Black Leaf, O Rei Dragão
1 Um sonho realizado. Um presente lendário
– Sabe aquele dia bonito, campos floridos, pássaros cantando, sol entre algumas nuvens, céu azul? Então, não vemos isso a muito tempo.
Esse que vos fala é um simples rapaz, seus cabelos são negros como a noite, olhos azuis, e pele clara, seu nome é Ryan, mora em uma pequena vila longe do castelo, sua casa não é grande, tem dois quartos, uma sala e uma cozinha, Ryan mora apenas com sua mãe, seu pai morreu em uma missão de exploração quando ele era apenas um bebê.
Mal sabe Ryan que seu pai era um guerreiro, mas não um simples guerreiro, seu pai era um guerreiro espiritual, e quando completar 15 anos, Ryan recebera um presente de seu pai, e por coincidência esse dia é hoje.
Ryan acorda com alguém batendo a sua porta, é uma voz feminina.
– Ryan, vamos levante, está frio aqui fora! Pra variar...
– Acalme-se! – Diz Ryan – Nós dois sabemos que você não sente frio July.
Ao abrir a porta, July, uma menina gentil, com cabelos loiros, e lindos olhos verdes, amiga de infância de Ryan, entra na casa em um salto e tem em seus braços uma cesta com frutas, coisa bem rara de se encontrar nesses tempos difíceis.
– Onde a senhorita conseguiu essas frutas? Se me permite perguntar.
– Você sabe muito bem onde eu consegui. Agora pare de questionar e me agradeça logo.
– Elas são...
– Sim seu bobo, são pra você, até onde eu me lembro hoje é seu aniversário.
– Não esperava menos de você, afinal, uma guerreira espiritual não deve ter dificuldade em sair da cidade.
– Falando nisso, por onde anda sua mãe?
– Saiu, deve ter ido fazer compras, dessa vez ela não deixou nem um bilhete.
– Enfim, aproveite as frutas, eu tenho assuntos a tratar com certas pessoas que me devem certos favores. Até mais tarde.
– Até. –Diz Ryan com um sorriso no rosto, enquanto admirava as frutas.
Ao sair, July encontra com a mãe de Ryan.
– Bom dia senhora Walker.
– Bom dia July, o que faz aqui tão cedo?
– Vim entregar um presente ao Ryan.
July vira as costas e se retira.
– Ela é uma boa menina, vocês dariam um belo casal.
– Mãe, July é apenas uma amiga.
– Só estou dizendo... Falando em casal, seu pai lhe deixou um presente, e pediu que eu lhe entregasse quando completa-se 15 anos.
A mãe de Ryan abre um baú e começa a revirar as coisas que estão lá dentro
– Aha! Encontrei!
Então ela retira um embrulho comprido, aproximadamente 1,20 m
– Tome, esta é a espada de seu pai, ele tinha um nome para ela, mas não me lembro agora, por que você não a renomeia?
Ao desembrulhar, Ryan observa a lâmina negra, e fica surpreso, é uma espada não muito longa, feito com um tipo especial de aço, o aço negro, conhecido como um dos mais resistentes materiais da terra, o cabo da espada era revestido por uma camada de escamas, mas não quaisquer escamas, escamas de dragão, e na lamina havia a seguinte frase escrita em runas magicas “leve como uma folha, fatal como as sombras”.
Ao ler isso Ryan diz quase que por instinto.
– Black Leaf...
– Acho que era assim que seu pai a chamava, afinal, o portador muda, a lâmina não.
– Finalmente, poderei realizar o meu sonho.
– Bom, agora que você completou 15 anos poderá se tornar um guerreiro espiritual.
Ryan se levanta com um pulo, pega uma jaqueta preta que estava pendurada em uma cadeira, e com a espada embrulhada, sai correndo de casa.
– Tchau mãe, volto mais tarde!
– Volte para o almoço!!
– Talvez!
“Beleza, agora preciso chegar ao quartel dos guerreiros espirituais...”
Pensa Ryan consigo mesmo.
Então ele segue a caminho do quartel, que se situa do outro lado da cidade, no caminho Ryan passa pela casa de July, mas ela não estava.
Quando estava a apenas algumas ruas de distância o ferreiro viu que Ryan carregava uma espada.
– Vejo que você carrega uma arma, e não me lembro de tê-la forjado pra você, como você ousa aparecer na minha área com a arma de outro?!
– Já pode parar Dalac. Primeiro, nós dois sabemos que você não me assusta, e segundo, essa é a espada de meu pai, ele me deixou como um presente.
– Eu lembro de como meu pai invejava essa lamina, balanceamento perfeito entre, peso e comprimento, feita de aço negro, meu pai vivia falando dela...
Ryan já estava um pouco afastado, acabou não entendendo muito bem.
Ao chegar no centro de treinamento, Ryan foi abordado por um guerreiro.
– O que faz aqui Ryan, já não lhe disse que você precisa ter 15 anos para se alistar?
– Bom dia pra você também Andy, mas sinto lhe informar que completei 15 anos hoje, então se me dá licença, estou entrando.
– Rapazinho desaforado, um dia você me paga...
O centro de treinamento era um prédio térreo, mas era bastante largo, tinha quase 1km² de área, na sala de entrada, havia dois guardas e algo que se pudesse comparar a uma recepcionista, Ryan a conhecia bem, seu nome era Diana, ela era uma guerreira “aposentada”, apenas participava de batalhas em caso de emergência, diziam que ela foi a segunda mais forte de seu esquadrão.
– Bom dia Ryan, ouvi dizer que hoje é seu aniversário.
– É sim, e acho que você já sabe por que eu vim aqui.
– Sim claro, a capitã me disse que você viria, bom, já deixei sua ficha pronta, só preciso que você assine, e já pode iniciar seu treinamento.
– Obrigado. Aliás como a capitã sabia que eu viria?
– Ela é amiga de sua mãe.
– Agora as coisas fazem sentido, ou quase.
Ryan então assina o papel e vai direto a sala da capitã para lhe dar seus comprimentos.
Ao entrar na sala, a capitã está sentada em uma cadeira de couro marrom, ela parece não perceber que Ryan está lá, então ele decide falar primeiro.
– Bom dia capitã, se me permite, vim lhe dizer que acabei de me alistar para o seu esquadrão, e gostaria de saber, por onde eu começo?
– Bom dia senhor Walker. –Diz a capitã enquanto vira a cadeira- Você pode começar me agradecendo por aquelas frutas, seu pequeno ingrato. –Diz July com um tom sarcástico.
– July... Por que nunca me contou que era a capitã?
– Mais cedo ou mais tarde você ia descobrir, mas enfim, me acompanhe vou te mostrar o quartel.
– Por favor.
– Não é porque somos amigos que você pode descartar as formalidades aqui dentro, seu insolente.
– Desculpe, senhora!
– Senhora é a sua mãe, sou apenas dois anos mais velha que você!
– Foi você que pediu, senhora...
– Engraçadinho você. Ande, não tenho o dia todo!
A primeira sala é a forja, um lugar quente, com várias fornalhas, diversos moldes, e alguns baldes com água, em caso de emergência.
July não perde tempo e já começa a falar
– Aqui é a forja, como você já deve saber, os guerreiros espirituais fazem suas armas aqui, mas pelo visto você já tem a sua. –Apontando à espada.
– Sim, essa era a espada de meu pai. Não deve ser muito resistente, mas talvez de pro gasto, por enquanto –Diz Ryan enquanto desembrulha a espada.
Ao perceber que a lâmina era negra, July fez uma cara de espanto.
– Tem certeza que essa era a espada de seu pai??
– Sim, minha mãe me entregou hoje de manhã. Por que a pergunta?
– Essa é a lendária Black Leaf, antes de o mundo congelar, dizem que ela derrotou mais de 10.000 soldados, e matou mais de 50 dragões.
– Uau, não sabia disso tudo.
– Se você herdou os poderes de seu pai, eu tenho medo pelo seus inimigos...
– Como assim poderes?
– Achei que você soubesse, seu pai foi o guerreiro espiritual mais forte que esse reino já viu, recebeu várias vezes a proposta de se tonar general, mas nunca aceitou, nunca quis abandonar seu esquadrão.
Eles continuam o “tour”, e ao chegar na última sala, o campo de batalha, July dá um berro.
– Rapazes! Esse é o mais novo integrante do esquadrão, Ryan Walker! Uryter, Venha aqui!
– Sim senhora! –Uryter vem correndo
– Uryter é meu melhor guerreiro, ele vai te explicar melhor como as coisas funcionam por aqui... Esse é seu novo parceiro de quarto, seja gentil com ele.
Após as apresentações formais July volta a sua sala, e não aparece o resto do dia.
Ryan e Uryter treinam um pouco de luta com espadas, e Uryter mostra a Ryan poder de um guerreiro espiritual.
Uryter tinha a alcunha de “O Lagarto Purificador”, e Ryan logo descobriu porque, Uryter começou a liberar seu poder, uma aura tão brilhante como uma estrela começou a emanar do mesmo, escamas começaram a tomar partes de seu corpo, seus sentidos estavam mais aguçados, e por fim, sua arma, uma espada leve, feita de ouro branco, com detalhes em esmeralda, chamada Purifying Sting, se funde ao se corpo, criando assim uma cauda longa e ágil, com espinhos venenosos em sua ponta.
Ryan, com uma sensação de espanto deixa escapar algumas palavras.
– Uau, então esse é o verdadeiro poder de um guerreiro espiritual.
– Na verdade não, meu poder nem chega perto do poder de nossa capitã, muito menos do poder do general. –Diz Uryter com uma voz reptiliana
– Se fosse possui essa quantidade de poder, eu tenho medo desse general.
– Não tenha, ele é um homem bondoso.
– Assim espero.
A sessão de treino terminou por ali, já era por volta das 13 horas, Ryan arrumou suas coisas em seu quarto, que era maior que o de sua casa, possuía dois armários, com quatro gavetas cada um, um beliche, e algo parecido com um alvo pintado na parede, aparentemente, Uryter usava para treinar sua mira com os espinhos, pois haviam vários furos na parede. Ryan se dirigiu a sala da capitã para pedir permissão para sair do quartel, mas infelizmente ela não estava lá. Ryan então deixou um bilhete.
“Querida capitã,
vim te pedir permissão para sair do quartel por algumas horas, como você não estava presente em sua sala, decidi deixar esse bilhete. Se achar necessário, aceitarei qualquer punição quando eu retornar.
PS: As frutas estavam deliciosas, obrigado. Guardei uma pra você...”
No caminho para casa Ryan decide passar no ferreiro e pedir que faça uma bainha para sua espada, para sua surpresa Dalac não lhe cobrou nada, disse que faria como um favor, mas que teria que ser pago em breve, Ryan agradeceu e se retirou.
Ao chegar em casa, sua mãe estava terminando de preparar o almoço.
– Oi meu filho, vejo que você voltou, como foi no quartel?
– Eu consegui me alistar, descobri que July é a capitã do meu esquadrão, descobri também que meu pai foi um lendário cavaleiro espiritual, ou algo assim, aliás, porque você nunca me disse isso antes?
– Achei que você descobriria quando fosse a hora, estou feliz que você voltou para o almoço.
– Eu também. Mas terei que voltar para o quartel, aparentemente vou morar lá por um tempo, mas sempre que puder eu venho te visitar.
– É bom mesmo, senão eu vou até lá te buscar –Diz ela apontando a faca para ele.
– Calma ai, não é pra tanto...
Eles almoçam, e Ryan volta para seu quarto no quartel e cochila um pouco.
Enquanto isso July resolvia alguns assuntos particulares. Quando voltou a sua sala viu uma fruta, e um bilhete em sua mesa, “Não, ele não faria isso” pensou. Após ler o bilhete, ela corou e deu uma risada, “Seu bobo”.
– Bem, já está na hora, vamos lá...
July se levanta e vai até o quarto de Ryan.
– Ryan?! Ryan?
– Só um minuto!
– Vamos ande, tenho que lhe mostrar algo!
Ryan abre a porta, com a espada ainda na mão, pois não pegou a sua bainha, e o casaco preto.
– Sim senhora, aonde vamos?
– Sem perguntas, Apenas venha.
Eles vão até o estabulo, July pega a sua égua chamada Meriel, automaticamente Ryan protesta.
– Mas e eu? Vou a pé?
– Não, alguns cavalos não foram escolhidos ainda, procure algum sem uma marca, pode nomeá-lo e sela-lo, ande logo.
No fim do estabulo Ryan nota um cavalo preto, Ryan se aproxima, e July o censura.
– Qualquer um menos esse...
– Mas porquê? –Questiona Ryan.
– Esse cavalo é indomável, ninguém consegue cavalga-lo
– Você sabe que adoro um desafio, não sabe?
– Ryan, por favor.
– Por que? O que pode acontecer de tão ruim?
– Esse cavalo já matou dois de meus soldados.
Ryan ignora o aviso e então se aproxima do indomável cavalo e começa a acaricia-lo.
– Não parece tão ruim.
– Faça como quiser, só não diga que eu não te avisei.
Ryan pega uma sela e a coloca no cavalo.
– Ei garoto, vamos com calma.
Ryan monta e o cavalo dispara, ao sair do estabulo Ryan se deita em cima do cavalo e começa a falar algo no ouvido do mesmo, o garanhão empina, relincha, e finalmente parece ter se acalmado. Então July vem correndo com Meriel.
– Meu deus Ryan, como você conseguiu?
– A gente teve uma conversinha, não é Hyperion?
– Incrível! Mas não podemos perder tempo, vamos.
Assim eles saem dos limites da cidade. Ryan, curioso para saber o que está acontecendo não se contém e logo pergunta.
– Aonde estamos indo? Isso é, se a senhorita me permite perguntar...
– Nós vamos até o castelo, tem uma coisa sua lá.
– Como assim, uma coisa minha?
– Quando a gente chegar lá você descobre.
Após um tempo de viagem Ryan percebe que ainda não tem uma bainha para sua espada.
– Droga! Como pude esquecer disso...
– O que houve? O que você esqueceu?
– Eu pedi ao Dalac para fazer uma bainha para minha espada, e esqueci de passar lá para pegar.
– Não se preocupe, logo, logo você vai ter algo bem melhor.
– Já que você diz. –E dá de ombros.
Já estava escurecendo então eles decidem parar para descansar e continuaram viagem quando amanhecer.
– Aqui é um bom lugar, o que acha July?
– Realmente, parece bom, uma rocha grande as nossas costas pode ser usada como proteção natural, e a gente faz uma fogueira na frente da barraca, assim o fogo nos protege.
– Ótimo, vou pegar alguns gravetos.
– Então eu vou armando a barraca.
– Desculpe, acho que entendi errado, você disse “ A barraca”?
– Sim, “A barraca” porque?
– Então a gente vai dormir na mesma barraca?
– Sim, o que mais você esperava?
– Sei lá. Você tem certeza que só tem uma barraca?
– A menos que você tenha trazido outra, sim só temos uma barraca.
– Que ótimo, então eu monto guarda, e você dorme.
– Qual é o problema em dormimos juntos?
– N-Não foi isso o que eu quis dizer...
– Então o que você quis dizer?
– Vou pegar os gravetos antes que escureça, quando eu voltar a gente decide isso.
– Sim senhor, senhor não divido barraca.
Após alguns minutos Ryan volta com uma quantidade bem grande de gravetos, e July já terminou de armar a barraca.
– Pronto, aqui está. Pode acender quando quiser.
– Eu vou acender quando eu quiser mesmo, você sabe que pra mim não faz diferença.
– Olha, desculpa se eu te ofendi de alguma maneira, mas não acho que seja justo você ter que dividir a barraca comigo.
– Você não acha justo? Você nem sequer perguntou como eu me sentia sobre dividir a barraca.
– Ok então, o que você acha que a gente deveria fazer?
– Primeiro eu vou acender a fogueira.
July pega um embrulho grande de dentro da cesta que Meriel carrega, essa é a arma de July, uma marreta Feita de titânio, com alguns detalhes em ouro vermelho, e havia uma frase escrita em runas magicas que dizia “Bela como uma rosa, destrutiva como o fogo”, July toca a ponta de sua marreta nos gravetos e eles se incendeiam, fazendo assim uma chama fraca, mas que duraria a noite toda.
– Bem, o que faremos sobre a barraca? –Diz Ryan envergonhado.
– Como eu já disse, não me importo em dividir a barraca, mas você precisa decidir o que irá fazer. –July entra na barraca e diz com um tom cínico — Mas acho que seria melhor você entrar, a noite é fria, e não acho que você resistira muito tempo.
– Ficarei de guarda até que esfrie o bastante para meu corpo não aguentar mais.
– Tudo bem, você é quem sabe.
Após algumas horas o frio do lado de fora era quase insuportável, Ryan era orgulhoso demais para aceitar que estava errado, e July sabia disso, então decidiu tomar uma atitude, lembrou do bilhete que Ryan escreveu, e nele estava escrito, ”aceitarei qualquer punição”, era isso, a resposta para esse problema, então July sai da cabana e chama Ryan.
– Ei Ryan, você ainda está acordado?
– Se eu não estou deveria estar, pelo que me lembro estou montando guarda.
– Não precisa ser rude, mesmo porque agora você vai engolir esse orgulho.
– O que você está querendo dizercom isso?
– Lembra do bilhete que deixou em minha mesa?
– Lembro sim mas o que tem o bilhete?
– Nele dizia, “aceitarei qualquer punição”, então...
– Não, você não faria isso.
– Não só faria, como já fiz, senhor Walker, como sua capitã eu ordeno que você entre na barraca, como punição por sair do quartel sem autorização.
– Sua, sua, sua... Ainda vou pensar em um adjetivo pra você.
– Até lá, você divide barraca comigo.
– É, parece que não tenho escolha.
Ryan aceita a derrota e entra na barraca.
– Realmente, está bem melhor aqui dentro.
– É lógico, tudo fica melhor com a minha presença.
– Nem um pouco metida...
– Só promete que não vai fugir.
– Eu prometo.
July pega no sono, e Ryan fica observando ela dormir por um tempo, então lembra do que sua mãe disse naquele dia mais cedo.
“Ela é uma boa menina, vocês dariam um belo casal.”
Então pensa consigo mesmo.
“Não é que você tem razão”
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