Bittersweet.

54 47.5 Quem está por trás disso?


Notas iniciais
Eu disse que iria usar o capítulo 47 para terminar o arco da luta e finalizar essa parte. Mas meus cálculos estavam errados e não consegui. Então essa é a última parte de um todo, peguem suas calculadoras e contem quanto deu todas as partes do 47 juntas, vão se surpreender, hehe. Enfim, como eu disse, não tem para fechar o arco. Also, só para deixar muito claro. #Elenão #Elenunca Mas aproveitem o capítulo~

— Há um problema — Mary falou pensativa. — Perceberam que tinham se multiplicado quando estavam ao redor da ouriça? — Apontou para Amy que estava mais atrás do grupo, a ouriça se encolheu com o foco dado para si, como se estivesse se sentindo incomodada com o foco.

— Se você está certa sobre alguma espécie de distorção sonora, o que vimos era ilusão? — Sally perguntou intrigada.

— Sim e não. — A morcega negra balançou a cabeça, sua pose se moldou a comandante das tropas. — Eu usei uma das armas deles, eram bem reais. O problema é que eu vou ter que procurar uma visão diferente do que está acontecendo. Sei que tem um limite onde não tem interferências, além de que precisamos saber com certeza com o que exatamente estamos lidando, porque não é sensato simplesmente agir quando estamos cegos.

— Me escutem. — Splinter tomou a palavra, cruzando seus braços nas costas, Mary assentiu para ele. — Isso não é uma batalha normal que estão acostumados, estamos lidando com ilusões e distorções de áudio. Isso não é nem de perto o que consideramos de padrão habitual. Algo está muito diferente, é bem claro. Temos um mistério em mãos e a principal pergunta é: Quem está por trás disso?

— Mas é claro que é o Eggman! — Amy disse se aproximando. — Ele não é tão burrinho quanto parece — ela cruzou os braços. — Ou melhor, alguém com a mesma mente que ele, eu não sou tão burrinha e lesada quando pensavam de mim. Não me façam essa cara, mas pensando bem...

A ouriço colocou a mão no queixo, sua testa se vincando em profunda reflexão.

— Nunca soubemos que Eggman era, sabe? Só o que ele quer. E nem mesmo isso a gente sabe direito. Um parque temático? Escravização mobian? O mundo? Destruir Sonic? Ele nunca atacou com só um objetivo, parece que as ideias deles mudam muito rápido ou ele não tem certeza do que quer.

— Mas isso não significa que ele pode mudar tanto a forma como quer operar. — Sally retrucou, mas sua voz era também pensativa.

— E não é uma justificativa, só que, conhecendo essa parte confusa do Eggman, dá para ver que algo está errado, esse que estamos enfrentando quer alguma coisa. E estava trabalhando muito tempo nisso sem nem chamar atenção. — Ela começou a andar de um lado para o outro. — Você disse que ele queria afetar Sonic, certo? — Amy olhou para a morcega que assentiu. — E teve essa ilusão que parecia que estavam me atacando em massa...

“Shadow estava mais perto, até mesmo Rouge estava vulnerável no ar, quando eu gritei, todo mundo tentou vir me ajudar. Eu estava muito longe e isso foi bem pensado, não acham? Estava vulnerável e cansada, Eggman sabia que eu não era tão ágil e forte como Knuckles, ele me focou, mas por quê? É bem óbvio.”

— Mas você não estava totalmente desprotegida. — A esquila rebateu. — Eu te salvei a tempo.

— Sim e eu agradeço muito por isso, mas a questão é que sim, Eggman queria me atacar. Ele queria me matar. — Ela balançou a cabeça. — Ele queria me eliminar e isso não fez sentido, de todo o grupo eu sou o elo mais fraco, ele não ganharia nada com isso.

— Está errada. — Mary falou friamente. — Sonic se apega a todos seus amigos, principalmente agora, ele está muito mais sensível, vulnerável. É isso que Eggman quer, que Sonic chegue ao limite, eu estava há pouco comentando sobre isso. Ele quer o controle de Sonic, se ele dominá-lo, estaríamos mortos.

— Mas onde o ataque a Amy entra? — Espio encarou a morcega.

— Qualquer um dos amigos do Sonic são importantes, ele sempre precisou deles, com apoio emocional principalmente. A verdade é que o ouriço nunca lutou sozinho, os amigos deles tem grande importância na jornada dele, mesmo que nenhum de vocês tenham percebido. É como se ele precisasse de um alicerce onde pudesse se apoiar. Eggman percebeu isso. Ele testou isso. — Mary rosnou consigo mesma, seus olhos carmesins brilhavam furiosos.

— Testou? Mas ele nem chegou perto, saberíamos...

— Irei explicar em um momento mais apropriado. — Mary interrompeu. — Irei responder qualquer pergunta que tenha para mim, mas agora não dá. O principal agora e estar fora do campo de som e investigar fora, vou precisar de um plano e é bem arriscado. Ele vai envolver você. — Apontou para a ouriça rosa que arregalou os olhos.

— Não! Isso está fora de cogitação! — Sally protestou. — Não seja estupida, Mary. Arriscar uma vida por causa de algo que é uma teoria? Isso é ridículo!

— Eu preciso que você distraia Eggman e o faça focar só em você, perder o foco ao redor e nos dar tempo até que consigamos desativar essa bagunça, tenho certeza que fora dessas influencias, consigamos ver o que tanto ele quer esconder, aceita? — Mary ignorou Sally conversando diretamente com Amy.

— Uma isca? Tem certeza que Eggman vai cair? — Mary lhe deu um aceno mínimo. — Certo, eu vou. Se isso vai ajudar todo mundo, eu posso fazer isso. Ajudar os amigos é o que ele faria sem pensar certo? Nem que custe sua própria vida.

— Isso é suicídio. — Sally suspirou, seus ombros caindo derrotada.

— Não se você quiser. — Mary apenas jogou no ar. — Eu sei que você tem mais poder do que aparenta, Sally. Use-o! Nos lidere!

A esquila deu um passo para trás com a intensidade das palavras da morcega.

Sim, ela já era uma líder. Uniu e fortaleceu os Freedom Fighters, traçou planos de defesa e calculou ataques pequenos. Mas liderar uma batalha daquela magnitude? Olhou ao redor, via a morcega albina lutando contra a horda metálica, viu o equidna esmurrando com fúria, o ouriço negro que estava tão confiante.

A horda não chegava a avançar, faziam um ótimo trabalho. Mas precisavam de um líder, alguém para os guiar.

Por que Sonic não estava ali?

Se lembrou de repente de Maurice. Tão parecido com Sonic. Tão energético, tão vívido.

Ela o deixou morrer sem que pudesse fazer nada, ele tentou a defender e perdeu a própria vida por causa dela.

Ninguém morreria por sua culpa.

Não mais.

Seus punhos se fecharam com força. Fechou os olhos, tentando respirar fundo, controlar seus medos, suas angustias, seu receio de falhar. Era tudo ou nada.

E ela não fora destinada a falhar. Não era seu pai.

Carregava o fardo dos erros passados. Seria capaz de superá-los?

Conseguiria?

— Você consegue, Sally! — Amy falou ao mesmo tempo em que as palavras “não sei se posso” saia de seus lábios, abriu os olhos e viu a ouriça ali.

Torcendo por ela, desejando que conseguisse. Um apoio moral.

Então entendeu como Sonic se sentia naquele momento, como todos estavam do seu lado, torcendo por ele.

Era energizante, mas também carregava uma pressão. E se falhasse? E se desse as ordens erradas? Quem perderia? Quantos perderiam.

“Eles são seus, Sally, está em seu sangue lidera-los. Eu os reuni para garantir-nos um futuro, a ascensão dos Acorn. Você é a esperança deles.”

A voz soou em sua mente, como uma cantiga, lembrava vagamente o timbre de Rosy, mas havia algo mais naquele timbre, era carregado, rouco.

“Vamos trazê-los a dor, me vingarei por aqueles que nos destrona-los. Eles sofrerão!”

Uma imagem veio a sua mente, uma sombra roxa, enegrecida. Os olhos eram brancos, sem pupilas, íris, apenas um branco vazio, onisciente. Nunca a vira antes, mas sabia perfeitamente quem era.

Abriu os olhos e tomada de uma coragem estranha, virou-se para Espio.

— Descubra se ele tem sensores de movimento. Você sabe o que fazer. Você — olhou para Splinter que assentiu para ela, sem nem mesmo ouvir suas ordens. — Fique à espreita, ao redor das pernas no maior robô, procure rachaduras, qualquer ponto frágil na estrutura, mesmo com a ilusão é impossível que as investidas do equidna e os ouriços tenham feito nada.

O rato assentiu e se afastou na dupla.

Virou decidida para Mary.

— Se o Espio for bem sucedido, mandaremos Amy como distração e Espio como um guarda, para impedir que fique completamente desprotegida. Seguiremos seu plano porque sim, foi bem articulado, embora suicida. Amy — se virou para a ouriça que estava surpresa com o tom dela — se as coisas ficarem muito difíceis para você suportar, corra, finja que não consegue se defender e esquive de Eggman. Não deixe ele te pegar... Por favor... — sussurrou a última palavra, em uma suplica.

Amy, tomada de uma emoção estranha de preocupação, assentiu. Afinal, alguma coisa acontecera com Sonic, ele não retornara, apenas Shadow. Sentiu um aperto no peito, se perguntou o que poderia ter acontecido com o ouriço cobalto e, se ele estava bem.

— Eu odeio colocar outras pessoas em risco. — A esquila avelã resmungou consigo mesma, fazendo uma expressão chateada. — Mas só vou deixar se Espio não tiver nenhum problema. — Olhou para a morcega negra em desafio.

— E acha que meus anos de exército foram em vão? — A morcega negra brincou, mas seus olhos eram tensos. — Eu sou uma comandante, eu não teria esse posto se sempre colocasse a vida dos meus subordinados em risco, mas não vou levar para o lado pessoal, tenho outras preocupações em mente agora.

— Como por exemplo...? — Sally incitou, Skye estava quieto, calado e de braços cruzados, com os olhos felinos muito concentrados.

— Quem está no controle dessa vez. O futuro e como reverter essa situação, eu teria que entrar em contato com a GUN, mas sou necessária aqui, não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo. — desabafou enquanto suspirava longa e profundamente. — Meus agentes tem uma segunda em comando, mas aí é que está o problema, estamos sem comunicação e esse era o plano, mas eu preciso proteger a todos e impedir que seus planos saiam do controle.

— É um trabalho árduo. — Sally concordou solidária. — É mais difícil do que faz parecer, não é?

Espio já tinha saído de vista, invisível para os olhos de grande parte do grupo, correndo em direção ao centro da batalha e ignorando os conflitos ao redor, passando despercebido pelos robôs que estavam atacando, embora Ômega fosse capaz de identifica-lo fácil.

— Não sei se Nicole consegue passar pela obstrução para contatar os outros agentes que estão fora, não vou arriscar sermos descobertos, quanto mais tempo acreditarem que ninguém percebeu o plano, melhor. — Mary comentou. — Eu vou sair pelo beco que entrei, vou precisar da sua ajuda, Skye.

O gato apenas olhou para ela e deu um fraco assentir, embora tivesse vontade de protestar, não era tão estupido para voltar a repetir a discussão anterior, principalmente por um motivo um tanto... estupido. Intrigas pessoais podiam esperar mais algum tempo.

Ele tinha muito tempo de sobra.

Correram em direção ao beco, embora fossem rápidos, não passaram despercebidos. Robôs perceberam seus movimentos e corriam ao seu alcance, foi quando ela instruiu para Skye, em uma voz tensa.

— Leve-o para fora, longe daqui. — quase rosnou, seu pedido era uma ordem.

— Certo. — a morcega não se virou para ver o que o gato faria, nem mesmo que métodos usariam.

Ela não iria se comunicar de novo com a GUN.

— Quando encontrar o exército, procure pela Capitã Sue, explique a situação a ela. — instruiu, sabendo muito bem das suas limitações.

— Mas e você? — perguntou alto para que ouvisse.

— Ganhar tempo.

Ela assentiu enquanto desaparecia ele as sombras do beco.

No canto mais afastado, Sally ainda estava no mesmo lugar, observando apenas.

— Eu sei que você está incomodada com algo, Sally. — Amy comentou, a cabeça levantada observando o robô há alguns metros de distância.

— Estou. É difícil. — suspirou. — Não pensei que ele se contentaria só com o estrago que fez em Mobotropolis, mas eu esperava tudo menos isso. — se abraçou enquanto olhava para o campo de batalha, seus aliados dos Freedom Fighters haviam se unido ao grupo de Sonic, auxiliando até mesmo do Team Dark.

Era uma das razões pela qual nenhum deles chegaram a lhes incomodar. Sabia que era questão de tempo.

— Você sabe quem é mentor, então? — Splinter tinha um tom de interrogatório.

A esquila assentiu, o olhar perdido na batalha.

— Sim. É uma das principais razões de Knothole existir em primeiro lugar.

— Quem é? — a ouriça rosa olhou para o campo de batalha também, suas forças já tinham se restabelecidos, embora sentisse ainda seus joelhos fracos, os braços doloridos de girar seu martelo com toda sua força.

Mesmo com a força extra e resistência que tinha, não conseguia durar muito tempo sem pausa. Uma capacidade que sempre inventou em Sonic. Talvez devesse praticar mais exercícios, embora correr atrás do ouriço tinha sido sua função desde muito tempo, não conseguia ter a mesma resistência e acabava desistindo. Agora tinha outro objetivo para correr atrás.

Sua independência.

— Julian Kintorbor. — Sally pronunciou como se fosse um palavrão. — Seu irmão gêmeo.

Notas finais
Curtiram o plot twist? Comentem ae se gostarem, obrigado por lerem. Até~