Black Hole - Interativa
11 Expectativa X Realidade
Notas iniciais
27 DIAS DEPOIS
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– Como você acha que é lá dentro? – Perguntou Mabel.
– Quer dizer dentro do Black Hole?
– É. Como você imagina que é lá dentro, Alex?
– Não sei. Acho que não pode estar tão diferente assim. O que pode ter acontecido.
– Pera, pera, pera – disse Elly – Então, você acha que o Black Hole continua uma cordilheira com um lago no meio?
– Acho. É bem isso o que eu acho, Esfinge.
Sim, àquela altura, Ellynia Stone tinha feito tantos enigmas que já era chamada de Esfinge, assim como na escola. Os dez estavam tomando café da manhã, e Mabel começou o assunto.
– E você, Esfinge? – Perguntou Mabel.
– Bom, alguma coisa muito louca deve estar acontecendo lá dentro. Pra causar tudo isso. Eu acho que lá dentro é tipo um universo paralelo, como coisa de ficção científica. Mabel?
– Eu tenho uma ideia muito interessante sobre isso. Já pararam pra pensar que pode ser como a toca do coelhinho da Alice?
– Hein? – Perguntou Ally. Ela tinha ficado mais gentil depois que começou a namorar Gabbe, mas às vezes sua sinceridade tomava conta. – A toca da Alice? Fala sério!
– Querida, não fale uma coisa dessas – disse Gabbe, que também continuava desligado, mas aprendeu a ficar atento ao menos com relação à namorada. Ele já sabia que o temperamento dela podia causar alguns estragos. — Por que não poderia ser a toca da Alice?
– Porque não faz sentido.
– Eu acho que faz – disse Mabel. – Vai ver as pessoas sobem a montanha, caem lá dentro e esbarram nas coisas até chegar no País das Maravilhas.
– Olha Mabel, — disse Ally, um pouco mais calma – sendo sincera, eu não acho que seja possível, mas pode ser uma boa pensar assim. Ficaremos com mais coragem se pensarmos que é isso que nos aguarda.
– Tudo bem – disse Mabel. – Como você imagina?
– O nome não me deixa pensar muito no assunto. Eu realmente imagino que lá é um buraco negro.
– Vou ser sincera também, Ally. Vendo como as mentes dos adolescentes são pequenas, eu tenho até medo de crescer.
Todos na mesa riram. Apesar de nem sempre parecer, Mabel era uma criança muito esperta.
– Você tem razão, Mabel – disse Gabbe. – Crescer é uma...
– Shh! – Fez Alex, bem alto. – Nada de palavras feias aqui.
– Foi mal, capitão.
– Sabem que não estou falando por mim. Os agentes não veriam isso com bons olhos.
– Não temos com o que nos preocupar – disse Avelin. – Ao menos, acho que não. Estamos fazendo um bom trabalho, não estamos?
– Sim – disse Alex. – Estamos nos comportando bem, a agente Fox tem nos elogiado muito ultimamente. Aquela imagem ruim que se tinha de nós já foi apagada.
– Agora, — disse Ally — precisamos continuar trabalhando, continuar assim. Mas eu quero saber uma coisa – ela se virou para Gabbe. – Como você imagina o Black Hole?
– Deve ser muito estranho. Tudo o que aconteceu naquele lugar... Ele deve dar medo. Não deve ter nada lá.
– Mas o que causaria os desaparecimentos? – Perguntou Lin.
– Eu não consigo pensar em nada com relação a isso. Você tem algum palpite?
– Não. Não acho que seja possível prever o que vamos encontrar. Não dá pra imaginar como um lugar tão misterioso seria por dentro.
Lin e Gabbe tinham seus pezinhos na Aurum desde sempre. Eles pensavam um pouco no lado científico, como Ann, e sabiam que realmente não adiantaria nada formular uma opinião sobre o assunto. Apesar de ser divertido.
Os outros quatro estavam um pouco afastados da conversa, estavam mergulhados em outro assunto que tinham entre si. Mas Mabel estava curiosa e os chamou.
– E vocês? Como imaginam o Black Hole?
Stux foi o primeiro a falar alguma coisa.
– Nunca parei pra pensar nisso. Não tenho nem ideia.
– De repente – arriscou Kai – é como um outro planeta. Tudo diferente, espécies que ainda não foram descobertas, novas habilidades e noções científicas.
– Um lugar assim seria maravilhoso – disse Annika. – Imagine só, quanta coisa para conhecer e explorar...
– Também acha que é assim, querida?
Depois do pronunciamento de Alex, que fez com que o comportamento do grupo melhorasse, Kai decidiu se envolver melhor com a missão e ir atrás do treinamento, das explicações e da ciência. E, para isso, contou com a ajuda de Annika. A garota levava sua missão bem a sério, e Kai era a pessoa com quem ela tinha se entendido melhor até o momento – mesmo que isso significasse trocar algumas palavras. – Por isso, ela gostou muito de ver o interesse do garoto, e o ajudou. Isso fez com que eles se aproximassem cada vez mais. Demorou bastante para Kai dar um passinho adiante, mas isso finalmente aconteceu. Mesmo assim, Annika continuava séria demais, e ficava constrangida quando seu relacionamento era exposto. Ela ficava com raiva dele por chama-la de querida na frente de todo mundo. Mas ela tinha se apaixonado por ele, e a raiva passava logo.
– Não, não, Kai... Imagino algo bem diferente do que você disse. Deve ser surreal lá dentro.
– Tipo os relógios derretidos e os peixes que voam? – Perguntou Ally.
– Obras do surrealismo. Me parece um bom palpite.
– Um palpite tão consistente quanto a toca do coelho.
– Ou tão consistente quanto um simples buraco negro.
– Meninas, por favor – disse Kai.
– Eu tenho um segundo palpite – disse Ann. – Talvez o lugar se pareça com o espaço. – Antes que Ally pudesse reclamar do palpite, Annika perguntou a HaNa sobre o palpite dela. – E você, HaNa? Tem um palpite?
– Deve haver monstros que devoram as pessoas. Talvez haja neve.
– Neve seria legal – disse Mabel. – Tirando a parte de que morreríamos de frio.
– É verdade – disse Stux.
– Mudando de assunto, o dia de ontem foi bem estranho, não? – Disse HaNa.
– Foi divertido – disse Mabel. Não teve treino, fizemos um monte de testes de manhã, e de tarde, nos preparamos para a entrevista. A entrevista foi muito legal.
De manhã, a agente Fox tinha dito como seria o dia. A notícia da entrevista foi uma surpresa para eles. A agente Fox disse que havia muitas emissoras querendo entrevista-los, querendo a presença do grupo nos programas. Desde o começo do treinamento, o grupo era o assunto do momento fora da Aurum. As emissoras faziam reportagens com as famílias, descobriam coisas sobre eles e até inventavam boatos. Valia de tudo para noticiar a expedição mais arriscada da Aurum até o momento. A Aurum era rigorosa com relação a isso. Obviamente, uma empresa científica tinha os seus segredos, mas acima de tudo, noticiar a expedição não era a prioridade. Só que eles precisavam ser noticiados em algum momento, pois isso traria ainda mais prestígio à Aurum. A agente Fox disse que eles estavam esperando o momento certo para aceitar o convite da entrevistadora mais famosa de Lalysia. A entrevista foi um sucesso.
– Gente, está quase na hora – disse Lin. – Melhor nos apressarmos para o treino.
Eles largaram o que não tinham comido e correram. Estavam quase atrasados, e isso já era terrível. Eles chegaram à Sala 1, e HaNa, que havia chegado na frente, tentou abrir a porta mais de uma vez, mas não conseguiu.
– Não consigo abrir.
– Nem vai conseguir. –Disse um homem sério que apareceu no corredor.
– Agente Harris – murmurou Alex.
– Quero vocês no Galpão 58 em dois minutos. – Disse ele, antes de desaparecer nos corredores.
– Quem era ele? – Perguntou Mabel. Desde o pronunciamento, ela vivia grudada em Alex, era seu braço direito. Mabel era o anjinho do grupo, a pessoa que todos queriam proteger, e Alex era o capitão, que deveria proteger as pessoas. E Mabel estava no topo de sua lista.
– O superior da agente Fox. Vamos, pessoal. Temos que ir para o Galpão 58.
– Alex – disse Stux. – Eu já visitei todos os lugares que são autorizados. Não podemos ir a nenhum galpão.
– Perece que agora podemos – disse Avelin, com seu mapa holográfico aberto. – O Galpão 58 é o único lugar azul no mapa. Todo o restante está cinza.
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Eles seguiram o mapa e chegaram ao Galpão 58. Era ainda maior do que a Sala 2. Eles ficaram admirados. Havia pessoas uniformizadas correndo de um lado para o outro, segurando pranchetas eletrônicas ou atrás de computadores. Havia naves de vários tamanhos e tipos, e algumas salas abertas cercavam as paredes. O grupo entrou e todos olharam para eles, mas eles não sabiam o que fazer. Alguns segundos depois, o agente Harris reapareceu do nada passando por eles, e eles o seguiram. Mabel estava começando a achar que ele era um fantasma ou algo do tipo.
Eles foram para a esquerda e entraram em uma sala na parede de trás. A sala era semelhante à que eles tinham usado para vestir seus uniformes da primeira vez. As cabines faziam um círculo, tinham os nomes deles no topo e estavam expondo uniformes marrons que fizeram Mabel fazer uma careta.
– Vistam-se depressa. Já estão atrasados.
– Para quê? – Perguntou Mabel. – Para onde vamos?
– Vocês vão de nave para a Base Oslo, Segunda Divisão. Lá, receberão os complementos do uniforme. Como já devem ter estudado, inclui elementos como capacete, cilindro de oxigênio, suprimentos, armas de fogo e munição. – Ally quase perguntou pra que eles tinham treinado com armas brancas se só usariam as de fogo. Mas esperou ele terminar para levantar outra questão. – Quando estiverem prontos, um veículo terrestre levará vocês até o pé da montanha, e estarão por sua conta.
– Então – disse Ally, finalmente — vamos para o Black Hole hoje?
– Não. Vocês vão para o Black Hole agora. Se apressem.
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– Por que ela não nos avisou? – Perguntou Mabel, enquanto colocava as monótonas luvas marrons.
– Talvez ela não soubesse – disse Kai.
– Sinceramente, ela devia saber sim. É nossa treinadora, por que não saberia?
– As coisas são complicadas aqui, Esfinge – explicou Avelin. – Tudo é motivo pra segredo. Esse cara é o superior dela, provavelmente é o verdadeiro responsável pela missão.
– Faz sentido – disse HaNa. – Perceberam como ele nos jogou aqui sem mais nem menos? Nem se deu ao trabalho de nos explicar nada. Ele tem cara de guardar muitas informações para si.
Depois de se vestirem, eles foram até a nave que os levaria. Era bem maior do que a que os tinha trazido. O agente Harris não foi com eles, o que os deu liberdade para discutir o assunto. Depois de muito papo furado, Alex retomou a atenção.
– Gente, temos que nos concentrar. Eu sei que é difícil se dar conta, mas chegou a hora. Precisamos nos lembrar do que é importante agora. Discutir não adiantará nada.
– Tudo bem – disse Lin, respirando fundo, sentada em sua poltrona. – Vamos pensar no que vai ser a partir de agora. Daqui a alguns minutos, pousaremos na Segunda Divisão da Base de Oslo. É a base mais próxima do Black Hole.
– Eu não entendo por que só poderemos usar armas de fogo – disse Kai. – Gosto delas, mas tudo o que treinamos com as brancas terá sido perda de tempo.
– Eles devem achar as armas de fogo mais eficientes – disse Stux.
– O cilindro que vamos usar é muito pequeno, pelo que eu me lembro – disse Gabbe. – Será que ele vai dar conta?
– Vai – disseram todos os outros, mas quem explicou mesmo foi Annika – A agente Fox disse que nossa roupa conta com computadores, que ficam ao redor do pescoço, ao redor do capacete, e são controlados pela voz ou manualmente, quando necessário. Esses computadores controlam o oxigênio muito bem, realizam as trocas entre o capacete, o cilindro e o ambiente. O oxigênio do cilindro só será utilizado se não houver oxigênio no ambiente.
– O computador ainda vai – continuou Ally — proporcionar comunicação entre nós, informar o nível de água e comida na bagagem e em nossos corpos, testar as condições do ambiente para sabermos se é seguro, notar aproximações estranhas, essas coisas. Não lembra que a agente Fox explicou isso umas cem vezes?
– Acho que eu não estava prestando atenção.
– Pelo visto, sua sobrevivência não é do seu interesse – disse ela, rindo.
– Gente, – disse Mabel, olhando pela janela – acho que chegamos.
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