoei muito com o último Stark... preciso de um tempo, entende?

Jon não é um Stark.

—Eu lhe darei seu tempo... só peço que não fique me evitando. Precisamos... nos aproximar. Você é mais próxima de Bran do que de mim...

—Então vamos prometer fazer algo juntos, todos os dias. – disse ela.

—O que sugere? – perguntou Robb.

—Vocês têm uma imensa biblioteca. – riu Shiera – Eu e meus irmãos costumávamos passar um tempo junto em Harrenhal para ler. – ela suspirou – Aegon nunca gostou muito de ler, mas gostava de ouvir. Eu e Valerion nos dividíamos para ler histórias. Era um momento muito divertido. Poderíamos fazer isso. – riu ela. Robb também não gostava muito de leitura. Ele preferia lidar com números, fazer contas e tudo o mais. Mas se era um pedido dela, o faria – O que acha?

—Você lê para mim? Ou ficaremos ambos em silêncio, lendo um ao lado do outro?

—Eu lerei para você, ou você para mim... como preferir.

—Eu prefiro ouvir. – respondeu confiante.

—Então que seja assim. Todos os dias, logo depois do almoço, o que acha? – perguntou ela. Robb concordou com um aceno de cabeça.

—Parece ótimo. Mas não todos os dias. Eu tenho muitos assuntos para resolver. Uma vez por semana, o que me diz?

Terei que lutar para não dormir...

Notas finais
Será que Robb vai conseguir fazer Shiera pensar no Bastardo de Wintefell? E Valerion? Ele vai concordar com o pai e deixar de cortejar Sansa Stark? E como será que está Aegon? As respostas para essas perguntas na próxima sexta! =D Oooou quando tivermos 5 comentários! Com 5 comentários eu já posto o próximo capítulo