Black Vs. White
1 Luz ou Trevas?
Em uma Terra futurista nós, os conjuradores, dominamos o planeta e criamos nossa própria sociedade divida em duas cidades grandes. A cidade das Trevas e a cidade da Luz.
A raça humana foi extinta, os poucos que restam sobrevivem em abrigos e tentam desesperadamente sobreviver com o pouco quem eles têm. É como dizem: há dois tipos de mortais. Os tolos o bastante para lutar e os fracos demais para fazer algo.
Nós avançamos na ciência, criando armas e aparelhos mais eficazes, descobrimos a vida em outros planetas e uma vida mais ecológica, mas tudo isso tem um preço. Nós vivemos dentro da muralha, se sairmos seremos abandonados no deserto cheio de perigos, fora de nossas cidades perfeitas. Um grande deserto separa também as cidades graças as frequentes batalhas travadas entre os dois lados. Para se deslocar de um lado para o outro é usado um trem prateado, mas ele é raramente usado, pois muitos poucos escolhem as trevas ou vice-versa.
É assim nossa sociedade. Preto ou branco, não há meio-termo, escolha seu lado e não se arrependa.
Meu nome é Melanie Redbird, tenho quinze anos e hoje é meu aniversário de dezesseis anos. Uma rápida descrição minha? Bem, eu sou baixa e magra com a pele pálida, meus olhos são azuis e o cabelo negro como piche. Eu não tenho certeza do que sou, nunca me disseram, mas não me importa.
Moro com meus pais, tios e primos. Embora pareça não somos uma família grande, mas já tive um irmão(sim, a família já foi maior), mas ele desapareceu há alguns anos quando foi sequestrado pelos Cinzentos, uma ordem secreta de conjuradores que fugiram da invocação e foram para o deserto, eles são "Os Neutros" em outras palavras.
Acordei em meu quarto ainda sonolenta e preguiçosamente sentei na cama branca, se bem que esse é um detalhe que não importa já que tudo, literalmente tudo, na Cidade da Luz é branco ou tem um tom claro, extremamente irritante em minha opinião. Irei sair daqui hoje mesmo, assim espero.
Coloco uma roupa, obviamente branca, e saio, descendo para tomar café da manhã. Minha mãe e minha tia estão cozinhando enquanto meu pai lê o jornal e os trigêmeos colocam a mesa, procuro por meu tio na sala toda, mas ele não está ali, até que algo me cutuca.
Viro para trás sobressaltada e coloco a mão sobre o peito assustada.
– Tio Ned! – exclamo com raiva.
Ele ri e me abraça.
– Bom dia, Mel, como vai? – pergunta.
Tio Ned é o único que me entende, sabe que estou nervosa para meu aniversário e que não estou preparada para a noite, mas mesmo assim tenta me fazer sorrir, o que é ótimo.
Me sento na mesa com minha família, e vendo todos comendo naturalmente, como se nada pudesse afetá-los, me faz ficar arrependida de desejar tanto deixá-los.
Após o café saio de casa e começo a andar pelas ruas da Cidade da Luz, quando passo pela praça um palco está sendo montado e percebo que é para mim, mas não apenas para mim, como para o filho do prefeito.
– Mel! — exclama uma voz masculina.
Solto um gritinho ridículo e me viro para trás.
A minha frente, meu melhor amigo(o grande babaca) ri da minha cara. Frank Ray, foi invocado há alguns meses atrás, pelo o que ele me disse, sua vocação é Sibila.
Começo a bater nele e finalmente Mike se rende:
– Desculpe, desculpe. – para de rir.
– Bom dia. – digo emburrada.
– Bom dia.
Ficamos em silêncio por alguns minutos.
– Nervosa? – ele pergunta, sua voz com um tom preocupado.
Talvez ele tenha medo eu o deixe, mas é um medo, e sendo assim deve superar em algum momento.
– Onde está Lyanna? – pergunto.
– Dormindo e perdendo o aniversário da melhor amiga dela. – ele dá de ombros e eu rio.
Nós caminhamos por algum tempo até que ele se vira para mim.
– Eu queria que pedir uma coisa... – ele coça a nuca.
Meu coração acelera, o que será que ele vai dizer? Tenho que admitir que, já faz muitos anos que tenho uma quedinha em Frank e espero que ele dê o primeiro passo. Porém nada aconteceu até agora.
– Você pode prometer que vai voltar, digo escolher a luz? Por favor? – ele pede estendendo o dedo mindinho.
Suspiro decepcionada, mas sorrio falsamente enquanto estendo o dedo mindinho para jurar. Fazemos o juramento e com peso no coração eu cruzo os dedos, estou voltando atrás na minha palavra, estou enganando meu melhor amigo.
Ele sorri e isso faz meu coração cair. É como tirar doces de uma criança, você se sente muito culpado depois. Mas tenho certeza de que, quando estiver nas trevas, não vou ligar para isso, assim espero.
Depois de uma caminhada pela cidade nos despedimos e eu volto para casa sozinha, afundando cada vez mais em meus sentimentos, talvez tudo seja mais fácil nas trevas.
Chego em casa e abro a porta da frente com aquela culpa. Como eu posso ser tão idiota a ponto de entrar em minha própria casa um pouco antes de eu fazer a decisão mais importante da minha vida? Mas, para minha sorte, não há ninguém em casa, provavelmente estão ou na escola ou trabalhando, só não estou na escola porque hoje pode ser o meu último dia na Cidade da Luz e preciso do dia inteiro para escolher.
(...)
A noite chega rapidamente, minha mãe entra pela porta da frente com um vestido na mão. Ele é branco e delicado e, pelo sorriso no seu rosto, sei que é de minha avó.
– Hoje é o seu grande dia. – diz animada.
Como ela não pode estar nervosa? Hoje pode ser o dia em que me perderá, para sempre!
Tomo um banho rápido e sou sufocada pelas camadas de maquiagem que minha mãe coloca em minha cara. O vestido é a última coisa que visto, mas ele é magnífico e leve me ajudando a esquecer de tudo por alguns momentos.
– Vamos. – minha mãe diz.
Saímos de casa, eu e ela, lado a lado, estou caminhando para o fim dessa vida de luz e bondade.
Em poucos minutos chegamos ao palco montado, há um grande público que aplaude minha chegada, mas ninguém está realmente feliz. Minha mãe é quem me conduz até o palco e, antes de eu subir nele ela me puxa e me abraça.
– Sorria, alguém pode se apaixonar por seu sorriso. – ela sussurra em meu ouvido.
O peso no meu coração aumenta, estou prestes a deixá-la como sou capaz?
Ao subir no palco consigo facilmente localizar Frank e Lyanna olhando para a lua esperançosos, os dois não parecessem me perceber até que a lua atinge seu ponto mais alto e seu brilho se torna mais intenso deixando-a verdadeiramente azul.
O filho do prefeito está ao meu lado, ele sorri para mim e eu retribuo, sei o quão nervoso ele está.
Então começa. O brilho da lua encontra a fonte no meio do palco, a água também se torna azul e dentro se forma uma figura que aos poucos se torna uma mulher com lindos olhos claros e os cabelos prateados, ela se vira para o filho do prefeito e depois para mim e quando seus olhos me encaram meu coração acelera.
Suspiro enquanto ela caminha até ficar entre mim e o garoto, não diz nada, apenas se vira para o filho do prefeito e lhe estende o punhal de prata em sua mão, é agora ou nunca.
O garoto o aceita e pousa sua lâmina em sua palma, fechando a mão em volta da lâmina e a tirando rapidamente, fazendo um corte. Ao abrir a mão cortada, vejo seus olhos se fecharem a medida que o sangue cai, daí em diante tudo acontece muito rápido. A estende os braços em sua direção e balança os dedos como uma forma ridícula de bruxaria, mas o filho do prefeito grita no tempo em que seus braços se abrem. Consigo ver a dor em seus olhos, parece que sua alma está sendo sugada, pois ele vai ficando cada vez mais pálido até que cai no chão desmaiado, posso ver sua mãe chorando no ombro do prefeito, sei o que aconteceu, ele se foi, para as trevas, não há mais volta. Os seguranças o levam para fora do palco desaparecendo no meio das árvores da praça.
Tudo está silencioso ninguém se move, meu coração acelera muito mais, acho que estou a ponto de desmaiar quando a mulher me estende o punhal prateado. Eu o aceito contra minha vontade. Faço tudo que o filho do prefeito fez, mas paro antes de fazer o corte. Eu olho para minha família que está parada me olhando, todos esperançosos e logo olho para meus amigos; Lyanna aperta a mão de Frank com toda força que pode. Será que desistirei de tudo o que construí aqui? Amores, amizades e minha família? Tudo isso porque quero ser livre?
Sei que estou demorando, porque a mulher parece impaciente.
"Que lado você escolherá Melanie? A liberdade ou a família?"
Minha cabeça dói enquanto ela continua a falar.
"Vai perder tudo por causa de um desejo egoísta? Menina tola. Uma escolha pode te transformar, uma escolha pode matar a Melanie que você conhece."
Com raiva, tiro a lâmina da mão com muita força fazendo o corte preciso e estendo-a na direção a mulher, imediatamente um raio explode entre nós incendiando o palco de madeira.
– VOCÊ NÃO PODE ME OBRIGAR A ESCOLHER! – berro com raiva.
"Quando seu sangue cair, você estará acabada."
E ela sabe do que fala, pois no segundo em que meu sangue cai no palco sinto uma pontada de dor no peito que vira uma dor lancinante em alguns minutos. Eu grito não conseguindo me conter, meus sentimentos estão sendo sugados e de repente nem tudo parece tão difícil para mim. Matar, essa é a melhor solução, manipular, esse é o melhor caminho. Porém uma parte de mim quer ficar com os sentimentos, puxando-os para dentro, mas parece inútil com a força do poder. Poder, esse é meu objetivo, cada vez mais poder.
Quando cessa eu caio no chão de joelhos e sinto uma pequena dor nos olhos, que no momento estão fechados, quando os abro todos na platéia recuam, o fogo se apaga e eu percebo que fiz minha escolha.
Trevas, esse é meu lado.
Notas finais
http://www.polyvore.com/cgi/set?id=89347940&.locale=pt-br
Espero que gostem
Kisses Sammy
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