Black Mirror
4 Um novo velho conhecido - Parte 1
Notas iniciais
Se me perguntassem o que eu esperava encontrar em Kanavan, provavelmente responderia que muito sangue humano gostoso percorrendo as veias dos habitantes, mas eu encontrei algo muito melhor do que sangue ou poder, encontrei um amor, uma razão para continuar vivo, bem, mais ou menos né.
Eu e Dayse saímos do café e fomos para o parque, foi muito bom e proveitoso, para os dois, ela não parava de contar como era legal morar aqui, falou da sua vida, da separação forçada de seus pais, enfim, foi contando como era sua vida, e eu contei o máximo que eu podia da minha, afinal, ela ainda não está preparada para saber de tudo.
O tempo passou estranhamente rápido e logo estava na hora dela ir para casa. Passamos mais um tempo juntos e ainda tinha a sensação de estar sendo seguido, não sei por quem ou pelo o que, mas já estava ficando muito chato.
Quando terminamos, levei-a em casa e lhe dei mais um longo e bom beijo, ela me fazia feliz e ao que parece, agora eu a faço feliz. Nos despedimos, ela entrou em casa e eu me dirigi a velha casa abandonada dos meus pais.
A noite estava calma e não havia ninguém na rua, ouvia-se apenas o barulho do vendo tocando as árvores, tudo calmo, até um barulho de galho sendo quebrado com os pés, me chamar a atenção, não havia ninguém, mas eu podia sentir que não estava só e tinha a absoluta certeza de que não havia sido eu a quebrar o galho.
Olhei bem envolta e falei que quem estivesse ali aparecesse e logo. Quase que imediatamente uma voz conhecida falou:
– Ora, ora, ora, veja quem encontro, estava a sua procura a muito tempo! – estava escuro onde a pessoa estava e não pude identifica-la.
– Q-quem é você? E-e o que você quer? Acha que eu não senti você a me perseguir todo o dia? Eu senti e exijo respostas. – ele saiu das sombras, mas, mesmo assim, não pude saber quem era.
O homem que eu agora podia ver era alto, jovem, tinha olhos azuis, meio moreno, uma voz familiar, bem velha ao reparar o quão ele era jovem.
– Esperava que você não me reconhecesse, com um rosto novo, quem reconheceria – ele agora estava a rir – vou facilitar para você. Você sabe quem eu sou, creio que Plalton Bern não seja um nome o qual você não reconheceria.
Espera, como isso é possível? Eu arranquei-lhe a cabeça e queimei sua velha cabana com seus restos mortais, como é possível que ele esteja aqui? E pior, mais vivo do que nunca, além de estranhamente jovem, apesar de sua voz velha. Isso não é possível.
– Sr. Bern? C-como você está vivo? E-eu mesmo arranquei sua cabeça e queimei seu corpo, o que você quer de mim?
– Acho que é bem simples, existem vampiros normais, como você, e alguns mais evoluídos, como eu, ou você não achou estranho o fato de ter sido fácil demais me “matar”? Você só fez me fortalecer, agora, está na hora de você aprender uma lição! Talvez você não entenda o motivo de lhe castigar da forma que farei, mas não é legal sair matando ou pelo menos tentar matar alguém que só quer lhe ajudar, agora irás sofrer, mas, um dia você ficará feliz por isso.
– Espera, espera, me desculpe ter tentado te matar – estou aterrorizado, até agora meu dia estava às mil maravilhas, e agora isso – eu juro nunca mais falar isso.
– Suas palavras não vão me fazer mudar de ideia, verás o que acontece com o leão quando ele se acha mais forte e mais importante que seu superior.
Ele me pegou pelo pescoço com tanta força que eu achei que iria morrer naquele momento, ele me golpeou no coração com algum tipo de estaca, a dor foi grande e meu corpo queimava como se estivesse em cima de uma fogueira, até que apaguei.
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