Black
4 Recuperação
Acordo duas horas depois com alguém a chocalhando. Abriu os olhos assustada. Era Lysandre.
– Lizzie! Lizzie! Acorda! – berrava enquanto a balançava pelos ombros.
– Ah... Oi... O que houve? – perguntou com a voz rouca, ainda sonolenta e sem entender nada.
– Aconteceu um acidente! Vamos, acorda logo! – o rapaz estava histérico, com a voz trêmula.
– Acid-dente? Como assim? Com quem? – a palavra ‘acidente’ fez Emily despertar imediatamente. Ergueu-se, sentando na cama, e esfregou os olhos.
– Sua mãe! Hanna e seu pai saíram correndo para o hospital e pediu para vir te avisar... Temos que ir pra lá também! – respondeu ficando de pé dando espaço para que ela também se levantasse, o que fez prontamente ao ouvir a notícia.
– Minha mãe sofreu um acidente? Como? – perguntou preocupada. Como não havia mudado a roupa antes de deitar pra cochilar, não precisou se trocar e ela também nem se importou em se arrumar. Desceram as escadas correndo.
– Eu não sei direito... O seu pai me ligou agora a pouco e pediu pra te buscar, não me explicou o que houve exatamente. Mas ele estava chorando e muito nervoso – explicou enquanto trancavam a porta e entravam no carro.
– Mas ele não falou nada sobre a gravidade do acidente ou se ela está bem ou muito mal?
– Só sei, que a coisa tá piorando– disse antes de ligar o carro e pisar fundo no acelerador.
O hospital não era longe, pelo contrário, era praticamente no fim da avenida. Chegaram em 10 minutos. Lysandre estacionou o carro com pressa na primeira vaga que viu. Nem precisaram entrar no hospital para encontrar Jason; Ele estava do lado de fora, com lágrimas caindo por todo o rosto. Era triste só de olhar aquela imagem. Um homem que Emily lembrava como um sorriso, estar com aquela aparência.
– O que aconteceu Jason, pelo amor de Deus, fala logo?! – pediu Lysandre já com os olhos marejados.
– Como pode uma mulher feliz e cheia de vida ter um ataques cardíaco aos 40 anos de um minuto para o outro? Como Lysandre, diz pra mim!? – Jason falava tentando se manter forte, mas não conseguia segurar alguns soluços do choro que continuava caindo. Seus olhos estavam vermelhos e sua cara inchada. Sua expressão era de pura interrogação.
Lysandre ficou sem fala e Emily assustada.
– Mas... Ela está viva, né? – perguntou com uma voz fraca. Tinha medo de ouvir a resposta, mas precisava saber.
Lysandre olhava fixamente em algum ponto do ar com a mão na boca, ainda não acreditando no que acontecera.
– Quando eu entrei no quarto, ainda est-tava tendo o ataque... Eu não s-sei... Eu eu não sei — gaguejou, voltando a chorar desesperadamente. O coração de Emily apertou e impulsivamente, abraçou o seu pai.
– Ela vai ficar bem! Eu sei disso – cochichou com a cabeça pousada sob o peito de Jason.
Sentados na sala de espera do hospital, Jason explicava à Lysandre, Emily e Hanna, como Cristal havia sofrido o ataque. Ele não entendia e aceitava o acontecido, ainda mais da forma tão repentina e sem motivos. A mulher início daquela noite, chegou em casa bêbada e então começara a passar mal com dores intensas no peito. Depois de 2 horas, um doutor de idade apareceu na sala onde esperavam, convocando, Jason que rapidamente se levantou e foi conversar com o profissional. Emily e Lysandre ficaram olhando a distância, tentando ler os lábios do médico, que de certa forma, estava sério mas não parecia estar transtornado. Puderam ver então que Jason chorava disparadamente.
– Ela sobreviveu, mas está em coma... Ele disse que ela está instável, que foi um milagre ela sobreviver... Que o coração e o cérebro dela ficaram inativos por 3 minutos! Ela praticamente morreu por 3 minutos, mas eles conseguiram reanimá-la... – explicou Jason deixando lágrimas escorrer por seu rosto. Lysandre ouvia boquiaberto e Emily assustada.
– Ela foi uma verdadeira guerreira Jason! Ela lutou até o final – exclamou Lysandre confiante. Emily continuava observando em silêncio, com um sentimento de ira crescendo por dentro.
– Lysandre, vai com Lizzie para casa– ordenou Jason depois de um tempo.
– Eu queria ficar aqui — disse Emily mais para ser gentil, pois sua vontade era realmente ir pra outro lugar onde pudesse extravasar sua raiva.
– Eu também... Quero ficar aqui dando apoio poxa – concordou Lysandre, mas provavelmente, ele estava sendo sincero, diferente dela.
– Ficarmos aqui não vai ajudá-la! Lizzie deve estar cansada e com sono, e você também. Não queremos mais ninguém passando mal aqui. Vão dormir, se alimentem e de tarde vocês voltam, daí eu descanso um pouco. Vou ligar para o escritório avisando sobre tudo isso e que iremos faltar hoje. Amanhã iriei na delegacia para saber se há algum suspeito. Tudo vai ficar bem! Tenho fé nisso – disse Jason se recompondo. Podia se ver esperanças em seu olhar.
– Não ... Eu quero ficar com o senhor. – Hanna falava com lagrimas nos olhos.
– Então vá os dois, alguém precisa cuidar da casa. Vocês devem estar muito cansados.
– Como quiser. Pai. – Emily o responde.
Seguindo o conselho dele, Lysandre e Emily foram embora, deixando-o no hospital.
Pegaram o carro no estacionamento e voltaram pra casa rapidamente. O céu ainda estava escuro, e o relógio anunciava que ainda eram três e pouca da manhã.
É claro que quando chegaram em casa, os dois não tinham sono. O acontecido deixou todos em estado de choque e o pensamento os perturbava.
– Isso é tão injusto. Cristal era a mulher mais doce que conheci ... – suspirou Lysandre sentando no sofá.
Ela se sentou ao lado dele, apoiando a cabeça no braço do sofá, olhando fixamente para o chão.
– Você está como sono? – ele perguntou.
– Não sei como estou...
– É, me sinto confuso e perdido também.
Ficaram em silencio por uns minutos para tempo depois Lysandre se levantar e pegar um copo d’água na cozinha. Quando voltou, ele parou de pé na frente de Emily.
– O que vai fazer amanhã, quer dizer, hoje? – ele perguntou, encarando-a. Emily levantou a cabeça e o olhou.
– Ainda não tenho certeza. Porque?
– À noite, depois que voltarmos do hospital, eu estava pensando em te mostrar um lugar – respondeu misterioso.
– Que lugar?
– Você vai ver se for!
– Bem... Você acha apropriado devido às atuais circunstâncias?
– Porque não seria? Não vamos cometer nenhum crime – Lysandre arqueou a sobrancelha.
– Ah, não sei...
– Nossas atitudes não vai mudar o quadro de sua mãe, só sei que ela não ficaria contente em nos ver chorando ou infelizes por 'culpa' ela. Ela ia querer que ficássemos positivos, e acho que irmos nesse lugar vai nos deixar mais tranquilos – interrompeu.
– Sendo assim.... Tudo bem – Emily concordou com um sorriso de canto.
– Ok então – retribuiu o sorriso.
Após o breve e estranho convite de Lysandre, ele subiu e se fechou no quarto. Enquanto isso, Emily permanecia na sala, mas dessa vez deitada no sofá com a televisão ligada. Olhava para ela mas não assistia o filme que passava. Continuava irritada e triste, pensando na possível solução que havia encontrado. Estava decidida ir investiga sobre a morte de sua irmã, já que a polícia não dava respostas. Mas sabia que não seria fácil, mas era um risco que estava disposta a correr! Só faltava pensar como.
Foi elaborando seu plano que Emily acabou caindo no sono, dormindo no sofá da sala.
Emily acordou de repente. Pensou ter ouvido um barulho no andar de cima. Não reconhecia o som, mas tinha certeza que ouvira alguma coisa.
Levantou do sofá e subiu as escadas devagar, com cuidado pra que seus passos não causassem nenhum ruído na madeira velha. Chegou ao terceiro andar olhando para todos os lados com atenção, e percebia que o barulho continuava longe, mas conseguia identificar melhor como ele era. Parecia um gemido, e vinha do quarto de Lizzie.
Receosa se seguia em frente ou não, Emily parou. Não tinha ideia do que estaria acontecendo dentro do quarto dela, mas o gemido lhe causava curiosidade.
Pesando os prós e os contras caso continuasse andando e fosse verificar o quarto, Emily escolheu seguir em frente. Continuou andando com cuidado e chegando perto da porta, aproveitou a brecha para olhar o interior do quarto. Lizzie estava sentado na beira da cama de costas para a porta, impossibilitando-a de ver o que ela fazia exatamente. A garota estava nu, curvada, com a cabeça baixa. E ao lado dela havia quatro rapazes, o que Emily achou estranho é que eles não haviam rosto.
– Ficar espiando é uma coisa muito feia e mal educada, Emily! – exclamou Lizzie num tom sarcástico para a surpresa da garota que levou um susto.
– Desculpe-me... – sua voz saiu baixa, trémula.
– Não se desculpe! – Lizzie virou a cabeça, encarando-a. Mesmo o quarto escuro não escondia o rosto dela suado e suas retinas dilatadas. Ergueu a mão para Emily, sorrindo convidativo – Vem aqui, vem Emily. Eles não vão te machucar!
Emily, involuntariamente, entrou no quarto, andando na direção dos garotos. Ficou de pé na frente deles. Ainda não entendia porque aceitou entrar no quarto, só sabia que dentro dela, ela teve vontade e entrou.
– Não tenha medo Emily, eu não vou te machucar. Ela se levantou e pegou na mão de Emily. E a jogou na cama.
Emily ao cair da cama, já estava nua. E pode ver toda sua pele roxa e cheia de machucados. Aquele não era mais o quarto de Lizzie e sim o da casa abandonada. ‘’ – O que estou fazendo aqui? ‘’ — dizia mentalmente.
Ela estava completamente hipnotizada, mantendo-se focada apenas na imagem de Lizzie ali sentada. Sem dizer nenhuma palavra ou sequer algum movimento.
– Olha ai nossa garotinha – Um dos rapazes falou enquanto ria.
– Por Favor me deixem ir — Emily respondia involuntariamente, sem entender o que dizia.
O garoto então passou a mão por debaixo do vestido que ela usava, alisando e apertando suas coxas e nádegas ao mesmo tempo em que beijava seu pescoço. Ela tentava com todas as suas forças tirar o garoto de cima dela. Ela chorava e gritava mais nada adiantava.
A mão do garoto deslizou até sua calcinha, e viu que a menina estava assustada.Sorriu satisfeito e sussurrou: Entregue-se pra mim Emily! Eu sei que é o que você quer!
Inconscientemente, Emily balançou a cabeça negativamente. O garoto mesmo assim a deitou na cama, ficando por cima. Levantou um pouco o vestido e puxou a calcinha dela. Inclinou seu corpo, e beijou-a. Ela devolvia em socos e empurrões.
Ele sorriu malicioso e assentiu antes de, finalmente, introduzir levemente seu membro na vagina. Emily sentiu um forte incômodo em seu baixo ventre, como se algo queimasse dentro de seu corpo. Conforme o garoto continuava penetrando-a, a dor aumentava, transformando-se numa intensa sensação dor.O ritmo dos movimentos ganhava rapidez e força, fazendo a garota gritar e chorar incessantemente, mas essa força parecia aumentar cada vez mais e mais, e a dor cada vez só piorava. “Está me machucando, me solta por favor.” – exclamou, mas o rapaz manteve a intensidade.
A umidade na região sexual da garota era resultado de sangue. Emily se debatia e gritava desesperada, mas o garoto segurava seus braços e fazia pressão sob seu corpo, continuando a penetrá-la com intensidade, estacando ainda mais sangue de seu interior. “Eu vou arrancar seu útero fora, sua desgraçada” – ele gritou. Emily gritava aos prantos, não contendo mais a dor que invadia sua vagina e seu útero. Podia quase sentir sua entranhas saindo pela sua abertura. O garoto dava gargalhadas diabólicas que ecoavam no quarto. Emily fechou os olhos, tentando acreditar que era apenas um sonho forçando-se a acordar, mas quando voltou a abri-los, a viu toda sanguentada levando várias facadas dos garotos “Por favor, PARE!” – suplicou, voltando a fechar os olhos. Sem poder ver, ela só ouvia a voz de sua irmã.
– Pedir socorro não adiantara em nada. – Falava Lizzie com uma voz tristonha
Desta vez quando reabriu, Emily se viu na sala. A televisão continuava a exibir um filme. A garota estava suada dos pés a cabeça. Ela olhou para os lados certificando se estava realmente sozinha e bem. Nenhum sinal de Lizzie ou dos garotos. Era apenas ela deitada no sofá. Emily esfregou os olhos, sentando-se. Pesadelos deste tipo eram comum, mas só antes da morte de Lizzie. A um bom tempo que ela conseguia dormir tranquilamente, mas já era seu segundo pesadelo.
Levantou-se para pegar um copo d’agua na cozinha, mas alguma coisa melecada em suas coxas a incomodava. Puxou o vestido e viu então o que era: sangue.
Na manhã daquele dia, Emily mal conseguia encarar Lysandre na hora do café. Quando acordou, o rapaz já havia preparado ovos com bacon para os dois. Emily pegou o seu prato intimidada, agradecendo forçada. No entanto, não se sentou à mesa. Ficou na sala, fingindo assistir televisão enquanto comia. Na verdade, pensava no pesadelo daquela noite. A questão maior do seu ‘transtorno’ não era a parte do sexo macabro e ensanguentado, mas sim, o começo com Lizzie.
O clima esquisito permaneceu até quando foram ao hospital. Emily ficou quieta quase a tarde inteira, pensativa. O maldito pesadelo não lhe saia da cabeça, e era chato ver as tentativas falhas de Lysandre em puxar assunto. De qualquer forma, notou que apenas uma enfermeira estava responsável por Cristal, que ficava em um quarto totalmente aparelhado ao fim do corredor que eles dois ficaram sentados; Ao fim do corredor, tinha um balcão com uma atendente. Emily também anotou mentalmente que a enfermeira conferia Cristal a casa 2 horas, e a atendente se dispersava a cada 20 minutos para fazer tarefas em outros setores do hospital. Por sorte, só mais um quarto estava ocupado naquele corredor, e pelo o que Emily soube pela enfermeira, a pessoa daquele quarto também estava em coma e não recebia visitas a um mês.
No fim da tarde, por volta das 6, Jason retornou ao hospital com uma aparência menos cansada. Avisou que passaria a noite ali novamente, mas que iria trabalhar no outro dia, portanto pediu para Emily passar a manhã com Cristal, enquanto Lysandre teria de trabalhar também. Ambos assentiram e foram ‘dispensados’.
– O passeio ainda está de pé, certo? – perguntou Lysandre ao ir embora.
Desconcertada, Emily apenas balançou a cabeça afirmativamente, mas na verdade, havia esquecido. Lysandre, que já havia notado o jeito indiferente da garota durante o dia, parou de andar e arqueou a sobrancelha encarando-a.
– Está tudo bem? Eu te fiz algo? Sinto que você está estranha...
– Não... Está tudo bem... Não tem nada a ver com você. Só estava pensando nessa situação. – mentiu.
– Ok então. Eu vou resolver uma coisa agora, mas te encontro na sua casa daqui 3 hora e meia!
– Está bem.
Fale com o autor