Notas iniciais
Olá amigos do core da Alê, tudo bom? Então, tô postando no dia certo, sem atraso, quero palmas, obrigada, de nada. Me parece que muitos de vocês, caros leitores, gostam bastante da Thalia, portanto o foco desse capítulo é nela (e na sua amizade com a Chloe, mas ok, deixa isso pra lá).
O último capítulo não teve muitas reviews, mas eu entendo porque foi, desculpem a palavra, uma grande merda. Já vou avisando que esse aqui não tá lá perfeitamente escrito, mas a história tá fofa. Prometo que (graças ao feriado) o próximo capítulo vai estar caprichado.
Espero que gostem e um segundo que eu esqueci de agradecer vocês por continuarem acompanhar a fic e a minha amiga Sofia por ser uma linda e estar ajudando com a divulgação: OBRIGADA!
E para os novos leitores: "Welcome, welcome... And may the odds be ever in your favor"

13h07min

Depois de um tempo tudo que aconteceu ontem começou a vir em flashes. Ainda não consigo me lembrar de grande parte da noite, mas o que lembro definitivamente não me faz ansiar por mais. Tento evitar qualquer pensamento relacionado a isso enquanto me obrigo a engolir pedaços secos e mal cozidos de frango. Grande almoço.

13h10min

Algumas ideias ainda passeiam pela cabeça de Logan. Emily havia sido clara, apenas uma noite. O menino é ingênuo demais para entender as segundas intenções da garota. Ele não é a peça central do jogo, Thalia é.

13h20min

Gritos agudos ecoam pela casa. As irmãs de Thomas, apesar da aparência angelical, podem ser bem irritantes quando querem. As gêmeas, Sasha e Beatrice, têm apenas seis anos, praticamente onze anos de diferença em relação a Tom. Seus pais vêem isso como algo positivo, afinal o adolescente é uma babá 24 horas que ainda por cima não cobra serviço! Todo dia acorda cedo e prepara o café da manhã das duas, mesmo depois de uma festa como a do dia anterior. Também as leva para a escola e as ajuda com o dever. Mas nada nunca é suficiente para as meninas, que acreditam no poder dos berros. Uma pena que mamãe e papai estão ocupados demais para ouvi-las e maninho só consegue admirar o nada com um sorriso bobo no rosto.

13h24min

Cada músculo do corpo de Mike doía. Ao acordar, lembrou-se de apenas três palavras: festa do Sean. Era a mesma coisa todo ano, então ele já sabia o motivo dos hematomas. Levantou devagar e acendeu um cigarro. Nada melhor do que um dia chapado após o outro.

13h30min

– THALIA! THALIA! – a menina acordou em um sobressalto e logo se pôs de pé.

Já imaginava o que havia acontecido. Sua irmã mais nova, Jessica, tem câncer, leucemia aguda para ser mais especifica. A família faz de tudo para salvar a menina: paga sessões de quimioterapia, faz transplantes de medula óssea e compra medicamentos caríssimos, mas parece que nada faz efeito. Ela está internada há duas semanas e a cada dia seu estado se agrava. Provavelmente teve mais uma recaída.

Thalia não ligou para o que estava vestindo, nem sobre os ocorridos na festa de Sean, muito menos para sua mãe exaltada na cozinha. Apenas pegou a chave do carro de seu pai e correu para garagem. O caminho para o hospital costuma ser bonito, mas não agora. Árvores artificialmente verdes e pessoas falsamente felizes se colocavam em sua visão. Entretanto, hoje não é um dia para se prestar atenção nas malditas ruas.

14h00min

Ultimamente estavam todos exaustos. O desespero permitira que enfermeiras com apenas dezoito meses de formação acadêmica entupissem Jessie com remédios compostos por elementos químicos de nomes exóticos. A família sabia que a menina não ia sobreviver muito tempo, apesar de essa informação doer. Eles não podiam deixar de viver suas vidas por causa dela, pelo menos foi o que o médico disse. Mas Thalia não concordava com nenhuma pessoa que usasse branco para trabalhar.

15h40min

Alguém está espancando a porta da minha casa. Tomada pela curiosidade e sem nenhuma preocupação, abro-a. E assim que isso acontece um corpo cai em cima de mim, me puxando para um abraço mais que apertado. Reconheço Thalia pelos soluços no meio do choro. Suas bochechas estão muito molhadas e seus olhos, muito inchados, parecem não abrir direito. A roupa está amassada e os braços cheios de arranhões.

Não pergunto, e na verdade nem quero saber, o que aconteceu. Apenas a levo para o meu quarto. Ela deita com a cabeça em meu colo e imediatamente começo a passar os dedos entre seus cabelos bagunçados.

– Jessic... — Tha não termina a frase, porém imediatamente compreendo.

Queria poder lhe dizer que logo vai ficar tudo bem, mas sei que não vai. Essas palavras eram pra ser confortantes, mas nunca são. Só servem pra abrir uma ferida ainda maior porque todos sabem que são mentira.

– Ela disse que já estava pronta e que uma hora ou outra isso aconteceria. Que não aguentava mais sentir dor e nos ver sofrendo. Mas... Esse tipo de dor é ainda pior!

– Eu realmente sinto muito. – faço uma pequena pausa. – Jessica está em um lugar melhor agora.

Permanecemos um tempo em silêncio. Percebo que lágrimas escorrem pelo meu rosto também. Não só pela morte de Jessie, mas por toda sua família. Só há uma coisa pior que morrer de câncer: ver alguém muito próximo a você morrer de câncer.

– Cante qualquer coisa, por favor. — pede inesperadamente.

Absolutamente não era minha vontade naquele momento, mas começo a pensar em uma música adequada.

"When you try your best, but you don't succeed

When you get what you want, but not what you need

When you feel so tired, but you can't sleep

Stuck in reverse"

Minha voz chorosa e o clima de enterro não ajudam, mas forço os versos a saírem, um por um.

"And the tears come streaming down your face

When you lose something you can't replace

When you love someone, but it goes to waste

Could it be worse?"

Por um momento finjo que o mundo não existe e a única coisa que importa é terminar a canção.

"Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try, to fix you"

Já ouvi pessoas dizerem que é melhor sentir dor, do que não sentir nada. Isso não pode ser verdade, chega até a ser cruel. Imagino o que fazer quando a sessão musical acabar. Acho que lhe dar algum remédio para dormir seja uma boa opção, também posso chamar Thomas para conversar com ela. Ele é bom nessas coisas sentimentais.

"And high up above or down below

When you're too in love to let it go

But if you never try, you'll never know

Just what you're worth"

Espero não estar piorando a situação. Aos poucos sinto que meu rosto está seco. O choro se foi.

"Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try, to fix you"

Quando eu era pequena minha avó me ensinou que não se deve chorar na frente dos outros, principalmente se a situação for ruim. A pessoa já está sofrendo o suficiente sozinha, imagine acompanhada. Me chame de insensível se quiser.

"Tears stream down your face

When you lose something you cannot replace

Tears stream down your face And I..."

Algo parece estar errado. A irmã da minha melhor amiga morreu e tudo que eu tenho para fazer é cantar uma música estúpida? Não, de jeito nenhum.

"Tears stream down your face

I promise you I will learn from my mistakes

Tears stream down your face And I...

Lights will guide you home

And ignite your bones

And I will try to fix you"



Notas finais
Bom ='( Tenho muitos comentários, um por vez, vamos lá. Primeiro, lembram que eu disse no capítulo dois que a Thalia tinha muitos problemas? Bom, esse foi só o primeiro.
Segundo, algo me diz que Mike e Logan estão fudidos.
Terceiro, espero que tenham entendido a narração direitinho, sei que fica meio confuso passando da primeira pessoa pra terceira e depois pra primeira de novo, mas é o que tem pra hoje.
Quarta, eu amo Coldplay e espero que vocês também porque ainda prevejo muitas músicas deles por aqui.
Quinta, esse capítulo foi meio sentimental demais pra mim.
Sexta e última, spolier do próximo capítulo: "Não. Isso não estava acontecendo de novo. Não logo depois de tudo que vem acontecendo na vida dela".
Palpites, sugestões? Não esqueçam de me contar o que acharam (e quanto maior o comentário, mais feliz eu fico, parei). Até o capítulo 6.