Blackbirds - Interativa
3 Mariah Helena Blackmoon, Destiny Ashford, Nathan Volkov
Notas iniciais
Ela quase pensou que estivesse na casa errada. Havia dias Mariah Helena perseguia o rastro de Yan, um dos capangas de Nicholas.
Era um trabalho difícil, seguir um assassino profissional que trabalhava para o – possivelmente – melhor espião que a história já viu mudar para o outro lado, ou como ela preferia chamar, Nicholas, o assassino da sua família.
Mas como ela o chamava realmente não tinha tanta importância para ela. Não havia palavras para a chacina que fizera naquele dia. Ela sabia que a mãe conhecia Nicholas. Na verdade, sua mãe, Katrina Blackmoon, era filha bastarda de Tobias Peters, o pai Jennie Peters. Não querendo que a esposa descobrisse a traição, mandou a amante grávida para longe. Mas Jennie descobriu que tinha uma irmã e Nicholas – na época o chefe dos Blackbirds – a chamou para a Ordem. Nunca houve nenhum preconceito com o fato dela ser bastarda, e ela e a irmã eram muito unidas. Quando Nicholas os abandonou e seguiu rumo para longe, Katrina implorou para Jennie fazê-lo mudar de ideia, mas Jennie estava grávida do segundo filho e decidiu não fazer nada. Isso fez todos da Ordem seguirem seu próprio caminho. Katrina foi embora com o recém marido Ronald e o filhinho Andrew. Depois teve os gêmeos Mariah Helena e Mattheus. Seis anos depois Nicholas foi até lá e matou todos. Toda a história fora contado por sua tia Lauren Hastings, falecida.
Alguns detalhes ela mesmo adicionara porque Mariah Helena estava assistindo tudo pela fechadura da porta do banheiro. Ela lembrava de como Nicholas afogou seus irmãos, deu um tiro no pai e hesitou enquanto apontava a arma para a cabeça de sua mãe, repetindo para si mesmo que precisava treinar para quando chegasse a vez de Jennie. E então degolou a mulher com a corda que Mariah Helena brincava.
Então era por isso que Mary corria contra o tempo. Passara a vida a partir dos 15 anos perseguindo Nicholas. Lógico, em muitas vezes ele apenas brincava com ela. Como quando no seu aniversário de 18 anos – há poucos meses – ela o perseguiu pela costa da Califórnia e quando voltou para casa encontrou uma faixa branca com letras vermelhas que dizia “FELIZ ANIVERSÁRIO MARIAH”. Depois disso ela percebeu que não tinha o fator de desconhecimento ao seu lado. Nicholas sabia dela sim, e sabia que ela estava atrás dele. Então ela mudou a estratégia. Começou a perseguir os capangas de Nicholas para saber sua localidade. E esse era o motivo pelo qual ela saiu de Londres (onde estava visitando o túmulo dos pais) para Liverpool. E agora estava debruçada em uma cerca enquanto via um garoto pulando uma janela com uma gaveta de madeira enorme nos braços.
– Só pode estar brincando. – Ela murmurou. Aquele deveria ser o lugar errado, mas então ela ouviu o tiro. O garoto parou no meio da corrida e olhou para trás. Ele jogou a gaveta no banco do passageiro de um Citroen e entrou no carro dando a partida.
Aquela era sua deixa. Ela ajeitou as armas no cinto e entrou na casa. Um homem enorme de cabelos ruivos e olhos claros estava se levantando do chão. Aparentemente ele havia dado um tiro em um homem gordo que sangrava no chão. Ao se levantar, o ruivo deu de cara com Mary.
Foi a última coisa o que fez na vida. Mariah deu uma flechada no pescoço dele. Esqueça os arcos de Katniss Everdeen. O arco de Mariah era uma arma pesada feita de um material muito resistente. Estava bem mais para uma besta do que para um arco. E as flechas eram praticamente uma lâmina grudada em uma extensão prateada. E essas pontas eram removíveis. Então se ela perdesse o arco ou algo e tivesse apenas uma flecha podia usar a ponta como faca. Era uma arma bem rudimentar, mas ela gostava. Perdia feio contra uma arma de fogo, mas tinha algo em segurá-lo que ela não conseguia explicar.
– Garota, que péssimo timing. – O homem no chão disse. Ela olhou para baixo. Ele estava com a mão no estômago e estava bem claro que não havia nada que pudesse ser feito para salvá-lo da morte iminente.
– Seu nome é Guilherme, não é? O marido de Cassandra. – Mariah falou, se abaixando para conversar melhor. Guilherme se contorceu.
– Sou Guilherme sim, mas há 15 anos não sou mais o marido da Cassandra. – Guilherme contou. – Castiel saiu daqui?
– O garoto de jaqueta marrom?- Ela perguntou. Então era mesmo. O legado de um Blackbird. Então Castiel tinha direito a seu lugar na Ordem. – Sim.
– Bom. Não é tão idiota quanto eu pensava. – Ele riu. Estava delirando, prestes a morrer. – Você me lembra a madrinha do Castiel...
Mary sabia quem era aquela família. A mãe havia deixado um diário em que contava alguns fatos da vida depois dos Blackbirds. Uma página ela dedicava ao nascimento do afilhado Castiel, algumas semanas depois de Mariah e Mattheus nascerem.
– Ela é minha mãe. – Mary revelou. Guilherme arregalou os olhos e agarrou o pulso de Mariah.
– Leve meu filho para lá. — Ele pediu. Ele nem precisou explicar onde. Mariah sabia onde ele queria que ela levasse o garoto.
– Por quê? O quê você sabe? — Mariah perguntou, se enrolando nas palavras. Mas Guilherme não aguentou e morreu. Seu aperto no pulso de Mariah afrouxou e ela fechou os olhos do homem.
Em toda sua vida ela nunca fora até Rhode Island porque sabia o que encontraria lá. Mas agora as coisas seriam diferentes. Ela reclamaria a herança da sua mãe.
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“- Eu amo você Destiny. Você é minha pequena princesa. Cuide de sua irmã pra que ela não se assuste dos trovões. Boa noite querida”.
Era quase lei ela se lembrar disso durante a noite. Sua mãe, Aretta Ashford era simplesmente a mulher mais querida de todos. Criou três filhos com o marido James antes dos dois serem assassinados. Nunca encontraram o assassino. Alexander, seu irmão, costumava lhe dizer que ele encontraria o assassino e o faria pagar. Com o passar dos anos eles desistiram da ideia. O tempo passa e as crianças crescem.
Destiny não era exatamente super ligada à família, mas certamente fazia tudo por ela. Até mesmo suportar os surtos psicóticos da sua tia Maia quando a mulher gritava com ela dizendo que sua pouca fé não a levaria para o céu.
– Destiny, querida, você quer que eu te leve um prato com biscoitos? – Maia perguntou do lado de fora da porta do quarto da sobrinha.
– Não tia. – Destiny dispensou.
– Mas você vai ficar com anemia! – A mulher insistiu.
– Não tia.
– Eu vou te trazer um prato com biscoitos. – Maia desceu corredor abaixo. Destiny apenas rolou os olhos. Ela se se encostou ao vidro da janela e olhou para o jardim bem cuidado. Ele não tinha chegado ainda.
– Destiny... – Alexander bateu na porta.
– Eu vou morrer sem privacidade nessa casa? – A garota exclamou, abrindo a porta com uma puxada forte.
– Hey, desculpa. – Alex levantou as mãos em rendição aos ânimos da irmã. Geralmente Destiny era tímida e quieta, mas com pessoas que ela realmente conhecia, como seus irmãos, ela podia se soltar.
– Que desejas? – Ela perguntou, com ironia.
– Eu quero que você me dê o notebook. – O garoto pediu. Destiny pegou o eletrônico que estava encima da cama e entregou ao irmão.
– Mais alguma coisa senhor?
– Já que está tão prestativa assim, você pode me apresentar àquela sua amiga francesa...
Em resposta, Destiny bateu a porta na cara dele.
– Destiny! — Alguém gritou. Agora era sério. Ela queria definitivamente estrangular quem quer que tivesse lhe chamado o nome.
– Quem é o miserável… — Ela parou antes de abrir a porta. Então deu meia volta até a janela e abriu a persiana. — Kendrick!
– Vamos ou não? — Ele perguntou.
– Claro! — Destiny jogou a mochila janela abaixo e Kendrick pegou.
Se Destiny acreditasse mesmo em rezar, ela estaria rezando para que ninguém a visse na posição desconfortável que era pular da janela do segundo andar. Aproveitaria e pediria para que Irina nunca descobrisse isso porque tudo o que ela mais queria era que Irina fosse a criança perfeita, e como a menina se espelhava nela, isso implicaria sérias mudanças de caráter. Mas de vez em quando era bom não ser a irmã mais velha e apenas ser adolescente, com todas as aventuras que a noite guardava.
Assim que colocou os pés no chão olhou para a janela da cozinha para ver se ninguém estava lá. Felizmente Irina deveria estar lá encima, Alex estava olhando um jogo de futebol pela TV e Maia estava tirando biscoitos do forno.
– Eles nem vão perceber. — Kendrick riu. Ele era o melhor amigo de Destiny, e gay assumidíssimo. Assim que os dois conferiram a porta de vidro, eles andaram até a cerca do pátio, onde devido a altura, ele ajudou a pular. — Onde vamos essa noite?
– Hum… — Destiny assumiu sua cara pensativa. — Alex estava contando que abriu uma nova boate na cidade, talvez devêssemos ir para lá.
– Mas antes temos que passar na minha casa pra deixar essa sua mochila. — Ele disse, colocando a mochila nos ombros. — Como foi o dia?
– Ah, o mesmo. — Destiny bufou. — Titia reclamando, Alex sendo Alex e Irina bateu boca com uma coleguinha da escola, mas eu já falei com ela.
– Irina?
– A garota zombou dela porque ela é órfã e Irina brigou com ela. — Destiny explicou. — Mas o bom é que a Irina não desceu a porrada na garota, então Irina é um ser muito paciente.
Kendrick deu risada.
– Você realmente ama ela.
– É minha irmã. — Destiny disse. — Vou até ao inferno para trazê-la de volta.
– Disso eu sei. — Ele sorriu para a garota. Destiny iria sorrir de volta para o amigo quando percebeu o silêncio que fazia.
Como boa nova-iorquina Destiny nunca estava acostumada ao silêncio. E por morar em Manhattan, silêncio era simplesmente uma palavra que não existia no vocabulário dela. Mas como ela não estava na sua casa — um apartamento em Nova Jersey — e sim na casa da tia — que ficava para um lado mais para for a da cidade -, aquilo foi estranho. Já ia abrir a boca para falar com Kendrick quando algo atingiu o peito de Ken, que caiu como uma fruta para trás.
– Kendrick! — Ela berrou. Já estava se ajoelhando para verificar o corpo do amigo quando um buraco de bala se abriu onde ela estava um segundo atrás.
O instinto de sobrevivência foi muito maior do que a lealdade pelo garoto. Ela berrou e saiu correndo. Correu como nunca na vida dando meia volta na rua. Pulando a cerca alta do pátio em um frenesi ela virou para trás. Um homem — mais novo que sua tia talvez — estava subindo a rua, relativamente perto da casa de Maia. Destiny se virou e correu, se chocando contra a porta de vidro, que se estilhaçou. Não teve tempo de registrar a dor. Alex e Maia se viraram e Irina gritou, descendo as escadas como um coelho. Todos se viraram para ela boquiabertos.
– Fujam! — Destiny berrou. Ninguém entendeu o porque, mas Maia, a mulher teimosa e religiosa que era depressiva por conta da morte precoce da irmã, deixou cair os biscoitos e se endireitou.
– Peguem as malas! — Ela gritou.
Os irmãos se empurraram escada acima para seus quartos. Uma vez no familiar ambiente, Destiny pegou a mala e deu uma olhada para o pátio. Estranhamente o homem tinha apenas aberto um buraco na cerca, e ali estava parado, analyzed a casa de Destiny ao lugar onde estava como se estivesse calculando algo. Destiny não entendeu nada até ver que ele tinha um rifle nas costas e toda a sua vontade de viver foi arrancada brutalmente dos seus pulmões.
– Destiny! — Alex a puxou pela mão para fora do quarto. Destiny teve forças para pegar o retrato do casamento dos pais que estava no corredor. Os três saíram de casa e jogaram as malas no carro. Alex entrou no carro e já ia dando a partida quando percebeu alguém que estava faltando. — Cadê a tia Maia?
Destiny saiu do carro sobre os gritos de protesto dos irmãos e entrou em casa. Maia estava calmamente sentada na cadeira comendo seus biscoitos.
– Vamos tia! — Destiny insistiu em puxar a tia. — Vamos!
– Não querida, eu não preciso ter medo, Jesus está comigo. — Maia disse. Destiny queria acertar uma panela na cabeça da tia e carregá-la a força para fora.
– Tia, não há nada que os faça temer, então é melhor a senhora cooperar e…
– Está dizendo que eles não acreditam em deus?
– Eu não sei! Talvez, mas eu não sei! Vamos! — Ela puxou Maia, mas a mulher estava como uma rocha no mesmo lugar e não se mexia.
– Não tem motivo de ter medo, eu vou ficar aqui. — Maia deu um sorriso. Destiny sentiu os olhos arderem.
– Tia, a senhora vai morrer. — Ela deu a última cartada.
– Se eu morrer eu vou me encontrar nos braços de Deus. — Maia passou a mão no rosto da sobrinha. — Vá minha filha. Vá com deus. Jesus lhe abençoe.
Destiny deu um abraço na tia e saiu correndo da casa. Alex e Irina lhe esperavam na porta e ela queria gritar que fossem embora de uma vez quando algo mais lhe chamou a atenção. Um zumbido ao fundo, como se algo estivesse se aproximando em alta velocidade. Destiny se voltou para os irmãos e os empurrou para frente onde eles, aos trancos e barrancos, desceram as escadas e corriam para o pátio. Mais tarde Destiny perceberia que o que vinha até eles era um míssil. Não tão potente, apenas forte o suficiente para explodir uma casa.
Parecia que a explosão havia sacudido o mundo. A casa deles foi pelos ares. A pressão os atirou para longe. Destiny agarrou Irina antes que ela batesse em qualquer outra coisa e Alexander se chocou em uma árvore. No mesmo momento ela olhou para trás procurando a tia. Maia estava lá dentro ainda, Destiny sabia. Mas com essa explosão não havia dúvidas de que não havia sobrevivido.
– Destiny! — Alexander gritou.
– Eu estou bem! — Ela disse. Surpreendeu-se de como sua voz soou como uma lixa. Ela pigarreou. — Irina, você está bem?
– Sim. — A menina assentiu com a cabeça. Seu rosto estava preto de fuligem exceto por duas linhas que escorriam lágrimas. — Tia Maia…
– Eu sei. — Destiny abraçou a irmãzinha. Alexander logo se juntou a elas. A chuva começou a cair, apagando o fogo aos poucos, mas o estrago já estava feito. Já se ouvia as sirenes da equipe de bombeiros chegando ao longe, e Destiny se ergueu do chão.
– O que fazemos agora? — Perguntou ao irmão. Seus cabelos ruivos já estavam colados no rosto e Irina não parava de chorar.
– Nós não sabemos. — Alexander admitiu. — Mas você vai para Rhode Island.
– O quê? — Destiny perguntou.
– Você vai sim. — Alexander disse, sabendo que a irmã teimaria.
– Eu não vou deixar vocês logo agora! — Destiny se negou. Se sentia exausta, e a chuva carregava toda sua raiva e pesar. — Eu não vou deixá-los.
– Destiny, um de nós precisa ir até lá. Eu fico aqui cuidando de Irina, eu posso arranjar um lugar para ficarmos. Mas você precisa ir para lá. Se não tiver nada você nos liga. — Alexander disse com a voz firme. Destiny fechou a cara.
– Por que não você? — Ela rebateu.
– Porque você é a que tem, não apenas o sangue, mas a personalidade da mamãe. — Alex respondeu. — Agora você tem que ir.
– Eu não tenho dinheiro pra ir até Rhode Island.
– Tira da nossa conta ou você dá seu jeito. — Ele rolou os olhos. — Vai.
Destiny deu um beijo na testa do irmão e depois abraçou Irina. Antes que voltasse atrás saiu correndo rua abaixo até seus pulmões começarem a arder.
Ela tinha que resolver tudo. Não podia deixar seus irmãos serem alvos de pessoas que ela nem sabia quem era. Tiraria isso a limpo. Tudo pela família.
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Era quase certo que nada mudaria quando ele colocasse os pés para fora da GULAG. E ele estava certo, nada mudaria. As pessoas ainda o olhariam de cima a baixo procurando saber como aquele garoto jovem fora parar em uma das maiores prisões de segurança máxima da Rússia. Qualquer um que perguntasse receberia uma boa resposta em troca, mas nunca a verdade. Ele tinha certeza de que ninguém iria gostar dele tão cedo se ele dissesse que já cometera homicídio mais de 23 vezes. E como ninguém gostava, ele estava certo.
– Hey Caim. – Ele chamou. A única coisa que não o julgava era seu cachorro, batizado de acordo com o livro sagrado dos cristãos ao pai do homícidio. Se ele era estranho? Talvez fosse mesmo. – Tá com fome?
O cachorro lhe lambeu a mão e Nathan tirou o pacote de ração que trouxera.
– Eu juro que dessa vez eu não roubei hein. Comprei. – Nathan riu. Ele na verdade estava mentindo. Sim, ele roubara a ração. Mas não todos os pacotes. E nem encostou uma arma na cabeça do vendedor, o que foi um notável avanço. – Vem cá.
Ele se jogou no sofá e abriu um dos pacotes. Jogou metade da ração em um pote e deixou o cachorro comendo enquanto ia encher o outro pote com água.
Pergunte-se como um menor de idade passava três anos na GULAG. A resposta: a justiça não ligava. Um assassino era um assassino não importava sua idade. E ele só saíra por causa de boa conduta e uma pequena ajuda de uma família russa muito rica que até hoje Nathan não sabia qual era. E ele se deu bem depois disso. Na verdade, ele fora sequestrado assim que botara os pés para fora da prisão, e recrutado para uma das grandes máfias de San Petersburgo,aquela que o tirara da prisão. Ele não sabia o que fazer no começo. Mas era só ameaçar com morte – e torturar – quem devesse muito dinheiro para os mafiosos, e ele tinha que admitir, era realmente legal. Apenas um emprego normal para um garoto de 18 anos.
Ele se jogou no sofá e pegou uma garrafa de Coca-Cola e abriu a tampa.
– Não deveria estar escondida aí. – Disse. Não teve resposta. Mas era tão claro quando água que havia alguém ali. Nathan podia ouvir a respiração pesada. – Vamos lá Claire, saia daí.
A mulher saiu de onde estava escondida. Era um ótimo disfarce na verdade, encolhida no baú onde ele guardava as armas. Ela saiu segurando um lança granadas. Felizmente estava descarregado.
– Não deveria guardar as armas em um baú. – Ela disse. O inglês era muito enferrujado e carregado de sotaque russo, puxando os R’s com gosto. Estava com a roupa de trabalho, calças pretas, coturnos e um enorme e pesado sobretudo para se proteger do frio da Russia no inverno. – É muito inapropriado.
– Eu não preciso de armas. – Para provar, ele jogou a tampa da Coca-Cola que estava bebendo no rosto dela, que se desviou só para ter uma faca sendo atirada. Daquela ela não conseguiu se desviar e a faca cravou na pele do seu sobretudo, só não abrindo um talho maior porque ele não jogara para matar.
– Tudo bem. – Ela suspirou. Claire Singer era um tipo diferente na Rússia. Filha de escravos africanos, teve sua liberdade quando duelou até a morte contra um dos melhores espiões da máfia russa para qual Nathan trabalhava. Ela não apenas o matou como arrancou os membros e roubou seu cargo. Nathan conhcê-la era muito raro porque ela dificilmente dava atenção para as sub-divisões da máfia. Mas fora ela que lhe oferecera o emprego e lhe ensinara corretamente os melhores métodos de matar. – O chefe quer vê-lo. Ele tem uma missão para você.
– O chefe? — Nathan repetiu. A Rússia era famosa por suas muitas máfias, como tráfico de drogas, pessoas, órgãos e muitas outras. E geralmente ela era dividida em partes. Nathan participava da parte em que cobrava as dívidas. Essas máfias muitas vezes se envolviam em brigas, mas a grande maioria dela era ligada por um único chefe. Podia ter uma máfia de tráfico de drogas e outra de escravos, com diferentes componentes e chefes, mas pesquisando bem se descobria que eram apenas divisões de um único Chefe. A divisão de Nathan os chamava de grande Chefe. Fossem quem fosse, a fortuna era bilionária com facilidade. – Qual chefe?
– O de lá de cima. – Claire sorriu. – Acho que você tirou a sorte grande Nathan. Vai conhecer Nicholas Nikova em pessoa.
– Você sabe qual missão é? — Ele perguntou depois de pensar um pouco.
– Algo com os Estados Unidos. – Claire disse. – Não peguei muita coisa. Mas a operação é grande. Eles estão se reunindo agora mesmo para discutir algo chamado de operação Blackbird.
Nathan ponderou o porque de Nicholas querer vê-lo. Ele era uma lenda. Um espião americano recrutado pela alta cúpula. Era casado com a irmã do chefe de verdade, de modo que fosse considerado realmente russo. Tinha um pedaço da orelha faltando, olhos azuis como o gelo do pior inverno e cabelos negros como petróleo. Ninguém conhecia sua história, mas provavelmente tinha algo relacionado com a família inimiga aos Nikova, os Peters. Comandavam a força de oposição aos chefes. Eram tão poderosos e ricos quanto, e havia um rumor que tinham a resposta de todos os problemas dos Nikova. Por isso eram tão poderosos. Décadas de trabalho na arma mais poderosa dos Nikova foi roubada pelos Blackbirds e eles tinham a resposta. Era mais fácil ir atrás deles do que refazer toda a pesquisa e demorar mais cinco décadas. Principalmente porque o Chefe queria ver tudo enquanto ainda podia.
– Então vamos. – Nathan se levantou e colocou o casaco que estava pendurado. O casaco era especialmente pesado porque tinha bolsos entre as peles, em que ele carregava diversos tipos de armas e facas.
– Não vai precisar ir tão longe garoto. – Claire riu.
Assim que Nathan saiu percebeu que não precisava mesmo. Uma enorme limusine negra estava estacionada na frente, parecendo deslocada na neve que caía. Claire saiu de casa ao seu lado. Era mais alta que ele e até mais forte, mas sua imagem a confortava. Ela era como uma tia. Uma tia com mais de 50 homicídios nas costas, mas ele estava quase chegando lá. Respirando o ar gelado ele andou até o carro e abriu a porta. Ali lhe esperava Nicholas. Ele se sentou na frente do homem e se ajeitou um pouco desconfortável. Ali estava com o ar ligado e logo logo ele estaria com calor, coisa que odiava.
– Olá Nathan. – Nicholas sorriu. De perto ele não parecia muita coisa. Tinha 1,90, o que era relativamente alto, mas não era muito musculoso ou algo parecido com um Vin Diesel. Ele brincava com o cabo de uma faca verde esmeralda com detalhes em uma língua que ele não conhecia. Japonês talvez. – Deve estar se perguntando porque está aqui.
– Na verdade estou me perguntando o que o senhor está aqui. – Ele rebateu. Algo na expressão de Nicholas não lhe agradava. Algo sobre a personalidade de Nathan lhe impedia de gostar de adultos tão parecidos com o homem na sua frente. Todo cheio de si, rico, com cara de poderoso e esnobe. Era uma pessoa que tinha poder e não tinha medo de usá-lo.
– Temos aqui um garoto insolente. – Nicholas jogou a cabeça para trás e gargalhou. Aquilo mexeu coma paciência de Nathan. Ele contou mentalmente até seis.
– Desculpe senhor, mas se pudesse ser mais rápido, meu cachorro que deve estar tendo uma convulsão de tanta ração que deve estar comendo agora precisa de mim. – Ele disse. Mas Nicholas apenas o ignorou. – E é sério senhor, da última vez que Caim comeu tanta ração eu tive que correr para o veterinário, então...
Nathan esperava estar sendo claro para Nicholas com as palavras atrás da frase. Mais claro do que isso apenas se ele quebrasse o nariz de Nicholas e gritasse no seu ouvido que até os problemas intestinais de seu cachorro eram mais importantes do que estar falando com aquele homem, mas Nicholas apenas ajeitou a postura e o interrompeu com um olhar capaz de transformar o oceano pacífico inteiro em gelo.
– Olha garoto, eu tampouco gosto de você, mas tenho uma pequena missão. – Nicholas entregou. – Ivan deve estar louco por me mandar fazer isso, mas ele é o chefe.
Nathan esperou Nicholas entregar o jogo.
– Ele precisa que você dê uma volta nos Estados Unidos. Mais precisamente Rhode Island no nordeste do país. Procure pela mansão Olsen. Você vai saber achar. – Nicholas contou.
– E por que eu faria isso? — Nathan perguntou, estreitando os olhos.
– Porque se não fizer nós queimamos sua casa com Claire Singer e o seu querido cachorro presos lá dentro.
Nathan se revoltou. Ninguém ameaçava seu cachorro. Ele se levantou e se jogou na direção de Nicholas, mas o pesado casaco atrapalhou sua agilidade. Nicholas jogou a faca que mantinha no bolso a centímetros do rosto de Nathan, no que arrancou um tufo de cabelo loiro.
– Não me desaponte. – Nicholas ameaçou. – Sua missão é agir como intermediário entre mim Alice Samantha Peters.
Nathan mordeu a língua para não perguntar por que. Sabia que se perguntasse Nicholas tiraria mais do que cabelo.
– Agora pode ir. As passagens estão lá dentro. – Nicholas apontou a porta da limusine com um meneio de cabeça.
Nathan dirigiu a ele um último olhar de raiva e saiu do carro. Claire lhe esperava com as mãos no bolso. Nathan mal pôde abrir a boca que um tiro estourou a lateral da cabeça dela. Sangue espirrou para todo lado. Nathan com nojo limpou o rosto das gotas. Olhou para o corpo inerte de sua única conhecida. A cabeça estava em péssimo estado, os miolos haviam sido estourados.
– Eu entendi o recado! – Berrou para o nada.
Nathan entrou dentro de casa e encontrou Caim ganindo, mas vivo. Um envelope estava amarrado em seu pescoço. As passagens indicavam um voo para dali a duas horas.
Caim se espreguiçou e deitou no sofá, deixando Nathan sozinho, com um cadáver na porta e uma mala inteira para arrumar em duas horas.
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