Notas iniciais
Prólogo da história.

– Eu não quero ir!

Conseguia ouvir Grace discutindo com mamãe até mesmo do lado de fora da casa. Ela era uma menina bem ousada para a idade. 11 anos completos um mês antes de nossas férias. Ela crescia e crescia e cada dia que passava sentia mais inveja dela. Diferentemente de mim, tinha coragem de não abaixar a cabeça para as maluquices de nossa família. Como por exemplo, essa situação que nos encontrávamos.

Tínhamos como costume passar as férias de Julho junto com a irmã de minha mãe, Valerie Miller. Apesar de fazermos isso desde sempre, nunca foi algo que agradasse meu pai, um imigrante russo e extremamente católico, que mantinha todos os costumes e tradições religiosas vivas. O problema dele era o marido de minha tia, Austin Miller. Meu pai não conseguia ver além de suas tatuagens, roupas velhas e garrafas de cerveja. Ele não gostava nem um pouco dessa exposição á nós, mas mamãe não queria perder contato com sua única irmã.

Só que dessa vez, as circustâncias eram diferentes. Minha mãe, Gail, estava grávida e aguardando as horas para dar à luz. Pensávamos que iriamos passar as férias curtindo nosso irmão recém-nascido, Dmitri, antes de termos que voltar para escola e faculdade. Esse seria meu primeiro ano na faculdade de economia e queria muito poder curtir meus últimos momentos como eu desejásse, mas na família Andreev, isso seria utópico.

Grace veio descendo as escadas e arrastando sua mala de rodinhas da Hello Kitty de maneira brutal, o que acabou sendo uma cena cômica. Ela passou por mim como um foguete, entrou no carro e quase estourou a porta do mesmo na hora de fechá-la. Minha mãe não conseguia se conformar com tamanha rebeldia.

– Olha só essa menina, Roman. Parece que cada dia ela fica mais revoltada. — disse a meu pai, que carregava mais algumas malas para colocar no porta-malas.

– Não se preocupe, Gail. Quando ela voltar das férias, começará com as aulas de religião e tenho certeza que vai ficar tão boazinha quanto a nossa primogênita. — respondeu, sorrindo para mim. — Agora vamos Sam, se você sair daqui 30 minutos mais tarde vai chegar lá só quando anoitecer!

Me despedi de minha mãe, que por aconselhamento médico deveria ficar de repouso e fui andando até o carro com meu pai.

– Tem certeza que não podemos ficar? Queria muito poder ficar um tempo com o bebê... — tentei impor minha vontade, mas mais uma vez, minhas asas foram cortadas.

– Absolutamente não. — respondeu com rispidez, guardando as malas no carro. — Essa é uma tradição de família e você sabe que devemos mantê-las a qualquer custo. Terá muito tempo ainda para passar com seu irmão. Agora vá lá, filha. — me olhou e me deu um beijo na cabeça — Papai te ama, mamãe também. Tente colocar um pouco de juízo na cabeça de sua irmã, e não esqueça a bolsa dela. Nos vemos em um mês.

E então eu entrei no carro e acelerei. Olhei para Grace e pensei que um mês passaria rápido. Mas esse mês já virou três, e não faço ideia se um dia ele acabará.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.