Black Cat
1 Azar
Notas iniciais
Kuro-san…
Nem sei se deveria começar assim. Nem vai ser entregue, você jamais deverá ler essas palavras.
E se você chegar um dia a ler, dê meia volta, não há nada aqui para você.
Onde estava? Oh sim.
Caro Kuro-san
É estranho ter tido esses pensamentos. Não são recentes, tenho essa noção. Mas sabe quando a ficha cai no último segundo? Como quando você perde um bloqueio por milésimos de segundos por se distrair.
Eu me distraí com frequência quando você estava bem em minha frente.
Seus olhos me traziam pensamentos, seu sorriso debochado me fazia suspirar. O mais estranho é ter plena noção que você não tinha intenção alguma com essas atitudes.
A famosa frase "tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas".
Mas se ao menos soubesse que me tem na palma da mão…
Te ver flertar, rir, jogar charme a qualquer uma é drasticamente doloroso. Fingir que não ligo, que meu coração não se parte por nunca ter esse olhar apenas para mim. Claro, iria preferir longos cabelos negros e sedosos com perfume florar a mim, eu sou só… eu. O que tem de interessante em um cara apático, alto e desengonçado?
Sabe, eu encontrei alguém recentemente, não foi algo planejado. Eu não a amo, mas eu a admiro. Ela sabe sobre como me sinto. Sabe o que ela me disse? "Vá atrás do que te faz feliz". Como se eu pudesse só chegar em ti e falar "Oh, Kuroo, sou eu. Eu te amo desde o acampamento, na escola. O sentimento nunca passou, então como se sente ao meu respeito?"...
Sejamos realistas você jamais gostaria de homens, não como eu. Talvez como Akaashi senpai, mas eu não atrairia sua atenção dessa forma. Você sentiria apenas pena de mim e eu já faço isso sozinho.
Um dia, minha avó me contou histórias sobre sorte e azar.
Me disse que se eu encontrasse uma moeda, junto ao meio fio, seria prosperidade ao longo do dia.
Se eu cruzasse o caminho por baixo da escada, eu iria ter azar.
E cá estou eu, sentado embaixo da escada do museu pensando que o único gato preto que cruzou meu caminho me trouxe bem longe de azar.
Me perdi em tempos que fiquei pensando que passo dias inerte pensando que seria bom esse azar, que um certo gato preto pudesse cruzar meu destino e me pegar embaixo da escada. Tirando meu fôlego, me dando as mais fortes sensações de estar em seus braços, me segurando pela falta de força nas pernas.
Eles dizem que gato preto dá azar, não?
Pois eu posso discordar.
Você é meu amuleto da sorte, sempre foi meu objetivo, meu porto seguro.
Mesmo que você nunca saiba disso, eu posso sentir e não machuca ninguém. A não ser a mim mesmo, mas isso é de menos.
A dor não é nada comparado a não lhe ter por perto. Prefiro te ver feliz, incentivá-lo do que não sentir seu perfume quando me envolve com sua jaqueta por eu fingir ter frio.
Nunca a devolvi, por falar nisso. Seu perfume já saiu dela mas as lembranças são vividas na minha mente.
Ela agora é minha companhia… Quando penso em você, Kuroo, ela guarda os meus segredos mais íntimos que ninguém precisa saber.
Mas ela tem resquícios meus, envoltos ao seu DNA, se ela falasse, garanto que teria muita história ao longo desses três anos.
Não me importo se é apenas platônico… É bom do jeito que me sinto perto de você. Mesmo que doa ser chamado de amigo quando sou apresentado a sua família. Eu pelo menos de alguma maneira, sou algo para você.
Mesmo que você possivelmente abrace alguém que não sou eu. Que beije lábios com gosto de cereja, que tenha a voz fina quando está nela. Eu sei que não sou elas.
Mas meu sonho você pertence a mim, e só isso que me importa. Só isso que me banha em vida e esperança. Um amor unilateral adolescente de um cara por outro.
Eu te amo, Tetsurou, eu te amei e eu te amarei daqui, até a lua.
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