Blackbird

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Apenas uma drabble traduzida de minha autoria. Escrevi ano passado e quase me esqueci por completo dela.

02:00. Ele estava tendo aquela estranha febre por uma semana agora. Seria uma noite um tanto agradável se não fosse pelas intensas mudanças de temperatura – de fervente a congelante – o tempo todo. Ele se recusou a falar sobre a febre. Mas as pessoas já deveriam saber sobre ela graças ao seu tom de voz cansado, sua respiração pesada ao falar, não importasse o quanto ele tentasse esconder.

Blackbird singing in the dead of night,”

Mas se pensasse naquilo agora, ele não estava apenas cansado de febre, mas de algo maior que ele não sabia dizer exatamente o que era e dizer: "Eu não aguento mais essa merda aqui." Ele não sabia a razão por trás do cansaço mental que eventualmente fez seu corpo ruir. Estava angustiado de algo que ele não sabia. E, lá no fundo, ele estava com medo dessa angústia, porque ela lentamente o devorava de dentro para fora.

“Take these broken wings and learn to fly.”

Ele levantou-se da cama e sentou -se junto à janela. O ar vivo de um novo amanhecer latente soprou algum alívio em seus velhos pulmões. Ele olhou para o céu e suspirou. A lua estava a caminho de seu declínio.

All your life,

You were only waiting for this moment to arise.”

Seus olhos ardiam com a falta de sono. Seu corpo doía todo. "Olhe para você." Ele murmurou para si mesmo com um sorriso triste. "Está todo fodido, Beilschmidt." O homem secou a testa com o pesado braço. "Será que os anjos ainda assim merecem o perdão de Deus? "

Blackbird singing in the dead of night,

Take these sunken eyes and learn to see.

All your life,

You were only waiting for the moment to be free.”

Sua vontade de seguir em frente mantinha acorrentada sua alma desgastada pela batalha ao débil corpo chamado Gilbert. Havia mais alguma que ele ainda precisava ver? Havia alguma coisa que ele ainda precisava passar adiante?

Será que ele realmente precisava ficar?

Black bird fly, black bird fly.

Into the light of the dark black night.”

Ele olhou para o céu azul-escuro da noite e sorriu. Talvez… Aquele finalmente fosse o momento em que ele não teria nada mais a perder. Talvez aquilo finalmente estava acabado. No entanto, não de uma forma ruim, não envolto nos braços frágeis da Tristeza.

Blackbird singing in the dead of night,

Take these broken wings and learn to fly.”

Mas sob as asas de sua própria liberdade. A liberdade que ele nunca provou enquanto ele respirava sob o nome de Reino da Prússia. O vento soprou novamente. Não havia febre, não havia doença. Nem angústia ancorando seu coração à Terra. Nem medo prendendo seu ser, que ascendia. Só havia uma luz intensa.

E ele jurou que viu penas negras tornando-se brancas, voando à vontade do vendaval.

"Eu sou livre."

All your life,

You were only waiting for this moment to arise.”

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!