Notas iniciais
Voltei, voltei, com um capítulo cheio de surpresas.

QUINN POINT OF VIEW

Amanheci naquele sofá com uma garrafa de uísque entre as pernas, não notei o tempo passar até sentir minha coluna reclamar. Meu telefone tocando sem parar era um barulho distante. Eu era coberta pela dor real de perdê-la, eu a perdi de vez para a verdade.

Era fraca, era burra, era cruel. Uma covarde.

Fiquei olhando para a porta esperando ela voltar, esperando que tudo aquilo fosse uma brincadeira. Mas quem voltou foi Puck e Santana. Santana correu até mim, aflita, me abraçou e repetiu “eu vou matar a Berry” várias vezes.

Puck ficou distante, segurando ferramentas utilizadas para abrir minha porta.

– Quinn reage, por favor! – ela disse e seguidamente meu deu um tapa.

– Outch. – disse sentindo a dor do tapa. Se não fosse esse tapa talvez eu não acordaria. — Agora vá para a droga do chuveiro e tome um banho demorado, Puck vá fazer um café porque eu particularmente não sei nem usar cafeteira elétrica.

Puck assentiu e eu fui para o chuveiro. Afinal, tinha uma empresa para comandar.

No chuveiro eu pensava em Rachel e tudo que ela disse. Ela não ficaria comigo, não se jogaria em meus braços, mesmo depois do ato mais corajoso de toda minha vida que foi me declarar. Eu a deixaria em paz se fosse outro caso, mas precisava encontrá-la antes que sofresse algum atentado contra sua vida. Saí do chuveiro, sequei meu cabelo e peguei um conjunto de roupas específicas para trabalho. Só não coloquei o terno, aquilo me sufocava, ou talvez, fosse a falta de Rachel.

Quando voltei a sala, Puck tinha feito meu café e Santana falava ao telefone.

– Tentei enrolar o cliente das nove, mas ele é um cara muito importante, portanto, toma esse café logo e vamos.

Tomei a xícara da mão de Puck e tomei o líquido que bateu direto no meu estômago.

– Isso vai fazer um mal terrível. – constatei. – Puck o que você está fazendo aqui? Vá atrás da Rachel e não a deixe sair sozinha.

– Depois do que houve aqui duvido que ela saia. – Santana opinou.

Revirei os olhos, peguei bolsa e celular e saí.

– Vamos ao que interessa. E Puck, vá atrás da Berry, AGORA! – gritei, voltando a ser a Quinn durona.

Santana sorriu pra si mesma por eu estar daquela forma.

Cheguei ao escritório sem cumprimentar ninguém, eles logo sabiam o que eu tinha. Sempre que chegava assim, algo muito ruim aconteceu ou aconteceria. Era como minha família, já que eu cortei contato com a minha.

– Quinn, revisei o contrato dos Martinez. Está tudo ok.

– Isso é o que vamos ver, Ryder. – revisei o contrato e encontrei alguns erros primários. Ryder foi desatento em deixar passar.

– Ryder que merda é essa? Você bateu a cabeça em algum lugar recentemente? – ele ergue as sobrancelhas. – não estou compreendendo porque tanta incompetência. Você é um dos melhores alunos da NYU, dê-se o devido valor e revise essa merda de contrato direito.

Ele sentou-se com a expressão dura, sem dizer uma palavra e se pôs a reler o contrato.

Dei um soco na mesa, talvez não fosse justo descontar meus problemas pessoais nos meus empregados.

– Pronto, vou consertar. Só acho que você deveria disfarçar melhor que bebeu a noite toda. Está fazendo o que disse a nós que era errado, trazer problemas pessoais pra cá. Vou redigir o contrato de novo e tentar sem mais persuasivo trazendo Miss Berry de volta pra você.

Ryder Lynn me deixou sem palavras. Ele tinha razão. Toda razão. E foi ele que trouxe Rachel até mim.

– Ryder volte aqui agora. – levantei pressionando os polegares na mesa. – obrigada e me desculpe. E esqueça essa merda de contrato, dê a Kitty e traga a Berry aqui. Por favor.

Ele sorriu em solidariedade, eu tinha sorte em ter tantas pessoas fiéis ao meu lado.

Em seguida Kitty entrou na minha sala.

– seu cliente novo chegou, está na sala de reuniões. Santana está lá com ele. – assenti e arrumei os papeis para a reunião, ela continuou lá parada na porta. – Quinn, você precisa de alguma coisa? Um chá, uma massagem...

– Só preciso me preparar pra reunião.

E lá vamos nós de novo, eu sabia que Kitty tinha uma queda por mim. Não me leve a mal, ela é muito atraente, contudo eu amava Rachel Berry com toda minha alma e não misturava trabalho com prazer. Tirando o caso de Rachel.

Para o meu prazer e felicidade o caso era bem difícil e exigiria dedicação da minha parte.

Puck me avisou que Rachel estava bem, dormiu na casa de Kurt e não pretendia voltar pra casa nem que eu mandasse a Barbra Streisand. E eu mandei Ryder Lynn, que era muito persuasivo, mas nem ele conseguiu. Teria que ser eu, pessoalmente. Mesmo que doesse, mesmo que eu ouvisse tudo que não queria ouvir. Eu traria Rachel de volta pra mim.

Liguei pra Kurt e combinei com ele de ir ao final da tarde até lá, quando ele voltasse do expediente, se eu fosse lá sem ele era capaz de Berry me expulsar a vassouradas.

Meu coração batia forte no peito quando chegou a hora de vê-la, saí quase corrida do escritório sem me despedir de ninguém.

Kurt esperava-me na porta do prédio e me mostrou um sorriso forçado. Ele já sabia de tudo, claro que Rachel o inteirou de tudo.

– Você vai me julgar?

– Eu não vou te julgar.

– Obrigada. – sorri pra ele. E subimos o elevador. Dave não estava lá ainda.

– Não me agradeça, se acerte com essa baixinha, é tudo que eu mais quero.

– Como ela está? – tive medo da resposta.

– Nada bem, ela disse que te odeia, mas não acredite.

Sorri pra ele.

Kurt abriu a porta e aí demos de cara com Rachel chorando enquanto assistia a um filme na televisão, cercada por chocolate e sorvete. Ela ficou paralisada quando me viu. Eu pensei que a morena correria, mas não, ela foi em minha direção e puxou a manga do meu casaco com toda força, até o quarto mais próximo, trancou a porta e foi para um canto oposto ao meu.

– Volte pra mim. –eu disse, soou como se estivesse aos pés de Rachel e verdadeiramente estava. – ou melhor, pra casa de Santana. Você não vai me ver. Eu prometo.

– Eu não posso ficar no mesmo espaço que você Quinn.

– Droga, Rachel não seja teimosa!- perdi novamente a compostura, aquela não era eu, era uma mulher apaixonada que assumia as rédeas toda vez que eu via Rachel. – eu não quero perdê-la de novo. Você vai voltar pra casa de San, está decidido.

– Você não manda em mim, Fabray.

– Pra sua sorte, não. –suspirei enfraquecida. Ela mal olhava pra mim, era hora de uma outra estratégia mais amena.

– Volte pra mim. Eu errei, mas eu assumi meu erro, Rachel. Sou capaz de tudo pra ter você ao meu lado de novo, podemos começar do zero.

– Explique melhor, esse do zero.

– Sem erros, sem culpas, sem arrependimentos. Só duas amigas, como éramos na escola.

Uma amiga que queria te beijar intensamente sempre que te via no armário, uma amiga que entendia bom dia como eu te amo. Uma amiga que prestava atenção em suas pernas de forma inadequada.

Rachel titubeou. Ela estava na outra extremidade do quarto, tudo para me evitar, evitar o que sentíamos. Então ela resolveu se aproximar e eu parei tudo só para vê-la vir até mim, brincar com os botões da minha blusa e respirar fundo. Seus olhos expressivos me olharam como se tudo fosse possível naquele momento.

– Só me promete uma coisa. – eu balancei a cabeça. – não beba mais uísque. Que bebida horrível, não combina com uma advogada do seu porte.

– Só se você aceitar tomar um drinque comigo.

– Não.

– Não?

– Faça por merecer.

Moral da história, mesmo á pedidos, Rachel não voltou para o apartamento. Isso resultou em mais trabalho para protegê-la. Mas eu não desistiria, Quinn Fabray não era de desistir.

Quando saí do apartamento de Kurt, fui até a cafeteria perto da minha casa. E mais uma vez a vida me surpreendeu. Na fila, vestida com seu habitual uniforme de policial e discutindo com a atendente sobre a preparação do café, estava minha ex namorada. Minha bela e irritante ex namorada.

– Alexis, você não muda. – Alexis tinha cabelos pretos e tão lisos que você sentia pena de pegar neles, olhos verdes e um sorriso que te pegava desprevenido e acertava como uma flecha. Pena que o nosso romance não foi pra frente, ela era de marte e eu era da terra.

Ela virou-se reconhecendo minha voz.

– Quinn Fabray. A advogada mais sexy de Manhattan. Quer tomar um café?

Ela pediu a atendente exatamente o café que eu gostava, donnuts e nos sentamos numa das mesas, discutimos o passado, relembramos os velhos tempos e no final acabamos marcando um jantar. Eu precisava de uma distração, minha mente era sobrecarregada pela lembrança de Rachel Berry.

Conheci Lexie graças a uma das intervenções de Puck e Santana, há seis meses atrás. Puck disse que ela era uma oficial promissora, acabamos nos encontrando quando ela foi depor num caso importante para a firma, fiz algumas perguntas e nós trocamos alguns olhares, o caso acabou, eu venci e nós fomos jantar. O jantar levou a minha cama e mais cama, mais cama e mais cama. Até descobrir que ela era uma total viciada em hóquei, viciada mesmo, era uma tradição louca da sua família e ela não podia evitar. Então, depois de dois meses nós terminamos.

Apesar do vício louco que impedia nossos encontros e namoros, ela era legal. E agora estava se tratando, então decidi que jantar seria uma boa.

Voltei pra casa disposta a contar pra Santana sobre meu possível revival.

– Pensei que você estivesse de quatro pela Berry.

– E estou.

– Então...

– Ela não me quer Santana, depois do que eu fiz ela não me quer e eu não a culpo.

– Quinn Fabray não é mulher de abrir mão.

– Não vou abrir mão, só estou dando um tempo pra ela raciocinar e perceber que o melhor pra ela sou eu.

– Nooossa, que modesta.

Nós rimos juntas, Santana me agüentava na alegria, na triste em todos os momentos da vida. E eu a agüentava, depois do término com Brittany ela ficou arrasada. A loira foi trabalhar numa companhia de dança em LA, enquanto Santana veio pra cá e entrou numa faculdade comunitária. Foi orgulhosamente a melhor aluna da turma. Minha atual sócia e minha fortaleza.

Acordei cedo porque eu sabia que Rachel ia correr, Kurt me mandou uma mensagem dizendo que a morena pretendia e eu não podia deixá-la correr riscos. Mandaria Puck ir atrás dela, mas queria ficar mais próxima dela de que qualquer jeito.

Parei na porta do prédio de Kurt vestindo moletom da Nike e com meus tênis de corrida. Em cinco minutos ela saiu, aqueceu-se e olhou para o céu, seus cabelos estavam presos num coque bagunçado mostrando seu belo pescoço, ela trajava uma camiseta e shorts. Aquelas pernas maravilhosas chamaram minha atenção pelo que pareceu horas.

– Quinn?O que faz aqui?

– Você não acredita no risco que corre, né?

– Me deixa em paz.

– Nem pensar.

Corri atrás dela, mesmo a contra gosto. A cada passo dado, eu estava atrás. Tendo a certeza de que alguém nos vigiava.

Ela correu pelo central park num ritmo frenético, que eu achei ser proposital. Eu não estava na minha melhor forma.

– Cansada Quinn? – Ela olhou pra mim cínica. O suor escorria do seu pescoço até seus seios e eu quis morrer. Ela era tão maravilhosa que não podia ser real.

Sorri.

– Estou ótima.

– Vem, me pague uma vitamina. – disse ela. Revirei os olhos e a assisti por o pé fora da calçada para atravessar a rua. Foi quando o carro veio numa velocidade nada comum para aquela via. Ele atingiria Rachel se eu não corresse e a empurrasse. No segundo seguinte eu não vi mais nada, pois estava caída no chão, inconsciente.

Ao longe eu ouvia Rachel gritar meu nome. Mas parecia mais um sonho, um sonho bom.

Notas finais
Vou logo avisando que nossa heroína não vai morrer. Eu não seria capaz hahahahaha Até o próximo.