Black Carousel
1 O Primeiro Dia Sombrio
Notas iniciais
Alice era londrina, com grandes olhos castanhos e um pouco tímida -apesar de ter ótimos diálogos em sua mente infinita. Seus cabelos eram meios rebeldes de um tom castanho avermelhado e bochechas rosadas. Ela puxara essa beleza para a mãe — uma francesa muito conhecida por sua beleza e voz. Alice morava em um internato londrino para meninas de classe média alta. Seus pais viajavam o mundo todo em busca de relíquias ainda não descobertas: eles eram arqueólogos.
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O internato de Londres para meninas era um lugar confortável, mas ainda estava longe de ser um lar para a jovem e delicada Alice. Todas as manhãs as garotas eram acordadas com uma sirene chata — que Ali odiava — e tinham que tomar banho, escovar os dentes e ir tomar café da manhã. Ás 08:00 da manhã todas elas deveriam estar nas suas respectivas salas de aula. Meio dia todas elas deviam almoçar no grande refeitório, depois tinham que voltar para a aula e quando esta acabasse poderiam fazer um um curso adicional em algum clube. Alice tentou o clube de teatro, mas as garotas não foram muito amistosas com ela, então ela escolheu um curso mais reservado, no fim do corredor leste: violino, e nele permaneceu até os dezesseis anos.
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Alice — como toda boa londrina — sabia algo sobre o tempo. Ela sabia quando ia chover, ou quando o céu apenas permaneceria cinza o dia todo. Ela sabia quando o sol ia aparecer com um breve análise do céu no dia anterior: ela reconhecia as nuvens pela cor. Ali também sabia quando seria um dia alegre — apesar do dia está triste ou não. Porém, aquela manhã, Alice teve um calafrio quando olhou para o céu assim que acordou. Ela sabia que teria notícias ruins, e ficou assim até depois do almoço -torcendo no fundo de sua alma para estar errada ao menos aquela vez. Infelizmente, o tempo nunca enganaria aquela pobre garota.
Ela estava no meio da aula de Revolução Francesa quando houve uma batida na porta. A secretária estava olhando para ela, com um olhar frio e indecifrável.
- Srta. Alice, pegue seus pertences e me acompanhe por favor.
Todos as outras garotas olharam para ela com espanto, como se elas a estivessem vendo pela primeira vez. Alice teve que processar rapidamente o que fazer em seguida, ou seria chamada de boba pelas colegas. Com as bochechas ardendo em chamas, ela se levantou e acompanhou a secretária até a diretoria, sem coragem de perguntar o motivo até lá.
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A diretoria era uma salinha simples, com um toque rústico e enfeitada por alguns troféus antigos e medalhas de escoteiro. Nela estava um senhor de 100 quilos com um humor de 120 — o diretor — e uma secretária fria e calculista. Mas ela percebeu que havia um outro homem, com um terno sob medida e um sotaque estrangeiro, que se levantou para uma saudação.
- Srta. Alice, sou o Sr. Paker, seu advogado.
Ele esperou e observou a reação de Alice. A maioria dos jovens fariam muitas perguntas automaticamente, mas ela apenas esperou.
- Sente -se, Srta. Por favor — disse o diretor com uma voz melosa -o que era estranho.
- Não sabia que tinha um advogado — ela disse, por fim. — com a testa franzida.
- Você aceita chá? — perguntou a secretária.
- Não, obrigado. — Respondeu Alice sem desviar os olhos do Sr. Paker. Ela queria que ele apenas fossem diretos, como eram diretos com os adultos. Ela não era mais uma criança.
-Bem... — o Sr. Paker começou a falar, mas hesitou um pouco. — Temo ter má notícias. — O plano do advogado era o seguinte: dizer a noticia a garota de uma forma a parecer que seus pais estivessem mortos, e depois complementar a informação para causar alívio imediato, de forma a não parecer ser uma notícia tão ruim. — Seus pais estão desaparecidos há cinco dias. — ele hesitou um pouco, ainda observando. — eles estavam sobrevoando a Floresta do Congo. Não sabemos em que parte da África central eles estão. O avião desapareceu ás 16:00 hrs do radar local. O resto do avião foi encontrado hoje de manhã. — ele respirou — mas não há corpos.
Alice permanecia imóvel, olhando agora para o desenho do carpete. Mal parecia respirar.
- A floresta do Congo é um dos lugares mais perigosos do mundo... — disse o advogado. — a natureza é muito cruel.
Essa última palavra ficou flutuando na cabeça de Alice. Todos os olhares estavam atentos sobre ela. Eles pareciam esperar alguma reação.
Ela não soube em que ponto da conversa esqueceu de respirar, mas ela não lembrava como fazia isso. A escuridão a envolveu completamente.
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