Notas iniciais
https://www.youtube.com/watch?v=shEKWK4gZOA Será mesmo que eu voltei? Será?

Mary baixou seu pulso, seus olhos carmim se suavizaram ao clicar no botão de desligar, ela deu um breve e audível suspiro, seu olhar se dirigiu para o campo de batalha, analisando por um momento, antes de se agachar novamente diante do ouriço, sua expressão tão serena que era tranquilizadora.

— Ninguém está dizendo que não precisam de você, ouriço. — Sua voz era suave, tranquilizadora. — Apenas que deveria se preocupar com algo mais importante. — Ela explicou pacientemente. Depois pegou as mãos dele nas suas, apertando com cuidado para que suas unhas afiadas não cortassem a pele.

— Mas... — Ele tentou dizer, mas ela balançou a cabeça enquanto lhe dava um mínimo sorriso, apesar dos traços de estresse em seu rosto e seu corpo tenso, sua movimentação não era tão fluida quanto antes, ao menos na memória do ouriço.

— Deveria confiar mais na capacidade dos seus amigos, Sonic. — Ela repreendeu suavemente, os olhos esmeraldas se dirigiram para o campo de batalha, sua visão ligeiramente prejudicada por sua posição e localização afastada, mas pelos vislumbres parecia que não estavam com tantos problemas.

Na verdade ele nunca havia parado para observar seus amigos lutando, tão absorto em sua tarefa de proteger a todos que nunca sequer houve oportunidade para ver a força impressionante com a qual Knuckles subjugava os robôs inimigos, nem como Amy era tão determinada, mesmo que pudesse claramente ver que estava ficando exausta pelo esforço, não tão acostumada com longas batalhas ou o exercício extenso.

A morcega acompanhou seu olhar, nenhum dos que estavam lutando pareciam estar cientes da observação da dupla, Sonic suspirou balançou a cabeça.

— Isso parece tão errado. — Ele suspirou olhando tristemente para o campo de batalha. — Eu sempre estou junto com eles em todas as batalhas, é quase como se eu os abandonasse, como se eu fosse egoísta o suficiente para deixá-los sozinhos... — Soluçou novamente, sua crise de choro persistente.

— Não é egoísmo, ouriço. — Ela balançou a cabeça pacientemente. — É pesar suas prioridades, não é como se você estivesse fugindo da batalha, você foi imprudente em ter vindo, se arriscou muito. — Seus olhos rubis se endureceram e novamente a sombra obscura estava em sua face, tornando-a uma figura totalmente estranha aos seus olhos.

Ela soltou uma de suas mãos, deslizando o polegar pelas bochechas vermelhas e molhadas, acariciando levemente, apesar da expressão estranha em seu rosto.

— Às vezes temos que pesar nossas escolhas, a vida não é gentil com ninguém, ouriço. — Sem tom carregava uma dor que, mesmo suavizada por sua expressão serena, o fez olhar para ela. — Isso é parte de se tornar adulto, Sonic. Pesar suas obrigações e prioridades, fazer sacrifícios necessários. — Os olhos dela carregavam um cruel e profundo abismo, olhar para eles era como tentar ver o interior de um túmulo.

Aos poucos, as palavras dela entravam em sua mente, deixando uma sensação estranha no peito, uma agonia. As lágrimas recomeçavam a cair, mas dessa vez sua respiração não era mais tão descompassada e nem seu peito parecia arder tanto. Ele havia entendido as palavras dela, mas ainda assim pareciam carregadas de uma dor que ele desconhecia e pela expressão dela, não iria perguntar.

O passado de alguém deveria apenas permanecer no passado, sem ser cavado, por mais curiosidade que gerasse.

Mary tirou as mãos do rosto dele, sua expressão mudando novamente, como se virasse a página, agora tinha cautela. Apertou as mãos que segurava com calma, seu rosto se retorceu em um meio sorriso triste.

— Não se sinta culpado por isso. — Ela repetiu, a fachada carinhosa havia se dissolvido para uma expressão fria, Sonic estava confuso com as diversas faces emocionais da morcega.

Ela levantou a cabeça, seus olhos focalizando algo acima de suas cabeças.

— Deseja algo? — Sua voz tinha uma clara hostilidade educada, sua frase não saía com entonação nas palavras, como se fosse forçada a dizer as palavras.

— Só observando. — A voz infantil pegou Sonic de surpresa, o interlocutor falava com uma frieza anormal para uma criança, apesar de sua voz soar adequadamente educada.

— Todos os cavalos do rei... — Mary pronunciou baixo, mas alto o suficiente para que fosse ouvida por Sonic, não sabia se o jovem que estava acima de si podia ouvir como ele.

— Não deveria acontecer tão cedo. — A voz do garoto podia ser ouvida, pensativa enquanto de repente desaparecia.

O ouriço piscou e quando olhou para Mary novamente, atrás dela surgia um jovem mobian gato de pelagem azul petróleo, seu cabelo curto sob a luz certa até mesmo poderia parecer esverdeado. Mary não pareceu notar a sua presença ou se notou, não parecia ter se surpreendido.

Ele se aproximou dela, pousando sua mão no ombro dela, poderia parecer casualidade, mas Mary parecia ter se endurecido ao toque.

— O campo de batalha precisa de você. — Ele falou simplesmente, tão sem emoção que chegava a ser assustador. Sonic se encolheu instintivamente. —Posso assumir daqui.

—E o que vai fazer? — Ela se levantou se sua posição agachada, a mão dele caiu ao seu lado. Ela ainda segurava a mão do ouriço como apoio. Os olhos carmesins analisaram o garoto com olhos críticos de uma general formada por inúmeras batalhas, ela sabia reconhecer um lutador quando via um. E claramente esse não era o perfil do garoto, trajado com roupas pesadas e finas que cobriam quase completamente seu corpo esguio pequeno e magro.

— Dar ordens. — Assim que a palavra “ordens” foi dita, uma sombra desceu na direção do beco, ela apenas percebia pela visão periférica, mas era o suficiente para lhe dar a resposta que precisava.

O corvo estava diante dela com seu bico curvado em um sorrisinho malicioso enquanto a encarava, sua postura ereta e cortês denunciava sua ligeira arrogância enquanto encarava a morcega com superioridade.

Nenhum comentário foi trocado entre os dois, apesar de estar claro de que ele era subordinado do jovem gato.

— Mantenha-o vivo. — Foi a única coisa que ela disse, enquanto olhava diretamente para o gato com seriedade.

No entanto, ele não se encolheu, encarou-a de igual.

— Sebastian? — Ele disse simplesmente, seus olhos franzidos para o corvo.

— Yes, my lord.

A batalha estava em seu ápice e gotas de suor já escorriam pelas testas e corpo dos lutadores feitos de carne, Mary havia retornado ao campo de batalha, com um armamento novo, recolheu um dos escudos dos badniks e uma das maças metálicas, desde que os seus antigos usuários não tinham sequer condição de reclamar pelo roubo. Os lutadores estavam se cansando aos poucos, mas uma hora a exaustão iria os derrubar.

Cream gritava animada enquanto jogava seu fiel companheiro chao contra os inimigos, ainda sem sair dos ombros de Big, que manuseava sua fiel vara de pescar como se estivesse em um jogo de beisebol, seus olhos se estreitando com uma concentração surpreendentemente. Charmy voava de um lado para o outro, energeticamente, fazendo com que os oponentes se chocassem e tivessem mais efeito atingindo um ao outro ao invés de encostar o mínimo que fosse no zangão hiperativo.

Knuckles e Vector lutavam lado a lado, derrubando o maior número de inimigos possíveis, com a esmagadora força física que possuíam, tornando a frota de Eggman uma pilha gigantesca de metal retorcido e inútil.

Espio estava em algum ao redor, invisível nas sombras, mas tão ativo em batalha quanto qualquer um deles, sua habilidade aperfeiçoada o suficiente para que pudesse lutar e ainda permanecesse perfeitamente oculto, usando a vantagem para somar com sua velocidade e ajudar todos com seu esforço.

Shadow avançava cada vez mais para o centro de toda a horda, ignorando alguns em seu caminho para economizar energia para um dos seus mais potentes e destrutivos golpes usando Chaos. Rouge voava ao seu redor, afastando as distrações do ouriço em uma ação instintiva, acostumada já a trabalhar em conjunto com ele em suas missões e gravitando para ele quase mecanicamente. Formavam uma equipe estranha, mas estranhamente eficaz e unida.

Ômega como se guiado por uma ordem muda, fazia a mesma coisa que Rouge, limpando o caminho para Shadow, mesmo sabendo que ele poderia se manter sem reforços, não tinham tempo para distrações, nem para questionar a capacidade de alguém.

Amy, porém, sentia que seus músculos queimavam dolorosamente, seus braços estavam tão doloridos que pareciam que iriam cair de seu corpo, se apoiava em seu martelo com respiração dolorida e sôfrega, seus pulmões ardiam a cada nova inspiração. Suas pernas tremiam com o esforço que ela fazia para ainda se manter de pé.

Ela não era uma lutadora experiente como Knuckles ou até mesmo Tails, não era acostumada a enfrentar longas batalhas, ela era sempre quem ficava no canto, quem era afastada das batalhas por acharem que era inexperiente para assumir uma posição tão arriscada ou, em seus pensamentos mais sombrios, era fraca para colocá-los em uma posição complicada.

Embora soubesse que Sonic nunca pensaria dessa forma, aceitando até mesmo lutadores bastante novos em seu grupo como Cream, parecia que o pensamento era infundado, ou que ela fosse de fato talvez um empecilho.

Seus dedos se apertaram no cabo de sua arma, com força, levantando-o para atingir dois que haviam se separado do grupo para atacá-la, destruindo-os com o impacto, mas deixando-a cada vez mais cansada. De sua posição segurando o martelo no ar, olhos mais perspicazes podiam notar que suas mãos tremiam.

Ela estava tentando se estabilizar quando um novo grupo veio para cima de si, seus olhos jades se arregalaram, sentia seus batimentos cardíacos nos ouvidos, seu coração batendo tão forte que poderia quebrar suas costelas. Seus joelhos tremeram, ela não conseguia correr, estava cansada demais para uma fuga decente, seu grito desesperado ressoou pelo grupo, atraindo vários olhares repentinos e até mesmo instintivos.

Olhos carmesins se estreitaram enquanto olhava diretamente sob a horda, seu escudo empunhado enquanto se defendia de uma investida programada e previsível, os movimentos sendo lentos demais para serem evitados, mecânicos e completamente óbvios, não era como lutar contra um inimigo orgânico, a comparação chegava a ser engraçada.

Mary apertou os olhos ao notar que era a ouriça, suas asas se abrindo para ir a sua direção, com um impulso quase incontrolável, mas antes que pudesse dar qualquer passo, a horda havia se multiplicado de tal forma que não conseguiria nem mesmo abrir suas asas sem que o metal frio as rasgassem. Ela rosnou, enquanto se empurrava dentre os robôs que, mesmo que os destruíssem, pareciam que apareciam mais.

O pensamento era ilógico, não havia como robôs se multiplicarem, balançou a cabeça enquanto se apressava na direção da ouriça.

Assim como praticamente todos os outros amigos e aliados dela, Rouge mesmo tendo a vantagem do ar não conseguiria mover suas asas rápido o suficiente, estava longe demais de onde Amy estava, numa distancia que parecia transcorrer três quarteirões inteiros, Eggman havia devastado Speed Highway completamente e os danos ultrapassavam toda e qualquer expectativa.

Embora não fosse a cidade mais destruída de toda a história.

Station Square, por exemplo, poderia ser uma das listadas.

Assim como uma ilha inteira.

Knuckles rosnava palavrões sob a respiração, embora não estivesse nem perto da exaustão, era um dos que também estavam longe da ouriça, onde estava Sonic quando mais se precisava dele? O equidna se perguntava, enquanto seu temperamento geralmente explosivo tomava conta, avançava com uma intensidade que beirava ao desespero somado a fúria de Sonic não estar em nenhum lugar próximo, apesar de ter ouvido o som de sua corrida não tem muito tempo.

O que estaria retardando tanto Sonic?

Cream tinha seus olhos antes alegres, arregalados e Big parecia sustentar com mais ferocidade sua vara de pescar, agitando-a no ar com tanta força que, com um estalo, o enorme gato roxo assistia surpreso sua fiel companheira estalar, ameaçando quebrar.

Sem alternativa, ele teve recuar, Cream junto para cobrir sua enorme retaguarda e evitar que ambos acabassem se ferindo. O Team Rose estava pouco a pouco desmoronando, com sua líder prestes a ser apagada.

Talvez permanentemente.

Notas finais
Dê uma forcinha ae parca. Aliais, esse capítulo é parte de um todo e blá blá blá.