Black Ice
2 The Brave Girl
Rosie chorava quase toda as noites. De uma criança destemida à uma criança solitária. A maioria das outras crianças lhe importunavam. A sua única companhia era de uma funcionária do orfanato, Mary.
Mary sempre que podia, trazia alguma guloseima gostosa que sobrava na cozinha e sempre defendia Rosie.
– Me devolve, Joey! É meu diário!
– Achado não é roubado, pirralha. Humm, vamos ver o que temos aqui... "Sinto falta de minha mãe, blah blah blah." Todos nós perdemos algo e nem por isso somos mimadinhos que nem você.
– Joey, você quer ficar de castigo de novo? Disse Mary interrompendo o garoto. — Você deveria ter vergonha de si mesmo, menino. Rosie acabara de perder sua mãe em um tragédia e isso é tudo muito novo para ela. Não se lembra como foram as suas primeiras semanas aqui, Joey? Agora devolva o diário para ela, antes que eu te deixe sem sobremesa por duas semanas. E peça desculpas!
– Me desculpa, Rosie. Disse o menino num tom meio forçado devolvendo o diário.
– Rosie, querida, sei que é difícil mas tente se enturmar. Daqui algumas semanas, os meninos vão parar de implicar com você. É tudo uma questão de tempo.
– Mas Mary, eu sinto falta da minha mãe e nada vai parar de me fazer sentir assim.
Vendo a tristeza de Rosie, Mary propôs:
– Que tal amanhã, eu der uma volta com você?Meu filho tem uma bicicleta lá em casa e nem a usa mais. Se você quiser, posso trazê-la para você. Mas isso tem que ser um segredo nosso, ok?
Rosie respondeu que sim com a cabeça entusiasmada.
(...)
Passou-se dois anos. Dois anos que foram bem longos e cansativos para Rosie.
A menina fora adotava cinco vezes, e as cinco famílias a devolveram. Fez algumas amizades mas sempre voltava ao zero, sua amigas sempre eram adotadas e ela era como se tivesse que pertencer ao orfanato.
"O que há de errado comigo para todos me abandonarem?" Pensava Rosie.
E a cada ano que passava, ficava mais difícil a chance da menina ser adotada. Rosie já estava com 10 anos, e maioria dos casais querem bebês ou criancinhas.
(...)
Os anos foram passando, e Rosie havia se tornado uma bela moça. Mais algumas semanas, e ela já estaria completando a maior idade, e poderia dar o fora daquela casa.
– Sabe, Mary, não quero ser apenas mais "uma" neste mundo. Eu quero trazer grandes descobertas para a humanidade. Por isso, quando eu sair daqui, vou para Nova Iorque. Quero ser uma historiadora, posso não ter nenhum dinheiro para pagar uma faculdade mas vou arranjar um emprego na cidade e vou conseguir o que eu quero. Vou fazer em isso em nome da minha mãe.
– Querida, eu estava esperando chegar o seu aniversário, mas já que chegamos neste assunto... Desde quando você chegou aqui, percebi que você era especial, e você é como se fosse minha filha. Nunca te contei isso, uma vez tentei te adotar. Mas recusaram porque eu não tinha condições financeiras que o sistema requisita para a adoção ser aprovada.
– Por que você nunca me contou isso?
– Ora, Rosie. Quantas vezes te vi chorando sempre quando voltava da casa de uma família? Se eu te contasse isso, iria te magoar ainda mais. Eu só quis o seu bem, meu anjo. — Respondeu Mary dando um um beijo na testa de Rosie. Voltando ao o que eu quero te dizer. Nunca tive muito dinheiro de sobra, mas faz algum tempo que venho juntando uma graninha pra você, quando sair daqui. Não sei se é o suficiente para dar uma entrada numa faculdade mas acho que dá para pagar alguns meses de aluguel.
– A senhora o que? — Rosie já estava chorando. Não precisava! Desde que minha mãe morreu, a senhora foi o anjo que Deus colocou em minha vida.
Foi um lindo fim de tarde no quintal do orfanato.
(...)
– Nem acredito que você já está fazendo 18 anos! Ontem mesmo você era uma criançinha. — Disse Mary mimando Rosie.
– Mary, onde quer que eu esteja, eu sempre vou me lembrar de tudo o que a senhora fez por mim. Isso não é o fim, ok? Sempre vou vir te visitar. Afinal, a senhora é como uma mãe para mim.
– Oh, querida! Vou sentir tanto a sua falta... continuou enquanto tirava um envelope do bolso. Olha, aqui está o dinheiro que te falei.
– Não sei devo aceitar.
– Menina, não me faça uma desfeita dessas! — Falou Mary num tom irônico.
– Nem sei como agradecer. Rosie estava rindo sem graça.
O táxi chegou, Rosie já tinha se despedido de todos. Ela ficou parada em frente da casa e a ficou encarando, lembrando de tudo que tinha passado ali. Lágrimas começaram a escorrer e foi interrompida por um cutucão no ombro.
– Meu anjo, você não vai amarelar agora, vai? O táxi já está ai.
–Oh, me desculpe, eu só estava... Ok, esquece. Passado. Disse enquanto enxugava ás lágrimas.
Rosie deu um último abraço em Mary, que já estava chorando á horas.
– Boa sorte, minha criança. Se precisar de qualquer coisa, já sabe...
– Obrigada. Qualquer coisa que precisar, a senhora já sabe também!
Um último abraço fora dado e Rosie colocou as malas no bagageiro e entrou no carro. Deu um tchau com a mão e o motorista deu partida.
"Mundo, aí vou eu!". Pensou Rosie.
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