Black Ice
8 My Way
Notas iniciais
Uma base subterrânea. Era pra onde levaram Rosie. Corredores escuros e cheios de agentes e soldados andando de um lá pro outro.
– Primeiro, vamos te levar para fazer alguns exames de rotina.
– Coulson, certo? Ok. Hã... eu tenho que ficar aqui por quanto tempo?
– Você não sairá daqui tão cedo, Rosie. Você está com algo que nos pertence em seu DNA.
– Mas eu não roubei de vocês. Sou uma das vítimas também, lembra?
Os três continuaram andando até chegar no laboratório.
– Rosie, esta é a Jemma Simmons. Ela fará todos os exames necessários.
– Prazer, Rosie. – Diz Simmons enquanto estende a mão para cumprimentá-la. – Fiquei impressionada com as suas habilidades e confesso que estou muito empolgada para analisar o soro que aplicaram em você.
Rosie fica sem jeito, pois não estava num espírito tão animador igual ao de Simmons. Ela entende a mão também cumprimentando a cientista.
– Ok. Vamos começar. Primeiro, algumas perguntas de praxe. Rosie, você tem sentindo algo diferente? Náusea, febre, vômito, vertigens, sangramentos...? – Pergunta Simmons enquanto pega o algodão e álcool para limpar o braço de Rosie. Depois pega a agulha e seringa e os coloca numa bandeja de metal do lado da maca.
– Por enquanto, não. – Responde Rosie enquanto se sentava na maca.
Simmons limpa o braço de Rosie e depois pega a agulha.
– Isso é um ótimo sinal.
– Bucky, você está dispensado pelo resto do dia. Simmons, vou deixar você cuidando de tudo por enquanto. Divirtam-se. Qualquer coisa, eu estarei no meu escritório. – Diz Coulson.
Coulson e Bucky se retiram e Simmons aplica a seringa retirando o sangue. Rosie resmunga um pouco mas nada que não possa suportar.
– Ok, acho que agora eu estou passando mal.
– Bobinha. – Simmons ignora Rosie e continua tirando mais tubos de sangue.
Depois de uns quatro tubos de sangue retirados, Simmons coloca tudo no freezer e só leva um dos tubos para o microscópio.
– Você poderia me mostrar?
– Mostrar o que?
– Os seus poderes?
– Hahahahahah, falando assim até parece que eu sou um desses mutantes ou um desses vingadores.
– E quem disse que você não pode ser que nem eles?
– Fala sério... – Rosie olha para Simmons fixamente e percebe que ela está falando sério. – Você acha mesmo que eu poderia...? Ai, pára de besteira. Nem controlar essa coisa eu sei.
– Não é coisa, é gelo. E outra, você acha que todos estes super-heróis já começaram sabendo como fazer? Você acha mesmo que na primeira vez que o Tony Stark usou a armadura, ele sabia pilotá-la bem? Você acha que...
– Ok, ok. Eu já entendi... – Rosie se levanta da maca. – Eu não quero ser que nem eles, tá bem? Eu só quero a minha vida de volta e o quanto mais rápido eu me livrar disso, melhor. E é isso que você deveria estar fazendo, descobrindo como tirar isso de mim.
Simmons fica sentida e Rosie sai do laboratório. Ela vai andando pelos corredores meio acanhada e se tromba com Bucky.
– Me desculpa.
– Não, me desculpa eu.
– Ué, o Coulson não te liberou?
– Liberou, mas o meu dormitório é aqui, então... Trabalhando ou de folga, eu sempre estarei aqui!
Rosie ri e encara o braço de metal dele. Bucky percebe e pergunta:
– Você tá ocupada? Porque se não, a gente poderia ir tomar um café e daí, eu contaria a história do meu braço que você tanto encara.
– Ai meu Deus, me desculpa. Eu sou uma idiota mesmo, não era a minha intenção.
– Eu só te desculpo, se você vier tomar um café comigo.
Rosie ri meio sem graça e assenti com a cabeça.
(...)
– E foi assim que eu consegui essa belezura.
– Nazistas... E mesmo depois de tudo isso, você continuou querendo servir ao país?
– Sim, claro que sim. A S.H.I.E.L.D me ajudou muito, era o mínimo que eu poderia fazer. Mas e você? Vai se juntar à nós?
– Não, eu já tenho outros planos...
– E esse plano seria melhor do que salvar milhões de pessoas e usar o seu dom para o bem?
– Dom? Pelo o que eu saiba, dons são coisas que nascem naturalmente e esse gelo que sai das minhas mãos, não nasceu comigo. É artificial.
– Não importa. Você tem idéia do que pode fazer?
– Não! E nem quero saber. Eu só quero esquecer aquela noite, me livrar dessa fria... literalmente.
Bucky se levanta e deixa o dinheiro em cima da mesa.
– Rosie, isso poderia ter te matado, mas não. E isso só pode significar uma coisa: este é o teu destino.
Ele se retira da cafeteria e vai para o seu dormitório. Um agente se aproxima da mesa e fala:
– Rosie? Coulson está te chamando no laboratório. Os resultados dos seus exames já estão prontos.
Ela se levanta e praticamente vai correndo para o laboratório.
– Então, vocês podem tirar isso de mim?
– Rosie, sente-se. – Coulson indica a cadeira mas ela ignora.
– Eu vou morrer?
– Não, — continua Simmons. – o seu organismo reagiu muito bem à química do soro e você não corre perigo. Porém, as suas células já absorveram 80% dele e é praticamente irreversível.
– Então vou ter que ficar assim?
– Você pode fazer coisas incríveis.
– NÃO! VOCÊS SÃO A S.H.I.E.LD., DEVE TER ALGUM JEITO DE... DE...
– Acalme-se, Rosie. – Diz Coulson.
Rosie o ignora mais uma vez e sai do laboratório correndo e vai para o saguão, onde tem uma sala com paredes de vidro que tinha vista para a cidade e fica parada, observando e refletindo. Ela abre a mão e libera um pouco de gelo que fica pairando sobre a sua mão.
– Você está bem? Coulson pediu para eu...
– E a sua folga, Bucky?
– É que...
– Pelo visto você já sabe, né? – Interrompe ela enquanto se vira em direção à ele enxugando as lágrimas. Ele diz que sim a cabeça e continua. – Já que não tem mais jeito, acho que vou considerar o seu conselho. Eu sempre quis mudar o mundo, revolucionar de algum jeito. Eu pensei que poderia fazer isso do jeito que eu tinha planejado, mas a vida tem as suas surpresas. Se esse soro se adaptou em mim, também tenho que me adaptar a ele, e até que esse cabelo branco não é tão mal.
– Nossa, pensei que você seria mais difícil.
– Aquela garota, a Simmons, disse que eu poderia ser um super-herói, que nem você sabe...
– Ah é? Você acha que eu sou um herói?
– Só que eu vou ser melhor que você.
Bucky levanta uma das sobrancelhas ironizando Rosie.
– Você nem sabe se controlar. Nem um uniforme você tem. – Ele cruza o braço e se encosta na porta.
– O que mais será que eu posso fazer?
– Como eu vou saber?
– Só tem um jeito de saber... – Ela lança o olhar para a parede de vidro e depois olha para o Bucky.
– Você não...
– Ahhh, eu sim.
Ela corre em direção ao vidro e o quebra. Bucky corre atrás para tentar impedir, mas já era tarde demais. Ela pulou do décimo andar, mas... consegue se mover criando um tipo de bloco de gelo que vai se formando à sua frente. Ela vai guiando entre várias ruas da cidade. Ela nunca se sentira tão livre, tão leve... Quando ela pousa no asfalto, Bucky já a esperava.
– Você viu isso?! – Pergunta Rosie entusiasmada andando em direção a ele.
– Claro que vi! E Nova Iorque inteira também. Tem noção do que fez?
– Era pra ser segredo?
– Se você está ligada à S.H.I.E.L.D, então sim. Era algo secreto. Você vai ter que vir comigo.
– Hey, hey. Não pedi para colocarem isso em mim, então não. Não vou com você. Vou para a minha casa e não vou deixar vocês me dizerem o que posso e o que não posso fazer. Adeus, Bucky. Agradeça Coulson e Simmons por mim.
– Pensei que você queria mudar o mundo!
– E eu vou! Mas do meu jeito. E vou começar, pelos caras que fizeram isso comigo.
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