Notas iniciais
Eu estou oficialmente desistindo de encomendar banners. Eu não conheço nenhum site e o último que eu usava, o FuckDesings, tá muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito lento. Se eu for depender dele, vou lançar um capítulo a cada três meses. Então, mais uma vez, se vocês conhecerem outro site, que não o PerfectDesing (que acabou), nem o FuckDesing (que não tá indo muito bem, os banners são lindos, mas demora 84 anos pra ficarem prontos), por favor, me recomendem ♥ Aqui vai mais um capítulo! Espero que gostem! Beijos da tia #PartiuLer

Dracenas

Dragonstone fora construída usando técnicas valirianas avançadas de construção, já perdidas há muito tempo, na Perdição, fazendo com que fosse única entre os castelos de Westeros. A cidadela de Dragonstone era toda construída em pedra negra, com suas torres esculpidas na forma de dragões, e com milhares de gárgulas em diversas formas, servindo como ameias sobre as muralhas. O desenho do castelo era extremamente inspirado em dragões: pequenos dragões formavam portões, e garras de dragão seguravam tochas nas paredes. Um par de grandes asas cobriam o arsenal e a forja, e caudas formavam arcadas e escadarias.

Quando era já uma mocinha e voltara de Porto Real para Harrenhal, encontrando-se novamente com seu irmão gêmeo, Shiera o escutara à exaustão, descrevendo a ilha. Mas nenhuma daquelas descrições seria o suficiente para ilustrar o resplendor da arquitetura valiriana. Harrenhal era o maior castelo de Westeros e era uma obra prima da arquitetura westerosi, mas em nada se comparava a aquele castelo valiriano. Ele todo era, além de uma fortaleza, uma obra de arte.

Estava em seu quarto, penteando os cabelos negros, quando abriram a porta. Primeiro imaginara que seria Robb, pois Aegon o chamara havia pouco tempo, mas era uma criada qualquer. Bonita e jovem, com os cabelos negros e encaracolados, armados e firmes. Os olhos eram num dourado único, como se tivessem sido tingidos com ouro. Se recordava dela, pois fora a menina quem anunciara Daenerys naquele dia ainda mais cedo.

A encarou com fria curiosidade e ela fez uma mesura delicada e educada.

—A Rainha Daenerys, Nascida da Tormenta...

—Oh, criança, por favor, poupe-me dos títulos, sim? – perguntou sem paciência, voltando a encarar seu reflexo, para em seguida começar a trançar os cabelos – Como é seu nome?

—Missandei, senhora. – disse ela.

—Vossa Graça. Sou casada com um rei e fui coroada rainha. – disse Shiera.

—Por favor, senhora, poupe-me dos títulos. – devolveu Missandei e Shiera deu um sorrisinho. Continuou trançando os cabelos – A Rainha Daenerys Targaryen exige vê-la. – adicionou ela e Shiera suspirou. Terminou uma das tranças e pegou um barbante, para prender o cabelo.

—Ela é bem-vinda aqui. – respondeu.

—Na verdade, eu fui incumbida de guiá-la até a câmara da Mesa Pintada.

—Infelizmente nós Blackfyre não somos conhecidos por nossa obediência à Casa Targaryen. – disse Shiera com pouco caso – Estou cansada, viajei tempo por demais em um navio. Não estou disposta a deixar meu quarto. Ela pode vir aqui me ver, se quiser conversar comigo. – insistiu Shiera e Missandei respirou fundo.

—Daenerys já lidou com lordes antes. Que, como a senhora, acharam que poderiam dobrá-la e debochá-la. – disse a menina – Alerto-a que esses homens morreram.

—Daenerys não vai me matar. – disse fazendo outra trança, com uma tranquilidade cheia de pouco caso – Um dragão jamais abaixa a cabeça, para nada e nem para ninguém. – disse calmamente – Já falei o que tinha para dizer. Pode sair. – resmungou e Missandei respirou fundo, mais uma vez.

—Não garantirei que a próxima pessoa a vir aqui será paciente ou educada, senhora. – insistiu Missandei e Shiera sorriu tranquilamente, sem parar de fazer uma segunda trança em seus compridos cabelos negros.

—Eu entendo bem a gentileza dos homens, não se preocupe. – disse Shiera – E insisto que esperarei por Daenerys aqui. – adicionou ela – E se possível, traga-me alguma refeição leve, como uma sopa. Pão seria um luxo maravilhoso também. – murmurou pegando um barbante para prender a segunda trança. Missandei ainda a olhava com frieza, da porta – É só isso. Pode ir. – adicionou Shiera e ela finalmente saiu. Estava de péssimo humor e as cólicas não a ajudavam. Se levantou e caminhou até a janela, olhando lá para baixo. Podia ver o mar batendo furiosamente contra a rocha escura, fazendo a água encher-se de uma espuma branca e barulhenta. Se perguntou se algum Blackfyre, antes de Valerion, alguma vez tinha estado ali. Ou se fora apenas um sonho insano, um desejo, uma cobiça. Aquele era o castelo dos Targaryen. O verdadeiro castelo deles.

Os minutos se passaram, enquanto mirava a janela, quando a porta voltou a se abrir. Dois Dothraki aparecem com seus arks em mãos, de maneira ameaçadora. Junto deles vinha Missandei mais o rapaz que os recebera na praia. Verme Cinzento, se não estava enganada. Ele a olhava como se estivesse profundamente enfadado.

—A Rainha deseja vê-la. – rosnou ele num péssimo idioma comum.

—Eu já disse que ela é bem-vinda. – disse calmamente se virando para encarar a janela.

—Ela não virá aqui. Você quem deve encontrá-la. – insistiu Verme Cinzento e Shiera suspirou. O encarou com algum desdém e teve certeza de que ele era um Imaculado recém liberto.

—Escute. Estou cansada e fiz uma longa viagem. Não me sinto disposta a deixar meus aposentos. Com essa guerra eu mal tive tempo de fazer luto pelo filho que perdi. Eu mal tive tempo para fazer luto pelo meu pai, tampouco. Eu não vou sair daqui. Se me obrigarem, bem... o Norte não costuma esquecer. O Norte se Lembra. – disse num sibilo – Péssima maneira de se começar uma aliança. Ameaçando uma rainha que foi acolhida na proteção da senhora do castelo. Nos faz pensar no tipo de rainha Daenerys pretende ser.

—Ela é boa com aqueles que se ajoelham. – disse o rapaz eunuco e Shiera suspirou.

—Ela vai precisar aprender a ser boa com os que não se ajoelham também. Eu não tenho medo dos dragões dela. Nem dos homens dela e nem dela mesma. O meu único medo tem olhos azuis, hálito gelado, um coração cruel e cheiro de morte. Daenerys não passa de uma brisa perto de uma enorme tempestade, para mim. Se ela quer conversar, que seja cortês e educada de me poupar o esforço. Ela está bem descansada no castelo dela. E eu? – perguntou se virando para a janela – Se tocarem em mim, garanto-lhes que Daenerys não terá o Norte e nem as Terras Fluvias. E ela terá que derramar muito sangue se quiser aquele trono de ferro. Isso se ela sobreviver aos mortos, claro.

Escutou apenas o som das águas por um tempo, mas logo a porta se fechou e Shiera se permitiu sorrir. Se deitou em sua cama e fechou os olhos por alguns minutos, tentando descansar e recuperar as energias. Os dias no navio tinham sido exaustivos. Os minutos se passaram e ela estava quase cochilando, quando a porta voltou a abrir. Suspirou, cansada e olhou para o lado, para finalmente ver Daenerys, que parecia ligeiramente irritada.

—Você é tão teimosa quanto seu irmão disse que era. – disse a loira e Shiera se sentou.

—E você não é tão geniosa quanto ele disse que era. – devolveu e Daenerys respirou fundo, como se pedisse paciência a si mesma. Se levantou, sabendo que precisava ter cuidado com ela. Já a provocara o suficiente e já tinha deixado claro que não era uma senhora qualquer. Mas não seria arrogante demais. Andou até a cômoda e pegou a garrafa de vinho que tinham lhe trazido já fazia algum tempo. Encheu duas taças, uma que deveria ser dela e outra que deveria ser de Robb. Ofereceu uma a Daenerys, que se sentou em sua cama, aceitando a taça – O que posso fazer por você, Lady Targaryen? – perguntou calmamente. Daenerys suspirou e bebeu um bom gole do vinho.

—Começamos de maneira errada. Passei muito tempo ouvindo histórias ao seu respeito. Teu irmão tem um enorme carinho por você. – disse ela e Shiera provou de seu vinho também.

—Ele te ama. – Resumiu Shiera e Daenerys desviou o olhar, de maneira ilegível – Mas provavelmente já estás ciente disso. – Se sentou ao lado dela e soltou um longo suspiro – Perdoe-me por meus modos. – Disse num tom contido e ela a olhou curiosa – Os últimos meses me foram terrivelmente difíceis.

—Entendo de dificuldades. – Disse Daenerys se levantando e andando pelo quarto.

—Não duvido nenhum pouco disso. – Garantiu Shiera – Tenho certeza que sua vida, num todo, foi muito mais difícil que a minha, mas garanto-lhe, minha senhora. A minha nunca foi absolutamente fácil. – Murmurou Shiera se levantando também e indo até a janela, para mirar novamente as ondas.

—Já que começou com as desculpas, não ficarei para trás. Sinto se a ofendi de alguma maneira. – Murmurou Daenerys vindo para seu lado – Ouvi que perdeu um filho. – Concordou com um aceno de cabeça, lembrando-se de seu amado bebezinho. Tão forte e risonho. Mesmo que fosse um bebê, mostrava sinais de que seria carinhoso e cheio de coragem. Como Robb.— Eu também perdi um filho. Nem sequer o vi nascer. Seu irmão o enterrou no deserto. – Narrou a loira e Shiera a olhou. Daenerys tinha um olhar vazio e triste, que só uma mãe que perdera um bebê seria capaz de compreender por completo – Ele seria um garoto. Um conquistador. O Garanhão que Montaria do Mundo. Eu o iria chamar de Rhaego, em homenagem ao meu irmão.

—Ele foi um grande homem. Rhaegar...

—Mas seu pai o desafiou e ajudou a matá-lo. – Acusou ela sem mirar-lhe o rosto.

—E se arrependeu disso durante toda uma vida. – Garantiu Shiera – Ele sempre disse que Rhaegar era um bom homem e que seria o melhor rei que Westeros poderia desejar. – Shiera suspirou – Acreditas em profecias? – perguntou curiosa e Daenerys respirou fundo, parecendo melancólica.

—Acredito. – Disse ela olhando para o mar – “Quando o sol nascer a oeste e se pôr no leste. Quando os mares secarem e as montanhas forem sopradas pelo vento como folhas. Quando o seu ventre estiver pronto a ganhar vida e der à luz um filho vivo. Então ele voltará, e não antes…” – Disse ela e Shiera a encarou tentando entender aquilo – Uma bruxa me disse que meu Khal voltaria para mim quando isso acontecesse. O que quer dizer, nunca. – Murmurou a loira – Ele nunca voltará pra mim, pois o sol jamais irá se pôr no leste, os mares jamais secarão, as montanhas nunca serão sopradas pelo vento e eu jamais terei outro filho vivo. – Explicou ela e Shiera engoliu em seco – Eis a minha sina.

Por um momento pode sentir a dor dela. A dor do que aquelas palavras significavam. Engoliu em seco e mirou o mar, também.

—Amava seu Khal? – perguntou Shiera.

—Não. – Confessou ela.

—E meu irmão? – Perguntou. Daenerys suspirou e negou com a cabeça. Suspirou e voltou a mirar o mar – Entendo.

—Você disse que se casou com um homem que não queria. Foi o seu atual esposo?

—Sim. – Respondeu Shiera – Eu aceitei casar-me com ele. Foi uma escolha minha. Mas eu não o amava. Tinha carinho por ele, verdade, mas não o amava. Em algum momento eu o amei, mas o sentimento se foi.

Ficaram ambas em silêncio por um momento, absorvendo as palavras e as dores uma da outra. Daenerys respirou fundo ainda olhando pela janela, pelo mar bravio que lutava com as rochas negras da ilha vulcânica. Mais de um minuto de silêncio se passou e Shiera se perguntou qual delas o quebraria primeiro. E seria Daenerys.

—Seu irmão... Aegon. – A loira respirou fundo e seus olhos violetas brilharam vivamente. Jon olhará para eles um dia e lembrará de mim? Ou virá a amá-la tão completamente a ponto de esquecer meus olhos?— Ele me contou sobre o seu dom. – Murmurou Daenerys – Disse que foi algo que puxou de seu pai. Sonhos proféticos... eu os tenho algumas vezes. Mas são sempre muito difíceis de interpretar.

—Os meus nem sempre são claros. – Confessou Shiera finalmente saindo da janela e indo em direção à lareira, que crepitava timidamente, promovendo um calor aconchegante. Com um braseiro, atiçou o fogo, que ardeu vivo e tremeluzente – Algumas vezes, no entanto, são.

—Eu me vi voando em um dragão. E pouco depois os meus dragões surgiram. Tive muitos outros sonhos, alguns dos quais pouco me recordo. Mas Aegon falou que você realmente tem o dom de prever o futuro. – Daenerys a olhou com curiosidade – Ele disse que você sabia que eu estava vindo para Westeros.

—Sim, eu sonhei contigo. – Murmurou Shiera – Coisas que me foram interessantes. Mas outras... – suspirou sentindo-se triste e enciumada – Outras nem tanto.

—O que previu para mim? – Perguntou ela. Shiera engoliu em seco e mirou as chamas.

—Você será de extrema importância. Você é diferente de todos os outros. Firme quando necessário, gentil quando preciso. E indiscutivelmente maternal. Você é uma das cabeças do dragão e o dragão tem três cabeças. – Murmurou Shiera e Daenerys se aproximou parecendo muito interessada.

—Quem são as outras duas cabeças? – Perguntou ela. Shiera engoliu em seco e mirou as chamas.

—Quais profecias lhe foram feitas na Casa dos Imortais? – Perguntou Shiera e Daenerys a olhou surpresa – Eu não estou sendo sobrenatural aqui. Aegon me contou uma coisa ou outra. – Disse sorrindo e Daenerys sorriu, sem jeito, parecendo pega de surpresa, numa brincadeira.

—Isso importa? – Perguntou ela e Shiera a olhou, tirando os olhos do fogo, que já ardiam de leve.

—Tudo importa. – Respondeu ela – Eu estou aqui para explicar algumas coisas. Esclarecer outras e então... lhe fazer um pedido. – Murmurou tristemente, pensando no que o Fantasma de Coração Alto lhe tinha contado – Então... Daenerys, Mãe dos Dragões. Conte-me. Conte-me sobre a casa dos Imortais. – Pediu a olhando com intensidade.

Daenerys deu mais um gole em seu vinho e desviou o olhar, parecendo tentar se concentrar.

—Lembro-me de ver uma bonita mulher, nua. Ela estava deitada no chão, enquanto homenzinhos, pequenos como ratos, a devoravam e feriam. – Começou ela e Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—Sabe o que significa isso?

—Não. – Murmurou ela.

—Era a batalha dos cinco reis... apesar de nunca terem sido cinco lutando ao mesmo tempo. – Explicou Shiera e Daenerys a olhou curiosa – A mulher é Westeros, sendo devorada, ferida, explorada, pelos homens. Joffrey Baratheon, Robb Stark, Balon Greyjoy, Stannis Baratheon e Renly Baratheon. – Explicou Shiera. Daenerys engoliu em seco e a olhou curiosa – O que mais?

A loira franziu o cenho, enquanto bebericava o vinho e Shiera a imitou.

—Parecia um banquete. – Explicou ela – Mas estavam todos mortos. Uma música triste tocava ao fundo... e havia um rapaz sentado num trono, acima de todos. Mas a cabeça dele tinha sido arrancada e tinham colocado uma cabeça de lobo no lugar. Ele chorava, pedindo perdão. Seu corpo estava coberto de flechas e ele segurava uma corda com um nó... um nó de enforcamento. – Explicou ela – E então ele apontou para o Norte, tristemente, me olhando com um apelo mudo. – Narrou ela – Era seu esposo, Robb Stark, no Casamento Vermelho. Aegon me contou sobre isso. – Murmurou ela e Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—O que mais? – Perguntou, pensando em Jon.

—Vi a casa onde cresci. – Ela parecia que estava para mudar de tópico, então Shiera a interrompeu.

—Conte-me mais. – Pediu e Daenerys suspirou.

—Não há muito o que falar. Era uma casa com grandes vigas de madeira e uma porta vermelha. Havia um limoeiro do lado de fora, que eu amava...

—Um limoeiro? – Questionou Shiera.

—Sim.

—Cresceste em Dorne? – Perguntou surpresa e Daenerys negou com o rosto.

—Em Bravos. – Respondeu ela e Shiera sorriu divertida.

—Não existem limoeiros em Bravos, sabe?

—O dono da casa provavelmente o plantou ali? Parece tão absurdo assim? – Questionou Daenerys e Shiera negou com a cabeça.

—Não, nem um pouco. Continue.

—Vi meu pai, no Trono de Ferro, falando que alguém seria o rei de cinzas. – Murmurou Daenerys. Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—Tyrion Lannister, um bom amigo meu, me contou algo, já faz alguns muitos anos. Certa vez ele perguntou ao irmão, porque ele matou seu pai. – Murmurou Shiera e Daenerys a olhou com um semblante sombrio – O velho Rei Louco encheu a cidade de fogo vivo e iria queimar Porto Real antes de entregá-la aos seus inimigos. Então Jaime matou o homem que iria incendiar tudo e depois matou o rei, que pensava que se tornaria um dragão. E tudo o que Aerys dizia era: Queime. Queime todos eles. – Narrou Shiera e Daenerys engoliu em seco, desviando o olhar – Muito bem, o que mais?

—Vi um homem, que se parecia com meu irmão. E uma mulher. Ela ninava um bebê e disse que o chamaria de Aegon, pois não havia um nome melhor para um rei. O homem então disse que ele era o Príncipe que Foi Prometido e que a Canção de Gelo e Fogo seria dele. Depois ele contou que o Dragão tem três cabeças, como você o fez, agora há pouco. – Murmurou ela e Shiera engoliu em seco.

—Rhaegar e Elia. Seu sobrinho Aegon. – Shiera engoliu em seco – Rhaegar se enganou. Aquele não era o Príncipe que Foi Prometido.

—E quem é? – Perguntou a loira, mas Shiera negou com a cabeça.

—Ainda não. Continue. O que mais? – Perguntou ela. Daenerys suspirou, impaciente, mas concordou.

—Me chamaram de mãe dos dragões, filha de três, três cabeças tem o dragão... – murmurou ela e Shiera suspirou. Nada demais ali.

—Filha de três? Por que es a terceira filha, talvez? – Perguntou franzindo o cenho – O que mais?

—Três fogueiras terei que acender. Uma pela vida, uma pela morte e uma pelo amor. – Disse ela e Shiera tremeu de leve.

—Eis algo que compartilhamos. – Murmurou ela – Três fogueiras, três forjas. Três mortes. Três perdas. – Murmurou ela, infeliz – Água, leão e então fogo.

—Do que está falando? – Perguntou a loira e Shiera suspirou.

—Tudo se repete. De novo, de novo e de novo. Três mortes irão forjar você. E na terceira morte, surgirá a arma que irá vencer a guerra. Aegon me contou como foi a morte do seu irmão. Uma morte para salvar a sua vida. Depois teve o seu filho. Você o sacrificou para tentar salvar seu Khal. Você o entregou para a morte. – Shiera não a encarou, pois sabia que haveria dor ali – E então a fogueira do amor. A do seu Khal. Você o matou por amor, porque não achava que ele merecia a vida que a bruxa deu a ele. – Disse convicta – E dessa última fogueira, dessa última morte, veio a arma que destruirá nossos inimigos.

—Os meus dragões. – Concluiu ela e Shiera negou com um aceno de cabeça.

—Não. Daenerys Targaryen. Khaleesi do Mar de Prata. – Disse gentilmente – O que mais?

Daenerys piscou surpresa e sorriu parecendo acalentada. Shiera entendia o motivo. Ela passara muito tempo precisando se provar para os outros e receber algum reconhecimento era simplesmente um alívio. Entendia perfeitamente.

—Três montarias terei de montar. Uma para o sexo, uma para o terror e outra para o amor. – Murmurou ela um pouco sem jeito e Shiera deu um longo gole em seu vinho.

—Assunto delicado, não? – Perguntou Shiera. Daenerys concordou com um aceno de cabeça – Talvez essa profecia não seja nada mais nada menos do que um conselho. Não misture as coisas: trono, guerra, política e amor. – Disse calmamente – O que você fez bem. – Ela sorriu – Uma montaria para o sexo, uma para o terror e outra para o amor. Aegon para o sexo, Drogon para o terror e o amor... bem... – Shiera deu um sorriso amarelo – Chegaremos no amor.

—Seu tom...

—Não importa. O que mais? – Perguntou efusivamente e Daenerys suspirou.

—Três traições conhecerei, uma vez por sangue, outra por ouro e outra por amor.

Shiera ficou calada naquele momento, pois seu corpo tremeu por inteiro. Daenerys a olhou esperando respostas e ela engoliu em seco. Traição por amor...

—Alguma teoria? – Perguntou ela. Daenerys suspirou.

—Mirri Maz Duur me traiu por sangue e matou meu filho. – murmurou ela e Shiera negou com a cabeça.

—Não. – Disse se aproximando – Você sabia o preço e aceitou pagar por ele. Só não sabia que não valeria a pena. Mirri não te traiu naquele dia. Ela salvou você. Sem falar que Jorah atrapalhou o ritual, não se esqueça disso. – Disse Shiera se aproximando ainda mais. Tinham a mesma altura. Daenerys a olhava receosa, como se temesse suas próximas palavras – Eu vi isso. Ela lançou uma magia sobre você. Por isso o fogo não a fere, Daenerys. Foi um presente dela para você.

—Por que ela me daria um presente? Ainda naquelas circunstâncias? Não. Não faz o menor sentido. – Negou ela e Shiera sorriu.

—Porque ela sabia o seu papel nisso tudo. Assim como eu. – Shiera suspirou pensando em si mesma – Traição por ouro... – Ela a olhou com intensidade.

—Já foi. – Resumiu ela, para então olhá-la, ardente de respostas – E a traição por amor? O que pensas disso? – Perguntou ela – Poderia ter sido Aegon, que partiu e não voltou, por amor à própria casa? Ou teria isso sido a primeira traição. Uma traição por sangue? Pela família dele?

Shiera suspirou e negou com a cabeça.

—Aegon nunca te traiu. Desde o momento em que ele voltou para nós, está tentando nos convencer a dobrar o joelho para você. Se a traição por ouro já foi, a de sangue certamente já passou. Talvez tenha sido seu irmão, teu sangue, que te vendeu aos Dothraki.

—Mas e a última traição? – Insistiu Daenerys. Shiera engoliu em seco.

—Essa provavelmente serei eu ou meu irmão, Valerion. – Disse Shiera e Daenerys a olhou surpresa – Ele prometeu tirar os Lannister do poder e dobrar o joelho, se nos ajudar com os Caminhantes Brancos..., mas Myrcella espera um filho dele. – Explicou Shiera – O que você faria para proteger os seus filhos? – Questionou ela. Daenerys engoliu em seco.

—E por que você? – Perguntou ela – Por que haveria de me trair quando vejo que poderíamos ser muito aliadas, muito amigas? Entendemos as dores e as dificuldades uma da outra. Não somos muito diferentes... – Murmurou Daenerys e Shiera sorriu, infeliz.

—O que mais, Daenerys? – Perguntou triste e a loira a olhou confusa.

—Me dará respostas ou só me entregará mais perguntas? – Perguntou ela.

—Um pouco de ambos, imagino. – Respondeu Shiera – O que mais?

—Um príncipe moribundo, meu irmão Viserys morrendo, meu filho, se tivesse vivido... – Ela suspirou.

—O que Rhaegar disse quando morreu? – Perguntou Shiera. Daenerys a olhou curiosa.

—Um nome de mulher... – Respondeu engolindo em seco.

—Qual nome, o da esposa? – Perguntou se aproximando e Daenerys desviou o olhar.

—Não me lembro.

—Mentes. – Acusou sem hesitar e Daenerys a olhou parecendo ofendida.

—Ora, não me deu respostas para várias perguntas, não vejo porque deveria responder a todas as suas.

—Porque não são respostas para mim, mas para você. – Retrucou Shiera e Daenerys a encarou surpresa – O que mais?

—Vi um garoto com o estandarte do dragão negro derrubar uma montanha repleta de cães raivosos. Vi várias serpentes observarem um leão se devorando. Vi um homem numa armadura ser puxado para túneis escuros, pela própria morte. Vi dois dragões de cores distintas voando por entre árvores cheias de rostos. – Ela engoliu em seco – Um dragão mergulhar no mar e nunca mais sair. Eu vi a escuridão engolir o sol... Vi o Trono de Ferro... repleto de neve. E Aegon estava lá.

—Morto.

—Vivo. – Discordou Dany – Mas diferente. Estava tudo destruído, cheio de neve.

—Você viu o Inverno. – Murmurou Shiera se aproximando ainda mais. Podia sentir o hálito quente da loira em seu rosto – Você viu o que vai acontecer se falharmos... Você viu o que acontecerá. Você viu que Jon Snow não mentiu.

—Aegon tinha o rosto azulado. Ele parecia feito de gelo. – Murmurou ela e Shiera respirou fundo – Ele se tornará um deles?

—Espero que não. – Murmurou Shiera – Até onde eu entendi, eles apenas ressuscitam os mortos, mas não os transformam em coisas como eles. Não sei como os Caminhantes nascem..., mas... – Shiera engoliu em seco – Não seria a primeira vez... se acontecesse. – Daenerys a olhou, confusa – O que mais?

—Uma flor azul, numa muralha de gelo... e então um cheiro bom. – Disse ela e Shiera engoliu em seco – E isso foi tudo.

Um momento de silêncio se passou entre as duas.

—Sabes que teu irmão Rhaegar sequestrou Lyanna Stark?

—Sim, meu irmão me contou. Disse que Rhaegar se apaixonou por ela e a sequestrou, a levando para Dorne. – Murmurou Daenerys. Shiera negou com a cabeça.

—Não foi um sequestro, foi uma fuga. – Murmurou ela. A loira a olhou surpresa – Eles se amavam. Ela estava prometida a Robert, mas Lyanna nunca o amou. Sabia que Robert nunca seria fiel a apenas uma mulher. Mas Rhaegar a amava. Ele abandonou Elia e enviou uma carta, pedindo a anulação de seu casamento, para a Cidadela. E então ele teve um casamento secreto com Lyanna Stark. – Murmurou Shiera.

—Eles se casaram? – Perguntou Daenerys.

—Sim. – Concordou – Foi por isso que Rhaegar demorou tanto para ir para a guerra. Ele sabia o que iria acontecer quando fosse. Ele foi avisado. Foi profetizado. – Explicou Shiera – Ele deixou três membros da Guarda Real com Lyanna, no lugar que ele chamou de Torre da Alegria. Sor Arthur Dayne, Sor Oswell Whent e o Senhor Comandante Gerold Hightower faziam a guarda da Torre. – Shiera a olhou no fundo de seus olhos violetas. Era engraçado olhar para eles, pois eram o exato mesmo tom que os olhos dela – Pode imaginar o motivo do Príncipe Herdeiro deixar três membros da guarda real para trás, vigiando uma mulher?

Daenerys a olhou, engolindo em seco.

—Ele a amava.

—Ele a amava. Mas por que motivo os três homens continuaram lá, protegendo-a, e morrendo para evitar que a levassem de lá, se o príncipe Rhaegar estava morto? Se os filhos dele e Elia também estavam mortos? Se a Dinastia Targaryen estava morta? Por que eles não foram atrás de Viserys? Atrás de vocês? Os dois últimos herdeiros da casa Targaryen?

Daenerys engoliu em seco, parecendo realmente pensar naquilo pela primeira vez.

—Ela estava grávida? – Perguntou ela. Shiera engoliu em seco.

—Se tivesse... quem era aquele que os três defendiam? Não seria ele o verdadeiro herdeiro do Trono de Ferro? – Questionou Shiera e Daenerys engoliu em seco.

—Eu soube que ela morreu. Viserys sempre me disse que Lyanna morreu naquela torre. – Disse a loira parecendo preocupada.

—E morreu. – Concordou Shiera. Daenerys respirou fundo, parecendo quase aliviada, mas logo ficou tensa novamente.

—E... o bebê? Havia um bebê, certo? – Perguntou ela. Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—Está com medo do que ele pode significar. – Murmurou Shiera – Ele é o Príncipe que Foi Prometido e dele é a Canção de Gelo e Fogo. Ele irá empunhar a arma que destruirá o Rei da Noite e irá salvar a todos do impiedoso Inverno que se aproxima.

—Você disse que eu sou a arma... – Murmurou Daenerys e Shiera concordou com um aceno de cabeça.

—Forjada em fogo. – Concordou tristemente – Forjada em morte.

—E quem é esse rapaz? – Perguntou Daenerys. Shiera engoliu em seco.

Uma traição será por amor...

—Você o matará? Ou o ajudará? Ele não deseja o seu trono... – Murmurou Shiera.

—Não farei mal a ele. Juro. – Disse Dany – Eu só quero... ele é a última família que me resta. Diga-me, quem é esse homem?

Shiera engoliu em seco.

Uma traição por amor.

—Eram sete espadachins nortenhos contra os três da Guarda Real. O príncipe Rhaegar Targaryen, teu irmão, mantinha Lyanna Stark na Torre da Alegria, pois julgava o local um lugar seguro para os dois. Enquanto a Rebelião de Robert estava sendo travada, com combates irrompendo por todo o sul dos Sete Reinos, teu pai, o Rei Louco, enviou Sor Gerold Hightower, Senhor Comandante da Guarda Real, para encontrar Rhaegar. O príncipe então retornou para as Terras da Coroa, mas deixou para trás Gerold, Sor Arthur Dayne e Sor Oswell Whent para guardar Lyanna na Torre da Alegria. Ele sabia que ela esperava um filho dele e Rhaegar provavelmente via aquela criança que ainda não tinha nascido como a esperança do mundo... Rhaegar sabia o que o futuro guardava para nós e ele pretendia declarar aquele bebê seu herdeiro. O Rei, Príncipe que foi prometido, destinado a salvar a todos nós... – Shiera suspirou mirando Daenerys, que parecia absolutamente impaciente – Com a morte do príncipe Rhaegar na Batalha do Tridente e o terrível Saque de Porto Real, que culminou no falecimento do rei Aerys II e o extermínio da princesa Elia e seus filhos, a situação da guerra já estava clara... Era óbvio que a vitória seria dos rebeldes. Lorde Eddard Stark deixou então a capital e partiu para encerrar o Cerco de Ponta Tempestade, onde o último combate significativo do conflito estava acontecendo ainda. Os lordes Mace Tyrell e Paxter Redwyne, outrora leais ao Trono de Ferro, ao saberem da morte de Aerys e o saque da capital, decidiram desistir e abaixaram suas bandeiras e juraram fidelidade a Robert. Logo em seguida, Lorde Eddard cavalgou às pressas para as Montanhas Vermelhas de Dorne, após descobrir que este era o último lugar onde Rhaegar estava antes de ter partido para morrer no Tridente.

—Por que não vai direto ao assunto? – Perguntou Daenerys, parecendo uma criança que queria saber logo o final de uma história. Shiera respirou fundo e a olhou nos olhos.

—Para que não duvides. Irei explicar cada detalhe desse assunto, pois é de vital importância. – Respondeu pensando em Jon. Em Jon nos braços dela, a beijar-lhe os lábios. Desviou o olhar, mirando a lareira, sentindo-se infeliz – Eddard chegou lá com seis companheiros nortenhos: Howland Reed, Willam Dustin, Ethan Glover, Martyn Cassel, Theo Wull e Sor Mark Ryswell. Ele desejava apenas recuperar Lyanna, mas encontrou a entrada da Torre guardada por Gerold, Arthur e Oswell, membros da Guarda Real de Aerys. E por maior que a vantagem nortenha tivesse sido, apenas Eddard Stark e Howland Reed sobreviveram à batalha. De acordo com o próprio Howland Reed, Eddard encontrou Lyanna quase morrendo dentro da torre, em um quarto que cheirava a sangue e rosas. Ela tinha dado à luz a um garoto, forte e saudável, às custas de sua própria saúde. Ela morreria do parto naquele momento, assim como tua mãe morreu ao lhe dar a luz. – Suspirou pensando na própria mãe – Lyanna conhecia Robert o suficiente... Se ele soubesse do menino, só lembraria de Rhaegar. De como ele a roubara, a seduzira... Ele jamais aceitaria que aquela criança inocente vivesse... Então ela pediu a Ned que prometesse a ela... que cuidaria daquela criança. Que o protegeria de tudo e de todos. Que ele teria uma vida feliz, no Norte, longe de Robert. Ela implorou que ele prometesse e no desespero de ver a própria irmã morrer em seus braços, ele prometeu. Howland teve que separar as mãos de Ned das dela, pois ele não queria deixá-la ir. Eddard a amava demais, provavelmente Lyanna foi uma das pessoas que ele mais amou no mundo. – Isso murmurou mais para si mesma do que para Daenerys. Seu pequeno Ned fora o amor de sua vida, mas antes dele, Valerion e Aegon eram seu mundo, um amor bem diferente do que sentira algum dia por Robb, ou até mesmo por Jon – Lorde Stark enterrou na região todos os que morreram ali, mas levou a irmã de volta para Winterfell. Quando voltou para casa, Catelyn Tully o esperava, com o pequeno Robb Stark, o herdeiro de Winterfell nos braços. Orgulhosa do pequeno bebê que tinha gerado em sua noite de núpcias. E Ned apresentou a todos o pequeno Jon Snow. Seu filho bastardo, que ele trouxera da guerra, que cresceria ali, ao redor de todos os outros filhos legítimos de Eddard Stark. O menino cresceu e se tornou um homem. Um homem honrado, humilde, que sempre queria provar sua lealdade, sua força, seu caráter. Sempre julgado por ser um bastardo, sempre se sentindo um invasor naquele lugar. Muitos falam como todos os bastardos são maus. Que o sentimento de luxúria e traição que os gerou os marca para sempre. Jon sempre quis provar que ele não era assim. Que ele era bom... E quando me prometeram a Robb, ele colocou a honra antes do próprio coração e foi para a Muralha. – Explicou para Daenerys e a loira a olhou parecendo compreender muitas coisas – Nós nos amávamos, mas ele não poderia trair Robb, então se foi... e lá... lá na Muralha, ele viu o verdadeiro inimigo, ele lutou contra os Caminhantes Brancos. Chegou a matar um deles. – Murmurou Shiera aproximando-se de Daenerys, a encarando com intensidade nos olhos – Vocês precisam lutar juntos. Precisam aceitar um ao outro e a si mesmos. Caso contrário, todos nós vamos morrer. Jon pode ter a força, a verdade e a experiência com ele, mas sem seu coração... um coração determinado de um verdadeiro líder... ele jamais vai conseguir. E sem ele, você não conseguirá também. Juntos, e apenas juntos, vocês poderão ter alguma chance de derrotar o Rei da Noite.

**

—Você disse a verdade para a Daenerys? – Perguntou Valerion, num sussurro, sem parecer gostar nada daquilo – Você sabe que isso pode colocar a vida de Jon em risco, não sabe? Ela pode considerá-lo um obstáculo! Ele sabe disso tudo?

Aegon olhou a irmã, que parecia infeliz.

—Não sei se Jon iria querer que ela soubesse a verdade. Mas eu já me encontrava em tal posição que não poderia ficar sem dizer nada. – Justificou ela – E de qualquer forma, Daenerys não é má pessoa. Ela é honrada e correta.

—Snow sabe disso? Ou Robb? – Perguntou Aegon curioso, mirando Shiera, tentando entender o que ela parecia sentir naquele momento.

—Robb sabe. Gostaria que um de vocês avisasse Jon. – Resmungou ela mirando a janela. A noite estava se aproximando em Dragonstone e os mineiros se recolhiam para descansar. A caverna parecia estar cheia de vidro de dragão e ter passado em Dragonstone antes de irem para a Muralha se provara uma excelente ideia.

—E você o está evitando? – Perguntou Aegon e Shiera corou de leve. Estavam num corredor vazio, apenas os três. Havia muito tempo desde a última vez em que estavam apenas os três, juntos, tramando o que quer que fosse.

—Robb prefere que eu não fique a sós com Jon. – Respondeu a irmã, olhando o mar pela janela.

—Então é por isso que o está evitando? – Debochou Aegon. Shiera franziu o cenho e mirou o irmão.

—Você seria capaz de ser egoísta, buscando a sua felicidade, sem se importar em prejudicar os outros? – Perguntou ela.

—Quando eu não fiz isso? – Perguntou Aegon coçando a orelha, tirando um bom pedaço de cera de lá.

—E você? – Perguntou Shiera, para o irmão.

Valerion piscou, surpreso e coçou o cavanhaque.

—Bem... você está falando em deixar Robb pelo Jon? – Questionou ele – Porque eu não acho uma boa ideia. Papai disse...

—Eu sei o que ele disse. Mas ele está morto. – Discordou Shiera. Valerion suspirou.

—Ainda assim, não faça isso. Robb ama você. O que você sente por Jon é só...

—Você parecia exultante com Myrcella. – Provocou Aegon. Valerion engasgou-se – A menina Stark... como é mesmo o nome dela?

—Sansa. – Respondeu Shiera.

—Isso. Sansa... Pelo o que Arianne me contou, vocês dois definitivamente tinham alguma coisa. – Riu Aegon, se divertindo às custas de Valerion. Era como antigamente, quando ele e Shiera se uniam para implicar com o garoto. Valerion apertou os olhos, provavelmente pensando a mesma coisa.

—Não. Nada disso. Não vão usar Sansa contra mim. Eu jurei fidelidade a Myrcella e eu serei leal a ela. – Ralhou Valerion – Você deveria honrar seus votos e não agir como uma donzela em uma balada. – Ralhou ele.

—Do que você está falando. Eu honrei os meus votos. Um casamento é até que a morte separe. Eu morri, ele morreu... só fomos tragos de volta. Ele pelo Senhor da Luz e eu pelo Deus Afogado. – Resmungou ela.

—Se você ir atrás de Jon, irá morrer. Papai previu isso. – Insistiu Valerion – Foi por esse motivo que ele não quis nem ouvir falar em te casar com o Snow. – Shiera desviou o olhar, contrariada e Valerion segurou a mão dela – Escute, Shiera. Eu sei que ele é um cara legal..., mas..., mas tente não agir como uma mariposa que se joga nas chamas. Em sua busca pela luz, queimam suas asas e morrem.

—Eu já falei o que tinha pra falar com vocês. – Resmungou ela, se virando e marchando para longe. Valerion o olhou carrancudo e Aegon arqueou as sobrancelhas.

—O que? – Perguntou ele.

—Você é uma péssima influência pra ela. – Ralhou Valerion.

**

O Inverno tinha chegado.

A neve cobria tudo. Cada copa de árvore, cada telhado, cada viga, cada sacada. Tudo estava coberto com uma camada branca, macia e gelada. Papai falava tanto isso... finalmente aconteceu.

Sansa se dobrou sobre o parapeito, respirando fundo, com um sorriso causado pela nostalgia de estar em casa depois de tanto tempo. O vento frio lambia seus cabelos, mas Lady estava sempre ao seu lado, e o calor do corpo dela parecia contagiá-la. Deu meia volta e foi caminhar pelo castelo. O Meistre que tinham pedido a Oldtown finalmente tinha chegado, com uma pequena escolta. Um rapaz forte tinha ficado com o Meistre, para ajudá-lo em suas tarefas e Sansa sentia o rosto enrubescer sempre que ele a olhava no rosto.

Aparentemente ele era um noviço, que começaria seus estudos para Meistre em breve, mas ela não acreditava muito nisso. Rapazes com o porte dele não eram intelectuais, mas guerreiros. E aquele rapaz era tão alto e forte quanto Robb. Mas o que realmente lhe causavam arrepios, eram os olhos dele.

Se fossem anos atrás, quando ainda era uma menina com Jeyne Poole, certamente ficariam espiando o rapaz, com sorrisinhos nervosos e bochechas coradas. Algumas meninas faziam isso e até mesmo Walda Frey tinha um sorriso ou dois para ele.

Walda pedira a Shiera para ficar em Winterfell, o que Sansa achou bom. Por mais que ela fosse uma Frey, ela se mostrara uma companhia interessante. Por mais que oficialmente ela fosse dama de companhia da rainha, agora era sua dama de companhia. E era bom ter amigas desse tipo, novamente. Sentia falta de Shae e também de Arya, mas Walda iria bastar.

Marchou até a torre do Meistre, com Walda ao seu lado, com o semblante pensativo de sempre. Os olhos azuis e pequenos dela estavam inexpressivos e Sansa só podia imaginar que tipo de terror aquela mulher passara. Sempre que pensava muito nisso, lembrava da filha da Senhora Tanda, que tinha sido estuprada por muitos homens, antes de ser encontrada e resgatada por Valerion.

Alguns meses atrás a masmorra, onde os Bolton estavam, estava fedendo tanto que ninguém conseguia ficar de guarda. Por mais que Robb tivesse mandado que deixassem os dois apodrecerem ali, Sansa ordenou que abrissem a masmorra e queimassem os corpos. Theon tinha contado histórias sobre os Caminhantes Brancos e ela se lembrara de tudo o que a Velha Ama contara sobre eles. Queria os dois Bolton mortos pra sempre.

Tanto ela quanto Walda ficaram para ver o que sobrara dos dois Bolton ser queimado. Ramsay matara o pai e o devorara o máximo que conseguiu, até morrer também. Eram dois monstros, pois escutara que Roose comera algumas partes de Petyr Baelish também. Quando as chamas queimaram os dois, Walda começou a chorar, pegando pedras e galhos, jogando-os nos restos mortais de ambos, amaldiçoando-os pela eternidade. Estava para abraçá-la, quando o noviço o fez, a confortando. Ele era muito amável, além de bonito e charmoso.

Não tinha dúvidas de que ele era bem-nascido. Sempre que o via, ele tinha um livro nas mãos. Tinha algumas desconfianças sobre ele, mas não conseguia imaginar o que poderia ser.

Ao chegarem na torre de Meistre, o viram trabalhando com os números de provisões que o castelo dispunha. Todo aquele tempo abrigando tantas pessoas tinha sido um desastre para Winterfell e ela precisara pedir ajuda a Porto Branco. Graças aos deuses, Lorde Wyman Manderly era um homem leal à Casa Stark, além de ser o vassalo mais rico que possuíam.

Sansa mirou o velho Meistre, que parecia ser mais jovem que o antigo Meistre Luwin. Ele conversava com outro senhor, que se chamava Qyburn, e que viera com os homens de Vargo Hoat. Ele costumava ser um Meistre, mas fora expulso da Cidadela por conta de alguns estudos que conduzira. Ambos os homens eram velhos, enrugados, com cabelos grisalhos e castanhos olhos gentis. Mas o noviço era jovem, não parecendo ser muito mais velho do que Robb. Tinha os cabelos escuros, lisos e grossos e uma barba por fazer, da mesma cor. Seus olhos eram da cor de um mar de ressaca e tinham o poder de mirar diretamente sua alma. Ele era alto, com ombros largos, com um brinco na orelha direita. Algo no sorriso dele a lembrava de Theon, quando o Rei Robert ainda não tinha vindo para Winterfell. Quando Theon sorria todo o tempo de maneira que parecia sempre estar pregando uma peça, ou achando algo engraçado, quando não deveria.

Se os olhos deles eram poderosos, em nada se comparavam ao sorriso. Quando ele sorria, até Sansa sentia os joelhos tremerem e parecia voltar a uma época onde era apenas uma garotinha sonhadora e estúpida.

—Hunfy. – chamou Walda – Quando vai fazer essa barba? – Perguntou ela – Está parecendo um bêbado de taberna.

Hunfy deu um daqueles sorrisos de tremer os joelhos e fechou o livro que estivera lendo, marcando com algumas pétalas de lavanda para não perder a página.

—Não me digas isso. A barba está rente ao rosto. Nem grande demais para demonstrar desleixo, nem curta demais, a ponto de me deixar parecido com um garotinho. – Disse ele passando a mão pelo rosto – O que pensas, minha senhora? – Perguntou ele e Sansa deu de ombros. Valerion tinha olhos ainda mais impressionantes e sorrisos bonitos, também. Não cairei no charme desse homem.

—Antes Winterfell não tinha um Meistre, mas agora temos um e meio, além de um noviço. – Disse muito séria e Hunfy sorriu divertido. Os pés dele estavam sobre uma escrivaninha e ele parecia muito à vontade. Muito mais do que deveria estar, inclusive – Quando pretende voltar para a cidadela, Hunfy. – Se é que esse é mesmo o teu nome...

Hunfy se levantou, dando a volta na escrivaninha, para em seguida brincar com um cacho de Walda. A garota sorriu e estapeou a mão dele, mas ele somente sorriu charmosamente para ela. Um noviço não deveria sorrir assim para mocinhas. Filhos de lordes riem assim. Robb ria assim para Jeyne e Theon ria assim para qualquer uma que parecesse disposta a levantar a saia para ele. E Valerion sorria assim para mim e para Myrcella também. O sotaque é do sul, certamente. Seria ele um espião?

—Eu já disse. Tenho a missão de entregar uma mensagem para a Rainha do Norte. E levando em conta esse inverno, não vou me arriscar a ir procurá-la, sem rumo. – Disse ele – A menos que tenha a intenção de me expulsar. – Ele caminhou até ela com aquele jeitão convencido, que apenas um filho de um lorde poderia ter. E não um lorde comum. Um lorde grande, poderoso... mas não é um Tyrell, nem Lannister, tampouco. Não é Blackfyre... deve ser alguém das Terras das Coroas. Ou talvez das campinas. Um Florent? Um Royce? Redwyne?— E por mais que Lady Stark, Lannister, ou seja lá qual for o seu nome, seja uma garota de grande beleza... Minhas palavras doces serão apenas para a Rainha. – Garantiu ele com um sorriso charmoso, enquanto beliscava a sua bochecha.

—Hunfy, respeite Lady Stark. – Ralhou o Meistre Emyr. Hunfy suspirou como se sentisse muito e se afastou, para fazer uma mesura respeitosa. Bem, seria uma mesura respeitosa se ele não a estivesse olhando com aqueles olhos e aquele sorriso.

—Estou aqui para servir. – Afirmou o rapaz e os Meistres voltaram ao trabalho. Qyburn olhava o rapaz com olhos cheios de astúcia e Sansa teve certeza de que ele estava desconfiado com o rapaz tanto quanto ela. Sansa trocou um rápido olhar com o senhor e se virou quando a porta se abriu de uma vez. Era um soldado qualquer, que parecia ter visto um fantasma.

—Meistre Emyr. Lady Stark. – Disse ele quase sem ar. Todos os olhares foram para ele – Ele voltou... o menino. – Ele engoliu em seco – Pelos deuses, quase não o reconheci. Mas só pode ser ele.

—Quem? Quem voltou? – Perguntou Sansa, de cenho franzido.

—Parece que foi Bran... o seu irmão. – Murmurou o homem, com assombro.

O Misterioso Hunfy

Notas finais
E então? Quem vocês acham que ele é? HOHOHOHO Eu já dei altas dicas e ele é citado pela primeira vez nos primeiros capítulos xD E o que vocês acham que ele pretende? Deixem suas teorias nos comentários! Titia ama vocês ♥ ok, antes que me esqueça... prévias! "Então veio Jon. Ele era feito de fogo também, mas não queria atirar nele. No entanto, seu corpo não respondeu aos seus sentimentos e armou a flecha mortal. Jon correu com a espada em punho e Shiera chorou pérolas de gelo. Quando o acertou com sua flecha, ele não pareceu sentir, pois ele também era feito de gelo. Gelo e Fogo. E quando ele afundou a espada em seu coração, ele chorava implorando perdão. O beijou antes de acordar, assustada e tremendo de frio." "-Você falou aquelas coisas para mim em Pinkmaiden... – Sussurrou ele – Sobre desistir de nós dois. Sobre passar o resto dos seus dias com Robb... E eu entendi. Robb é mesmo... bem... eu passei minha vida inteira querendo ser ele, sem nunca odiá-lo, pois é impossível odiar Robb. – Riu Jon, logo antes de suspirar – Mas confesso que me aquece o coração ver você com ciúmes. Sempre sou eu o afligido por esse sentimento. – Confessou ele e Shiera o olhou nos olhos." "– Os Deuses são testemunhas do meu amor por você. Peça... peça qualquer coisa agora e eu farei. – Confidenciou ele – Sou seu, Shiera. Não me importa mais nada. – Murmurou ele." ♥ ♥ ♥ ♥ ♥ Será que vai ter fuga de Dragonstone? Jon e Shiera em um barquinho?! SHuahsuahsa Até o próximo capítulo, que deve sair na metade de Abril, lá pro dia 13