Notas iniciais
Ebaaaa! Capítulo Novo! Sobre o enigma, vejam quem acertou! No final, vou colocar o saldo de biscoitos pra vocês. Quando os personagens vão ganhar esses biscoitos, ainda não sabemos. Enquanto isso, em vez de biscoito, devorem esse capítulo inteirinho!

– Isso é ridiculamente fácil.

Todos se surpreenderam quando a primeira resposta veio do único que não estava na roda.

– Kai? – Perguntou Annika. – Não quer se juntar a nós?

Kai deu de ombros e desceu. Ele não gostava de falar, muito menos coisas inúteis, mas ele sentiu vontade de sair por cima da situação, e mostrar que ele podia resolver um enigma tão fácil.

– Nos diga, Kai – pediu Elly. – Que pergunta faria?

– Eu simplesmente perguntaria para um dos seguranças: Qual é a cor do céu de meio-dia? Ele é obrigado a me dizer que o céu é azul com nuvens brancas. Se ele não falar isso, significa que ele é o mentiroso. Também poderia perguntar qual é a cor do arroz. O arroz é branco, se ele falasse preto ou roxo seria uma mentira, é muito fácil.

– Errado. O céu de meio-dia não é azul quando está nublado – disse Ally. – E existe arroz parboilizado, que não é exatamente branco, é amarelado. Perguntas são relativas, então temos que fazer perguntas com respostas exatas. Por exemplo, qual é a cor do arroz branco.

– Ou – disse HaNa – se o Jimin do BTS é um gato-gostoso-lindo-pacas. Ou se o Taehyung é estranho, ou se eu sou tarada pelo V e pelo Suga.

– Não, não – disse Gabbe, também surpreendendo a todos. – Um enigma obviamente não tem mais de uma resposta possível, no máximo duas.

– O que quer dizer, Gabbe? – Perguntou Stux.

– Existe uma pergunta muito mais consistente do que a cor do arroz branco. Você mentiria sobre sua resposta?

– Vamos considerar isso, Gabbe – disse Elly. – Perguntamos ao segurança 1 se ele mentiria sobre sua resposta, e ele diz que não. Podemos supor que ele é o que diz a verdade, pois ele não mentiria em sua resposta, nem mentiria sobre isso. Mas o que mente também diria que não. Pois sim, ele mentiria em sua resposta, mas mentiria sobre mentir em sua resposta.

– Não estou entendendo nada – disse Mabel.

– Tudo bem, Kai. – Disse Elly. – Vamos supor que pergunte ao segurança 1 qual é a cor do arroz branco e ele responda púrpura. Qual porta você escolheria?

– A outra.

– Por que a outra?

– Ué, é óbvio – disse Gabbe, novamente. – A vida é verdadeira. Nós a estamos vivendo agora mesmo. Já a morte, é traiçoeira. Nós só teremos certeza do que é a morte quando morrermos.

– Admiro sua tentativa, Gabbe, mas esse raciocínio não se aplica aqui. Os seguranças não foram escolhidos para ficar nas portas por causa de sua sinceridade. Qualquer segurança pode estar em qualquer porta. Todas as perguntas que vocês pensaram em fazer podem até ser suficientes para descobrir que mente e quem fala a verdade, mas não são suficientes para saber qual porta está atrás de cada um.

– Então precisamos fazer uma pergunta sobre a porta, — disse Avelin – mas de forma que a resposta seja a mesma se perguntada a qualquer um dos seguranças.

– Exatamente, Avelin. Mas que pergunta seria essa?

– Eu ainda não sei – disse Elly.

– Só temos que perguntar o que o outro diria.

Elly olhou para Alex, espantada.

– O que disse?

– Perguntar o que o outro diria? Não sei se está certo, foi só um chute.

– Muito bem, vamos levar esse raciocínio adiante. Perguntamos ao segurança 1 o qual porta o segurança 2 diria que é a porta da vida. Saberemos imediatamente que, se o segurança 1 responder que o segurança 2 diria que a porta 1 é a porta da vida, a porta 2 é a porta da vida.

– O quê? — Todos, inclusive o próprio Alex, estavam confusos. Eles não entenderam bem o que Elly disse.

– Vou repetir, um por um. Supondo que o segurança 1 seja o que fala a verdade. Perguntamos a ele qual porta o segurança 2, que é o mentiroso, diria ser a porta da vida. Se a porta da vida for a 1, o segurança mentiroso dirá que a porta da vida é a porta 2. O segurança 1 falará a verdade sobre a mentira do outro. Ou seja, o verdadeiro dirá que o mentiroso diria a porta errada, seja ela qual for. Mas, se o segurança 1 for o mentiroso? Perguntamos a ele o que o segurança 2, o verdadeiro, diria. O verdadeiro diria a porta certa, a porta 1, mas o mentiroso mentiria sobre essa verdade, e diria que a porta da vida é a porta 2. Portanto, se fizermos essa pergunta a qualquer um dos dois seguranças, eles responderão que o outro diria qual é a porta da morte em vez da porta da vida. Por isso, devemos escolher a porta contrária. Parabéns, Alex.

~

Depois do delicioso almoço, o grupo se juntou em um tour pelos lugares onde eles podiam ir, a ainda não tinha ido. Os três melhores lugares foram a sala do i-confer, que era a rede social do momento, com mensagens e conversas por vídeo conferência; o laboratório de jogos, onde os melhores jogos do mundo, que eram produzidos pela Aurum, eram desenvolvidos (eles poderiam se oferecer para testar tais jogos); e o jardim interno, uma linda área coberta por um teto de vidro, com grama, árvores, flores, bancos, laguinhos e caminhos de pedra. Uma área de convivência. Como a agente Fox informara, o treino só começou no dia seguinte.

Às sete horas da manhã, o despertador soou no dormitório. O som era como um alarme de incêndio, que deixou todos... alarmados.

– O que está acontecendo? – Perguntou Mabel, desesperada.

Ally correu para o computador que dava os anúncios, e que emitia o som, com a palavra “despertador” escrita.

– Droga! – Disse ela, desligando o alarme. – É só o despertador. Fiquem calmos.

– Bom... – Disse Stux. – Ficar calmo não é a melhor opção. Temos que correr para não nos atrasarmos. Temos meia hora para ficar prontos, comer e estar na Sala 1.

~

Em poucos minutos, os dez chegaram ao refeitório. Depois de três refeições no dia anterior, eles já estavam familiarizados com o esquema. Eles entravam em fila, pegavam uma bandeja e a enchiam com o que queriam. Para o café, havia pães, bolos, biscoitos e frutas de todos os tipos e sabores, além de cereais, torradas e recheios como geleias, requeijão, ricota, manteiga, presunto e queijos de vários tipos. Para beber, havia sucos, café, leite comum e com sabores, yogurt com direito a complementos como aveia ou granola. Cada um se serviu do que quis, e eles se sentaram todos juntos em uma mesa. Estavam comendo tranquilamente, quando Mabel começou a bater na mesa. Ela mantinha a expressão inalterada, e batia em um ritmo constante, com dois socos, uma batida e uma pausa. Eles não demoraram a perceber o que ela queria fazer. O som ressoava em todo o refeitório, e os homens e mulheres ao redor já estavam olhando para a mesa deles. Elly, que estava imediatamente ao lado esquerdo de Mabel, decidiu que não ia deixar a pequena se ferrar sozinha, e começou a bater. Ela olhou com advertência para Lin, deixando claro que era para ela cantar. Afinal, estava bem claro que era isso o que Mabel queria. Lin revirou os olhos, pois sabia que ia dar ruim.

– Buddy, you’re a boy make a big noise, playing in the street, gonna be a big man some day! You got mud in your face! Your big disgrace! Kicking your can all over the place. Singing!

Elly e Mabel passaram a cantar com ela.

– We will, we will rock you! We will, we will rock you!

– Buddy, you’re a young man, hard man, shouting in the street, gonna take on the world some day! You got blood in your face! Your big disgrace! Waving your banner all over the place.

Dessa vez, os outros – sim, todos os outros, até os que não falavam muito – começaram a acompanhar Mabel, Elly e Lin. Eles entendiam que, se iam se meter em encrenca, fariam isso juntos.

– We will, we will rock you!

– Sing it! – Gritou Avelin.

– We will, we will rock you!

~

Todos estavam sentados em seus lugares na Sala 1. A agente Fox já havia chegado, mas antes de começar, ela chamou Avelin para começar em particular.

– Algum problema, agente Fox?

– Agente Devereaux, eu gostaria de saber o que houve no refeitório. Eu recebi alguns alertas de uma movimentação inconveniente provocada por jovens, e aparentemente, isso estava sendo liderado por você.

Lin olhou para a sala, onde a pequena Mabel brincava com seu computador.

– Agente Fox, não foi nossa intenção causar... isso. A Ma... A agente Schunk começou a fazer barulho, e nós... Nós sabíamos que ia acabar gerando alguma coisa, mas não queríamos deixar que ela levasse a culpa sozinha. E começamos a fazer barulho junto com ela.

A agente Fox analisou as palavras de Lin.

– Entendo. Agente Devereaux, sinceramente, eu admiro muito o que fizeram pela agente Schunk. Foi ato nobre, que mostra um valor importante a ser explorado. União. União é algo extremamente necessário em um grupo como o de vocês. Acho completamente válido que conversem, brinquem, se divirtam entre vocês. Mas, como sua treinadora, eu não posso permitir que isso se torne uma distração. Por favor, converse com a agente Schunk, e a alerte sobre isso. Vocês, de forma nenhuma, estão proibidos de se expressar ou se divertir, mas precisam evitar fazer isso em público. Caso contrário, a imagem de vocês aqui na Aurum será prejudicada. E ela já não está muito boa.

– Não?

– Não. A maioria dos agentes veem vocês como um grupo de crianças suicidas despreparadas. E, por enquanto, é o que são. Despreparados. Mas isso vai mudar. É por isso que eu estou aqui, é por isso que vocês estão aqui. Não deixe de avisar a eles sobre isso.

– Tudo bem.

As duas voltaram para a parte principal da sala e cada uma assumiu seu lugar. Ou seja, Avelin foi para a terceira cadeira da fila da frente, e a agente Fox foi para a frente.

– Será que ela reclamou sobre o refeitório? – Perguntou Mabel, cochichando, a Elly, que agora estava do seu lado direito.

– Acho que sim. – Ela também respondeu em voz baixa. — Mas não sei se vai acontecer alguma coisa com a gente. Acho que é só uma advertência.

– Bom dia – disse a agente Fox, sua voz sobressaindo. – Talvez vocês estejam se perguntando se acontecerá algo com algum de vocês ou com todos vocês por causa do incidente no refeitório. Saibam que esse tipo de comportamento não os afetará diretamente, mas afetará a visão que a Aurum tem de vocês. Mas, agora é hora de nos concentrarmos. Antes de começarmos a estudar, alguns números para vocês. Os dados que temos contabilizados desde – A agente Fox tocou a tela atrás dela. Era a foto do Black Hole visto de cima, a última imagem que tinham, quando o Jotunheimen era apenas uma cordilheira aberta e com um grande lago no centro. A imagem estava embaçada, e apareceu um texto no topo. O primeiro número. – Até agora, foram realizadas 136 expedições pela Aurum até o interior do Black Hole. – Ela toca novamente, e mais uma linha aparece. – Nessas expedições, 2892 pessoas autorizadas pela Aurum viajaram até lá. – Ela toca a tela de novo, e outro número é revelado. – Além disso, 97 meios de transporte diversos foram enviados com algumas expedições. Já o último número, vocês conhecem. – Ela tocou a tela, e apareceu o número de pessoas que retornaram: zero. – Todas as expedições partiram com essa preocupação. Tudo sempre indicou que esse número continuaria zero. Mas vocês são diferentes. Vocês serão os primeiros a ir ao Black Hole com a verdadeira esperança de retornar. Nunca antes uma pessoa conseguiu se comunicar. O agente Yovesh, aparentemente, foi o único a sobreviver ao que quer que esteja acontecendo naquela cordilheira. E isso só pode estar associado à idade dele. Essa é a esperança de vocês.

Notas finais
A esperança é a última que morre. :3 Vou colocar essa frase, seguida de "Quem morre primeiro somos nós", só de brinks. Em quem vocês votam pra dizer essa pérola? Tem que ser alguém que realmente diria. Agora vamos lá. SALDO DE BISCOITOS Alex: 1 Ally: 0 Annika: 1 Avelin: 1 Elly: 1 Gabbe: 0 HaNa: 0 Kai: 1 Mabel: 0 Stux: 0 A boa notícia pra quem tá com falta de biscoito: 1 comentário = 1 jujuba. Os anteriores serão contados também. Então, me diz aí: Achou o quê do capítulo?