Bittersweet
1 Violence tastes sweet
Notas iniciais
Assim que entrei no cômodo, joguei o simples arranjo de sakuras embrulhadas num papel vermelho em sua direção. Sorri diante do seu desagrado.
Cansado e desgostoso, ele ainda estava ali, sentado no pano vinho esticado num canto da sala, perto da cama velha e acabada. Seu sangue já havia secado, e seu rosto estava então manchado novamente.
“O que há? Não gostou?”
Eu nunca o chamava pelo nome, tampouco ele o fazia.
Por sua parte, não tenho certeza, mas eu simplesmente não tinha vontade de fazê-lo. Ele apenas vinha até mim, satisfazia minhas vontades, então nos distanciávamos mais uma vez.
Chegava a ser monótono, então comecei a trazer-lhe alguns presentes. Alguns buquês com flores de cerejeira, e talvez alguns chocolates, embora ele nunca gostasse. Eu apenas ria e o provocava sempre que a oportunidade surgia. E ele apenas estreitava os olhos com impaciência para com meu falso cavalheirismo.
Mas eu estava tentando nos aproximar. Ele ficava sempre muito longe, calado, e só quando eu estava com seu quadril encaixado em minha virilha é que eu o sentia próximo de mim. Quando eu o fazia pedir docemente por prazer com minhas mãos, quando eu arranhava e cortava sua pele, ou quando eu o torturava até seus olhos se aguarem pelo alívio que sua boca negava querer. E assim que eu o abraçava e confortava depois da violência, ele já começava a se distanciar.
Meus sorrisos e toques eram amargos e repelidos por ele. Tudo o que precisava era a força pouco azeda exercida sobre seu corpo, fingindo que eu é que estava impondo aquilo, quando ele também o queria.
Era tudo uma questão de orgulho. Ele não precisava me chamar pelo nome, e eu também não. Ele não admitiria que gostava da dor, e eu não admitiria que o amava.
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