Notas iniciais
AIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO Nem demorei hein, me amem. Tenho escrito rápido, devo estar quebrando algum recorde. Agora vamos às explicações: A partir de agora o sistema é diferente. Não tem mais aviso "tal dia terá fulano, sicrano e beltrano", agora a minha criatividade me leva para onde tiver que ir, e isso quer dizer: os personagens estão sendo misturados. Não significa que os personagens da primeira apresentação estarão em primeiro aqui e os últimos terão que esperar, não. Aqui temos dois da primeira apresentação e tem gente da penúltima. Só quero que entendam que não é preferência por tal personagem se por acaso eu colocar ele seguido, quer dizer apenas que eu tive uma ideia legal e resolvi colocá-la no capítulo. Fora que acho que ficou bem claro que os Peters moram no estado de RHODE ISLAND, e tem gente DO OUTRO LADO DO MUNDO. Tem uma personagem que coloquei ela viajando (vejam aí embaixo), mas, figurinha repetida não completa álbum, e se eu tiver que escrever a viagem de cada um dos personagens vai ficar massante e chato, que é a última coisa que eu quero. Então esperem pacientemente pimpolhos, eu vou fazer o meu melhor pra me desdobrar e escrever o de todos, mas são 16 personagens diferentes com personalidades diferentes em lugares diferentes, e agradar a todos nem Beyoncé consegue, então eu é que não vou conseguir. Então ó, regrinhas básicas: Paciência, respeito e boa vontade para ler os personagens dos coleguinhas (eu sei que tem gente que pula personagem alheio, eu faço isso, não os culpo, mas de vez em quando é legal se acostumar ao meu jeito de escrever e observar os personagens dos colegas, que afinal de contas, vão interagir com o seu). É isso, divirtam-se. P.S. Se tiver uma palavra fora do contexto ou "fora" que foi editado para "for a", me avisem pra mim mudar, pq meu editor é um cocozinho. P.S². Daniel Ackerman não tem nenhuma ideia de que Jennie Peters morreu ainda.

A campainha tocou como se a pessoa atrás da porta estivesse fugindo de fúrias. Eram duas da tarde e Alice estava sentada na frente da televisão assistindo a MTV enquanto Michael mostrava a casa para Miyuki. Alice enjoava das pessoas em três minutos, então Mike não reclamou quando depois do desmaio trágico da garota japonesa Alice perdeu a curiosidade e foi para a sala. Michael era quem tomava as decisões ali mesmo, ele que mostrasse a casa. Mas como Thaddeus estava na parte sul da mansão provavelmente vigiando o trabalho dos jardineiros, Alice teve que se levantar do sofá e ir atender a porta.

– Sabe, o mundo não está acabando. — Ela reclamou assim que abriu a porta. Um menino estava parado ali, loiro de olhos azuis. Estava simplesmente parado ali na frente observando os desenhos da porta, como se estivesse esperando na fila do mercado. — Quer dizer aqui pra mim quem seria você e por que está na minha casa?

– Ah… Meu nome é Mattheus e essa é uma história bem longa. Mas estou procurando os Peters. — Ele se apresentou. Alice não parecia o tipo de pessoa que você não obedece, já que ela tinha os olhos verdes chispando como se lançassem raios. Mattheus não se assustaria se de repente detrás da garota a casa fosse um castelo mal assombrado e que ela tivesse um cadáver encima de uma maca. Ela parecia exatamente o tipo de histórias de terror, bonitinha por fora, mas por dentro um monstro bem do mal.

– Me chamo Alice Peters e tenho todo o dia pra você falar. — Alice afirmou. Depois se virou para dentro e berrou. — Thaddeus! Você deixou um garoto entrar aqui em casa?

– Fui eu que autorizei, Alice. — Michael apareceu pela porta dos fundos, chegando até a porta acompanhado por Thaddeus que ficou muito agradecido por não ter que explicar nada a Alice. — Mattheus Blackmoon, certo?

– Hum… É. — Mattheus parecia um pouco desconfortável. Ainda tinha um corte na bochecha por causa da manobra que fizera com a moto na outra noite, e ele estava exausto. E por algum motivo, descobriu que não gostava de pessoas que o olhavam de cima a baixo como se estivessem prestes a comê-lo vivo. — E vocês são os Peters, certo?

– Eu deixo ele entrar? — Alice ignorou Mattheus e olhou para o irmão com desconfiança.

– Claro Alice. — Michael rolou os olhos azuis.

– Tirou o bilhete dourado, loirinho. — Alice se moveu da porta da frente, deixando o garoto entrar. — O que fazemos agora, Mickelito?

– Que tal falar com o garoto, Alice? Você sabe como os seres humanos são, nós temos uma coisa que se chama boca, e uma das suas principais finalidades é falar. Pena que pra você, a sua não fala coisa com coisa.

– Ah, é. Mas se você não se importa, aqui nesta casa o anfitrião é você maninho. — Alice sorriu, ignorando o comentário do irmão. — Então eu vou voltar a ser aquela estátua de perfeição que você por acaso mantém na sua sala enquanto você fala com o… Miguel?

– Mattheus.

– Claro, Marcos. — Alice deu as costas para eles e voltou ao sofá.

– Você se acostuma. — Michael disse à Mattheus. — Meu nome é Michael, esta é minha irmã Alice e você está na propriedade dos Peters.

– Não se assuste se eu por acaso quiser seu rim pra vender no mercado negro! — Alice berrou do sofá, como se eles estivessem muito longe.

– Como eu disse, você se acostuma. — Michael ignorou a irmã. — Sinta-se bem vindo.

~~☆★~~

Helena acordou no hospital com uma dor de cabeça lancinante. Por um segundo se sentiu perdida, como se não soubesse por que estava ali, então sua mente lhe traiu e todos os acontecimentos desde o começo da manhã voltaram a sua mente como uma flechada. Seu coração se comprimiu ao pensar na mãe. Sua mãe estava morta. Morta. Era uma palavra que Helena nunca pensou usar ao pensar na mãe. Uma pequena palavra, com um poder tão avassalador. Depois do assassinato do seu pai, quando ela era apenas uma criança, ela não sabia como se sentiria depois de perder a mãe. Mas agora ela estava sozinha no mundo, e isso era tão horrível que ela queria se encolher.

– Senhorita Helena?

Uma enfermeira entrou no quarto. Ela usava uma roupa azul confortável e carregava uma expressão de pena por Helena. A garota queria dizer que preferia o apelido, mas o silêncio foi sua única resposta. Ela queria perguntar sobre a mãe, mas era óbvio que Ágata estava morta. Ela vira. Ágata até mesmo teve forças para lhe dar um ultimo presente, aquele pedaço de papel.

– Senhorita Helena? — A enfermeira chamou novamente.

– Sim. — Helena controlou a dor atrás dos olhos, que dizia que ela estava prestes a chorar. Ela não podia chorar. Não queria chorar na frente dos outros muito menos.

– Você está se sentindo bem?

Quando as pessoas lhe perguntam, é por pura educação. Helena não sabia em que hora a humanidade decidira que perguntar “tudo bem” era sinal de educação, mas com certeza não funcionava. A pessoa pode estar no auge da tristeza, mas nunca dirá que não está bem. E as pessoas também não querem a verdade, porque a verdade nem sempre é boa. Helena sempre pensou que preferia a verdade crua a uma mentira doce. Mas será mesmo? Entre uma verdade que pode destruir tudo o que você acreditou a uma mentira em que você apoia sua vida, qual é melhor?

– Claro.

– Você sofreu uma lesão no tórax e um corte no ombro, mas está tudo bem agora. — A enfermeira anunciou, com um sorriso simpático. Ela não era jovem, e já deveria saber que em casos assim, onde a última coisa que a pessoa pensa é a saude física, notícias boas não acalmam os ânimos. — O médico disse que vai precisar de um repouso de quatro dias por causa dos pontos, mas logo vai poder voltar pra casa.

– Ah. — Helena sentiu que aquela resposta era curta demais. Voltar pra casa sem a mãe, onde tudo a lembraria ela? Parecia sacrilégio. — Obrigada.

– Qualquer coisa aperte o botão e uma enfermeira virá. — A mulher disse, apontando para um botão na cama. — E suas roupas estavam com muito sangue, então você vai ter que chamar alguém pra pegar roupas limpas em casa.

– Certo.

Helena se perguntou quantas respostas de uma palavra teria que dar até a enfermeira se tocar que ela não queria conversar. Felizmente, a mulher saiu do quarto e Helena se viu sozinha. Assim que tapou a cabeça com as cobertas ela se sentiu realmente sozinha. Sem família alguma. Foi quando percebeu que mantinha as mãos fechadas. Abriu a mão esquerda e encontrou o papel que sua mãe havia lhe dado. Parecia surreal que ainda tivesse aquilo em mãos, mas se deu conta que não importava. Consciente ou não, ela nunca largaria o ultimo presente de sua mãe. E felizmente os médicos não arrancaram dela, provavelmente porque ela manteve a mão fechada em punho. Ágata teria sorrido.

Ela ficou bem surpresa ao ver que era um endereço. Queria ao menos um minuto novamente com a mãe pelo menos para agradecê-la a dar a ela um lugar pra ir depois do acidente. Mas não tinha como. Agora ela era órfã.

~~☆★~~

O avião parecia tão pequeno em comparação ao tamanho do nervoso de ser descoberta ter matado um homem e fugido. Mas Lily precisava, não? Ainda não entendia muito bem o objetivo que viria em frente. Se ficar sentada em um ônibus te faz pensar sobre a vida, viajar de avião triplica o sentimento. Ela não conseguia respirar direito dentro daquele avião, parecia que seus pulmões estavam afogados na lama. Logicamente aquele era um estado psicológico, mas mesmo assim para quem não gostava de se sentir impotente, ela estava se saindo muito mal. Nem mesmo ler O Príncipe estava lhe dando um conforto ou ao menos tranquilidade.

Ela estava com adrenalina correndo pelas veias, não conseguia ficar parada no assento e frequentemente ficava encarando os outros passageiros, temerosa que algum deles fosse saltar com uma arma e lhe dar um tiro, o que era impossível. Havia um detector de metais no aeroporto para evitar exatamente isso. E toda a vez que fechava os olhos o barulho que o machado fez ao atingir a garganta daquele homem lhe vinha a mente. Era um círculo vicioso, fechar os olhos, lembrar do assassinato que fizera, abrir os olhos, encarar as pessoas e novamente fechar os olhos. Ela provavelmente já tinha sido encarada de volta por todos os passageiros daquele avião, e estava ficando nervosa. Por um momento pensou que estava ficando paranoica quando um casal, um moreno e uma ruiva, lhe encarou com tanta força que ela pensou que fosse algum dos caras que tinha vindo atrás dela novamente. Mas a garota sorriu para ela como se lesse sua mente e se voltou para o garoto balançando a cabeça como se pedisse para ele parar de encará-la. Lily quase chorou de alívio.

Lilian teve que tirar praticamente 300 euros da conta bancária que seu avô havia deixado para ela. A passagem estava bem cara, e ela estava muito nervosa por já ter gastado cem euros. Quando chegasse em solo americano poderia converter os euros em dólares, o que renderia mais, mas mesmo assim o dinheiro estava indo mais rápido do que ela pensara. Ela pensava no que faria quando chegasse a Nova Iorque. Provavelmente pegaria um táxi, ou algo assim. Antes de ter embarcado ela enviou um e-mail para os Peters — tinha um e-mail no final da carta depois do endereço -, dizendo que estava a caminho, mas não contava que ia sozinha. Pela carta — endereçada a seu avô e a ela -, parecia que eles não sabiam que seu avô estava morto há muito tempo. E ela não estava a fim de contar isso por e-mail.

– Moça, a senhora está bem?

Lily se virou para trás com violência, o que assustou a aeromoça que havia falado com ela.

– Sim. Só estou um pouco nervosa. — Ela respondeu.

– Ah, claro. — A moça sorriu. — Primeira vez no avião?

Lilian já havia via ado de avião, poucas vezes. Mas assentiu para a moça, com a esperança que nervosas pela altura explicasse seu comportamento de encarar os outros passageiros como se estivesse acordando no inferno e diabinhos com tridentes lhe recebessem.

– Sim.

– Nós podemos lhe oferecer um calmante? Há muitas pessoas que se descontrolam por medo de altura e podemos oferecer algo. — A moça disse, solícita. Lilian pensou se seria bom aceitar. Ela não queria dormir, mas seu corpo implorava por um descanso. Porém, ainda havia a probabilidade de cair no sono e acordar em um lugar inóspito e escuro. Mas a possibilidade disso acontecer era tão minúscula que ela pensou melhor.

– Aceito sim, obrigada. — Ela disse. A aeromoça deu as costas a ela e voltou dois minutos depois com um comprimido e um copo d’água. — Obrigada.

Lilian engoliu o comprimido rapidamente, com dois goles de água, e entregou o copo para a moça, que saiu. Agora ela só esperava que um pesadelo não interrompesse sua viagem. Faltavam várias horas para sair da Alemanha e chegar aos Estados Unidos, e ela estava realmente nervosa e precisando de um cochilo.

Aos poucos sua consciência esmaeceu e ela caiu em um sono profundo e sem sonhos.

~~☆★~~

Castiel queria agradecer a casa de penhores pelo resto da vida. E ao pai também. Depois de fugir para qualquer lugar possível, ele foi até uma casa de penhores e penhorou praticamente todas as joias da mãe que estavam na gaveta que muito oportunamente ele tirou da penteadeira, e tudo rendeu um bom dinheiro. Logicamente ele não tocou um dedo no medalhão e no colar com a pedra de ágata da mãe. Aquilo eram as lembranças mais próximas que tinha dela, e não mereciam acabar com um vendedor qualquer. Então ele colocou o medalhão no bolso e manteve a pedra no pescoço.

Mas isso não vem ao caso. O importante é saber que assim que ele pôs o pé pra for a de onde penhorou as joias, ele foi atacado por dois policiais.

Parecia uma piada de mau gosto que ele tivesse escapado de ser morto por um cara, visto o melhor amigo morrer na sua frente e provavelmente ouvir um tiro dirigido a seu pai para ser pego por roubo de carros. Era uma situação tão cômica que ele ficou rindo enquanto o jogavam no carro da polícia, algemado.

Mas foi aí que tudo fez um nó na cabeça dele. Em um minuto estava dentro do carro, em outro uma flecha se plantava no ombro do policial ao seu lado, e o outro que dirigia o carro despencava encima do volante, vítima de uma flecha certeira no pescoço. E então Mariah Helena chegou, caminhando calmamente e puxando Castiel para fora do carro com extrema calma. Ela era mais nova que Castiel, mas com certeza parecia mais velha, com aquele corte de cabelo e expressão assustadora. Parecia alguém que havia saltado de dentro de uma HQ da Marvel, pronta para atirar em alguém ou dar um golpe de muay thai, o que viesse primeiro.

E então agora ele estava lutando contra as algemas tentando abrir aquela coisa com a chave dispensando a ajuda de Mariah enquanto o barulho do trânsito até o aeroporto de Liverpool competia com a voz da ruiva, que lhe contava a história sobre os Blackbirds.

Ela contou que os Blackbirds eram uma organização antiga, que começou com a família Olsen. Depois dos Olsen serem mortos, Bernadeth Olsen, a filha bastarda de Richard Olsen, casou com Jake Peters, dando assim continuidade aos Blackbirds, regidos pelos Peters. De acordo com Mariah Helena, no começo eles eram a organização que protegia a costa oeste dos Estados Unidos em qualquer tipo de Guerra, eram espiões de alta patente. Em ambas as Guerras Mundiais, lá estavam eles, inclusive na Guerra Civil dos Estados Unidos, sempre servindo ao comando do governo. Nas últimas quatro gerações, os Blackbirds tiveram conhecimento que na Rússia um experimento estava sendo administrado para soltar algum tipo de bomba biológica, que faria as bombas nucleares soarem como tiros de borracha, e eram fortes o suficiente para aniquilarem os Estados Unidos. O governo não acreditou nisso, mas os Blackbirds sim, e então começou a Guerra declarada entre eles e os Nikova. Na última geração, um pouco antes de Nicholas — o Traidor, como Mariah o chamou — tomar o controle dos Blackbirds, eles invadiram a sede dos Nikova e roubaram uma coisa vital para a bomba que os russos construíam. Desde lá, os Nikova se esforçavam para pegar de volta. Ninguém além dos russos e da última geração de Blackbirds — seus pais — sabiam sobre o que se tratava, e eles nunca revelaram. Quando Nicholas se voltou contra eles, ele foi até os russos, e contou muitos segredos a eles. Sete anos depois da Ordem dos Blackbirds ter sido rompida e congelada por Jennie Peters, Nicholas voltou, disposto a pegar de volta o que roubaram, e foi atrás de cada um dos seus antigos colegas. Depois de não ter a resposta que queria, ele os matou, um a um, até chegar em Jennie.

Mas se Mariah Helena estava certa, Jennie deixara dois filhos, a mansão Olsen-Peters e o mais importante: Thaddeus Moscato, que era o mordomo da casa há duas gerações e provavelmente sabia muita coisa. Mariah Helena tinha entrado em contato com ele e dissera que estava indo para Rhode Island há um ano. Thaddeus disse que ela não podia, tinha que continuar andando, e nunca mais falou com ela, mas agora ela realmente iria até lá. Só faltava saber se Thaddeus lhe receberia.

– E então você me encontrou. Me diga novamente como você nessa missão suicida de matar Nicholas tropeçou em mim, um mero mortal.

Mariah deu um olhar congelante a ele, e voltou a atenção para a Estrada.

– Eu estava seguindo o rastro de Yan Black, e ele estava indo atrás de você. — Ela contou. — Aliás, sinto muito por seu pai.

– Ele morreu? — Castiel perguntou. Mariah fez que sim com a cabeça e ele virou o rosto para a janela. Não sabia o que tinha que sentir. De fato, quando criança e sua mãe morreu, ele chorou por uma semana, mas seu pai não era o mesmo. — Bem, espero que você vá mais rápido, esse cara deve estar vindo atrás de mim.

– Ah, não se preocupe com ele. — Mariah manteve os olhos na Estrada. — Eu o matei.

– Com uma flecha?

– Sim.

– Certo. — Ele pronunciou a palavra com um pouco de desdém, que foi percebido e ignorado por Mariah Helena. — E agora? Meu pai me mandou ir atrás deles, mas pelo que me contou, não parece valer muito a pena.

Mariah Helena ficou chocada e olhou para ele, indignada, os olhos claros furiosos.

– Bem, ou é isso ou ficar aqui esperando que Nicholas mande outro cara pra te matar. — Ela disse friamente. — Quer tentar a sorte? Porque esta noite eu estou indo para os Estados Unidos, e se for inteligente fará o mesmo. E da próxima vez eu não estarei aqui pra salvar a sua pele.

– Eu não preciso que você me salve. — Ele disse, e então ergueu as mãos para mostrar que havia soltado as algemas sozinho. — Eu sei me virar.

– Ah sim, você estaria se virando muito bem na delegacia a essa hora. — Ela disse com sarcasmo até a última sílaba. — Então fecha o bico ou eu te arrasto até o aeroporto, e eu não brinco em serviço.

– Por que você está tão interessada em me levar até lá? — Castiel perdeu a paciência. Já estava cheio daquela ruiva que não tinha nenhuma reação a não ser controle absoluto e a plena certeza que era incrível e que Castiel estaria se arrastando na delegacia, o que era verdade, mas ele não admitiria nem que sua vida dependesse disso.

– Porque eu cumpro minhas promessas, e prometi a seu pai.

Aquilo o calou o suficiente para ele pensar sobre o que isso significava. Era bem óbvio que Mariah Helena parecia o tipo que cumpria as promessas, não importava quais eram. E parecia bem a cara do pai, ter confinado o filho para ir a um lugar que ele não queria. Agora seria arrastado até lá para uma ruiva temperamental que tinha um arco e flecha.

~~☆★~~

Aquela área rural de Rhode Island tinha cheiro de infância. Daniel se lembrava de ter corrido por aqueles portões com Alice e Michael, sendo observados por Thaddeus e vários seguranças enquanto os pais discutiam sobre negócios lá dentro.

Ele já havia passado muito tempo naquela casa. Jennie o tratava como um filho, e a única figura maternal que ele teve depois da sua tutora, Eliza Moore, fora Jennie Peters, a mulher que lhe dava doces e cantava para ele e seus filhos dormirem quando ele passava a noite na propriedade.

Então um dia seu pai, Carlos, saíra da casa transtornado, e Jennie ao seu lado, ambos berrando sobre uma carta que alguém enviara. Jennie parecia estar a beira das lágrimas, e quando seus filhos viram isso foram correndo até onde a mãe se encontrava, Michael confuso e Alice furiosa. Carlos pegou a mão do filho e o arrancou da casa, ainda sobre os protestos de Jennie.

Ele nem pôde se despedir da madrinha. Nem dos “primos”. Meses depois, quando seu pai morreu ele esperou por Jennie no enterro. Ela não veio. Nem mesmo enviou uma carta ou algo assim. Daniel pensara que isso foi por causa da briga que tiveram, mas nem mesmo ele não deixaria de vir lamentar a perda de um amigo, mesmo que tivessem brigado. Ele só esperava que o ressentimento não tivesse se estendido a ele.

Era tudo o que mais pensava quando o táxi parou na frente da propriedade, o portão se agigantando acima dele. Estava tudo tão calmo quanto ele lembrava, apenas o canto dos pássaros. Aliás, pássaros era o que não faltava na mansão dos Peters. Seu pai e Jennie compartilhavam uma paixão por pássaros que ele não conseguia explicar. Aliás, nem eles mesmo eles conseguiam. O portão era adornado de pássaros, todos em uma imponente pose, negros tal quanto o ferro.

O interfone havia mudado para um modelo bem mais moderno do que o que ele se lembrava, e câmeras rodeavam o muro. Ele apertou o botão e alguém atendeu, como se estivesse cansado de atender o interfone, embora Daniel soubesse que ninguém ia até lá.

– Ah, vamos Pete. Você lembra de mim. Foi há onze anos, mas tenho certeza que nem um velho quanto você me esqueceria.

– Daniel Ackerman? — O velho riu. — Garoto, você não mudou nada, só ficou mais petulante e alto!

– Oras, obrigado. — Daniel sorriu. — Avise a Alice, tudo bem?

Ele queria fazer uma surpresa para Jennie. Ele não acreditava que Jennie teria algum ressentimento com ele, mas precisava ter certeza. Alice, por outro lado, nunca o trataria mal. Ela costumava lembrar-se dela como uma menininha ruiva de olhos verdes chispantes que uma única palavra mal colocada a fazia liberar fogo. Uma lutadora. Não como Michael, que era inteligente e sempre pensava um milhão de vezes antes de falar ou fazer algo. Talvez fosse essa a razão dele se dar melhor com Alice. Ambos eram impulsivos. Não era possível que Alice tivesse mudado. Abaixar a cabeça nunca foi algo que combinasse com ela.

O portão abriu segundos depois. Daniel foi recebido por dois seguranças. Um era velho e parecia simpático, e o outro era um jovem asiático, que o encarava da cabeça aos pés com seus olhos negros. Do jeito que ele encarava parecia que Daniel era um ladrão ou puxaria uma lança-míssil a qualquer momento. Daniel não gostou. Retribuiu o olhar até começar um concurso de encara-encara entre eles.

– Daniel Ackerman? — O velho quebrou o silêncio.

– O próprio. — Daniel apertou os olhos.

– Senhorita Alice pediu que o levássemos para a piscina. — Ele continuou.

– Eu sei o caminho, obrigado.

Daniel rolou os olhos e saiu andando, batendo no garoto de propósito. Mas o garoto colocou a mão sobre seu ombro, não um gesto violento ou ameaçador, apenas para dizer que não, Daniel não iria a lugar algum sem eles.

– Desculpe, mas você tem que ir conosco. — Ele disse. O inglês tinha certo sotaque, mas Daniel não identificou. — As ordem foram extremamente claras.

Mas ele instintivamente ficou possesso. Arrancou a mão do segurança do seu ombro e continuou andando, furioso.

Cinco minutos depois desistiu da vida. Demoraria mais dez minutos para andar até a entrada da casa, e se Alice estivesse mesmo na piscina — que ficava atrás da mansão — era provável ele morrer de sede sobre o sol. Estava se perguntando se valia mais continuar andando ou voltar até o portão e implorar que o levassem de carro até a entrada. Mas o olhar daquele garoto o dava mais que ódio e vontade de seguir em frente.

Quando finalmente chegou a porta, queria beijar o chão. Mas ele se aguentou e tocou a campainha. Thaddeus abriu a porta, sempre formal em seu terno preto e gravata. Deixou escapar um arquejo quando o viu, e apressadamente fechou a pesada porta atrás de si nervosamente.

– Daniel… Senhor? O que faz aqui?

– Resolvi fazer uma visitinha à família deste lado da América, Thaddeus. — Ele sorriu. Não entendia o porquê de o velho mordomo parecer desnorteado com sua visita.

– Alguém sabe que você está aqui?

– Alice. Thaddeus o que está acontecendo? — Daniel perguntou. Tinha medo que o que tinha acontecido a ele no Brasil tivesse acontecido com Alice ou Michael. — Onde está a tia Jennie?

– Daniel, você não sabe? — Thaddeus pareceu vacilar, perdendo a carranca e relaxando o tom de voz. — Jennie está morta há onze anos.

Notas finais
AYOOOO E aí? Gostaram? Bem, de acordo com o período de tempo e o fato de que ainda é cedo pra alguma ação rolar de verdade, não foi um dos meus melhores capítulos, mas vamos chegar lá, certo? E apostem, eu mal espero pra ação começar! "Mas Ester, e a galera que tu matou até agora mulher, todo mundo quase morreu! Não foi ação o suficiente?" Não, não foi. Até eu explodir alguma coisa além da casa dos Ashford, não começou a ação ainda. Fiquem com o Hulk. Até a próxima.