Black Dress

1 Capítulo 1


Em uma cidade, havia um pequeno bairro pobre, e bem ao lado do bairro haviam construído um resort de luxo há muito tempo, o resort funcionou bem, mas foi abandonado por motivos desconhecidos, e assim permaneceu, mas logo depois de ser abandonado, vários jovens, meninas e meninos começaram a sumir naquele bairro, tendo todos uma única coisa em comum, todos tinham 18 anos.

Um jovem trabalhava cansativamente, tinha apenas 17 anos, mas queria ter dinheiro desde já, caminhava tristemente pela estradinha de terra que dividia o resort abandonado do bairro onde morava carregando pesadas tabuas, olhou com raiva para o hotel, sabia que ele era responsável pelos desaparecimentos, não conseguiam provar, pois todos que entravam lá nunca mais saiam, mas sabia que tinha algo a ver.

Havia perdido a namorada no mês passado, e o melhor amigo uma semana antes, ambos desapareceram, mordeu os lábios, aflito, lembrou-se que havia feito 18 anos naquele mesmo dia.

Algo dentro daquele hotel lhe chamou a atenção, era uma garota, jovem, parecia ter a mesma idade que ele, usava um vestido de seda preto esvoaçante, contrastando perfeitamente com a pele clara, seus cabelos pretos e iam até os joelhos, lisos sem um nó sequer presos em dois rabos de cavalos alinhados, um de cada lado da cabeça.

Ela parecia irradiar uma luz branca e fraca, caminhava lentamente pelo caminho de cimento do resort, paroue olhou para cima , seus olhos eram azuis bem claros, quase brancos, tinha o olhar penetrante, mesmo com uma grade de um barranco dividindo ambos o jovem sentiu que ela o olhava nos olhos, ficaram assim por alguns minutos em uma espécie de transe, até que ele piscou, olhou confuso para onde a garota estava minutos antes e não viu nada, piscou confuso e chegou a conclusão de que era tudo sua imaginação.

Terminou de entregar as tabuas e voltou para casa, onde a família o esperava com um pequeno bolo, conversou com os parentes e comeu o bolo, enfim quando todos foram embora ele foi para o quarto se trocou e se deitou, havia se esquecido da garota que vira antes. Teve um sonho estranho, sonhou que saíra de casa no meio da noite e fora até o resort, parou na grade e pôs as mãos nas frias barras de ferro, o sonho era tão real que ele sentiu o frio tomar conta de suas mãos, piscou duas vezes, não estava sonhando, tudo aquilo era real, olhou para frente e se assustou ao ver a mesma garota que havia visto antes, do outro lado da grade com o rosto bem perto do dele. Ele recuou um pouco com o susto, mas se aproximou novamente, olhando para aqueles belos olhos azuis.

-Venha- disse ela em um sopro

Quando ele se deu conta já estava dentro do hotel, em pé no meio do caminho de cimento, olhou para frente a viu caminhando, uma voz dentro de sua cabeça dizia ‘siga-a e será recompensado’, correu atrás dela.

Não se perguntou por que a grama secava por onde ela passava, nem por que as arvores apodreciam e se retorciam, exalando um cheiro horrível simplesmente pelo fato dela passar ao seu lado, muito menos questionou o fato de haver um corpo pendurado em uma das arvores.

Ele seguiu pelo caminho até o seu final, que dava na beira de uma enorme piscina, que estava cheia, a água era escura e fedida, ele foi até a beira da piscina e viu algo brilhar lá dentro

-Minha tiara caiu lá dentro, pega pra mim, por favor?- disse a garota surgindo atrás dele

Não se perguntou por que as piscinas de um hotel abandonado estavam cheias, nem por que aquela água tinha cheiro de carniça, e nem por que na água a imagem da menina era refletida como a de uma velha horrível, com a pele toda enrugada, seus cabelos não tinham brilho, eram grisalhos e embaraçados, no lugar de seus olhos havia duas esferas negras, somente com uma íris vermelha brilhando no seu centro.

Ele mergulhou nas águas negras e fétidas, e pegou a tiara, que estava em cima de algo que parecia um cadáver apodrecido.

Saiu da piscina segurando a tiara firmemente, olhou para os lados, atrás da jovem e viu somente seu vulto entrando em um dos prédios.

Ele a seguiu entrou em um dos prédios e ouviu passos ecoarem nas escadas, subiu apressadamente, não estranhando o fato de elas estarem cobertas de sangue coagulado.

Chegou ao segundo andar, olhou para frente e viu ela no fim do corredor virando a direita, ele apertava a tiara com tanta força que sua mão foi perfurada pelos cristais que a adornavam, o sangue fluía por entre seus dedos e pingava no chão, ele não ligava, sequer sentia dor, só continuou caminhando pelos corredores. Chegou á um corredor cheio de quartos, alguns estava com as portas abertas e dentro havia cadáveres mutilados, viu a garota entrar em um dos quartos, foi atrás. Chegando lá ele viu um corpo caído no chão, acordou do transe ao perceber que era seu melhor amigo com uma tesoura enfiada no pescoço, piscou confuso, olhou para os lados, viu o corpo de sua namorada preso na parede por uma vara de metal atravessada em seu corpo. Ficou sem palavras olhando chocado para os corpos, olhou para frente e viu a mesma menina, mas agora estava velha e enrugada, com os cabelos grisalhos e os olhos pretos, com as íris vermelhas, seu vestido estava rasgado e sujo de sangue, ela olhou para ele pelo canto dos olhos, sorriu de lado e disse

-Ah, você pegou minha tiara, obrigada

Então ela pegou a tiara etomou de suas mãos, o jovem sentiu uma dor aguda na palma da mão, berrou ao ver algo parecido com uma esfera gelatinosa cheia de vapor acinzentado dentro saindo de sua mão, depois de sair por completo ele caiu no chão com os olhos arregalados, ela havia tirado a alma daquele corpo, agora ele não passava de uma carcaça, ainda viva, mas sem alma para poder ser controlada.

Ela gargalhou, mostrando os dentes pontiagudos, em seguida pegou um dos vários tubos de ensaio repletos de um liquido negro que estavam em cima de uma mesinha e despejou seu conteúdo sobre a alma dele, tornando-a negra, jogou a tiara em outro canto qualquer.

-O elixir da vida eterna... Algo que o ser humano lutou tanto para conseguir, eu consegui. Mas se ele for tomado puro, pode matar a pessoa, só pode ser diluído em uma única coisa, uma alma humana nem muito velha, mas também não muito jovem 18 anos é a idade perfeita. Obrigada por contribuir para minha vida eterna – terminou ela gargalhando

Em seguida pôs a alma na boca, mastigando-a grotescamente, como um animal, acabando por engoli-la

-Veio com um pouco de sangue, hum... Sempre dá um sabor especial- disse ela sorrindo

O jovem continuou jogado no chão, com os olhos arregalados, não podia fazer nada, não tinha mais alma.

-Desse jeito você vai ficar vivo por algum tempo... Hm... Vou te ajudar quanto a isso- então ela pegou um grandemachado enferrujado e cortou seu pescoço.

Notas finais
tive essa idéia em um hotel LOL
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!