BlackSwan
14 Intensos
Notas iniciais
O beijo não foi suave.
Foi intenso.
Urgente.
Como se carregasse tudo o que havia sido dito… e principalmente tudo o que não foi.
No instante em que nossos lábios se encontraram, senti o corpo reagir de forma imediata, como se aquela proximidade já fosse conhecida, mesmo que minha mente ainda lutasse para entender. Havia algo ali que não parecia novo. Era como uma lembrança que não estava completa, mas que ainda assim sabia exatamente como acontecer.
Eu deveria afastá-lo.
Eu sabia disso.
Mas não consegui.
Jacob respondeu ao beijo com a mesma intensidade, a mão firme na minha cintura enquanto me puxava para mais perto. Em um movimento fácil, natural demais, ele me ergueu do chão. Minhas pernas se ajustaram ao redor da cintura dele sem que eu precisasse pensar, como se meu corpo já soubesse exatamente o que fazer.
A sensação me desorientou ainda mais.
Ele me levou até a cama e me deitou com cuidado, sem quebrar completamente o contato, como se aquele momento fosse frágil demais para ser interrompido de forma brusca. O beijo diminuiu, não por falta de vontade, mas por algo mais consciente.
Jacob parou.
Se afastou apenas o suficiente para me olhar.
Os olhos dele estavam intensos, carregados de desejo, mas havia mais ali. Algo profundo, quase doloroso, que eu não conseguia decifrar completamente.
— Você está confusa — disse ele, a voz mais baixa, controlada. — Eu posso parar.
Por um instante, apenas o encarei, tentando encontrar alguma lógica, alguma razão para interromper aquilo. Mas a verdade era simples demais para ser ignorada.
Levei a mão até o rosto dele, sentindo o calor da pele sob meus dedos, estudando aquele olhar que parecia me conhecer melhor do que eu mesma.
— A única certeza que eu tenho agora… — murmurei — é que eu não quero parar.
O que aconteceu a seguir foi como atravessar uma linha invisível.
Minha resposta pareceu ser o impulso que faltava. Jacob levou a mão à própria camisa e a retirou em um movimento rápido, deixando o tecido cair no chão sem qualquer importância. Seus olhos voltaram para mim com ainda mais intensidade, e, antes que eu pudesse processar completamente, ele voltou a me beijar.
Dessa vez, mais profundo e urgente.
Senti o peso do corpo dele se aproximando, a forma como suas mãos encontravam espaço na minha cintura, subindo lentamente, como se cada toque carregasse uma memória que eu não conseguia acessar, mas que meu corpo reconhecia.
Minha respiração falhou por um instante e mundo ao redor deixou de existir.
Tudo o que restava era o calor, o toque, a proximidade que crescia a cada segundo.
Minhas mãos se perderam nele, nos ombros, na nuca, puxando-o para mais perto, como se aquela distância que ainda existia fosse insuportável. Cada beijo parecia mais intenso que o anterior, mais carregado, como se houvesse algo sendo recuperado ali, algo que ia além daquele momento.
As roupas começaram a se tornar um obstáculo, não houve pressa, mas também não houve hesitação. Cada gesto era guiado mais pela necessidade do que pelo pensamento. O tecido cedia, sendo afastado, deslizando, enquanto o contato entre nossas peles aumentava, trazendo uma sensação que me fez fechar os olhos por um segundo.
Era familiar e ao mesmo tempo, completamente novo.
Senti o coração acelerar, descompassado, cada batida ecoando como um aviso de que aquilo não era apenas impulso. Havia algo mais profundo, algo que eu ainda não compreendia, mas que me prendia ali, naquele instante, sem espaço para recuar.
Jacob desacelerou por um momento, como se precisasse me olhar novamente, confirmar algo. Seus dedos percorreram meu rosto com cuidado, contrastando com a intensidade do que vinha acontecendo.
Aquilo me desconcertou ainda mais, porque não era apenas desejo, havia sentimento e história, mesmo que eu não me lembrasse dela.
Voltei a puxá-lo, reduzindo novamente a distância, deixando claro que não queria que ele parasse.
E ele não parou.
O tempo deixou de fazer sentido e restaram apenas as sensações, o calor e a proximidade.
E a estranha certeza de que, de alguma forma… aquilo já havia acontecido antes.
O momento não foi calmo, foi intenso desde o início.
As roupas já estavam em algum lugar do quarto, os beijos ficaram mais profundos, mais urgentes, senti meu corpo reagir antes mesmo de conseguir organizar qualquer pensamento. Minhas mãos se firmaram nele, na nuca, nos ombros, mantendo-o próximo, como se a distância fosse algo impossível de suportar naquele instante.
Jacob me ergueu com facilidade, e o movimento pareceu natural demais, como se já tivéssemos feito aquilo antes. Minhas pernas se ajustaram ao redor dele sem esforço, e sentou na cama, eu me encaixei nele com perfeição enquanto meu calor, meu toque e minha respiração se misturava à dele.
Os beijos se tornaram mais lentos por um instante, mas não menos intensos. Era como se ele tentasse se controlar, mas ao mesmo tempo não conseguisse. As mãos dele percorriam meu corpo com firmeza ditando o ritmo mas havia cuidado ali, um contraste que me deixava ainda mais confusa. Eu sentia cada toque de forma amplificada, como se minha pele estivesse mais sensível, mais viva.
Minha respiração já não acompanhava o ritmo.
Meu coração acelerava a cada segundo e ainda assim, eu não queria parar.
Tudo se tornou mais intenso e dessa vez não havia mais hesitação. Era como se algo dentro de mim estivesse sendo desbloqueado, mesmo que eu não tivesse acesso às memórias que deveriam justificar aquilo.
O tempo perdeu completamente o sentido, e eu, só conseguia sentir.
O calor, o prazer a forma como ele me envolvia, como se tivesse medo de me perder de novo.
Houve um momento em que tudo pareceu se concentrar, como se cada sensação se acumulasse até um ponto impossível de ignorar. Meu corpo respondeu de forma involuntária, aproximando-se ainda mais, como se buscasse aquele mesmo ritmo, aquela mesma intensidade.
E então…
O ápice veio.
Não como algo brusco, mas como uma onda que cresceu até não poder mais ser contida. Minha respiração falhou, minhas mãos se firmaram nele com mais força, e por um instante tudo pareceu suspenso, como se o mundo tivesse parado exatamente ali.
Fiquei presa àquele momento, sem conseguir pensar, apenas sentindo.
Quando a intensidade começou a diminuir, a única coisa que restava era a proximidade.
E a forma como ele ainda não se afastava.
Jacob aproximou o rosto do meu, a respiração ainda descompassada, e sua voz veio baixa, próxima demais.
— Eu te amo.
Deitei a cabeça sobre o peito de Jacob, ainda tentando recuperar o ritmo da respiração enquanto o som do coração dele batendo firme sob minha orelha trazia uma sensação estranha de calma. O quarto permanecia em silêncio, quebrado apenas pelo som suave do mar ao longe. Senti a mão dele deslizar lentamente pelas minhas costas nuas, em um gesto tranquilo, quase distraído, como se precisasse daquele contato tanto quanto eu.
Fechei os olhos por um instante, permitindo-me permanecer ali, sem pensar em tudo o que ainda precisava ser entendido.
— Fala da Charlie pra mim — pedi, em voz baixa, sem levantar o rosto.
Jacob demorou um segundo para responder, como se escolher as palavras fosse importante demais.
— Ela é… incrível — disse, com um leve sorriso que pude sentir na forma como o peito dele se expandiu. — Inteligente demais pra idade que tem. Às vezes até me assusta.
Abri os olhos devagar, ainda apoiada nele, ouvindo com atenção.
— Ela não enxerga… — continuou ele — mas compensa de outras formas. Ouvindo, sentindo… percebendo coisas que a maioria das pessoas nem nota.
Houve um breve silêncio, e eu consegui imaginar Charlie exatamente como ele descrevia.
— Ela é forte — completou, mais baixo.
Respirei fundo antes de perguntar o que realmente estava na minha mente.
— O Millennium… pode mesmo curar ela?
Senti a mão dele parar por um instante nas minhas costas, antes de voltar a se mover com suavidade.
— Pode — respondeu, sem hesitar. — O Seth já tem tudo pronto.
Levantei um pouco o rosto, apoiando o queixo sobre o peito dele para olhá-lo melhor.
— Isso não é arriscado?
A pergunta saiu quase automática.
Jacob não respondeu de imediato. Em vez disso, se moveu, girando o corpo até ficar sobre mim, apoiando o peso com cuidado para não me pressionar. O olhar dele encontrou o meu, firme, sem qualquer dúvida.
— Eu jamais colocaria a Charlie em risco — disse, com convicção — nem você.
As palavras vieram com uma certeza que me fez relaxar mais do que eu esperava.
Um pequeno sorriso surgiu no meu rosto.
E, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele se inclinou novamente, encurtando a distância entre nós, selando aquele momento com mais um beijo.
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